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22 março, 2012

Cultura: Opção preferencial pelo mercado




















Polêmicas no MinC não são briga por cargos, como quer a Folha de S. Paulo
Blog do Dennis de Oliveira

São Paulo está sediando um evento importante para a discussão dos rumos da política cultural: o I Fórum Internacional de Gestão Cultural. O evento começou na quarta, dia 21 e vai até sexta, dia 23, na Livraria Cultura. O evento é promovido pelo Centro de Estudos Latino Americanos sobre Cultura e Comunicação, núcleo da USP, em parceria com a livraria que sedia o fórum. Por um acaso, o fórum coincidiu com um aumento da discussão sobre a atual gestão do Ministério da Cultura, expresso principalmente com os manifestos defendendo mudanças no ministério (ver post no blog do Rovai).

O caderno Ilustrada do jornal Folha de S. Paulo publicou, nesta quinta, uma entrevista com o ex-ministro Juca Ferreira, em que o mesmo faz críticas à atual gestão do MinC. A matéria foi pautada no sentido de explorar um racha entre a atual e a anterior gestão do ministério, apesar de, em diversas vezes, Juca Ferreira insistir que não queria fazer uma avaliação da atual gestão. Também houve insistência do jornal em transformar o ex-ministro em candidato à sucessão de Ana de Hollanda. O que salta aos olhos desta matéria do “jornal a serviço do país” é transformar uma discussão de fundo que aborda concepções de políticas de Estado para a cultura em uma briga por cargos ou um racha na aliança governista por cargos. No portal UOL, onde está a íntegra da entrevista, percebe-se que todas as perguntas e respostas que tratam das questões mais de fundo (inclusive o tema do fórum, uma gestão para além do mercado) foram cortadas em prol de enfatizar uma técnica preconcebida do jornal de se tratar de mais uma briga por cargos.

A abertura do Fórum contou com as conferências de Juca Ferreira e Alfredo Manevy, ex-secretário executivo da pasta. As discussões apresentadas por Juca e Manevy foram na direção dos contrapontos conceituais do q ue é cultura, gestão cultural e papel do Estado na formulação de políticas públicas de cultura. Enfim, os motivos pelos quais ambos criticam a atual gestão do MinC.
Assim, a discussão existente atualmente referente ao atual ministério da Cultura se dá não por um desejo de ocupação de cargos mas sim por uma questão de conteúdo e concepção que tangencia, necessariamente, uma reflexão sobre qual é o papel do Estado neste campo. Manevy, em sua fala na abertura como as do Fórum, defendeu que a “cultura e o tema ambiental são os novos espaços de repolitização da sociedade”. Isto porque a emergência da visibilidade da diversidade cultural e os problemas ambientais mais graves forçam uma discussão política global sobre como o Estado deve atuar nestes campos, uma vez que está claro que o mercado, por si, não só não tem capacidade de resolver mas tende a agravar os problemas que se verificam, como as intolerâncias, o racismo e a destruição do ambiente.

Evidente que os jornalistas da FSP não se preocuparam em ficar para ver pelo menos uma parte das falas de Juca e Manevy. Tinham mais o que fazer, produzir mais um simulacro de matéria que desinforma o leitor

21 março, 2012

Anacrônica de Hollanda

Visão cultural anacrônica caracteriza audiência pública de Ana de Hollanda na Câmara 































Do Cinema & Outras Artes
via @M_Caleiro

A audiência pública de Ana de Hollanda na Comissão de Educação e Cultura (CEC) da Câmara dos Deputados, realizada ao final da manhã de hoje, dissipa qualquer eventual dúvida quando ao anacronismo de sua visão das relações entre cultura e internet.

Foi um espetáculo constrangedor: ante arguidores em sua maioria anestesiados, desinteressados, a ministra da Cultura demonstrou não possuir os conhecimentos mínimos requeridos de um gestor cultural em sua posição, ostentando uma postura que choca pelo primarismo – expressado numa visão reducionista da cultura tão-somente enquanto produto cultural comercializável -, pelo conservadorismo – em contraste com o discurso da candidata Dilma – e, sobretudo, pelo atraso intelectual - ficou claro que as concepções de Ana quanto às relações entre produção cultural, mercado e internet apresentam uma defasagem de décadas e não se coadunam com os fluxos culturais que caracterizam o mundo contemporâneo.

A ministra afirmou temer pelo futuro da cultura brasileira devido à pirataria e à internet. Ou seja, para ela, a rede mundial de computadores, cujas imensas possibilidades de produção e circulação cultural são exaltadas por pesquisadores do porte de um Jesus Martín-Barbero, representa uma ameaça, e não um devir.

Foi constrangedor ouvir uma figura ligada a uma tradição familiar caracterizada pelo culto à inteligência e pela participação política progressista proferir uma visão a um tempo tão retrógrada, desinformada e, ao mesmo tempo, tão contrária ao bem coletivo e favorável ao lucro privado. A ministra deu mostras de confundir troca arquivos pela web com furto e, assim, chamou veladamente tais internautas de ladrões.

Continua no Cinema & Outras Artes


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