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19 novembro, 2011

Madoff e a fraude por afinidade

Paul Krugman
Do Estadão
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Enquanto observo a política girando em torno do movimento Ocupar Wall Street, vejo-me pensando em Bernie Madoff. Tente acompanhar meu raciocínio; talvez faça algum sentido. O caso de Madoff, como o leitor talvez saiba, foi um clássico caso de “fraude por afinidade”; Madoff conseguiu conquistar a confiança de judeus ricos ao convencê-los de que era um deles. A fraude por afinidade está por trás de muitas fraudes financeiras – e está por trás de muitas fraudes políticas também.
Bernie Madoff
No momento, a campanha contra o OWS tenta basicamente fazer com que os trabalhadores americanos se voltem contra o movimento, ainda que a maioria das pessoas apoie os objetivos do grupo, ao transmitir a impressão de que os manifestantes não são pessoas como você – enquanto que os plutocratas o são. Ora, isto já funcionou muitas vezes no passado; é aí que reside toda a argumentação do livro What’s the matter with Kansas. E sua operação pode se dar em muitas direções: o OWS deve ser rechaçado porque é coisa de hippies sujos, Elizabeth Warren é diferente-de-você porque – horror dos horrores – ela é uma professora de Harvard. 
E agora, pensando no assunto, a teoria generalizada da fraude por afinidade se estende para além da política, chegando a áreas como a análise financeira. Já indaguei neste blog algumas vezes a respeito das origens da contínua popularidade dos inflacionistas em Wall Street – pessoas que se mostraram equivocadas a respeito de tudo. Suspeito que os economistas que emitem sombrios alertas a respeito de déficits e do crescimento monetário dão a impressão de serem o tipo de pessoa que estes executivos de Wall Street gostariam de ter como companhia no campo de golfe, enquanto os professores barbados não parecem tão atraentes.
O que fazer? Dentro dos limites, deveríamos tentar remediar as dissonâncias sociais desnecessárias. Se a ideia é fazer um protesto em nome dos trabalhadores americanos, acabem com as rodas de percussão. Os guerreiros de classe da direita querem convencer as pessoas que se trata de fato de uma guerra cultural, e aposto que vocês não querem facilitar o trabalho deles.
Mas há limites para tudo. Não, eu não quero aprender a jogar golfe.

03 novembro, 2011

O Declínio do Império Americano

Do Blog do Paul Krugman 
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Caro Ben: não estamos mais em 2007
                              
O comitê de política monetária (FOMC) do Fed se pronunciou. Sua previsão é de um desemprego altíssimo para os próximos três anos, no mínimo, esperando também que a inflação fique abaixo da meta. De acordo com todas as interpretações nas quais consigo pensar, o Fed está, portanto, declarando que espera fracassar na sua dupla missão de manter a estabilidade dos preços e o pleno emprego. Para lidar com esta insuficiência, o Fed propõe que façamos… nada.
           
Mas não é isto que me frustra, já que é assim que as coisas têm sido desde o começo. O que me incomoda é a resposta de Bernanke quando indagado se o Fed poderia adotar metas para o PIB nominal, ou promover alguma outra mudança ampla nas estruturas conceituais de sua política capaz de nos ajudar a escapar desta Depressão Menor. A resposta dele foi não, pois a abordagem padrão demonstrou “seus benefícios em termos de estabilização macroeconômica”.
              
Oh, céus. Vejam só, eis aqui um cálculo aproximado – a variação na taxa de desemprego nos dez anos anteriores:


Podemos ver a Grande Moderação, algo que poderia ter levado o Fed a crer, nos idos de 2007, que a questão da estabilização estivesse sob controle. Mas e agora, depois de quatro anos de um declínio que ainda não chegou ao fim?
                
Seja como for, não é uma “estabilização” que queremos no momento – o que queremos é a fuga de um declínio que está acabando com o nosso futuro. Não é hora de propor políticas com base na esperança de que, um dia desses, nós nos encontremos novamente na Grande Moderação.
            
Sempre trabalhei com a suposição de que Bernanke fazia comentários tão brandos quando o possível levando-se em consideração o seu conselho – de que, em particular, ele compreendia o quanto precisamos de medidas radicais. Parece que não – e isto é uma péssima notícia.
           

07 outubro, 2011

Prefeito defende Wall Street. Faltou ler Krugman

Tradução de Denise Queiroz
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O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, disse hoje que os indignados estão equivocados uma vez que “lutam contra os abusos do sistema financeiro, mas não compreendem que seu protesto é contraproducente, para as pessoas que trabalham”.

“A luta que conduzem levaria a um só resultado: perder postos de trabalho e, portanto, atacarão a economia da cidade”, garantiu Bloomberg, que não simpatiza com o movimento anti Wall Street, em declarações a um programa de rádio. O prefeito disse ainda que para melhorar os índices de emprego, “falta “as empresas condições para assumir novos empregados. E os ativistas vão em direção equivocada”.

Apesar de sua opinião, Bloomberg assinalou que a cidade respeita a possibilidade de livre manifestação enquanto eles respeitem a lei, caso contrário recomeçará as prisões, como ocorreu sábado passado quando a polícia deteve a 700 pessoas que ocupavam a ponte do Brooklyn. A polícia também entrou em ação na última terça-feira ao final da “grande marcha” junto aos sindicatos, que resultou em 30 detidos.

“Isto não beneficia ao turismo, raciocinou o prefeito da ‘Grande Maçã’, opinião compartilhada pelo chefe de polícia de Nova York, Ray Kelly, que acusa os manifestantes do #occupywaalstreet de terem provocado as forças da ordem durante a marcha. “eles procuraram, procuraram o enfrentamento a todo custo, sustentou Kelly sobre os manifestantes.

O chefe da polícia denunciou que os protestos dos indignados de Nova York já custaram 2 milhões de dólares extra, que foram pagos aos agentes policiais. Enquanto isso, os manifestantes continuam em todo os país. Depois de Washington, os ‘indignados’ protestaram hoje em muitas outras cidades. San Antonio (Texas) Dallas, Houston, Tampa, Seattle, Philadelphia, Boston e Austin. 

Veja aqui e aqui mais sobre o #OccupyWallStreet  
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Ao contrário do prefeito de Nova York, o economista e prêmio Nobel Paul Krugman, pensa que o movimento deve ser levado muito a sério, conforme escreveu esta semana. 




Pessoas Ignorantes
De Paul Krugman


O website Nieman Watchdog traz um bom artigo de John Hanrahan sobre a cobertura da imprensa das manifestações com o  slogan Ocupar Wall Street. A cobertura inicialmente foi depreciativa e mínima – e “mea culpa”, eu mesmo não dei muito atenção a elas. Mas está cada vez mais claro que alguma coisa importante está sucedendo: finalmente, depois de três anos em que Pessoas Muito Sérias se recusam a exigir que Wall Street preste contas à sociedade, existe uma insurreição popular contra os Mestres do Universo.
Naturalmente, surgirão as costumeiras tentativas para negar todo o movimento, baseadas em trivialidades. Veja como as pessoas estão vestidas de modo estranho! E daí?  É melhor quando banqueiros nos seus ternos sob medida e cujas apostas colocaram a economia mundial de joelhos – e foram socorridos pelos contribuintes – se queixam que o presidente Obama está dizendo coisas um pouco duras sobre eles.
Ou, por que não tentam trabalhar dentro do sistema?  E o que tem ocorrido com aqueles que de fato tentaram? Quando as intrigas palacianas prejudicaram pessoas como Elizabeth Warren mesmo dentro do governo Obama, e os republicanos lançaram seu apoio total aos delinquentes das grandes riquezas, por que os manifestantes não podem agir fora dos canais usuais?
Finalmente, por que não acatar a opinião das pessoas que sabem o que necessita ser feito? Os leitores regulares sabem a resposta: as Pessoas Muito Sérias erraram de modo impressionante e consistente,  antes da crise financeira e depois.  Nada nos recentes fatos políticos sugere que os sagazes homens das finanças merecem algum crédito, absolutamente.
Portanto, bom para os manifestantes. E se as pessoas que cercam Obama tiverem algum instinto de autopreservação,  elas tentarão se reconciliar com as pessoas que decepcionaram tanto.
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Além de Krugman, a leitura de Naomi Klein  poderia ter evitado ao prefeito de Nova York o vexame que suas declarações causaram diante da opinião pública. Leia aqui.


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