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27 outubro, 2011

Caso Folha X Falha pode abrir precedente perigoso


Por Eduardo Guimarães Guimaraens (@justdu)
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Na tarde da última quarta-feira (26), a Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados promoveu audiência para debater o silêncio da mídia no caso de censura imposta pelo jornal Folha de São Paulo ao blog Falha de S. Paulo. Na Audiência, proposta pelo Deputado Paulo Pimenta (PT-RS), parlamentares de diversos partidos políticos compareceram, em uma demonstração de que essa não é uma discussão partidária, conforme tentou induzir o diário paulista nos últimos dias. Os deputados alertaram para um precedente perigoso que pode ser criado no país, dependendo da compreensão da justiça sobre o episódio.

Autor do requerimento para o debate, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) enfatizou que a linha adotada pela Folha põe em risco um direito constitucional. “Estão corretos os que entendem que esse episódio não é algo menor. Como essa é uma ação inédita no Brasil, a decisão da justiça em favor da Folha de S. Paulo criará uma jurisprudência de restrição à liberdade de expressão. No futuro, os próprios meios de comunicação serão julgados com base nesse entendimento”, frisou o parlamentar.


Durante a sessão o criador do blog Falha, jornalista Lino Bochini criticou, por um lado, a ausência da Folha, mas por outro, afirmou que o jornal paulista “mostrou sua verdadeira face”. Ele, que classificou a ação da Folha com “absurda” e “truculenta”, rebateu as alegações do proprietário e diretor de redação, Otávio Frias Filho, de que o blog Falha não seria sátira nem independente. “É muito bom quando temos o dono do jornal deixando cair sua máscara, o jogo fica mais claro. A Folha mente, o nosso blog era sátira e era independente! A Folha é um jornal que cobra transparência, responsabilidade dos órgãos públicos – o que está correto – mas que foge do debate por meio de uma carta autoritária”, contestou Lino, desafiando que não há na blogosfera nenhum site defendendo a Folha, além do portal do próprio jornal.

Falando em nome da Federação Nacional dos Jornalistas – Fenaj o 1º Secretário  Antônio Paulo Santos disse que ao invés de pregarem a liberdade de imprensa “o donos dos grandes grupos de comunicação querem na verdade “a liberdade de empresa” ou seja apenas publicam o que lhes é interessante ao invés de bem informar. O dirigente da Fenaj criticou, e não isentou o Congresso, pelo fato de no Brasil o setor de comunicação não ter regulação nenhuma. “As tradicionais famílias que dominam a mídia em nosso país trabalham unidas pela desregulamentação do setor. Conseguiram, a partir de muita pressão, que o Congresso arquivasse o projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo e, por fim, há dois anos, derrubaram o diploma de jornalismo”, resumiu.

Durante a sessão boa parte dos deputados presentes criticaram a ausência dos representantes da Folha de São Paulo que, um dia antes, declinaram do convite  por discordar da temática do encontro. A ausência dos representantes da empresa jornalística foi considerada desrespeitosa com a Câmara Federal por muitos dos deputados presentes e que abordaram o tema entre eles Ivan Valente do PSOL, Manuela d'Ávila do PC do B e  Luiz Couto do PT. Ao comentar sobre o assunto o deputado Pimenta disse que “a Folha teria pouco acrescentar em um debate sobre Liberdade de Imprensa”.Os autores do Blog Falha de São Paulo informaram que recorrerão até a última instância para garantir a volta dos site ao ar.

A Folha de São Paulo enviou uma repórter à Audiência e publicou em suas páginas uma matéria apenas de registro, sem maiores detalhes. Outras ausências notadas foram do representantes da Associação Nacional de Jornais - ANJ e da OAB Nacional, esta se desculpou dizendo que sua ausência era justificada pelo julgamento da constitucionalidade dos Exames da entidade para os novos advogados. 
Ressalte-se que a Deputada Manuela Dávila, mesmo em meio ao atribulado dia que viveu seu partido, compareceu à Audiência.


No site www.desculpeanossa.com.br , os videos da sessão! 


25 outubro, 2011

Folha se recusa a debater censura

Do desculpeanossafalha.com.br


Folha esconde calúnias e ataques pessoais ao noticiar carta em que anuncia fugir da audiência de amanhã em Brasília



Depois de mostrar sua verdadeira face em carta assinada pelo dono do jornal e seus principais executivos, em sua sua edição impressa o jornal omite que acusou fAlha de não ser independente e de estar a serviço do PT. É mentira. Mas, mesmo se fosse verdade, e daí?
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Depois de quase 400 dias fugindo do debate que começou por conta de um processo de censura que eles mesmos abriram, ontem a Folha de S.Paulo resolveu ir pra briga. Na carta enviada à Comissão de Legislação Participativa para informar que recusavam o convite para debater no Congresso Nacional a censura que patrocina contra o blog Falha de S.Paulo, a Folha prestou um grande serviço de utilidade pública. Deu um show de prepotência (chegou a chamar o deputado que propõe o ato de desinformado) e má-fé e mostrou táticas toscas de difamação dignas da Veja. Explico, a partir de trechos da carta (reproduzida no pé deste post):
            
1) O jornal fala várias vezes que não estávamos fazendo sátira. Fora o fato de que MESMO QUE ISSO FOSSE VERDADE a censura não se justifica, essa é a opinião mais isolada dos 90 anos de história da Folha. A Justiça não acredita. NENHUM blog também. Tampouco apareceu algum advogado, ativista ou jornalista disposto a comprar essa versão. E o engraçado é que, como as informações circulam, sabemos muito bem que os jornalistas da PRÓPRIA FOLHA (fora os que assinam a carta, ou talvez nem eles) também não engolem essa balela da direção.


2) O jornal nos acusa de “não ser independentes” e de estar a serviço do PT. Essas afirmações poderiam render um belo processo de calúnia e difamação contra o trio que assina o documento. Caros Otávio, Vinicius e Sergio, abro de bom grado as contas bancárias, as declarações de imposto de renda e os sigilos telefônicos meu e de meu irmão e desafio publicamente a Folha a provar essa afirmação mentirosa.

          
3) MUITO IMPORTANTE: Vamos partir do pressuposto que eu fosse filiado ao PT (não sou nem nunca fui filiado a partido algum). Vamos partir do pressuposto de que, realmente, a Falha não era uma paródia crítica ao jornal. Vamos fazer de conta que era, sim, um blog a serviço do PT, sem humor nenhum e criado com o único objetivo de espinafrar a Folha. Nada mudaria. Mesmo assim TODOS os argumentos que usamos desde o começo seguem válidos.
         
4) Na carta de ontem o jornal “fortalece” sua argumentação contra a audiência afirmando que o assunto é “matéria superada” –porque já saiu a decisão em primeira instância. Na edição impressa, contudo, o jornal termina seu texto falando o óbvio: “cabe recurso”. Ou seja, a Folha muda de discurso conforme seus interesses. Para fugir do debate, diz que é “matéria superada”. Para posar de correta para seus leitores, entretanto, lembra que cabe recurso. De nossa parte, não alteramos uma vírgula nossa argumentação desde o primeiro dia. Nosso discurso é um só e tem amplo apoio inclusive dentro do prédio da Barão de Limeira –ao contrário da Folha, que só tem o apoio dos seus advogados.
           
TUDO ISSO SERÁ TEMA DA AUDIÊNCIA PÚBLICA AMANHÃ (4ª FEIRA) NO CONGRESSO NACIONAL (plenário 3, anexo II), AS 14H. A FOLHA NÃO QUER DEBATER, MAS OS DEPUTADOS E A SOCIEDADE QUEREM. VÁRIOS PARLAMENTARES CONFIRMARAM PRESENÇA. OAB E FENAJ TAMBÉM. E O SITE DO CONGRESSO VAI TRANSMITIR AO VIVO POR STREAMING. ASSISTA, MANDE SUAS PERGUNTAS, USE A HASHTAG #folhaXfalha, VENHA DEBATER VOCÊ TAMBÉM!

Aqui mais infos 

Abaixo a matéria da Folha de hoje sobre a carta e, em seguida, a carta em si:

Folha contesta tema de audiência pública proposta por petista
Por meio de carta, jornal recusa convite de comissão da Câmara dos Deputados


Em carta enviada à Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, a Folha contestou o tema de audiência pública proposta pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e recusou o convite para participar dela feito por seu presidente, Vitor Paulo (PRB-RJ).
Anunciado para as 14h30 de amanhã, em Brasília, o evento pretende discutir o tema “O silêncio da mídia no caso de censura imposto pelo jornal Folha de S.Paulo ao site www.falhadesaopaulo.com.br”.
A carta manifesta discordância da temática sugerida e do enfoque adotado pela comissão. É assinada por Otavio Frias Filho, diretor de Redação da Folha, Sérgio Dávila, editor-executivo, e Vinicius Mota, secretário de Redação.
Os três jornalistas, mais a advogada do jornal, Taís Gasparian, que está em viagem fora do país, foram os convidados pela comissão para representar a Folha.
“A Folha não endossa qualquer censura ou repressão à manifestação de pensamento crítico, até mesmo quando eivado de agressividade injuriosa ou distorção partidária”, afirma a carta.
O jornal questiona ainda o que o petista chamou de “silêncio da mídia”.
“Ainda que fosse pertinente, a questão deveria ser colocada aos meios de comunicação em geral, não fosse o fato de a pendência relativa ao blog ter sido noticiada não apenas pela própria Folha em diversas ocasiões como por vários outros veículos.”
Com a carta foram enviadas reproduções de reportagens sobre o assunto publicadas na Folha e em veículos como “O Estado de S. Paulo” e a revista “Info Exame”, da editora Abril, entre outros.
No ano passado, a Folha entrou na Justiça contra o uso de logotipo e endereço eletrônico semelhantes aos do jornal pelo blog “Falha de S.Paulo”, dos irmãos Lino e Mario Ito Bocchini. Em 28 de setembro de 2010, foi concedida liminar que determinava a suspensão do registro do domínio falhadespaulo.com.
No mês passado, a Justiça julgou parcialmente procedente o pedido da empresa, determinando a suspensão definitiva (congelamento) do domínio. Cabe recurso.
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