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26 março, 2012

Ana não gosta da internet, mas seus companheiros gostam



por Tatiana de Mello Dias
Do Link

Governo avisou que a ministra continua

Ana de Hollanda não se interessa pela internet, mas virou Trending Topic no Twitter. Ela foi o assunto mais falado do País ao soltar, durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados, que “a pirataria feita através da internet” vai “matar a produção cultural brasileira se não tomarmos cuidado”.

Ana de Hollanda provavelmente não sabe que a maior causa de pirataria em países emergentes como o Brasil não é a internet, mas os preços altos praticados pela indústria cujo discurso ela replica.

Ela também provavelmente não sabe o que é crowdfunding, que viabiliza projetos culturais através de doações na internet, nem plataformas como o Soundcloud, em que artistas ganham público sem depender de gravadoras. E também não deve conhecer o sucesso do Spotify lá fora, além de outros negócios milionários e acessíveis, que não operam no Brasil porque aqui vinga um modelo baseado no que a indústria quer e não no que os usuários podem pagar.

Como dizem, Ana é analógica e anacrônica. Não parece preocupada em entender a internet. Muito menos em pensar políticas culturais que conversem com o ambiente digital. Prefere investir, por exemplo, em restaurações. É seu projeto de governo – e endossado por Dilma Rousseff. A porta-voz da presidência disse que ela fica no cargo.

A reforma da lei de direitos autorais, prioridade do MinC até 2010, hoje é segundo plano. O ministério freou o processo de aprovação da lei para incluir no texto tópicos desejados pela indústria cultural (como a instituição do mecanismo de notificação e retirada de conteúdo infrator sem ordem judicial). A lei agora está no executivo – e sabe-se lá quando o texto irá para o Congresso.

Nada como um tempo após um contratempo, Ana. A ministra não está interessada na reforma, mas outros setores estão. O deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) percebeu que, dentro do Congresso, predominava uma visão mais progressista em relação aos direitos autorais. Depois do recuo de Ana, ele pegou o texto anterior do MinC, mais flexível, e apresentou uma nova versão na Câmara. Há chance dessa lei ser aprovada antes da versão oficial do MinC? Ele me disse que não. Mas está otimista: sua ideia é reunir os dois projetos para que os parlamentares consigam aprovar uma legislação que, enfim, adeque a lei brasileira de 1998 à internet. Ele diz que a onda anti-Ecad “fortalece o projeto”.

O dia em que Ana foi o assunto mais falado do Twitter foi um marco. Só que a hashtag #AnadeBelém (em referência ao perfil oficial do MinC que twittava uma viagem dela pela capital paraense) não derruba ninguém – muito menos aprova uma política cultural mais condizente com a internet. Ana não gosta da internet, mas seus companheiros gostam. O deputado aposta na mobilização online do “pessoal da cultura” para chegar a um texto progressista e flexível. Resta saber se a pressão da internet será tão forte quanto a da indústria. No MinC, quem manda é o modelo antigo.

Anonymous vaza receitas famosas 


Hackear, crackear e programar não combinam com um estômago vazio. Por isso o Anonymous resolveu hackear… receitas. Eles não gostam de comida industrializada e não têm dinheiro. Solução: vazaram receitas caseiras de comidas famosas como a cobertura de chocolate da Hershey’s, a cebola do Outback e os tacos do Jack-in-the-Box. Estão no site Anonsource.org .

The Pirate Bay quase inacessível na Holanda


A Justiça holandesa fechou o cerco ao The Pirate Bay. O site foi bloqueado pelos provedores de internet locais em janeiro. Como de costume, usuários continuaram acessando a página através de proxies. Mas a Justiça determinou o fim do maior deles (com multa diária de 100 euros em caso de descumprimento). Ameaçados, outros sites semelhantes também saíram do ar.


22 março, 2012

Cultura: Opção preferencial pelo mercado




















Polêmicas no MinC não são briga por cargos, como quer a Folha de S. Paulo
Blog do Dennis de Oliveira

São Paulo está sediando um evento importante para a discussão dos rumos da política cultural: o I Fórum Internacional de Gestão Cultural. O evento começou na quarta, dia 21 e vai até sexta, dia 23, na Livraria Cultura. O evento é promovido pelo Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação, núcleo da USP, em parceria com a livraria que sedia o fórum. Por um acaso, o fórum coincidiu com um aumento da discussão sobre a atual gestão do Ministério da Cultura, expresso principalmente com os manifestos defendendo mudanças no ministério (ver post no blog do Rovai).

O caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo publicou, nesta quinta, uma entrevista com o ex-ministro Juca Ferreira, em que o mesmo faz críticas à atual gestão do MinC. A matéria foi pautada no sentido de explorar um racha entre a atual e a anterior gestão do ministério, apesar de, em diversas vezes, Juca Ferreira insistir que não queria fazer uma avaliação da atual gestão. Também houve insistência do jornal em transformar o ex-ministro em candidato à sucessão de Ana de Hollanda. O que salta aos olhos desta matéria do “jornal a serviço do país” é transformar uma discussão de fundo que aborda concepções de políticas de Estado para a cultura em uma briga por cargos ou um racha na aliança governista por cargos. No portal UOL, onde está a íntegra da entrevista, percebe-se que todas as perguntas e respostas que tratam das questões mais de fundo (inclusive o tema do fórum, uma gestão para além do mercado) foram cortadas em prol de enfatizar uma técnica preconcebida do jornal de se tratar de mais uma briga por cargos.

A abertura do Fórum contou com as conferências de Juca Ferreira e Alfredo Manevy, ex-secretário executivo da pasta. As discussões apresentadas por Juca e Manevy foram na direção dos contrapontos conceituais do q ue é cultura, gestão cultural e papel do Estado na formulação de políticas públicas de cultura. Enfim, os motivos pelos quais ambos criticam a atual gestão do MinC.
Assim, a discussão existente atualmente referente ao atual ministério da Cultura se dá não por um desejo de ocupação de cargos mas sim por uma questão de conteúdo e concepção que tangencia, necessariamente, uma reflexão sobre qual é o papel do Estado neste campo. Manevy, em sua fala na abertura como as do Fórum, defendeu que a “cultura e o tema ambiental são os novos espaços de repolitização da sociedade”. Isto porque a emergência da visibilidade da diversidade cultural e os problemas ambientais mais graves forçam uma discussão política global sobre como o Estado deve atuar nestes campos, uma vez que está claro que o mercado, por si, não só não tem capacidade de resolver mas tende a agravar os problemas que se verificam, como as intolerâncias, o racismo e a destruição do ambiente.

Evidente que os jornalistas da FSP não se preocuparam em ficar para ver pelo menos uma parte das falas de Juca e Manevy. Tinham mais o que fazer, produzir mais um simulacro de matéria que desinforma o leitor

21 março, 2012

Anacrônica de Hollanda

Visão cultural anacrônica caracteriza audiência pública de Ana de Hollanda na Câmara 































Do Cinema & Outras Artes
via @M_Caleiro

A audiência pública de Ana de Hollanda na Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara dos Deputados, realizada ao final da manhã de hoje, dissipa qualquer eventual dúvida quando ao anacronismo de sua visão das relações entre cultura e internet.

Foi um espetáculo constrangedor: ante arguidores em sua maioria anestesiados, desinteressados, a ministra da Cultura demonstrou não possuir os conhecimentos mínimos requeridos de um gestor cultural em sua posição, ostentando uma postura que choca pelo primarismo – expressado numa visão reducionista da cultura tão-somente enquanto produto cultural comercializável -, pelo conservadorismo – em contraste com o discurso da candidata Dilma – e, sobretudo, pelo atraso intelectual - ficou claro que as concepções de Ana quanto às relações entre produção cultural, mercado e internet apresentam uma defasagem de décadas e não se coadunam com os fluxos culturais que caracterizam o mundo contemporâneo.

A ministra afirmou temer pelo futuro da cultura brasileira devido à pirataria e à internet. Ou seja, para ela, a rede mundial de computadores, cujas imensas possibilidades de produção e circulação cultural são exaltadas por pesquisadores do porte de um Jesus Martín-Barbero, representa uma ameaça, e não um devir.

Foi constrangedor ouvir uma figura ligada a uma tradição familiar caracterizada pelo culto à inteligência e pela participação política progressista proferir uma visão a um tempo tão retrógrada, desinformada e, ao mesmo tempo, tão contrária ao bem coletivo e favorável ao lucro privado. A ministra deu mostras de confundir troca arquivos pela web com furto e, assim, chamou veladamente tais internautas de ladrões.

Continua no Cinema & Outras Artes


06 dezembro, 2011

O recado de Gil, ou Ana, aquele abraço!


Gil vê as críticas a Ana de Hollanda no Minc como "reações à descontinuação de políticas" iniciadas por ele e por Juca. O recado está dado!   
Gilberto Gil, quando ministro, em visita aos Ashaninkas no município de Marechal Thaumaturgo (AC)













Roberta Pennafort , AE
Ministro da Cultura de Lula de 2003 a 2008, Gilberto Gil disse que Dilma Rousseff “está indo muito bem, respondendo às questões da economia, às questões permanentes de malfeitos e corrupção. Que bom (que os ministros suspeitos foram afastados)! Pior é se não tivessem sido afastados”, avaliou o compositor.
Ontem, em entrevista, em sua produtora, no Rio de Janeiro, por ocasião do lançamento de seu acervo digital, ele falou de sua percepção da atual gestão federal. “Eu gosto do governo Dilma. Não parti de posição desconfiada, porque trabalhei com ela por seis anos. Eu na Cultura e ela, na Casa Civil e nas Minas e Energia. Eu sabia da capacidade dela”.
Gil acompanha o governo Dilma e o desempenho de sua sucessora na pasta da Cultura, Ana de Hollanda, em particular, pelo noticiário, sem dar declarações que possam soar intrometidas. De personalidade conciliadora, o músico preferiu se manter de fora das polêmicas que se sucederam na Pasta neste primeiro ano – da reforma da Lei dos Direitos Autorais à aprovação controversa de projetos na Lei Rouanet, passando pelas diárias recebidas (e devolvidas) pela ministra por dias de folga. Ele considera que Ana, que pode deixar o cargo na reforma ministerial de janeiro, está se saindo até agora “dentro da média da avaliação geral do governo da Dilma”.
Gil acha que a intensidade das críticas à administração de Ana foi menor do que a que ele teve de enfrentar em 2003. “Não é nada diferente do que foi comigo. Num certo ponto, foi mais, porque a minha presença era mais escandalosa do que a da Ana”, disse, rindo. “Ela já tinha o benefício de eu ter sido ministro antes, sendo artista e tal. E algumas das minhas propostas iniciais do Ministério entraram em choque mais abertamente com os sistemas gerais da cultura no Brasil”.
Adepto da máxima de que “ex precisa entender que é ex”, ele vê os ataques sucessivos à ministra desde o início do ano como reações à descontinuação de políticas iniciadas por ele e por seu sucessor, Juca Ferreira (no cargo de 2008 a 2010). “Havia uma massa de programas em andamento, nas gestões Gil e Juca, que as pessoas queriam que continuasse. Na medida em que houve, aqui e ali, recuo por parte do Ministério novo, houve insatisfação”.

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