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01 junho, 2012

O efeito dos assassinatos de reputação sobre as famílias





Nessa loucura que tomou conta da mídia, de sair atirando contra quem passa pela frente, o maior fator de pressão é o que ocorre com as famílias das vítimas. É por aí que esses assassinos da honra atuam.

Acabo de chegar de um evento em que estava a sogra do ex-Ministro Orlando Silva. Primeiro, as reportagens falsas e escandalosas em torno do terreno que adquiriu. Depois a história jamais confirmada, do dinheiro que teria recebido na garagem do Ministério. Finalmente, os ataques à família, acusando a esposa, pelo fato de trabalhar em uma peça de teatro que tinha patrocínio de uma estatal.

A CBN abriu espaço para o senador Demóstenes Torres dizer que a família inteira teria que ser presa. Durante todo o tiroteio, a esposa de Orlando quedou em depressão brava, assim como outros familiares.

No Brasilianas de segunda, a procuradora federal Eugênia Gonzaga contando que, depois que entrou com uma representação contra um abuso em TV, foi alvo de ataques do colunista Arthur Xexéo, tentando desmoraliza-la. Depois do programa narrou o drama em família, os efeitos dos ataques sobre ela própria e sua mãe.

Até hoje, entrando-se no Google, o nome da juíza que deu a sentença favorável à representação aparece com dezenas de links depreciativos. O mesmo aconteceu com o presidente do TRF3, Newton de Lucca, quando ousou propor uma habeas mídia – um procedimento que permitisse às vítimas ter direito rápido de resposta.

Em Manaus, a médica Bianca Abinader é alvo, há anos, da campanha sistemática movida por um lunático, o radialista Ronaldo Tiradentes, valendo-se de uma concessão pública e da representação da CBN Manaus. Sem que as Organizações Globo movam uma palha para interromper a escalada insana.

Há dois anos conversei com o diretor de uma estatal, alvo de uma dessas campanhas sistemáticas. Ele me contava o drama que era a filha chegar da escola ouvindo das coleguinhas ataques aos pais.

Eu mesmo vivi essa realidade, quando Roberto Civita colocou um desequilibrado para me atacar. As filhas mais velhas se reuniram com a esposa e montaram um pacto de não me trazer os dramas que viviam, para não me derrubar. Toda manhã, as caçulas iam para a escola nos deixando com o coração na mão, sem saber se as infâmias chegariam até elas. Durante a noite, o sofrimento surdo e obsessivo da esposa, ficando até de madrugada lendo o esgoto que escorria do portal da Abril e impotente, indignada com a falta de limites e de lei.

É por aí que esses assassinos de reputação atuam, afetando diretamente familiares. Pessoas que estão dispostas a enfrentar esse banditismo, quando veem o que os familiares estão sofrendo, perguntam-se se têm o direito de continuar a lutar. Mesmo assim, há os que resistem movidos por um único sentimento: o da indignação.

Guardarei para sempre a reação da caçula, de apenas 9 anos. Como é desligadinha, ficamos tranquilos achando que o clima terrível não a afetaria. Até o dia em que, na aula, alguém comentou que o pai assinava a revista Veja. Na mesma hora ela se levantou e informou:

- Não gosto da Veja porque falou mal de meu pai.

Em nome de todas as vítimas, em reação a todas essas infâmias continuadas, é que não se pode mais demorar na regulamentação da mídia, do direito de resposta.

O STF não pode ficar surdo a esses abusos continuados.

28 outubro, 2011

A ditadura da velha mídia


Por Dennis Oliveira
Do Blog do Dennis - "Escrevo o que quero"



O jornalista e blogueiro Luis Nassif diz que desde os anos 1990, há uma ditadura do mercado financeiro no jornalismo. Um círculo restrito de economistas ligados ao mercado financeiro, com presença no poder federal, passa a exercer uma pressão quase “terrorista” junto a analistas da mídia para se construir um consenso em torno de políticas macroeconômicas em favor do mercado financeiro. A concentração midiática favorece este tipo de ação, segundo Nassif.

O jornalista brasileiro comentou ainda a guerra suja operada pelos grandes grupos poderosos utilizando a web nas eleições do ano passado. Ele citou o seu conflito com a revista Veja que contratou um blogueiro para fazer provocações e ataques a sua pessoa e as denúncias que publicou contra o periódico dos Civita.

Nassif diz que os “sem midia” no Brasil são aqueles não vinculados ao mercado financeiro. Ele demonstrou o denuncismo dos grandes mídias como uma das ações terroristas mais comuns da mídia tradicional pois isto cria um efeito “manada” a partir do momento que influencia círculos de formação de opinião pública.

A blogosfera progressista, segundo ele, cumpre um papel importante no contraponto a esta ação da mídia tradicional com a disseminação de informação e não na ofensa dos antagonistas. Um exemplo disto foi o caso da Operação Satiagraha em que a grande mídia tentou desqualificar os policiais federais e transformar o Daniel Dantas em vítima e o ministro Gilmar Mendes, do STF, em um grande jurista. Pelos comentários dos leitores dos próprios portais da grande mídia, notou-se que esta ação midiática não pegou muito.

Para Nassif, embora a militância seja fundamental e necessária, é importante também os mediadores de informação na internet – com todos os matizes – que vão estabelecer áreas de discussão que permitam um confronto de idéias sem esta selvageria da troca de ofensas e denúncias que se transformou hoje o espaço midiático.

O Encontro Mundial de Blogueiros realiza-se de 27 a 29 de outubro em Foz de Iguaçú, dentro da sede da Itaipu Binacional. O encontro foi aberto ontem com evento musical e uma sessão solene. O evento é organizado pelo Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé e a Altercom (Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores de Comunicação Alternativa).


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