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10 dezembro, 2011

Mensagem da América Latina ao Mundo Árabe

Por Pepe Escobar 
Do Aljazeera
Tradução do Coletivo Vila Vudu
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Olhem bem essa foto de 1970.
Hoje presidenta do Brasil, Dilma Rousseff foi torturada em 1970 
pela junta militar que governava o país

Essa moça de 22 anos está diante de um bando de inquisidores subtropicais, para ser interrogada.

Foi torturada com choques elétricos e sofreu simulação de afogamento – práticas que, para Dick Cheney, são apenas “interrogatório estimulado” – durante 22 dias.

E não cedeu.

Hoje, essa mulher, Dilma Rousseff, é presidenta do Brasil – aquele perene “país do futuro”, a 7ª maior economia do mundo (à frente de Grã-Bretanha, França e Itália), país-membro dos BRICS, mestre de um soft power que vai além da música, do futebol e da alegria de viver.

Essa foto acaba de ser divulgada, como parte de uma biografia de Rousseff, exatamente quando o Brasil afinal cria uma Comissão da Verdade, para saber o que realmente aconteceu durante a ditadura militar (1964-1985). A Argentina já fez esse trabalho, bem antes do Brasil – julgando e punindo os inquisidores de uniforme sobreviventes.

Esse sábado, Rousseff estará em Buenos Aires, para a cerimônia de posse de Cristina Kirchner, reeleita presidenta da Argentina. Esses dois países chaves da América do Sul têm mulheres na presidência. Contem lá àquele Tantawi da junta que governa o Egito – ou àqueles exemplares paradigmáticos de democracia da Casa de Saud.

Essas coisas demoram...

Os egípcios talvez não saibam que os brasileiros tiveram de esperar 21 anos para livrarem-se de uma ditadura militar. Equivalentes de Dilma, a que não quebra e que se vê na foto dos anos 1970s, hoje da geração Google, estão lutando por melhor democracia, do Cairo a Manama, de Aleppo ao leste da Arábia Saudita.

Liberdade é o nome que se dá ao que resta quando já nada se tem a perder – além de tempo, muito tempo. No Brasil, uma verdadeira democracia estava começando a avançar, quando, em 1964, foi esmagada por um golpe militar ativamente supervisionado por Washington. O coma durou duas longas décadas.

Então, nos anos 80, os militares decidiram dar um pequeno passo, numa transição em ritmo de lesma, “lenta, gradual e segura” (segura para eles mesmo, claro) na direção de alguma democracia. Mas foi a rua – ao estilo da Praça Tahrir – que finalmente fez a coisa andar adiante.

O fortalecimento das instituições democráticas demorou mais uma década – e incluiu impeachment, por corrupção, de um presidente eleito. E passaram mais oito anos, para que um presidente eleito – o presidente Lula, imensamente popular, que Obama reverenciou como “o cara” – abrisse o caminho para Dilma Roussef.

A estrada foi longa, até que um dos países mais desiguais do mundo – governado por séculos por uma elite arrogante e corrupta, que só tinha olhos para o Norte rico – afinal consagrasse a luta pela inclusão social como questão essencial da política nacional.

O progresso no Brasil foi semelhante ao de várias outras partes da América do Sul.

Semana passada alcançou-se um clímax parcial, quando a nova Comunidade dos Estados Latino-americanos e do Caribe (conhecida pela sigla CELAC, em espanhol), reuniu-se em Caracas. A CELAC começou como ideia luminosa ante a emergência – num novo sistema-mundo, como diria Immanuel Wallerstein – de uma nação latino-americana integrada, baseada na justiça, no desenvolvimento sustentável e na igualdade. Dois homens foram essencialmente importantes nesse processo: o presidente Lula do Brasil e o presidente Hugo Chavez da Venezuela. A visão desses dois convenceu todos, do presidente Pepe Mujica do Uruguai, ex-guerrilheiro, ao presidente do Chile, Sebastian Piñera, banqueiro.

Assim, hoje, em meio à crise agônica que consome o Norte Atlanticista, a América Latina surge como possibilidade de uma verdadeira ‘terceira via’ (que nada tem a ver com o que Tony Blair inventou).

Enquanto a Europa – onde o Deus Mercado governa – constrói meios para miserabilizar cada vez mais os povos europeus, a América Latina acelera no seu impulso rumo a inclusão social cada vez mais ampla.

E, enquanto virtualmente todas as latitudes, do Norte da África ao Oriente Médio sonham com democracia, a América Latina pode, realmente exibir os frutos, duramente buscados, de suas conquistas democráticas.

Não percam o foco, não esperem presentes caídos do céu

A CELAC é aposta poderosa nas possibilidades do diálogo sul-sul. Será dirigida, nesse estágio inicial, por Chile, Cuba e Venezuela.

Pepe Mujica, presidente do Uruguai e ex-líder dos guerrilheiros Tupamaro, disse, muito claramente em Caracas, que a estrada, até que se alcance o sonho da integração latino-americana não será um mar de rosas. Inúmeras batalhas ideológicas ainda terão de ser lutadas, antes que tome forma algum projeto político e econômico amplo.

A CELAC complementa a UNASUR – União Latino-americana – que o Brasil domina. A UNASUR também está começando; por hora, é, essencialmente, um fórum.

E há também o MERCOSUL – mercado comum de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, ao qual, em breve, a Venezuela também se integrará. Em Caracas, Dilma e Cristina selaram a futura integração com Chavez.

O principal parceiro comercial do Brasil é a China; antes, foram os EUA. Em breve, a Argentina alcançará a posição de segundo principal parceiro comercial do Brasil – deixando os EUA para trás. O comércio dentro do MERCOSUL está crescendo rapidamente – e mais ainda crescerá com a incorporação da Venezuela.

Não que faltem obstáculos no caminho da integração. O Chile prefere acordos bilaterais. O México olha, sempre antes, para o norte – por causa do NAFTA. E a América Central está convertida em virtual satrapia dos EUA, por causa do CAFTA.

Mesmo assim, a UNASUR acaba de aprovar projeto estratégico crucialmente importante em termos geopolíticos: uma rede de 10 mil quilômetros de fibra ótica, administrada por empresas estatais locais, para livrar-se da dependência dos EUA.

Atualmente, nada menos que 80% do tráfego internacional de dados na América Latina viaja pelos cabos submarinos até Miami e a Califórnia – duas vezes a porcentagem da Ásia e quatro vezes a da Europa.

As taxas cobradas pela Internet na América Latina são três vezes mais caras que nos EUA. Nessas condições, é difícil falar de soberania e integração.

Washington – que exporta três vezes mais para a América Latina que para a China – está e terá de continuar focada em outros pontos: na Ásia, continente ao qual o governo Obama tanto se empenha para vender a agenda do “Século do Pacífico”.

A verdade é que Washington – como as várias direitas latino-americanas – nada tem a propor aos povos da América Latina, nem em termos políticos nem em termos econômicos. Portanto, cabe aos latino-americanos aperfeiçoar suas democracias, fazer avançar a integração regional e construir modelos de democracia social que se possam apresentar como alternativas ao velho neoliberalismo hardcore.

Por um desses truques do Anjo da História, de Walter Benjamin, talvez seja hora, agora, de os latino-americanos partilharem sua experiência com os irmãos e irmãs do Oriente Médio, no sul global.

Que a estrada é longa, é. Começa com uma moça de 22 anos, que não baixou a cabeça frente à ditadura e aos ditadores. E é caminho adiante, sem volta.


08 dezembro, 2011

A primavera que o Ocidente pediu a Deus

Em entrevista a Eduardo Sales de Lima no Brasil de Fato , o jornalista Pepe Escobar destaca o início de um período contrarrevolucionário nos países árabes.

Praça Tahrir, no Cairo - Foto: Mashahed’s Photos/CC

A junta militar que governa interinamente o Egito confirmou a nomeação de um ex-premiê da era Hosni Mubarak (1981 – 2011) para liderar o próximo governo. Kamal Ganzouri, 78 anos, foi primeiro-ministro entre 1996 e 1999. Sua nomeação provocou uma reação negativa entre a população. Mais de 100 mil manifestantes se reuniram na praça Tahrir no centro do Cairo para realizar o maior protesto desde a nova fase das manifestações.

A Primavera Árabe estaria retrocedendo? Teria ela entrado num “limbo”? Talvez. A permanência da influência das potências ocidentais, sobretudo dos Estados Unidos sobre os países árabes reforça tais indagações. A situação no Egito é apenas um exemplo. E recentemente, após o assassinato de Muamar Kadafi , na Líbia, Israel resolveu aumentar a tensão junto ao Irã. Esses são alguns dos destaques que o jornalista Pepe Escobar, especialista em Oriente Médio, do Asia Times, tentou “encadear”, numa conversa com o Brasil de Fato.

A guerra entre a Otan/“rebeldes” líbios contra as forças de Muamar Kadafi, resultando na morte do líder, pode ter significado o fim de um ciclo da Primavera Árabe?

Pepe Escobar – Ninguém no Ocidente esperava a Primavera Árabe, muito menos da forma como ela começou. Aquele ato do [jovem vendedor ambulante tunisiano] Mohamed Bouzazi lembrou os monges no Vietnã no início dos anos 1960, o de atear fogo em suas próprias vestes exigindo direitos e justiça sociais. O fato de começar num país periférico no mundo árabe como é a Tunísia deixou muita gente no Ocidente um pouco perplexa.

Por que na Tunísia? Havia várias condições: repressão governamental a movimentos sociais, teve o elemento “Google-Facebook”, que foi super importante com a juventude desempregada bem informada, e um ditador no poder durante mais de 20 anos.

Quando o movimento chegou ao Egito, o Ocidente, especialmente os estadunidenses ficaram desesperados, porque ao contrário da Tunísia, que é um país periférico, o Egito é um país central na política externa estadunidense. A “cadeirinha” dos Estados Unidos no Oriente Médio pressupõe o pilar egípcio, o israelense, e o da Arábia Saudita. Quando caiu o pé da cadeira Egito, os estadunidenses se perguntaram “E, agora? O que virá depois?”. Desde o começo das revoltas, eles privilegiavam uma solução negociada com o objetivo de manter o regime. Ao analisar as declarações da época, não só [Barack] Obama, Hillary Clinton, Pentágono, CIA, todo mundo queria [general e ex-chefe do setor de inteligência egípcio] Omar Souleiman, que era o chefe da tortura basicamente. O pessoal da Praça Tahrir o chamava de “Sheik of Torture”. Desse modo, como sucessor do então presidente egípcio, Osni Mubarak, tudo ficaria igual.

Os militares arrumaram um sistema onde botaram uma ditadura militar de fato [na prática], se livraram do chefe do regime, e de seu sucessor, que é o Omar Souleiman, hoje isolado. O regime ficou intacto.

Nada mudou essencialmente para os Estados Unidos porque eles continuaram a cooptar esse regime militar.

De que forma? Parece que existe uma cooptação direta, sem dissimulação.

Eles estão cooptando não só diretamente, mas via seu aliado principal na região, a Arábia Saudita, que há pouco “doou” US$ 4 bi para a ditadura militar do Egito se manter nos próximos meses. O Egito é um país quebrado, tem que comprar comida de fora, tem que pagar funcionários públicos e é um país que está à beira da bancarrota.

O “X” da questão foi quando a Primavera Árabe se mudou para a Península Arábica e para o Golfo Pérsico. Aí começou a atacar os interesses práticos regionais dos estadunidenses. No caso do Iêmen, na Península Arábica, a única coisa que interessa é a Al Qaeda. No Barein, eles têm a Quinta Frota estacionada. Essa polícia em meio ao Golfo Pérsico está do lado do Irã. A região para os estadunidenses é como se fosse os estados de Maryland ou Virgínia. É deles. Ninguém toca.

No Iêmen houve também um movimento popular, legítimo, com muitos jovens, exigindo o fi m também de uma ditadura de três décadas. Ali Abdullah Saleh caiu. Mas quando ele resolveu se exilar, ele foi para a Arábia Saudita, acolhido por seus primos, que disseram “nós acolhemos você e se ficar muito pesado, nós arrumamos um cara da sua confiança”.

No Barein é muito mais complicado. Existe uma maioria xiita dominada por uma ditadura sunita de 240 anos que os trata como cidadãos de segunda classe. Sede de uma quinta frota estadunidense e ligada aos interesses da Arábia Saudita e dos Estados Unidos. Um lugar assim jamais pode ser uma democracia.

Mas quando a Primavera Árabe teve seu caráter modificado, se é que isso ocorreu?


Existia a Tunísia e o Egito. No mundo inteiro criou-se a expectativa de que agora esse movimento pró-democracia iria tomar conta do norte da África e do Oriente Médio inteiro. Quando chegou no Barein, segundo minha leitura, foi o ponto crucial. Primeiro porque a Arábia Saudita invadiu o Barein e acabou com o movimento. No começo eles destruíram o centro dos protestos, num entroncamento no centro da cidade. Eles destruíram, inclusive, fisicamente o monumento, que é muito bonito, cilíndrico, com pérolas estilizadas em cima, que contava a história de Barein. E isso depois de três semanas do início dos protestos. Essa invasão da Arábia Saudita a gente só foi saber depois. Foi um pacto elaborado entre a casa de Saudi e o departamento de estado estadunidense. Fizeram um trato.


Confrontos na Tunísia deram início à primavera arabe

Como esses acontecimentos dialogam com o que ocorreu na Líbia?

Os Estados Unidos já estavam de olho na Líbia, porque lá havia começado um movimento em fevereiro, mas que foi depois capturado por um bando de oportunistas de todos os matizes. O que aconteceu na Líbia foi um Golpe de Estado, que começou a ser tramado em outubro de 2010.

Antes da Praça Tahir.

Muito antes. Lá no Egito começou, de fato, em janeiro. Em outubro de 2010, um chefe de protocolo de Kadafi , ele abandonou o governo e foi a Paris. Entrou em contato com a inteligência francesa, contou o que estava acontecendo, que era possível armar um golpe, não só em Trípoli, mas especialmente no leste, em Benghasi. Ele tinha todos os contatos, e conhecia um monte de gente que ia cair fora do governo e apoiar esse golpe. Os franceses adoraram a ideia.

O Sarkozy queria um motivo para criar um problema com a Líbia porque Kadafi não estava comprando o que ele disse que iria comprar dos franceses, como jatos Rafale e centrais nucleares.

No âmbito comercial, Kadafi havia feito sua escolha pelos Brics?

Mais para os russos, chineses e indianos. Além disso, a maior parte das exportações de petróleo não iam para a França e sim para a Itália. Existe, inclusive um gasoduto que vai do norte da Sicília até a Líbia, que se chama Green Xtreme, que abastece o sul da Itália. A Total (empresa de óleo e gás) francesa estava fazendo pressão em cima de Sarkozy.

Há outro elemento fundamental também: a água. As três maiores empresas de água privatizada são francesas. A Líbia tem o maior sistema de bombas de sugar água do mundo, e que foi pago pelo governo líbio, usando técnicos canadenses, sem usar um tostão do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Esse sistemas levam água do deserto do sul da Líbia para a costa mediterrânea. Os franceses já pensaram em privatizar essa água. “A gente teria mil anos de água fresca para vender para o planeta inteiro”. Todos esses interesses se mesclam.

Os estadunidenses queriam uma base na África, com o comando do Pentágono que se chamava Africomm (Comando da África). Agora ele está em Stuttgart, na Alemanha, pois nenhum país africano o quis. E adivinha quem foi o principal coordenador entre os africanos para impedir que os estadunidenses estabelecessem essa frota no continente? Muamar Kadafi .

No ponto de vista da Otan – Organização do Tratado dos países do Atlântico Norte, que nada mais é que o braço armado do Pentágono na Europa, com aqueles lacaios todos que já conhecemos. O plano para os próximos anos, já aprovado numa cúpula em Lisboa, em novembro do ano passado, é de transformar o Mar Mediterrâneo num lago da Otan, e eles falam mesmo em “Nato Lake” (Lago da Otan). O problema é que há três países que não entram nem na Otan e nem são membros das milhões de parcerias que a organização possui: Líbano, Síria e Líbia.

O interesse do Pentágono, da Otan, dos franceses e dos ingleses é isolar os Brics desse mercado, e somar os interesses dos outros árabes das monarquias, sobretudo Arábia Saudita e Catar. E por que Catar? Esse país é super próximo à França. O emir do Catar é amigo íntimo do Sarkozy e de empresários franceses, que investem muito no capital do Catar e vice-versa. Esse país queria se aproximar da Otan e ser colocado quase como um parceiro estratégico no Oriente Médio dos europeus, em termos políticos, comerciais e militares.

Quanto à Arábia Saudita, havia uma briga de dez anos entre o seu rei Abdulla e Kadafi , por causa da invasão do Iraque. Kadafi criticou o rei Abdulla ao vivo, chamando-o de traidor e dizendo “você está deixando os estadunidenses acabarem com os países árabes, é um absurdo”.

Mas é importante notar que Otan tem 27 membros e somente 12 participaram da guerra. A Alemanha, por exemplo, achou tudo isso um horror e desde o início não se envolveu.

Agora, como iriam legitimar essa guerra? Tinha um movimento legítimo de jovens pró-democracia, no oeste da Líbia, que se chama “17 de fevereiro”. Quando eles fi zeram os primeiros protestos em Bengazhi, essa foi a deixa para juntar todo esse pessoal a partir dos caras que tinham ido para a França em outubro de 2010. O pessoal que ia cair fora do regime em Trípoli, os islamistas do leste do Líbia, que estavam só esperando a deixa, aliados de conveniência. O pensamento era “OK, vamos começar um protesto e vamos tentar cortar o oeste da Líbia do leste, a gente se arma e depois tentamos invadir o oeste”.

Com o tempo, percebeu-se que a ofensiva dos rebeldes era descoordenada porque eles não tinham comando estratégico, não sabiam operar armas. De uma hora para outra eles passaram a ter um perfeito conhecimento do terreno, armas que não se sabe da onde veio, e estavam reprimindo as forças do Kadafi do oeste para o leste.

Criou-se a ficção de que Kadafi iria exterminar todo mundo quando chegasse a Bengazhi, cidade de 700 mil pessoas. Um absurdo! Ele queria ir até lá para acabar com uma guerra civil. Ele ia atrás dos cabeças, como em qualquer guerra. Se fosse nos Estados Unidos, na Itália, na Alemanha, seria inadmissível não agir dessa forma. O governo tem o direito de se proteger.

Isso criou o pretexto para a resolução da ONU do “No Fly Zone”, para impedir que caças de Kadafi bombardeassem civis. Soube-se depois que a Anistia Internacional foi à Líbia, de que não havia nenhuma prova de que seria cometido um massacre de Kadafi . Mas do ponto de vista da ONU, ou de quem manda no Conselho de Segurança, ou seja, EUA, Inglaterra e França, era suficiente.

Os Estados Unidos fizeram um pacto com a Casa de Saudi. “Se vocês nos derem o voto da Liga Árabe, dizendo que condenam a Líbia em relação a esse possível massacre, nós deixaremos vocês fazerem o que quiserem no Golfo Pérsico”. Foi aí que a Primavera Árabe se transformou em Contrarrevolução árabe.

Continua no Brasil de fato


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