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02 abril, 2014

O limite para o escárnio virá das urnas?

por Denise Queiroz



Em meio à averiguação de um crime bárbaro, um dos investigadores é visto mandando uma mensagem para um dos suspeitos. A mensagem tranquiliza o destinatário, a investigação dá em nada, o crime hediondo fica sem punição, assim como o investigador.

A situação é absurda, mas, no entanto, real. Só não soube dela quem não quis, pois ocorreu à vista de todos e os protagonistas são figuras públicas. A ilicitude foi pauta nos noticiários por dias, em 2012. 

E nesta semana, às vésperas da instalação de outra CPI, fomos informados de que o atual vice-presidente da Câmara dos Deputados viajou com a família, para férias de verão, num jatinho do doleiro Alberto Youssef, preso desta vez pela operação lava-jato, da Polícia Federal.  Ele justificou o uso do jatinho : “As passagens aéreas estavam muito caras, ele tinha um jatinho e eu paguei o combustível”.

Pobre deputado, não? Será que temos que rever os salários destes dedicados servidores, eleitos para cumprir a Constituição do país (que prevê punição para favorecimentos e trocas de favores)? Com estes salários baixíssimos que recebem, é afinal plenamente justificável aliar-se e receber favores de conhecidos criminosos, não é Sr. André Vargas? Óbvio também que é mais barato pagar o combustível do avião do desinteressado amigo do que comprar uma passagem para viajar nos apertados assentos das companhias aéreas, onde teria que dividir espaço com gente 'normal'.

Estou com pena do deputado. Sério. Seguramente as verbas de gabinete também são tão baixas que ele nunca teve acesso aos jornais na época da CPI do Banestado, onde o seu querido amigo de 20 anos, que ele não sabia como ganhava o pão, ficou conhecido para além dos gabinetes.

Qual pessoa minimamente informada não ouviu falar do escândalo do Banestado? E dos nomes envolvidos? E também: que pessoa se relaciona com outra por 20 anos e não tem a mínima ideia da fonte do pão dessa pessoa? 

Talvez mais grave que pegar carona em jatinho de contraventor, seja tentar fazer todos de bobos. Ou isso escancara afinal o que pensam, lá dos gabinetes, com sua aura refrigerada, os que são alçados à categoria de condutores dos destinos de milhões de brasileiros?
 
Escárnio. Foi isto que vimos na CPI do Cachoeira, quando Cândido Vaccarezza, também petista, garantiu ao governador do PMDB do Rio que ele não seria investigado, naquela mensagem digna do submundo, “você é nosso, nós somos teu” . E escárnio é o que lemos nas declarações primárias do vice-presidente da câmara.

Infelizmente nós, que pagamos do próprio bolso para ler jornais ou assistir TV, sabemos que eles não são os únicos e que, também nos outros partidos, vários tem as mãos sujas. A diferença, para mim, é que nunca votei num deles nem participei ou fiz campanha para eleger qualquer de seus filiados.  

Mas, além de Vargas e Vaccarezza, me envergonham todos os outros membros e militantes dos diretórios do PT que tentam justificar com algo semelhante a ele fez, mas os outros também fazem, em vez de exigir a saída imediata deles do partido e dos cargos que ocupam - os quais, está claro, não têm a grandeza necessária para ocupar. 

Era outra a proposta, pois não?
  
Curar a raiz que atitudes como as desses dois senhores ajudaram a danificar, já não se pode mais. Mas não custa podar. 

18 maio, 2012

Vaccarezza e Dias blindam governadores e CPMI perde credibilidade

Por Wálter Maierovitch
Dica de @Marandrea e @Maramandrea




Se a ética fosse levada a sério no Parlamento, um novo processo, junto à Comissão de Ética da Câmara, deveria ser iniciado contra Cândido Vaccarezza. Ele deixou a liderança do governo pelas trapalhadas e ganhou fama de ser pouco brilhante intelectualmente.

Ontem, durante a sessão da CPMI, Vaccarezza foi surpreendido ao mandar, com recursos telemáticos que consegue operar, mensagens ao governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro.

Cabral, apavorado com a ameaça de depor na CPMI e depois de implorar socorro ao vice-presidente Michel Temer que antes ignorava, restou confortado pelas mensagens on-line de Vaccarezza.

Não se sabe nada a respeito do comprometimento de estoques de fraldões geriátricos no Rio de Janeiro, mas Cabral ontem, enquanto se desenvolvia a sessão da CPMI, movia-se entre o desespero e o pavor de ser convidado a comparecer a Brasília.

Na principal mensagem, Vaccarezza, flagrado pelo pessoal do SBT, digitou a respeito da não convocação de Cabral: “Você é nosso”.

Como Vaccarezza pertence ao Partido dos Trabalhadores e Cabral ao PMDB, a mensagem aponta para um acordo que, evidentemente, contraria o interesse público.

Na verdade, Vaccarezza premia, em nome de seu partido político, o sabujismo de Cabral para com Lula. Afinal, nos mandatos de Lula, Cabral foi o governador que mais bajulou e se curvou às vontades do então presidente. E nem sempre as vontades de Lula atendiam ao interesse do estado fluminense.

Com efeito. Muitos podem concluir, com relação ao escândalo Cachoeira-Demóstenes, que se a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) acabar em pizza teremos a ação do Ministério Público.

Um Ministério Público, pelo nosso sistema constitucional, sem qualquer obrigação de acatar o relatório final da CPMI: muitas vezes, as investigações parlamentares terminam sem consenso e, portanto, sem aprovação da peça de encerramento.

O grande problema é que na outra ponta da outra linha está, por força dessa excrescência chamada “foro privilegiado”, o procurador Roberto Gurgel e a sua esposa Cláudia Sampaio, na condição de subprocuradora.

Esses consortes, Gurgel e Cláudia, já engavetaram o inquérito iniciado pela Operação Vegas, conduzida pela Polícia Federal que revelava a participação do senador Demóstenes Torres na organização criminosa chefiada por Carlinhos Cachoeira.

No Parlamento, quando da recondução a novo mandato de procurador-geral e com a Operação Vegas no “freezer” do seu gabinete, Gurgel disse que poderia ser acusado de tudo, menos de omissão. Não se sabe se Gurgel, com a afirmação feita, chegou a corar ou manteve um caradurismo hipócrita.

Não bastasse, Gurgel soltou a seguinte frase: “O Ministério Público tem de ser um exemplo de transparência”.

Essa frase de Gurgel está publicada hoje no jornal O Estado de S.Paulo. E Gurgel não explica convincentemente o inexplicável engavetamento, de 2009 a 2012, do inquérito da Operação Vegas.

Só para lembrar, Gurgel tinha, segundo estabelecido no Código de Processo Penal, o prazo de 15 dias para se manifestar nos autos do inquérito da Operação Vegas.

No momento, para Gurgel escapar, a subprocuradora e esposa Cláudia apresentou-se como biombo protetor. E ela já foi desmentida pelo delegado responsável pela Operação Vegas e por nota divulgada pela direção da Polícia Federal.

Ontem, a CPMI não convocou o ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, nem os governadores de Goiás, Distrito Federal e Rio de Janeiro. A subprocuradora Cláudia também não foi convidada a comparecer.

Para blindar Cavendish, a CPMI quer focar a apuração exclusivamente nos negócios da Construtora Delta na região Centro-Oeste, sob responsabilidade de Cláudio Abreu, diretor defenestrado que está preso preventivamente.

Quanto à tentativa de convocação de Marconi Perillo, governador de Goiás, o novo Varão de Plutarco do Senado Federal Álvaro Dias avisou, bravo, que se mexessem com Perillo iria encrespar e os outros governadores seriam convocados.

Álvaro Dias é aquele que abriu mão da aposentadoria de governador do estado do Paraná. Depois de ter explorado politicamente essa sua liberalidade, voltou, “na moita”, a pedir a aposentadoria. Atenção: pediu que voltassem a pagar a aposentadoria e colocassem no seu bolso, retroativamente, as importâncias que havia renunciado.

O senador Álvaro Dias, do PSDB, passou a representar o papel de Varão de Plutarco que antes era interpretado por Demóstenes Torres.

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