18 dezembro, 2011

Personalidade do ano da Time é quem está na rua!

E quem mais fez a diferença? Mas o fato da tradicionalíssima Time reconhecer que a personalidade do ano é uma massa de pessoas que tomaram as ruas do mundo para mandar o recado do basta, para mim é mais notícia do que a própria capa!  





A tradicional “personalidade do ano” da revista Time foi anunciada na quarta-feira (14/12): “o manifestante”. Segundo o editor Richard Stengel, dentre os finalistas estavam a duquesa Kate Middleton e o almirante William McRaven, que comandou as operações contra Osama Bin Laden no Paquistão.

Desde 1927, a Time dedica uma capa a uma pessoa (ou grupo de pessoas ou ideias) que fez a diferença no ano, para o bem ou para o mal. No ano passado, a escolha foi o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg. A capa de 2011 menciona manifestantes de todo o mundo, desde as massas da Primavera Árabe, passando pelos anarquistas na Grécia e chegando ao movimento Ocupe Wall Street.

“É notável o quanto as vanguardas dos protestos têm em comum. Em todos os lugares eles são desproporcionalmente jovens, de classe média e educados. Quase todos os protestos este ano começaram como independentes, sem muito apoio de partidos políticos ou grandes nomes da oposição. Por todo o mundo, os manifestantes de 2011 dividem uma crença de que os sistemas políticos e as economias de seus países se tornaram desfuncionais e corruptos – falsas democracias fraudadas para favorecer os ricos e poderosos e evitar mudanças significativas”, escreveu o jornalista Kurt Andersen em artigo sobre a personalidade de 2011.

O texto continua: “ninguém sabia que, quando um vendedor de frutas tunisiano colocasse fogo em si mesmo em uma praça pública, daria início a uma série de protestos que tiraria do poder ditadores e começaria uma onda global de dissidência. Em 2011, os manifestantes não apenas expressaram suas queixas; mudaram o mundo”. Leia a matéria completa aqui (em inglês). Com informações do Huffington Post [14/12/11].


17 dezembro, 2011

Cabral sabe a diferença?

Colo aqui um pouquinho do escândalo que é a administração fluminense. Embora esteja no blog do Kfouri - que quase nunca leio e quando o faço quase sempre discordo - não creio que vá ter a repercussão que merece na velha mídia... O governo do Estado, simplesmente está contratando serviçais para a exclusivíssima elite da zona sul carioca... Esta, claro, não vai reclamar!

Para que fique mais claro o que ocorre no Rio, abaixo colamos vídeo do R-7 sobre a pane do trem que traz a massa trabalhadora dos subúrbios até a Central do Brasil, manchete dos princiais portais e da velha mídia. Mas essa situação, segundo os usuários, é absolutamente corriqueira.
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do blog do Juca Kfouri
Ilustração de Ivo Minkovicius

A fim de minimizar os transtornos causados pelas obras da linha 4 do metrô, que irão bloquear por cerca de um ano e meio parte da Ataulfo de Paiva, uma das principais avenidas do Leblon, na zona sul do Rio, o governo do Estado decidiu disponibilizar um serviço gratuito de guardas, manobristas e ajudantes 24 horas aos moradores.
Segundo a Secretaria de Estado da Casa Civil, os veículos ficarão sob responsabilidade de guardadores e serão levados para estacionamentos particulares nas proximidades. Sempre que necessitar do carro para sair, o morador que estiver cadastrado deve avisar o porteiro do prédio, que acionará a equipe do vallet.
O governo promete “funcionários suficientes para garantir o pronto atendimento às solicitações dos moradores a qualquer hora do dia e da noite”.
Além disso, haverá carregadores à disposição para levar compras e bagagem e ajudar idosos com problemas de locomoção. Também será criado um número de telefone exclusivo para o relacionamento entre os moradores e comerciantes.
No site, uma nota da secretaria explica que “o serviço de vallet já foi utilizado, com eficiência, nas ruas Toneleiros e Pompeu Loureiro, em Copacabana, e Jangadeiros, em Ipanema, durante a construção das estações Cantagalo e General Osório”.
Nota do blog: Está tudo muito bom, está tudo muito bem.
Para os moradores da zona sul, atendimento VIP do Estado governado por Sérgio Cabral Filho.
Já para os da periferia que estão sendo removidos de suas casas para as obras da Copa e da Olímpiada, indenizações aviltantes, remoções para mais de 40 quilômetros de distância de suas casas, escolas dos filhos e locais de trabalho, à força, sem dó nem piedade.
É o Brasil dos diferenciados.
Um escândalo, um nojo, digno de asco.
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Video do R7 do dia 16/12/2011 sobre o desastre do trem no RJ.




Recomendamos também o post "Ouro Negro, cara pálida", onde tentamos retratar um pouco da hipocrisia dos governantes e dessa elite. E este, também do R-7, onde usuários ameaçam entrar na justiça contra a Supervia. 


Pesquisa e edição de Sergio Pecci e Denise Queiroz

16 dezembro, 2011

Johnnie Walker X João Andante

Por Xico Sá



Pô, amigo Johnnie Walker, deixa o mineirinho João Andante em paz. Para com isso, retira esse processo do instituto de marcas e patentes.

Vai por mim, sinta-se homenageado, velho Johnnie, jamais copiado.

Como um lorde inglês de US$ 3,5 bilhões sente-se inseguro diante de um pobre capiau de 200 garrafas de pingas mensais?

Deixa disso, stop, Mr. Johnnie, deixa o Jeca no caminho da roça, meu rapaz, ele também é filho de Deus.

Salve a Rainha, velho Johnnie, e segue o seu milionário percurso.

Você está me saindo, lorde Johnnie, qual a cúpula do McDonald´s.

Outro dia, no Recife, testemunhei o humilhante fim do McBode.

Por ação judicial dos gringos, o bar foi obrigado a trocar o nome.

Para ironizar a ridícula situação, o dono rebatizou “Deu Bode”.

Lá se come o melhor hambúrguer caprino do mundo.

Aqui em SP, o McFavela, em Heliópolis, também foi vítima.

Continua vendendo o clássico e turbinado MacLarica, mas agora se chama Minha Favela Lanches.

Quebra essa, velho Johnnie Walker, te peço em nome de tantas quedas já nos deste, em nome de tantas paraguaias manhãs de ressaca.

Deixa o Joãozinho mineiro andar em paz!

Margot, a ex-sócia de Verônica Serra

Do Tijolaço

Verônica Sera, na foto publicada no Valor Econômico: compra de empresa pela JP Morgan
sem registro na Junta comercial de SP

Graças ao leitor Ivan, a gente confere que, de fato, a D. Verônica Serra é a representante da OEP, braço do JP Morgan, em seus investimentos no Brasil.

Está lá, no Valor Econômico, que a Portal de Documentos SA foi mesmo comprada pelo banco, por um valor entre US$ 100 e 200 milhões de dólares.Diz o jornal:

“De acordo com Verônica, não haverá mudanças na gestão da empresa investida. “A One Equity não entra nas companhias para fazer mudanças no dia a dia. A atuação é feita por meio do conselho de administração”, diz. Dos seis assentos do conselho, a One Equity terá três deles. Além da própria Verônica, estão nele Christian Ahrens e Brad Coppens, diretores do braço de investimentos do J.P. Morgan.”

Embora a transação seja de 1° de fevereiro deste ano, não há registro dela na Junta Comercial, muito embora Serra, Ahrens e Bradley ( o Brad), estejam desde esta época lá como conselheiros. Donde se pode, despreparados como somos, concluir que foram vendidas três cadeiras no conselho da empresa, não parte da empresa. Ou será que eles mandam na empresa, mas não respondem societariamente por isso?

Bem, mas a matéria nos aponta que o negócio foi feito pela Pacific Investimentos, uma das empresas de Verônica.

Um empresa recente, criada em março do ano passado, com um capital de R$ 268.834,00. Três sócios de R$ 1,00, para constar e R$ 188.181 de Verônica e R$ $ 80.650 para a cidadã americana Margot Alyse Greenman.

Em apenas cinco meses, em agosto, esta eficientíssima empresa consegue lucros de R$172.930 – uma proeza fantástica, pois menos de 30% do capital registrado tinha sido integralizado, ou R$ 82, 6 mil - e estes lucros são distribuídos da seguinte forma: a sócia majoritária, Veronica Serra, fica com menos, R$ 80.650 – pagos à vista – e Margot com R$92.280, sendo R$ 24.280 cash e o resto na forma de um Corolla 2008, flex, pertencente à empresa. Como o carro foi contabilizado como lucro, não deve ter feito parte da integralização do capital.

No mesmo dia 25 de agosto, D. Margot vai embora, a bordo do Corolla, da empresa, que passa a ser toda, exceto por R$ 2, de Verônica Serra.

Com D. Margot, vão embora as ligações formais da Pacific Investimentos com o nome Morgan e com o Caribe.

Porque D. Margot é uma mulher muito presente nestes negócios.

Logo em setembro ela é admitida como diretora da Solfin Securitizadora de Crédito, que muda de nome para Financial Crédito, e que salta de um capital de R$ 10 mil para R$ 65 milhões. Lá, ela tem a companhia, como colegas de diretoria, do ex-presidente do BNDES, José Pio Borges, e o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda de FHC,Winston Fritsch.

Mas, deslocando-se com seu Corolla, ela acha tempo para representar, como diretora financeira, os modestos R$ 200 que a MR Brasil Empreendimentos Imobiliários adquire na Financial 1 Desenvolvimento Imobiliário, criada em 13 de outubro de 2010. E ela já representava esta empresa nas participações de R$ 160 na Abioye Empreendimentos e de ser diretora da Financial ABV, outra empresa modesta, de apenas R$ 1 mil de capital social.

Uma trabalheira, sobretudo para quem, dois dias antes de fundar a empresa em sociedade com Verônica Serra, era admitida como administradora da Acelo Participações, fundada por membros de um escritório de advocacia e que, naquele mesmo dia 3 de março os substituía pela Morgan Rio Interests II, PLC e pela MR (bom abreviar, não é?) Aflilliants II, LLC, ambas sediadas na 9 West 57TH Street, 26 ° andar, em Nova York. Com D. Margot e com as MR, o capital da empresa, que era de R$ 1 mil, foi subindo até chegar aos R$ 20.718.966 de hoje.

Com tudo isso, D. Margot – e participando de outras empresas, que não listo por piedade do leitor – ainda participava de seminários, como representante no Brasil do Morgan Rio Capital Manegement.

Este fundo, dirigido pelo sr. Jacobo Buzali, tem escritório em Nova York e está sediado – adivinhou? – nas Ilhas Cayman, mais precisamente na 27 Hospital Road, 5TH Floor, P.O. BOX 10293, no Citi Hedge Fund Services , no Cayman Corporate Centre, em Georgetown.

Ou o mundo é pequeno ou o Caribe é grande, o que vocês acham?

PS. Os documentos, como sempre aqui, são públicos. Estão na Junta Comercial de São Paulo. Basta fazer o cadastro e acessar.

14 dezembro, 2011

Boff: mais humanidade, menos Estados

Do Adital
por Leonardo Boff

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Tratamos já do desafio de como alimentar sete bilhões de pessoas. A escalada da população humana é crescente: em 1802 éramos um bilhão; em 1927, 2 bilhões, em 1961, 3 bilhões, em 1974, 4 bilhões, em 1987, 5 bilhões, em 1999, 6 bilhões e, por fim, em 2011, 7 bilhões. Em 2025, se o aquecimento abrupto não ocorrer, seremos 8 bilhões, em 2050, 9 bilhões e em 2070, 10 bilhões. Há biólogos como Lynn Margulis e Enzo Tiezzi que vem nesta aceleração um sinal do fim da espécie à semelhança das bactérias, quando colocadas num recipiente fechado. (capsula Petri). Pressentindo o fim dos nutrientes se multiplicam exponencialmente e então subitamente todas morrem. Seria a última florada do pessegueiro antes de morrer?

A idéia em si não é nova. Como pensamento, estava presente em Erasmo e em Kant; mas ganhou seus primeiros contornos reais com a Liga das Nações, após a Primeira Guerra mundial e definitivamente depois da Segunda Guerra Mundial com a ONU. Esta não funciona por causa do veto antidemocrático de alguns países que inviabilizam qualquer encaminhamento global contrario a seus interesses. Organismos como o FMI, o Banco Mundial, a Organização Mundial do Comércio, da Saúde, do Trabalho, das Tarifas, do Comércio (GATT) e a UNESCO expressam a presença de certa governança global.Independentemente desta ameaçadora questão temos o instigante desafio: como governar 7 bilhões de pessoas? É o tema da governança global, quer dizer, um centro multipolar com a função de coordenar democraticamente a coexistência dos seres humanos na mesma pátria e Casa Comum. Esta configuração é uma exigência da globalização, pois esta implica o entrelaçamento de todos com todos dentro de um mesmo e único espaço vital. Mais dia menos dia, uma governança global vai surgir pois é uma urgência impostergável para enfrentar os problemas globais e garantir a sustentabilidade da Terra.

Atualmente, o agravamento de problemas sistêmicos como o aquecimento global, a escassez de água potável, a má distribuição dos alimentos, a crise econômico-financeira e as guerras estão demandando uma governança global.

A Comissão sobre Governança Global da ONU a define como "a soma das várias maneiras de indivíduos e instituições, públicas e privadas, administrarem seus assuntos comuns e acomodarem conflitos e interesses diversos de forma cooperativa. Envolve não só relações intergovernamentais, mas também organizações não-governamentais, movimentos de cidadãos, corporações multinacionais e o mercado de capitais global” (veja o respectivo site da ONU na internet).

Esta globalização se dá também em nível cibernético, feita por redes globais, uma espécie de governança sem Governo. O terrorismo provocou a governança securitárianos países ameaçados. Há uma governança global perversa que podemos chamar de governança do poder corporativo mundial,feita pelos grandes conglomerados econômico-financeiros que se articulam de forma concêntrica até chegar a um pequeno grupo que controla cerca de 80% do processo econômico. Isso foi demonstrado pelo Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica (ETH) que rivaliza em qualidade com o MIT e entre nós divulgada pelo economista da PUC-SP Ladislau Dowbor. Esta governança não se dá muito a conhecer e a partir da economia influencia fortemente a política mundial.

Estes são os conteúdos básicos de uma governança global sadia: a paz e a segurança, evitando o uso da violência resolutiva; o combate à fome e à pobreza de milhões; a educação acessível a todos para serem atores da história; a saúde como direito humano fundamental; moradia minimamente decente; direitos humanos pessoais, sociais, culturais e de gênero; direitos da Mãe Terra e da natureza, preservada para nós e para as futuras gerações.

Para garantir estes mínimos, comuns a todos os humanos e também à comunidade de vida, precisamos relativizar a figura dos Estados nacionais que, tendencialmente, irão desaparecer em nome da unificação da espécie humana sobre o planeta Terra. Como há uma só Terra, uma só Humanidade, um só destino comum, deve surgir também uma só governança, una e complexa, que dê conta desta nova realidade planetizada e permita a continuidade da civilização humana.


Deputados rompem circo midiático

Embora os 'famosos' guardiães da ética seletiva estejam calados ou desprezando o valor das graves denúncias que o livro de Amaury Ribeiro Junior trouxe à tona, o movimento das redes sociais, encampado por alguns parlamentares que defendem a criação de uma CPI, ameaça o verdadeiro circo que a grande mídia vem tentando instalar no país desde que o PT assumiu o governo. 

Silêncio começa a ser rompido
   
Do Carta Maior
André Barrocal

A Privataria Tucana, livro recém lançado com denúncia de corrupção na venda de estatais de telefonia no governo Fernando Henrique e de lavagem de dinheiro pela família do ex-ministro José Serra, motivou um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados.

E, no Congresso, opôs os dois principais partidos envolvidos e interessados, PT e PSDB. Enquanto líderes petistas defenderam investigar o conteúdo do livro - embora com cautela, já que a cúpula do partido ainda busca uma forma de lidar com o assunto -, tucanos classificaram-no como “requentado” e de autor sem credibilidade.

A abertura de uma CPI foi solicitada pelo deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), delegado da Polícia Federal (PF). Às 18 horas desta terça-feira (13), ele disse à reportagem que já havia coletado 27 assinaturas – precisa de ao menos 177. Por volta das 20h, em discurso na tribuna da Câmara, afirmou que já teria mais de 100.

"Qual o foco do requerimento da CPI, deputado?" “O foco são as privatizações. Elas prejudicaram o país e proporcionaram desvio de dinheiro público”, afirmou.

Um dos signatários da CPI foi um deputado que também é delegado da PF como Protógenes, mas filiado ao PSDB. “É um livro tão importante quanto todos os outros, independentemente do partido, se é PSDB ou PT”, disse Fernando Francischini.

O tucano elegeu-se pelo Paraná, estado por meio do qual saíram para o exterior, de forma ilegal, bilhões em recursos que, segundo o livro, teriam origem ilícita na “privataria”. O duto era o banco do estado do Paraná, o Banestado. “Ali foi um descontrole total de um banco usado para roubar dinheiro público. Foi o maior roubo de dinheiro público que eu já vi”, afirmou Francischini que, como delegado da PF, acompanhou o caso.

O duto do Banestado foi objeto de uma CPI logo no início do governo Lula, em 2003. A comissão revelou-se uma das fontes de informação mais importantes para o autor do livro, o jornalista Amaury Ribeiro Jr.

Acusado no livro de ter participado de uma CPI de faz-de-conta, resultante de um “acordão” entre tucanos e petistas para aliviar nas investigações que afetariam os dois lados, o relator, deputado José Mentor (PT-SP), disse que assinaria o pedido de CPI da Privataria. “Não houve acordão. O que houve foi uma ação do PSDB para acabar logo com a CPI”, afirmou Mentor. “O relatório final fala no Ricardo Sérgio, inclusive.”

Ricardo Sérgio de Oliveira foi arrecadador de fundos para campanhas de FHC e José Serra e é um personagens mais importantes do livro.

PT e aliados

Nesta terça-feira (13), membros da executiva nacional do PT reuniram-se para discutir como o partido vai lidar com o caso, mas os líderes na Câmara e no Senado mostraram-se, ainda que com cautela, dispostos a partir para a guerra contra o PSDB.

A reunião e a cautela se explicam porque o livro traz pelo menos duas indigestões para os petistas. O presidente do PT, Rui Falcão, processa Amaury Ribeiro Jr., por conta de revelações do jornalista sobre uma briga interna na campanha presidencial de Dilma Rousseff no ano passado. Outra indigestão seria o “acordão” na CPI do Banestado.

“É um livro muito interessante que recebeu um silêncio sepulcral da mídia”, disse o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). “São fatos gravíssimos, e já há um movimento no Ministério Público para reabrir investigações.”

"E há condições de o PT ajudar a criar clima para que as investigações sejam reabertas, senador?"

“Há.”

O posicionamento do líder na Câmara, Paulo Teixeira (SP), foi parecido. “O livro traz informações consistentes sobre fatos gravíssimos, que exigem investigação das instituições, do parlamento, do Ministério Público.”

"Como o partido vai agir agora?"

“Vai analisar o livro para ver o que cabe. Mas o foco é a roubalheira nas privatizações.”

Aliado do governo e um dos vice-presidentes do PDT, o deputado Brizola Neto (RJ) contou que iria procurar o PT para saber qual é o limite de atuação dos petistas. Ele defende a instalação de uma comissão parlamentar. “A história começa lá atrás, mas a triangulação continua até hoje. É necessária uma CPI”, afirmou.

Adversário do governo, mas à esquerda, o PSOL acha que no mínimo o autor do livro, Amaury Ribeiro Jr., deveria ser chamado ao Congresso para falar sobre o assunto, até para ajudar a formar convicção em torno de uma CPI.

Em discurso na tribuna da Câmara, o líder do partido, Chico Alencar (RJ), disse que o Brasil precisa “analisar profundamente o passado”. “O livro comprova com farta documentação que [a privatização] foi um processo que escondeu enriquecimento ilícito e financiamento de campanhas milionárias”, disse.

Serristas

Já os tucanos e seus aliados optaram por minimizar a denúncia e desqualificar o autor do livro.

“É café requentado da campanha”, disse o líder do bloco de oposição ao governo na Câmara, Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG).

“Mas autor do livro diz que os elementos que ele traz agora não eram conhecidos ainda, e inclusive há um pedido de CPI por causa disso.”

“Nós apoiamos investigar tudo. O que não dá é para ficar só nesse assunto depois de tantos escândalos no governo.”

Para o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), “o livro é material requentado de um indivíduo investigado por uma tramóia contra nosso candidato [na eleição de 2010]”.

“Mas o ministro do Esporte não caiu por uma acusação de uma pessoa que é ré num processo criminal?”

“Não, o ministro caiu por um conjunto de situações, a denúncia do policial foi só a gota d'água”, disse Nogueira.

Um dos aliados mais próximos de Serra, mesmo sem ser do PSDB, o presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), cujo partido apoiou o tucano na eleição do ano passado, exaltou-se quando perguntado sobre o livro.

“Deputado, qual a sua opinião sobre o livro A Privataria Tucana?”

“Eu não gosto da literatura lulo-petista, particularmente do estilo dossiê. Mas por que essa pergunta?”

“Porque é notícia, foi o livro mais vendido do fim de semana.”

“Que notícia! Isso é para desviar a atenção da corrupção do governo Dilma!”

Leia ainda: 


#PrivatariaTucana: PHA entrevista Amaury

Do Luis Nassif Online




13 dezembro, 2011

#OccupyLove: O amor pode ser revolucionário

Deu no MoveOn.org
Versão de Sergio Pecci
Edição de Denise Queiroz
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Este vídeo é parte de um documentário que está sendo produzido por pessoas envolvidas com o #OccupyWallStreet, na intenção de responder a seguinte pergunta:  as crises econômica e ecológica que estamos enfrentando podem ser uma grande história de amor? 


Assista o vídeo e, se o inglês estiver meio enferrujado, leia abaixo a versão. 





Esse movimento não é sobre os 99% derrotarem o 1%, ou sobre inverter a pirâmide.
O que nós queremos é criar um mundo que seja tão bom quanto nossos corações nos digam que é possível, um mundo que seja bom para todos. Um mundo saudável, um mundo de paz.

Hoje não podemos simplesmente dizer que queremos um mundo de paz. As demandas têm que ser específicas. Qualquer coisa que as pessoas desejem articular só pode ser feita na linguagem do atual discurso político. E todo esse discurso já é muito pequeno. Ao fazer demandas específicas é como se o movimento se reduzisse e perdesse a sua alma. Esse é o paradoxo. Na verdade o movimento entende isso. O sistema não está funcionando sequer para o 1% mais rico...

Se você fosse um CEO estaria fazendo as mesmas escolhas que eles fazem. As instituições têm sua própria lógica. A vida é muito triste e isolada no topo, e todas as bugigangas dos ricos são um tipo de compensação falsificada pela perda do que é realmente importante; pela perda do sentido de comunidade, de comunhão e de conexão e; pela perda de intimidade e de sentido.

Todos querem uma vida que tenha sentido, e hoje vivemos uma economia do dinheiro. Nós realmente não dependemos dos presentes de quem quer que seja, mas nós compramos tudo. Mais do que isso, não precisamos de ninguém, pois quem quer que tenha cultivado meus alimentos, feito minhas roupas, ou construído minha casa, bem... se eles morrerem, eu me afastar, ou se eles não gostarem de mim, está tudo bem. Eu posso pagar outra pessoa para fazer isso.

É realmente difícil estabelecer uma comunidade, quando o subjacente diz que não precisamos uns dos outros. As pessoas se encontram e confraternizam, mas o consumo coletivo não cria intimidade: só a criatividade coletiva é que cria intimidade e conexão.

Temos esses dons que são importantes. Assim como qualquer espécie tem uma importante contribuição a dar ao ecossistema, e a extinção de qualquer espécie é ofensiva a todos, o mesmo é verdadeiro para cada um de nós - que cada um tem uma contribuição a dar- e por um longo tempo fomos induzidos a acreditar que é loucura viver para compartilhar.

Mas penso que agora, mais e mais pessoas estão acordando para a realidade de que estamos aqui sim para compartilhar - e despertando para esse desejo, e para o fato de que do outro jeito não funciona. E quanto mais vemos que mais e mais pessoas pensam o mesmo, nos damos conta de que isso não é loucura. Isso é Viver! E assim nos damos conta de que nosso racional não têm mais que lutar contra a lógica do coração.

Essa mudança de consciência que inspira tais coisas é universal em todos... 99% e 1%, e está despertando em diferentes pessoas de diversas maneiras.

Amor é sentir a conexão com outros seres.

Um economista diz que mais para você é menos para mim, mas o amante sabe que mais pra você é mais para mim também. Se você ama uma pessoa, a felicidade dela é a sua felicidade. A dor dela é sua dor. Sua sensibilidade se expande para incluir outros seres. Isso é amor! Amor é a expansão do ser para incluir o outro, e esse é outro tipo de revolução. Não existe inimigo para se combater. Não existe outro nessa revolução. Todos têm um chamado único, e é tempo de ouvir esse chamado, esse é o futuro. É hora de nos prepararmos e ajudar para que isso se torne realidade.


Amaury fez o que os jornais e revistas deveriam fazer

Do Carta Maior
Gilberto Maringoni


O troféu


Luiz Fernando Emediato, 59, está exultante. A privataria tucana, de Amaury Ribeiro Jr., lançado há uma semana por sua Geração Editorial, esgotou a primeira tiragem de 15 mil exemplares em 48 horas. Uma nova fornada de 30 mil está a caminho. Saudado com um silêncio ensurdecedor pela grande mídia, a obra faz uma devassa nos porões da venda do patrimônio público durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). E mostra, com farta documentação, as idas e vindas de comissões, favorecimentos e propinas que fizeram a fortuna de poucos felizardos que gravitavam em torno do PSDB.

Ao mesmo tempo, a obra não pode ser acusada de estar a serviço do PT. A agremiação de Lula sai chamuscada do livro em pelo menos dois episódios: o grande acordo que acabou com a CPI do Banestado, em 2003, e o comportamento de alguns dirigentes, durante a campanha presidencial de Dilma Rousseff, em 2010.

Emediato é um veterano da imprensa e um prolífico escritor. Criou o Caderno 2, no Estado de S. Paulo, em 1986, foi diretor executivo de jornalismo do SBT, entre 1988 e 1990 e tem vários volumes de contos publicados. Nesta entrevista, ele comenta a obra de Amaury e fala de bastidores de seu lançamento.

Carta Maior – Por que o senhor decidiu lançar "A privataria tucana"?

Acompanho o Amaury há muito anos e sempre admirei sua coragem e seu trabalho. Sabia que ele preparava um livro sobre as privatizações, mas não tinha idéia do que era. Ouvi falar disso tantas vezes, que até parecia lenda urbana. No ano passado, aconteceu aquela história da campanha da Dilma, que a imprensa repercutiu muito. Diziam que o Amaury estava envolvido na produção de um suposto dossiê contra o candidato José Serra. Eu não acreditei, pois ele é um repórter policial, um repórter investigativo premiado e, acima de tudo, uma pessoa íntegra. No final da campanha, liguei a ele e quis saber se o livro de fato existia. Ele retrucou: “Não apenas existe, como está pronto”. Aí resolvemos editá-lo.

Carta Maior – O senhor imaginava esse sucesso todo?

 Quando eu preparava o material, me deparei com uma quantidade incrível de documentos e percebi que estava diante de uma bomba maior que supunha. Era um best-seller instantâneo! O problema é que as livrarias procuradas pouco antes do lançamento não acreditaram. Eu queria lançar 50 mil exemplares, mas os livreiros não botaram fé. Então tirei 15 mil, que se esgotaram em 48 horas! Até sexta-feira, mais 30 mil chegam às lojas. Acho que é um livro para mais de 200 mil exemplares. Depois das acusações e calúnias contra ele, o Amaury está lavando a alma...

Carta Maior - Quais foram os mais vendidos de sua editora até agora?

 Pela ordem, foram Honoráveis bandidos, do Palmério Dória, sobre o clã Sarney, que vendeu 120 mil, Memória das trevas, de João Carlos Teixeira Gomes, contando a vida de Antonio Carlos Magalhães, com 70 mil, e Operação Araguaia, de Taís Morais e Eumano Silva, sobre a guerrilha, com 60 mil. É importante frisar que o livro do Palmério vendeu isso tudo em um ano. É um fenômeno. Mas acho que Privataria vai ultrapassar esse número.

Carta Maior – A grande mídia até agora silenciou sobre o lançamento. Por que?

 Acho que esse silêncio será rompido em breve. As redes sociais, os blogues e portais independentes deram ampla divulgação ao livro. Não se trata de um dossiê, mas de jornalismo investigativo sério. Tenho amigos do PSDB, que são amigos de José Serra. Devem estar decepcionados. Paciência. Quando foram revelados os crimes de Stalin, também houve muita decepção. É uma verdade incômoda, que enche de nódoa um político sério e um economista competente, como o Serra. Mas esta é uma situação constrangedora. Na verdade, ele não tem um envolvimento direto com os crimes, pois se trata disso, de crimes! É sempre a filha, o genro, um assessor, ou um companheiro de partido... Resta a ele vir a público dizer que não sabia de nada. Mas falar que não sabia das movimentações milionárias da filha é algo difícil de acreditar...

Carta Maior – O PT também sai chamuscado no livro...

 Não vejo ninguém do PT fugindo do livro. O que há é uma conspiração de um grupo dentro da disputa interna de poder. Isso está na parte “PT contra PT”, porque o autor foi alvo de uma denúncia sórdida de que estaria produzindo dossiês de campanha. Ele agora está se defendendo. E esperou a campanha terminar para contar essa história.

Carta Maior – Jornalismo vende bem?

 Eu trabalhei na grande imprensa até 1990 e tenho grande orgulho de ter publicado este livro. Amaury fez o que os jornais e revistas deveriam fazer: jornalismo investigativo. Isso é muito diferente de um repórter receber um dossiê na redação de um grupo que quer destruir outro, seja grupo político ou econômico. Isso não é jornalismo! São as máfias instrumentalizando a imprensa. O livro é investigação e apuração. Ele pode ter falhas. Aliás, quem descobrir algum equívoco ou erro nele, peço que entre em contato conosco, para que possamos corrigir em futuras edições.

Um sucesso de vendas cercado por um muro de silêncio

Maria Inês Nassif
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via Natalia Forcat, no Facebook







O livro "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Jr., foi lançado há quatro dias e já é um fenômeno de vendas cercado por um muro de silêncio. Produto de doze anos de trabalho - e, sem dúvida, a mais completa investigação jornalística feita sobre o submundo da política neste século -, o livro consegue mapear o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro montado em torno do político tucano José Serra - ex-deputado, ex-senador, ex-ministro, ex-governador, ex-prefeito e candidato duas vezes derrotado à Presidência da República. De quebra, coloca o PT em duas saias justas. A primeira delas é a constatação de que o partido, no primeiro ano de governo Lula, "afinou" diante do potencial de estrago da CPMI do Banestado, que pegou a lavanderia de vários esquemas que, se atingiam os tucanos, poderiam também resvalar para figuras petistas. O segundo mal-estar com o PT é o ultimo capítulo do livro, quando o autor conta a "arapongagem" interna da campanha do PT, que teria sido montada para derrubar o grupo ligado ao mineiro Fernando Pimentel da campanha da candidata Dilma Rousseff. Amaury aponta (como ele já disse antes) para o presidente do partido, Rui Falcão. Falcão já moveu um processo contra o jornalista por conta disso. O jornalista mantém a acusação.

Ao atirar para os dois lados, o livro-bomba do jornalista, um dos melhores repórteres investigativos do país, acabou conseguindo a façanha de ser ignorado pela mídia tradicional e igualmente pelo PT e pelo PSDB. O conteúdo de seu trabalho, todavia, continua sendo reproduzido fartamente por sites, blogs e redes sociais. Esgotado ontem nas livrarias, caminha para sua segunda edição. E já foi editado em e-book.

Os personagens do PSDB são conhecidos. O ex-caixa de campanha de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, aparece como o "engenheiro" de um esquema que operou bilhões de dólares durante as privatizações e os dois governos de Fernando Henrique Cardoso. A mesma tecnologia financeira usada por Oliveira foi depois copiada pela filha de Serra, Verônica, e seu marido, Alexandre Burgeois. Gregório Marin Preciado surge também como membro atuante do esquema. Ele é casado com uma prima do tucano nascido na Móoca, ex-líder estudantil e cardeal tucano.

Embora esteja concentrado nesse grupo específico do tucanato - o empresário Daniel Dantas só aparece quando opera para o mesmo esquema -, o livro não poupa gregos, nem troianos. A documentação da Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) do Banestado, que forneceu os primeiros documentos sobre lavagem de dinheiro obtido ilegalmente das privatizações, é o pontapé inicial do novelo que se desenrola até as eleições presidenciais do ano passado. A comissão, provocada por denúncias feitas pela revista Isto É, em matéria assinada pelo próprio Ribeiro Jr. e por Sônia Filgueiras, recebeu da promotoria de Nova York, e foi obrigada a repassá-lo à Justiça de São Paulo, um CD com a movimentação de dinheiro de brasileiros feita pelo MTB Bank, de NY, fechado por comprovação de que lavava dinheiro do narcotráfico, do terrorismo e da corrupção, por meio de contas de um condomínio de doleiros sul-americanos.

O material era uma bomba, diz o jornalista, e provocou a "Operação Abafa" da comissão de inquérito, pelo seu potencial de constranger tanto tucanos, como petistas (a CPMI funcionou no primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003).

Amaury Ribeiro conta de forma simples intrincadas operações de esfria/esquenta dinheiro ilegal - e, de quebra, dá uma clara ideia de como operava a "arapongagem tucana" a mando de Serra. Até o livro, as acusações de que Serra fazia dossiês para chantagear inimigos internos (do PSDB) e externos eram só folclore. No livro, ganham nome, endereço e telefone.

Nos próximo parágrafos, estão algumas das histórias contadas por Amaury Ribeiro Jr., com as fontes. Nada do que aponta deixa de ter uma comprovação documental, ou testemunhal. É um belo roteiro para a grande imprensa que, se não acusou até agora o lançamento do livro, poderia ao menos tomá-lo como exemplo para voltar a fazer jornalismo investigativo.

1. A arapongagem da turma do José Serra (pág. 25) - Quando ministro da Saúde do governo FHC, José Serra montou um núcleo de inteligência dentro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) (a Gerência Geral da Secretaria de Segurança da Anvisa). O núcleo era comandado pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), também delegado. O grupo foi extinto quando a imprensa denunciou que o grupo bisbilhotava a vida dos funcionários. O funcionário da Agência Brasileira de Informações Luiz Fernandes Barcellos (agente Jardim) fazia parte do esquema. Também estava lá o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo de Graças Souza.

Este núcleo, mesmo desmontado oficialmente, teria sido usado por Serra, quando governador, para investigar os "discretos roteiros sentimentais" do governador de Minas, Aécio Neves, no Rio de Janeiro. De posse do dossiê, Serra teria tentado chantagear Aécio para que o governador mineiro não disputasse com ele a legenda do PSDB para a Presidência da República. O agente Jardim, segundo apurou Amaury, fez o trabalho de campo contra Aécio. (Fontes: O agente da Cisa Idalísio dos Santos, o Dadá, conseguiu informações sobre o núcleo de arapongagem de Serra e teve a informação confirmada por outros agentes. Para a "arapongagem" contra Aécio, o próprio Palácio da Liberdade).

2. O acordo entre Serra e Aécio (págs. 25 a 28) - Por conta própria, Ribeiro Jr., ainda no "Estado de Minas" e sem que sua apuração sobre a arapongagem de Serra tivesse sido publicada, retomou pauta iniciada quando ainda trabalhava no "Globo", sobre as privatizações feitas no governo FHC. Encontrou a primeira transação do ex-tesoureiro de campanha de FHC e Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira: a empresa offshore Andover, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, que injetava dinheiro de fora para outra empresa sua, em São Paulo, a Westchester. (Fontes: cartórios de títulos e documentos e Juntas Comerciais de São Paulo e do Rio).

Nos mesmos papéis, encontrou outro personagem que usava a mesma metodologia de Oliveira: o genro de Serra, Alexandre Bourgeois, casado com Verônica Serra. Logo após as privatizações das teles, Bourgeois abriu duas off-shores no mesmo paraíso fiscal - a Vex Capital e a Iconexa Inc, que operavam no mesmo escritório utilizado pelo ex-tesoureiro, o do Citco Building. (Fonte: 3° Cartório de Títulos e Documentos de São Paulo).

Amaury ligou para assessoria de Serra no governo do Estado e se deu mal: as informações, das quais queria a versão do governador, serviram para que o tucano paulista ligasse para Aécio e ambos aparassem as arestas. O Estado de Minas não publicou o material.

3. Ricardo Sérgio de Oliveira, Carlos Jereissati e a privatização das teles - O primeiro indício de que a privatização das teles encheu os cofres de tucanos apareceu no relatório sobre as movimentações financeiras do ex-caixa de campanha Ricardo Sérgio de Oliveira que transitou pela CPMI do Banestado. A operação comprova que Oliveira recebeu propina do empresário Carlos Jereissati, que adquiriu em leilão a Tele Norte Leste e passou a operar a telefonia de 16 Estados. A offshore Infinity Trading (de Jereissati) depositou US$ 410 mil em favor da Fanton Interprises (de Ricardo Sérgio) no MTB Bank, de Nova York.

Comprovação do vínculo da Infinity Trading com Jereissati: Relatório 369 da Secretaria de Acompanhamento Econômico; documentos da CPMI do Banestado.

Comprovação do vínculo de Oliveira com a Franton: declaração do próprio Oliveira, à Receita Federal, de uma doação à Franton, em 2008.

4. Quando foi para a diretoria Internacional do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio tinha duas empresas, a Planefin e a RCM. Passou a administração de ambas para a esposa, a desenhista Elizabeth, para assumir o cargo público. Em 1998, a RCM juntou-se à Ricci Engenharia (do seu sócio José Stefanes Ferreira Gringo), para construir apartamentos. Duas torres foram compradas pela Previ (gerida pelo seu amigo João Bosto Madeira da Costa) ainda na maquete. A Planefin entrou no negócio de Intenet recebeu líquido, por apenas um serviço, R$ 1,8 milhão do grupo La Fonte, de Carlos Jereissati, aquele cujo consórcio, a Telemar, comprou a Tele Norte Leste (com a ajuda de Ricardo Sérgio, que forneceu aval do BB e dinheiro da Previ à Telemar).

5. Em julho de 1999, a Planefim comprou, por R$ 11 milhões, metade de um prédio de 13 andares no Rio, e outra metade de outro edifício em Belo Horizonte. As duas outras metades foram compradas pela Consultatum, do seu sócio Ronaldo de Souza, que morreu no ano passado. Quem vendeu o patrimônio foi a Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, reduto tucano. O dinheiro para pagar a metade de Ricardo Sérgio nos imóveis veio da Citco Building, nas Ilhas Virgens Briânicas, a mesma "conta-ônibus" de doleiros que viria a lavar dinheiro sul-americano sujo, de várias procedências.

Amanhã, a Carta Maior contará o que o livro de Amaury Ribeiro Jr. revela das operações feitas pela filha e genro de Serra, Verônica e Alexandre Bourgeois, e pelo primo Gregório Marín Preciato.

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Assista no Aposentado Invocado reportagem do R7 sobre o livro e o silêncio  da mídia! 

12 dezembro, 2011

Marilena Chauí: Por uma nova Política

Por Vivian Virissimo, no Sul21
Dica do Vi o mundo

Mafalda


Aos 70 anos, a filósofa Marilena Chauí segue avaliando os rumos da política e as grandes transformações sociais e culturais em curso no Brasil e no mundo. Pelo seu diagnóstico, o coração da democracia brasileira está muito debilitado, uma vez que todas as formas de conflito são abafadas ou combatidas com a repressão do Estado, o que impede o avanço na garantia de direitos e no aprimoramento da própria democracia.

“No Brasil, incessantemente, o conflito é transformado em crise e se joga a polícia e o Exército contra a população e os movimentos sociais. A única maneira de afirmar a legitimidade e a necessidade do conflito é mostrar que o mesmo é o coração da democracia”, falou Marilena ao Sul21.

Professora de Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP), Marilena é uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT). Ela esteve em Porto Alegre para participar de conferência no Debates Capitais promovido pela Câmara de Vereadores nesta quarta-feira (7).

No entendimento de Marilena, sem mexer na estrutura da sociedade fica impossível compreender o verdadeiro sentido democrático do conflito. “O núcleo da sociedade brasileira é um grupo oligárquico que não admite nenhuma contestação e que transforma o conflito na ideia de desordem, crise, perigo, de que é preciso repressão e um Estado forte”, aponta.

Ao mesmo tempo, Marilena também destaca que a repressão do Estado é dirigida geralmente aos negros, aos pobres, aos índios, aos moradores de rua. “Eles são vistos como uma ameaça visível. Mas, sob essa ameaça visível, se esconde ideologicamente que qualquer forma organizada no interior da sociedade é perigosa. Qualquer grupo, classe, conjunto que se organize em termos sociais e políticos é visto como perigoso”, explica a filósofa.

Outra face para comprender este processo se trata de um mito da não-violência que está arraigado na sociedade brasileira. Essa posição, segunda ela, enfraquece as possibilidades de mudança. “Se nós somos um alegre povo mestiço, verde e amarelo, sensual, ordeiro e pacífico… O que se faz? Esta tudo dado, tudo pronto”, critica Marilena.

Para ela, a garantia de direitos passa pela percepção de que o racismo, o sexismo e a homofobia são formas de violência que são naturalizadas pela maioria da sociedade brasileira. “Mexer na estrutura da sociedade brasileira é uma tarefa de todos. E o começo disso passa pela percepção de que existe uma violência estrutural, um autoritarismo. Se isso não for percebido, não temos como lutar”, fala Marilena.

“Há um campo aberto para a política”

Marilena também pontuou que o começo dessas transformações na estrutura da sociedade começaram com a constituição dos movimentos sociais no período de luta pela redemocratização do país. “Tem sido assim desde a década de 1970. Todos esses movimentos deram origem a formações partidárias e políticas que democratizaram o país. Não é porque o Brasil se democratizou que os movimentos se tornaram possíveis, é exatamente o contrário: porque os movimentos se organizaram, existiram e lutaram que eles tornaram possível a democratização do país”.

Diante das mudanças gerais ocorridas na sociedade brasileira, Marilena avalia que o refluxo dos grandes movimentos sociais servirá para a reposição de novas práticas políticas, sociais e culturais. “Há um campo aberto para a política que ainda não foi pensado e ainda não foi exercido. Mas isso não é um ou outro que vai pensar. É um coletivo que tem que pensar e refletir sobre isso”, avalia.

Nesse sentido, Marilena também apontou a necessidade de desvincular a política das formas clássicas de representação. “Quando a política fica restrita ao aparelho do Estado se perde a noção mesma da política que é a polis, a cidade organizada, a sociedade. Em vez de pensar que a política é uma ação coletiva no interior da própria sociedade, sob a forma de poderes e contra poderes, se pensa a política como uma esfera separada”.

Apesar de todas essas constatações, Marilena se mostrou uma pessoa otimista. “Eu só lamento que não vou ter tempo de vida para ver as mudanças profundas que vão acontecer não só no Brasil, mas em escala planetária. Uma mudança no saber, na ciência, na tecnologia que por enquanto ainda estão muito afogadas dentro da estrutura capitalista vigente, mas elas têm potencial de mudança e transformação muito grande”, aponta a filosofa.

Estereótipos e publicidade: crianças não mentem?

Chocante!!!! 

Do Estereotipos.net
Dica do @Cidoli
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11 dezembro, 2011

O que o Vaticano, o fim do socialismo soviético e a privataria tucana tem em comum?

por Sergio Bertoni
do ParanáBlogs 

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À primeira vista, o Vaticano, o fim do socialismo soviético e a privataria tucana nada tem em comum e são considerados, por alguns,  fenômenos “isolados” no tempo e no espaço.
Porém, 3 livros publicados nos últimos 18 meses, Vaticano S.A (Gianluigi Nuzzi, Larousse, 2010),  Economia Bandida (Loretta Napoleoni, Difel, 2010)  e A Privataria Tucana (Amaury Ribeiro Jr., Geração Editorial, 2011) mostram que os 3 “fenômenos” tem em comum o modus operandis neoliberal de desvio criminoso de dinheiro público, sempre lavados por empresas ou bancos off-shores, e seu investimento em negócios legais ou espúrios,  fazendo com que de uma forma ou de outra a grana desviada volte aos corrputos e corruptores na qualidade de dinheiro limpo, legalizado no sistema bancário-financeiro internacional.
A lavanderia do Vaticano, através de seu IOR – Instituto para Obras Religiosas, também conhecido como Banco do Vaticano, pode ser considerada a mais antiga encravada na Europa continental, bem no centro de Roma.
Os esquemas relatados no livro de Gianluigi Nuzzi remontam ao papado de Paulo VI e conta como a grana ilegal de políticos,  empresários e bispos de vários países eram legalizados pela off-shore IOR, ou seja, Banco do Vaticano.
Baseado no arquivo secreto do Monsenhor Renato Dodozzi, morto em 2003), Vaticano S.A. revela escândalos políticos e financeiros da maior Instituição Religiosa do Mundo: a Igreja Católica Apostólica Romana.

O imenso arquivo do Monsenhor Dodozzi, que trabalhou no IOR, ficou guardado na Suíça até a sua morte e hoje acessível a todos, revela uma verdadeira e própria “lavanderia de dinheiro” no centro de Roma, utilizada também pela máfia e por inescrupulosos aventureiros políticos. Um paraíso fiscal que não se submete a nenhuma legislação, a não ser às sacras leis do Estado do Vaticano.
O livro mostra também como fundos “pessoais” do papa João Paulo II foram usados para financiar o sindicato polonês Solidariedade contra o regime socialista soviético.
Economia Bandida chegou ao Brasil após lançamentos de sucesso na América do Norte e Central, Europa e Ásia. Nele, Loretta Napoleoni disseca a extensa rede de ilegalidade existente no planeta – da indústria do sexo na Europa Oriental à rede chinesa de pornografia online, passando pela comercialização do Viagra e pelo tráfico de diamantes na África.

Não é um livro sobre as origens obscuras dos produtos que consumimos nem sobre as mentiras das campanhas publicitárias dos propagandistas da eterna juventude. Tampouco se trata de um manual antiglobalização ou de um manifesto pela revolução do consumidor.
Mostra o que há de comum entre o próspero comércio sexual do Leste Europeu, o escândalo dos empréstimos hipotecários podres nos Estados Unidos, a indústria chinesa de produtos falsificados e a filantropia das celebridades na África.  Descreve como biopiratas exploram a indústria do sangue, como os bandidos da pesca devastam os altos-mares, como a pornografia se desenvolve virtualmente no Second Life e como jogos como o World of Warcraft geram “suadouros” on-line, levando-nos a concluir que as indústrias bandidas estão se transformando em impérios globais e tornando-se regra descarada do sistema capitalista que antigamente procurava disfarçar-se sob negócios tidos como legais.
Mostra, enfim, como o mundo vem sendo remodelado por forças econômicas obscuras que vitimam milhares de pessoas comuns cujas vidas foram aprisionadas na fantasia do consumismo mundial. Napoleoni revela a arquitetura de nosso mundo.
Por sua vez, A privataria tucana nos traz a arquitetura de nosso Brasil “moderno” e, de maneira chocante e até decepcionante, relata a dura realidade dos bastidores da política e do empresariado brasileiro, em conluio para roubar dinheiro público.

Faz uma denúncia vigorosa do que foi a chamada Era das Privatizações, instaurada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso e por seu então Ministro do Planejamento, José Serra. Nomes, até agora blindados pela aura da honestidade e pela imprensa nacional, surgirão manchados pela descoberta de seus malfeitos.
O livro traz os documentos secretos e a verdade sobre o maior assalto ao patrimônio público brasileiro e o trânsito de fortunas tucanas até os paraísos fiscais.
O leitor perceberá que nas 3 publicações citadas tudo é SAGRADO, desde que garanta aos  neoliberais e a seus operadores os maiores, mais fáceis e rápidos lucros possíveis, pouco importando a origem ou legalidade das operações em que eles se envolvam.
Interesses  e direitos HUMANOS, nacionais, religiosos, políticos, economicos, sociais ou populares são descaradamente atropelados em nome do rápida e absurda concentração de renda e riquezas do vale-tudo do TUDO PELO CAPITAL.
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