23 janeiro, 2012
Estado (Tucano) de Direito
Do Sindicato dos Metalúrgicos de SJC
Dica @mdiacirucis
A ação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, iniciada neste domingo, dia 22, na Ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos, é o retrato da irresponsabilidade, truculência e covardia dos governos Geraldo Alckmin (PSDB) e Eduardo Cury (PSDB).
22 janeiro, 2012
Pinheirinho: "Direita oligárquica não descansa"
Do Carta Maior
Por Ivan Trindade
Dica @Maria_Fro
Em Canoas para uma oficina da universidade Popular dos Movimentos Sociais, evento pré-Fórum Social Temático, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos condenou duramente a ação de reintegração de posse autorizada pela justiça paulista e executada pelo governo de Geraldo Alckimin (PSDB). "A violência é um recado da direita oligárquica, que não descansa, a todos os movimentos sociais que lutam por seus direitos", disse Boaventura.
Canoas (RS) - O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos comentou neste domingo, a violenta ação da Polícia Militar de São Paulo na desocupação da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, São Paulo, na manhã deste domingo. Relatos dos próprios moradores dão conta de pelo menos sete mortes, informação não confirmada pela polícia militar até o final da tarde deste domingo.
Em Canoas para uma oficina da Universidade Popular dos Movimentos Sociais, evento pré-Fórum Social Temático, Boaventura condenou duramente a ação de reintegração de posse autorizada pela justiça paulista e executada pelo governo do estado, comandado pelo governador tucano Geraldo Alckimin (PSDB).
Para o professor, a violência é um recado da direita oligárquica a todos os movimentos sociais que lutam por seus direitos. Uma tentativa de desmoralizá-los. Para ele, a direita é anti-democrática e não hesita em usar de todos os meios para garantir seus interesses, sejam meios legais ou não.
O sociólogo cobrou uma ação firme do governo federal no caso e considera que mesmo com a violência, os movimentos sociais não se deixarão desmoralizar e seguirão em suas lutas por direitos fundamentais de cada cidadão.
Vídeo: Ivan Trindade
Pinheirinho: Má-fé do governador Alckmin
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| Foto da Falha.com |
Do Viomundo
Tropa de choque de quase 2 mil homens, caveirão, armamento pesado. Com todo esse aparato, começou neste domingo, às 6h, a desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos. Moradores, lideranças e parlamentares foram totalmente pegos de surpresa.
“O senador Eduardo Suplicy (PT) e o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP) estavam dialogando com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito Eduardo Cury (PSDB) e proprietário da área, para achar uma solução negociada”, afirma o deputado estadual Marco Aurélio Souza (PT). “O próprio dono da área havia concordado em aguardar mais 15 dias. Isso tudo foi minuciosamente relatado por Suplicy numa assembleia realizada ontem, sábado, no Pinheirinho. De modo que todo mundo estava tranqüilo.”
Para Marco Aurélio, Alckmin manobrou os parlamentares para desmobilizar os moradores e, aí, fazer a reintegração de posse sem resistência. “Covardia com os moradores, para pegá-los desprevenidos”, acusa. “Quebra de palavra com os parlamentares importantes de São Paulo. ”
O deputado estadual Paulo Búfalo (Psol-SP) está convencido também de que foi uma manobra de má-fé do governador Alckmin. De um lado, negociava, com os parlamentares. De outro, determinava a desapropriação da área, uma ação em conluio com a Justiça de São Paulo: “Todos os relatos que estamos ouvindo aqui, infelizmente, apontam para isso”.
Sobre mortos e feridos os números são desencontrados. Divulgou-me mais cedo sete óbitos. Mas isso não confirmado.
“Mesmo as lideranças estão com dificuldade de obter informação”, diz Búfalo. “A tropa de choque fechou todas as entradas e saídas do acampamento. Ninguém sabe direito o que está acontecendo lá dentro.”
O fato é quem quem chega ao Pinheirinho está sendo recebido com bombas, que estão sobrando até para a imprensa e parlamentares. “Eu guardei de ‘lembrança’ os resíduos da que a PM atirou contra mim”, observa o deputado Marco Aurélio. “Se a amanhã o governador disser que a reintegração de posse do Pinheirinho foi feita de forma pacífica, eu tenho como provar que é mentira.”
A PM Tucana protege Naji Nahas
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| Foto do R7: Carro da TV Globo em chamas |
Do Rede Brasil Atual
São Paulo – Apesar de um acordo firmado na última quarta-feira (18) no Tribunal de Justiça de São Paulo para que fosse adiado o cumprimento da ordem judicial de reintegração de posse da área conhecida por Pinheirinho, em São José dos Campos/SP, a Polícia Militar está no local para retirar os milhares de moradores, cumprindo nova ordem judicial. A ação é violenta.
A PM paulista também desrespeita uma decisão do Tribunal Regional Federal, que por volta das 11h fez comunicar ao comando das operações que a desocupação estava suspensa, segundo despacho assinado pelo juiz plantonista Samuel de Castro Barbosa Melo.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de S. José dos Campos, que apoia a luta da comunidade por moradia, a PM paulista chegou ao local sem um único assistente social, que devem acompanhar esse tipo de operação e sem ninguém para indicar para onde os milhares de moradores devem se transferir.
“Vieram pra quebrar tudo mesmo, estão passando por cima de todo mundo e atirando nas pessoas”, acusa Herbert Claro, diretor do sindicato. Segundo o ativista, uma escola estadual próxima ao local está sendo usada pela polícia para as detenções. O deputado Ivan Valente (Psol) e o senador Eduardo Suplicy (PT) chegaram ao Pinheirinho ainda no sábado (21) para expressar solidariedade à comunidade e tentar evitar a desocupação.
Defensores dos moradores e ativistas do movimento por moradia acusam o prefeito da cidade, Eduardo Cury (PSDB) de agir contra os moradores, em parceria com o governador Geraldo Alckmin.
A Tropa de Choque invadiu o Pinheirinho neste domingo, dia 22, cumprindo a ordem de reintegração determinada pela juiza civel Márcia Loureiro. Segundo a prefeitura de São José, cidade do Vale do Paraíba a cerca de 100 quilômetros da capital paulista, a comunidade abriga cerca de 5,5 mil pessoas.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de S. José, que apoia os moradores da comunidade, a reintegração começou às 6h desta manhã e o clima é tenso. Segundo informa a própria PM, dois ocupantes foram detidos e um homem ainda não identificado foi baleado.
Desde o primeiro despacho judicial ordenando a desocupação da área de 1 milhão de metros quadrados – que pertence à massa falida de uma empresa do megaespeculador Naji Nahas – os moradores prometem “resistir até a morte” para permanecer em suas casas, enquanto prosseguem a luta pelo direito à moradia.
Segundo jornalistas no local, um carro blindado da PM paulista liderou a ação policial, seguido por soldados da Tropa de Choque e da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, tudo monitorado por dois helicópteros da corporação. Na tentativa de conter a invasão, os moradores atearam fogo em barricadas que haviam armado em alguns pontos de acesso à área.
Cerca de 2 mil policiais militares foram destacados para retirar os ocupantes. O efetivo conta ainda com soldados da Guarda Civil Metropolitana da cidade.
21 janeiro, 2012
A demonização da classe trabalhadora britânica
Por Marcelo Justo
Londres - A demonização da classe trabalhadora britânica tem uma sigla indecifrável: “Chavs”. Ninguém sabe o que significa, mas em páginas web, em programas de televisão e em análises midiáticas populares ou “sérias”, serve para estigmatizar os jovens que vivem em moradias municipais e têm um tipo específico de sotaque e aspecto físico. “Na realidade é uma maneira oblíqua de definir o conjunto da classe trabalhadora e responsabilizar os pobres de ser pobres”, escreve Owem Jones, autor de “Chavs”, um livro chave sobre o tema. Em meio à atual crise, a justificativa cai como anel no dedo. A pobreza não se deve aos problemas da economia, mas às falhas do próprio indivíduo ou de sua família: aos lares deslocados, à falta de ambição ou inteligência.
As três décadas de neoliberalismo, inauguradas por Margaret Thatcher com uma drástica desindustrialização nos anos 80, marcaram o triunfo de um individualismo que afundou o sistema de valores solidários da classe trabalhadora. Em 1979 havia sete milhões de operários com um forte peso de mineiros, portuários e do setor automotivo. Hoje há dois milhões e meio, as minas desapareceram e só a empresa automotiva, em mãos estrangeiras, está crescendo.
Neste vazio de identidade, de uma classe operária em retirada, surgem os “chavs”. Objeto de escárnio na imprensa ou de piada em programas de televisão e cenas de classe média, os “chavs” são apresentados como parasitas encravados no tecido social. Segundo o estereotipo são desempregados crônicos, adolescentes que engravidam para receber auxílio-maternidade, responsáveis pelo déficit fiscal e moral, virtuais delinquentes com um coeficiente de inteligência pelo chão e uma família disfuncional. “O que chamávamos de respeitável classe trabalhadora praticamente desapareceu. Hoje a classe trabalhadora na verdade não trabalha nada e está mantida pelo estado de bem-estar”, assinala o comentarista conservador Simom Heffer.
O estereótipo ajudou a justificar o draconiano ajuste fiscal da coalizão conservadora liberal-democrata encabeçada pelo primeiro ministro David Cameron, mas também tem servido de base para propostas reacionárias, de limpeza social. Em 2008, o vereador conservador, Johm Ward, propôs a esterilização obrigatória das pessoas que tiveram um segundo ou terceiro filho enquanto recebiam benefícios sociais, medida apoiada com entusiasmo pelos leitores do jornal conservador “Daily Mail”, escandalizados com “estes aproveitadores e sem-vergonhas que estão afundando o país”.
A obsessão classista e o estereótipo levaram a confusões tragicômicas. Em um panfleto para as eleições de 2010, os conservadores asseguraram que em algumas zonas pobres “a gravidez de adolescentes menores de 18 anos é de 54 %”. Na verdade era 5,4%, cifra que representava uma queda com respeito ao que acontecia durante o Thatcherismo. No departamento de imprensa conservador ninguém percebeu o erro tipográfico. Apesar de se referir a mais da metade das menores de 18 anos dessas zonas, o fenômeno já havia sido naturalizado pelo preconceito.
Uma das curiosidades é que se usa o término Chavs com certeza de conceito sociológico, mesmo que ninguém possa dizer com certeza o que significa o acrônimo. O dicionário de oxford na internet define o “Chav” como “um jovem de classe baixa de conduta estridente, que anda em grupo e usa roupas de marca, reais ou imitadas”. Outro dicionário, de 2005, o define como “jovem de classe trabalhadora que se veste com roupa esportiva” Um mito popular o faz passar como “Council Housed and Violent” (violento que vive em casas municipais).
Esta vacuidade permite englobar amplos setores sociais. Em um livro que já está na nona edição e vendeu mais de 100 mil exemplares, “The Little book of Chavs”, se identificam os típicos trabalhos “chavs”. A “chavette” – mulher chav – é aprendiz de cabeleireiro, faxineira ou camareira enquanto os homens são guardas de segurança ou mecânicos e encanadores “cowboys” (“especialistas” em reparações que destroem tudo). Segundo o livro, “chavs” de ambos os sexos costumam ser 'caixas' nos supermercados ou empregados de lanchonetes.
Esta tipificação ocupacional corre paralela às mudanças que a classe trabalhadora britânica viveu nos últimos 30 anos. Hoje um quarto da força de trabalho tem uma jornada precária e mais de um milhão e meio se encontra em empregos temporários. O salário médio de 170 mil cabeleireiras (“chavettes”) está pouco acima da metade da média salarial da população, medida que define a linha de pobreza no Reino Unido. Em cidades que alguma vez giraram em torno à atividade manufatureira ou mineira, os escassos trabalhos que existem são em supermercados ou farmácias. “Não só são trabalhos mais inseguros. Estão muito pior pagos.
Quando a Rover faliu em Birmingham com a perda de 6500 postos de trabalho, a remuneração média que receberam aqueles que conseguiram trabalho era um quinto menor do que ganhavam na automotiva”, aponta Owem Jones.
O paradoxo é que em uma sociedade tão classista como a britânica, na qual o sotaque e a universidade (Oxford, Cambridge) definem o futuro de uma pessoa, conservadores e novos trabalhistas propagam o mito de que hoje todos os britânicos são de “classe média”, salvo essa pequena subclasse disfuncional e patológica, para a qual falta ambição ou fibra moral: os Chavs. Em 1910 Winstom Churchill, então ministro do interior do Partido trabalhista propôs a esterilização de mais de 100 mil pessoas que considerava “débeis mentais e degenerados morais” para salvar o país da decadência. Um século mais tarde a decadência continua ameaçando o Reino Unido, mas a fórmula é mais “civilizada”: um estigma que nega a existência e o significado social da classe trabalhadora.
Tradução: Libório Junior
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20 janeiro, 2012
SOPA: Consolidación del Estado Policial
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| Los usuarios de Megaupload tienen derecho a recuperar sus archivos privados |
Por Neirlay Andrade
Durante 24 horas, el miércoles, más de cien portales de internet protagonizaron un “apagón digital” en contra de uno de los más recientes proyectos de censura y persecución promovidos por el Congreso de Estados Unidos. La frase “imagina un mundo sin conocimiento libre” se multiplicó en la red, entre páginas “a media luz”.
De aprobarse el proyecto de ley Sopa (Stop Online Privacy Act), “el control cibernético y el poder del gobierno norteamericano, a nivel mundial, sería el de un estado policial aterrador en toda la Red”, detalló la pedagoga Thais Marrero en una entrevista ofrecida a la Agencia Venezolana de Noticias (AVN).
El documento, presentado el 26 de octubre de 2011 en la Cámara de Representantes, fue engavetado el pasado 14 de enero hasta que no se logre un consenso entre republicanos y demócratas. Su impulsor es el presidente del Comité Judicial de la Cámara, el republicano Lamar Smith.
La asesora del ministerio venezolano de Ciencia y Tecnología calificó como “un mecanismo totalitario de censura” a este instrumento que restringe la libertad de los usuarios para descargar música, películas o textos gratis.
“La ley Sopa es la que ha tenido mayor difusión, pero ella va acompañada por otra, que está pasando por debajo de la mesa, la cual se denomina Ley P.I.P.A., para la Protección de la Propiedad Intelectual”.
Ambos documentos se articulan para “bloquear, censurar, atacar, cerrar portales, sitios web, redes sociales y desconectar buscadores, después de una reclamación por la infracción de los derechos de autor”, agregó la ex decana de Postgrado de la Universidad Nacional Experimental Simón Rodíguez.
“La iniciativa no es sólo de Lamar S. Smith, sino de una cofradía compuesta por unos diecinueve congresistas unidos a una lista de 140 gigantescas y multimillonarias empresas y compañías”.
Algunas de las corporaciones interesadas en la pronta aprobación del texto están desde la American Federation of Musicians (AFM); American Federation of Television and Radio Artists (AFTRA); American Society of Composers, Authors and Publishers (ASCAP) hasta emporios cosméticos como Estée Lauder Companies o L’Oreal; pasando por las reconocida cadena Sony.
Uno de los grandes millonarios que aupan el proyecto de censura es Keith Rupert Murdoch, “magnate del negocio de los medios de comunicación, información y cinematográficos, dueño del emporio News Corporation; poder que controla el 75 % de los contenidos que a nivel planetario circulan a través de sus operadores de cable, satélite y televisión”, destacó Marrero quien se especializa también en andragogía y forma parte de la Comunidad Venezolana de Profesionales de las Relaciones Internacionales y Defensores de la Solidaridad Mundial.
La ley Sopa “pone en jaque a los denominados recursos multimedia y a los recursos educativos abiertos (REA, u OER, por sus siglas en inglés)”.
Su imposición, advierte Marrero, pondría punto y final a una red de investigación global que paulatinamente han construido “estudiantes, profesores e investigadores de todo el mundo, quienes comparten y utilizan gratuitamente materiales digitalizados”.
via Patria Grande
Durante 24 horas, el miércoles, más de cien portales de internet protagonizaron un “apagón digital” en contra de uno de los más recientes proyectos de censura y persecución promovidos por el Congreso de Estados Unidos. La frase “imagina un mundo sin conocimiento libre” se multiplicó en la red, entre páginas “a media luz”.
De aprobarse el proyecto de ley Sopa (Stop Online Privacy Act), “el control cibernético y el poder del gobierno norteamericano, a nivel mundial, sería el de un estado policial aterrador en toda la Red”, detalló la pedagoga Thais Marrero en una entrevista ofrecida a la Agencia Venezolana de Noticias (AVN).
El documento, presentado el 26 de octubre de 2011 en la Cámara de Representantes, fue engavetado el pasado 14 de enero hasta que no se logre un consenso entre republicanos y demócratas. Su impulsor es el presidente del Comité Judicial de la Cámara, el republicano Lamar Smith.
La asesora del ministerio venezolano de Ciencia y Tecnología calificó como “un mecanismo totalitario de censura” a este instrumento que restringe la libertad de los usuarios para descargar música, películas o textos gratis.
“La ley Sopa es la que ha tenido mayor difusión, pero ella va acompañada por otra, que está pasando por debajo de la mesa, la cual se denomina Ley P.I.P.A., para la Protección de la Propiedad Intelectual”.
Ambos documentos se articulan para “bloquear, censurar, atacar, cerrar portales, sitios web, redes sociales y desconectar buscadores, después de una reclamación por la infracción de los derechos de autor”, agregó la ex decana de Postgrado de la Universidad Nacional Experimental Simón Rodíguez.
“La iniciativa no es sólo de Lamar S. Smith, sino de una cofradía compuesta por unos diecinueve congresistas unidos a una lista de 140 gigantescas y multimillonarias empresas y compañías”.
Algunas de las corporaciones interesadas en la pronta aprobación del texto están desde la American Federation of Musicians (AFM); American Federation of Television and Radio Artists (AFTRA); American Society of Composers, Authors and Publishers (ASCAP) hasta emporios cosméticos como Estée Lauder Companies o L’Oreal; pasando por las reconocida cadena Sony.
Uno de los grandes millonarios que aupan el proyecto de censura es Keith Rupert Murdoch, “magnate del negocio de los medios de comunicación, información y cinematográficos, dueño del emporio News Corporation; poder que controla el 75 % de los contenidos que a nivel planetario circulan a través de sus operadores de cable, satélite y televisión”, destacó Marrero quien se especializa también en andragogía y forma parte de la Comunidad Venezolana de Profesionales de las Relaciones Internacionales y Defensores de la Solidaridad Mundial.
La ley Sopa “pone en jaque a los denominados recursos multimedia y a los recursos educativos abiertos (REA, u OER, por sus siglas en inglés)”.
Su imposición, advierte Marrero, pondría punto y final a una red de investigación global que paulatinamente han construido “estudiantes, profesores e investigadores de todo el mundo, quienes comparten y utilizan gratuitamente materiales digitalizados”.
Leia também:
Castells debate os dilemas da internet
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Se ameaçar establishment, internet vai para o buraco
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| Ministro venezuelano Jesse Chacón |
Entrevista com Jesse Chacón
Quadro influente na revolução bolivariana encabeçada por Hugo Chávez, o venezuelano Jesse Chacón era o ministro de Telecomunicações do país na época em que a empresa RCTV não teve sua concessão pública renovada, em 2007, causando histeria da mídia corporativa mundo afora. Em entrevista ao Brasil de Fato, Chacón resgata este episódio e debate os avanços e a agenda a cumprir-se no continente para a democratização da comunicação.
Brasil de Fato - Em que se baseou a decisão de vocês no caso RCTV?
Jesse Chacón - Nesse momento venciam três concessões, de 25 anos cada. Em 1998 se aprovou a nova Constituição da Venezuela que estabelecia taxativamente que o Estado deveria criar um canal de serviço público. Como venciam as concessões, era mais importante para o Estado criar este canal do que renovar o canal privado. Além disso, o Estado não é obrigado a renovar, é uma decisão do Estado, que precisa ser fundamentada, mas pela Constituição a renovação não é automática, não sei se aqui é assim.
Pela Constituição não, mas na prática sim, é automática...
Bom... Se o espectro eletromagnético é um recurso limitado, você não pode ter infinitos canais. Se alguém explorou um canal de TV 25 anos, por que não dar a oportunidade a outro se o espectro é um bem de domínio público? Se o espectro é público e limitado tem que haver um sistema que permita que um maior número de elementos da sociedade desfrute desse recurso. Com a Constituição nos dizendo que deveríamos criar um canal de serviço público, que por ser dessa natureza dá maior entrada de atores do que o canal privado, não renovamos o privado.Buscamos a melhor solução técnica para dizer qual não seria renovado. A Televen é um canal UHF, RCTV e Venevisión eram VHF. Em matéria de propagação, o VHF é uma melhor freqüência. Com isso se descartou a Televen. Entre a RCTV, que operava no canal 2, e a Venevisión, no canal 4, optamos pelo canal 2, pois é uma freqüência melhor do que o canal 4. Assim, renovamos a concessão de Venevisión e Televen, não renovamos a RCTV e criamos o canal público. Juridicamente é impecável a decisão. O dono do espectro é a RCTV ou os venezuelanos? Se isso fosse um canal a cabo, eles poderiam seguir explorando, mas se estamos falando do espectro, temos que pensar uma maneira democratizá-lo.
Esse canal público já está no ar?
Sim, se chama TVes [Televisão Venezuelana Social].
Quando se trata da renovação de uma concessão pública, em qualquer setor, o Estado ou a sociedade, em tese, deveriam avaliar o serviço prestado durante o último período de concessão para, então, decidirem sobre a renovação ou não. No caso da RCTV, não houve avaliação deste tipo?
Nesse caso não foi necessário, mas nas próximas concessões a vencer o Estado terá que valorar se durante o tempo desta concessão se cumpriu o uso que de alguma maneira se defi niu para ele. Vão existir pessoas querendo ter sua televisão e dizendo“por que eles que já a exploraram por 25 anos e ganharam milhões seguem com o direito de explorar e eu não?” Há que se saber sob que condições se renova. Em alguns países as leiloam, então ganha quem tem mais poder. A questão é quem dá e quem tira o direito. Quanto tempo tem a Globo coma concessão no Brasil? Não há outra família que pode herdar isso? Se o espectro fosse um bem ilimitado, poderíamos dar a todos, mas como não é, onde está a democracia? A democracia deveria dar liberdade de acesso a todos os grupos. Nós fizemos uma proposta, que está em pronta discussão na Venezuela, de se separar o meio da mensagem. Onde não se entrega o meio a um concessionário específico. Cria-se uma redistribuição e se entrega o espaço em todos os meios, então, alguém ficaria com o canal 2 entre às 14 e 16 horas da tarde, outro entre às 16 e 18 horas, um terceiro entre às 18 e 20 horas. Através de cada um teremos diferentes visões da sociedade e não a visão que tem o dono do canal. Entretanto,a briga não é fácil. Mas, como querer uma sociedade plural se não há pluralidade no que se comunica?
Com a ascensão de governos de esquerda na América Latina a pauta da democratização da comunicação avançou?
A luta pela hegemonia é uma luta permanente. Se a sociedade não se dota de um elemento plural de difusão, quem tem o controle das transmissões de valores e símbolos impõe o modelo cultural dessa sociedade. Eu acho que a sociedade latino-americana está passando por um reencontro com o público, em matéria de comunicação. A Europa nasceu com um conceito público dos meios de comunicação, a América do Norte nasce com um conceito privado, que depois foi imposto à América Latina e nos causou muitos danos. Acho que temos que redefinir isto. Toda sociedade se constrói com um mecanismo onde você tem um contrato social, uma Constituição, e cidadãos que compartilham desse contrato. Para que eles compartilhem tem que ter um esquema de valores e um esquema de desejabilidade dentro dos marcos dessa Constituição. O único elemento que pode difundir esses valores assim definidos, porque o elege o povo e o tira o povo, é o público. Se faz necessário uma discussão entre o que significa um meio público realmente, no sentido de que é aberto a todos e é transparente em termos de gestão pública. Em segundo lugar, já nessa entrada do século 21, a sociedade se dotou de uma capacidade para divulgação muito maior. É preciso analisar a necessidade de facilitar o surgimento da comunidade como elemento gerador de mensagens, não como consumidor. Isso nos levaria a um novo esquema comunicacional onde deveriam conviver público, privado e a comunidade organizada. Na Venezuela avançamos nesse caminho, temos essa estrutura, com seus erros e acertos. Temos uma figura de rádio e televisão que se chama comunitária, que é distinta do alternativo. Alternativo nós entendemos como o jornal de vocês, porque é um grupo de pessoas que estão interessados no tema comunicacional, sem fins lucrativos. O comunitário é o veículo da comunidade. Na Venezuela um distrito pode se organizar e solicitar sua própria rádio ou televisão, criar sua fundação e a cada dois anos, em assembleia, reelegem quem vai ser o responsável. Esse modelo teve muita entrada. Em alguns lados teve um êxito gigantesco, em outros não, porque todo processo de socialização depende muito da maturidade da comunidade para entender que ela é a dona, não os que montaram o veículo.
Qual seria a agenda da democratização da comunicação por cumprir na América Latina?
Necessitamos fazer uma análise sobre como se constituem as comunicações aqui e se esse é o sistema que necessitamos. Um sistema que não permita a apropriação da comunidade da comunicação não vai facilitar o crescimento de uma sociedade plural. Em primeiro lugar, deve haver a possibilidade de que o privado, o público e o comunitário dividam esse espaço. Segundo: tem que haver um sistema que faça com que as mensagens sejam plurais, por isso temos que fracionar.
E a universalização da internet?
É muito importante. Agora, precisamos ter infraestrutura. Hoje, toda a rede de telecomunicações está globalizada e foi privatizada. O que se crê descentralizado é, na verdade, muito centralizado. E sobre isso se foram criando redes sociais. Creio que temos que voltar ao conceito de Estado-nação. Por exemplo, a Venezuela maneja sua própria rede de telecomunicações, seu satélite e agora está construindo o seu NAP [Node Access Point], o ponto onde se produz o intercâmbio de tráfego de todos os operadores de internet. Hoje, todos eles estão em Miami e tudo que surgiu na rede está aí porque o poder que centraliza isso ainda não se sente ameaçado. Mas, já começaram os problemas. Na Inglaterra, todo o movimento que se agrupou contra a privatização da educação foi retirado do Facebook quando viram que estavam se aglutinando. No Egito, quando começaram as manifestações, apagaram a rede completa à toda sociedade. Então, a pergunta é: é real este crescimento das redes sociais na internet, a ponto dela ser um espaço de disputa do poder? Ou é uma ilusão que terminará no momento em que o poder sinta que a rede atenta contra ele? Há pouco tempo, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que internet é um desafio para seu país e que deve haver um equilíbrio entre segurança e liberdade. Palavras mais, palavras menos, o que ela disse é que na internet, no contexto das redes sociais, existem dois tipos de pessoas: aqueles que a usam em benefício da sociedade e os “terroristas” que a utilizam contra a paz. E todos aqueles que ela determine como terroristas vão para o buraco. Isso signifi ca que a internet vai para o buraco quando for um perigo para o establishment. Esse é um dos grandes desafios da sociedade no século 21.
Isso desmonta a tese dos que acham que as redes sociais fazem revoluções.
De fato, elas tem potencial, funcionou nos países árabes. A pergunta é o que vai acontecer quando isso aconteça na Inglaterra, EUA, França. Quem tem a “tomada” na mão vai plugá-la ou desconectá-la? Aí está o desafio. A internet segue sendo um espaço interessante, o que não podemos é ser inocentes em pensar que ela por si só vai permitir todo o surgimento de um movimento antissistema gigantesco. Hoje ela se desenvolveu porque há sistema, ainda não lhe significa um risco.
A América Latina tem as possibilidades econômicas para ter o poder da“tomada”?
O mais difícil é a parte física, que já está enterrada aqui. O grande problema é que os processos de privatização levaram para as mãos das transnacionais grande parte destas redes. Seria interessante, por exemplo, que o tráfego de informações que vai da Venezuela ao Brasil, ao invés de subir ao NAP de Miami, ficasse entre os nossos NAPs. Sairia para o norte somente o tráfego de informações com o norte. Isso é muito simples de fazer, aqui já se fez coisas muito maiores.
Por que não se faz?
Mais por vontade política do qualquer outra coisa. O problema é que as telecomunicações não estão em mãos de empresas públicas ou privadas que sejam dos países e que tenham a visão dos países, mas são grandes transnacionais. O interesse deles é global, não é um negócio daqui. Aí passaríamos pelo tema do quão importante é termos essa estrutura hoje, de forma que se nos desligam lá em cima, seguimos conectados aqui embaixo. Do ponto de vista técnico, isso não é nada complexo. Do ponto de vista de custo, pode-se manter também.
Quem é
Jesse Chacón, 46, graduado em Engenharia de Sistemas pelo Instituto Politécnico da Força Armada Nacional da Venezuela e pós-graduado em Telemática na França. Atualmente é diretor da fundação Grupo de Investigação Social Século XXI (GISXXI). Muito influente no governo Hugo Chávez, dirigiu os ministérios do Interior, de Comunicação e Informação, de Telecomunicações, de Ciência, Tecnologia e Indústrias Intermediárias. Também esteve à frente do despacho da Presidência da República e da Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel).
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18 janeiro, 2012
Castells debate os dilemas da internet
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Do OutrasPalavras
Para sociólogo, breve todo planeta estará conectado; Google e Facebook não são ameaça. Grande desafio é manter liberdade na rede
Entrevista a Sergio Martin, Rádio Europa Aberta
Nos Estados Unidos, o Congresso examina leis (SOPA e PIPA) que podem impedir a troca de conteúdos em rede — e, se adotadas, atingirão internautas em muitos países. Na China, a campanha anunciada pelo presidente Hu Jintao para “promover a identidade cultural” do país inclui endurecer a censura sobre certos conteúdos que circulam pela rede. Mas em todo o mundo, ela continua a ligar seres humanos sem intermediações de governos ou empresas — e, em casos cada vez mais numerosos, a viabilizar mobilizações que derrubam ditaduras e desafiam o poder econômico. Qual o futuro da internet, em meio a tendências tão contraditórias?
No início de janeiro, o sociólogo Manuel Castells concedeu ao programa Europa Abierta, da rádio e TV pública espanhola, uma entrevista de enorme importância para o debate destes temas. Conhecido por obras que estabeleceram novos conceitos (como a trilogia “A Era da Informação”) e, mais recentemente, por sua aposta na possibilidade de manter a internet como espaço de uma “cultura de liberdade”, Castells sustentou quatro pontos de vista essenciais:
> Está surgindo uma era de “autocomunicação de massas”: Em suas análises anteriores, e nas de outros autores, já se falava numa “era de comunicação compartilhada”, que substituiria, a “comunicação de massas”. Castells acrescenta, agora, um outro dado. Além de dispensar o conteúdo dos grandes meios, estabelecendo trocas conteúdos em pequenos grupos, os cidadãos estão se tornando capazes de falar às massas. As redes sociais permitem multiplicar mesmos mensagens transmitidas por pequenos grupos, quando estes são capazes de sensibilizar as sociedades. É o que ocorreu, por exemplo, nas revoluções tunisiana e egípcia.
> As grandes empresas com base na internet são aliadas, na luta pela liberdade — mas precisam ser reguladas: Google, Facebook e outros têm grande poder de influência sobre a rede. Porém, seu próprio modelo de negócio as leva a se oporem a medidas autoritárias de controle. Aprenderam a surfar na rede; precisam multiplicar a circulação de conteúdos, de todos os tipos, para ampliar sua receita. Ainda assim, Castells defende a criação de conselhos que regulem a internet em favor do interesse público. São eles que podem assegurar, por exemplo, a neutralidade da rede, impedindo que certos usuários tenham privilégios sobre os demais.
> A ideia de uma “internet elitista” não resiste aos fatos: 1,7 bilhão de pessoas estão conectadas — um quarto da população total do planeta. Nunca um meio de comunicação teve alcance tão maciço. Mas este número vai se ampliar novamente em breve, graças às tecnologias que levam a internet aos celulares, ou seja, a 4,7 bilhões de seres humanos.
> Nada está garantido: No momento, mesmo os controles estabelecidos pelos governos sobre a rede (como a censura a certas palavras-chaves, na China) são frágeis. No entanto, a horizontalidade radical da internet é lógica intrínseca da autoridade — que é controlar informações. A única garantia para manter a rede livre é a permanente mobilização dos cidadãos.
A entrevista completa vem a seguir e seu áudio completo, em castelhano, pode ser escutado aqui. (A.M).
Num mundo que mudou muito, em pouco tempo, os meios de comunicação de massa estão se transformando ainda mais rapidamente. Qual sentido de suas transformações?
Os meios de comunicação tornaram-se ao mesmo tempo globais e locais. Com a transmissão digital, podem-se recombinar meios diferentes. O que antes era uma comunicação muito local e em que havia poucos canais e poucas formas de difusão de mensagens, transformou-se numa enorme constelação que está em todo mundo.
Mas a grande transformação foi produzida nos últimos dez ou doze anos, quando começou a se difundir a comunicação horizontal. Ou seja, não mais aquela que vai de um a muitos — e sim a que vai de muitos a muitos. Com cada um emitindo e selecionando suas próprias mensagens a partir da internet. Isso abriu as fronteiras. Qualquer pessoa pode organizar seu próprio canal e suas próprias redes de comunicação.
Portanto, estamos em um sistema de comunicação duplo, em que os meios de comunicação de massa já não reinam sozinhos. Surgiu o que chamamos de a “auto-comunicação de massa” — a comunicação que nós mesmos selecionamos, mas que tem o potencial de chegar às massas, ou àquele grupo de pessoas que definimos em nossas redes.
Em Comunicação e Poder, um de seus livros mais inspiradores, você difunde a utopia de um mundo melhor graças à livre comunicação entre as pessoas. Porém, percebemos, pelos ataques que têm sido lançados à liberdade na rede. Por isso, pergunto: nada parece ser tão simples, não é?
As coisas não são nada simples — mas não é difícil compreender a equação. Quem tem o poder, organiza a rede — seja poder econômico, midiático, político, qualquer um. E quem tem poder deseja mantê-lo, pois é a forma de assegurar que seus próprios interesses e valores estejam melhor servidos que os dos demais, na organização da sociedade. Por isso mesmo, quem tem poder rejeita as mudanças que ameaçam seu domínio.
Conservar o poder requer manter o máximo controle possível sobre a informação, e assegurar, sobretudo, que os canais de comunicação sejam verticais. Nessa lógica, alguns poucos devem controlar a comunicação dirigindo-se aos muitos que não a temos. Bem… isso é o que está mudando fundamentalmente!
Mas dizemos que não é tão fácil porque, ainda que a internet e as redes móveis permitam que uma multiplicidade e uma horizontalidade da comunicação, as grandes empresas também possuem os mesmos canais. E os governos possuem uma certa capacidade — não decisiva, por sorte — de controlar e intimidar a livre circulação de ideias na internet e nos meios de comunicação móveis. Ou seja, a princípio a tecnologia permite uma abertura do mundo da comunicação, mas poderes econômicos, políticos e midiáticos seguem tentando controlá-la. O resultado de tudo isso varia segundo os momentos e os países, e depende sempre da capacidade que as pessoas têm de mobilizar-se para defender seu direito à liberdade.
Poderia ser mera ilusão de ótica a sensação de que nossa capacidade de influência, e liberdade para nos informar, são agora muito maiores?
Creio que é uma ótima pergunta, mas não — claramente, não. Temos inúmeros estudos mostrando que as pessoas têm muitíssimo mais capacidade de intervir no espaço da comunicação, a partir da internet, que em qualquer outro momento na História. Tanto é assim que, falando concretamente, as grandes empresas de comunicação do mundo também usam as redes sociais
As barreiras de entrada no mundo de comunicação da internet diminuíram muito. A tecnologia está ao alcance de qualquer estudante formado. E o capital necessário para criar um canal no Youtube, por exemplo, é relativamente pequeno. Portanto, há centenas e centenas e centenas de alternativas, e algumas são mais sofisticadas que outros. E se o Youtube pratica a censura, ou se o Facebook controla o que se diz ou não se diz, as pessoas simplesmente mudam-se para outra rede social e abandonam o que havia.
É o que aconteceu com a primeira grande rede social de comunicação. Em sua época, o AOL.com, era o grande invento, a grande tecnologia. Quando a AOL tentou cortar a liberdade de expressão, simplesmente as pessoas abandonaram-na e ela praticamente acabou, em termos de rede. Então, de certo modo, para vender o que querem em termos de publicidade, em termos de obter dados sobre as pessoas, as empresas de internet têm de aceitar a liberdade de expressão. Porque é isso que as pessoas buscam: expressar-se, organizar-se e relacionar-se livremente.
O mesmo com os governos. Os governos odeiam a internet. Porque é um desafio básico ao que sempre foi o fundamento de seu poder: o controle da comunicação e da informação. Os governos dizem: internet sim, mas para o que me servir. Sempre usam os mesmos pretextos: a pornografia infantil, o terrorismo — como se fossem fundamentalmente problemas da rede. Ora, são problema da sociedade. E os terroristas usam a internet, mais para propaganda, não para se organizar. É o que fazemos todos. Todos utilizamos a internet para tudo: para o bem e para o mal. E os governos odeiam que algo escape a seu controle. Mas não pode haver “um pouquinho” de internet. A rede existe ou não existe: por ela se transmite todo tipo de informações.
Pode-se tentar controlar, como por exemplo na China, com meios muito potentes. Mas mesmo assim, não conseguem realmente controlar aquilo que as pessoas crêem. Como os governos fazem o controle da internet pelos governos? Por análise de conteúdo, com robôs: esses sistemas automáticos que buscam palavras-chave. Para escapar do controle, uma estratégia é não dizer nenhuma das palavras-chaves que um robô pode interpretar: democracia, Tian An Men, Tibete, Taiwan, pornografia, etc… Se nenhuma palavra de uma lista for usada, se não se comete nenhuma imprudência nesse sentido, os robôs não são capazes de controlar.
Existem outros sistemas mais manuais de intimidar o webmaster, a pessoa que maneja cada site, mas isso é muito mais artesanal e muito menos eficaz. Ou seja, o que os governos fazem para controlar a internet é o que sempre fez a polícia: manter uma lista de suspeitos habituais e buscar controlar os correios eletrônicos e os web destes suspeitos.
Mas há uma mudança a mais: o email deixou de ser a forma de comunicação mais importante, e mesmo mais comum, na internet. Desde julho de 2009, o número de usuários das redes sociais de comunicação, tipo Facebook e outros, é muito maior que o de email.
Ou o Twitter…
Twitter também… mas ele não é o maior. E está estancado, de certo modo, porque não permite uma interação suficientemente rica, como em outras redes sociais. E sobretudo porque o bom do Twitter era que se podia (e segue sendo assim) interagir facilmente pelo celular. Mas agora entramos na época do iPhone e outros dispositivos móveis que podem entrar diretamente na internet. Pode-se estar no Facebook sem nenhum problema e é uma grande vantagem das redes sociais com maior amplitude de banda.
Mas o controle de informação que os governos tinham não estará sendo transferido ao Google, por exemplo? É ele que seleciona o que se encontra e estabelece preferência de alguns sites sobre outros. Estaremos oferecendo a uma empresa privada o poder que tiramos do governo e das urnas?
Bem, os governos legitimados pelas urnas possuem muitos condicionamentos e existem apenas em uma parte do mundo. O Google tem enorme poder, sobretudo tecnológico, e pode ser um veículo de controle. Mas, na batalha que vivemos no momento, ele é mais um aliado que um inimigo. Os que realmente estão tentando controlar — e os que podem controlar mais — são as empresas proprietárias dos canais de comunicação, por meio dos quais flui a rede. Porque nesse caso, o tipo de censura é muito mais direto: cortam seu acesso, a menos que haja uma intervenção judicial. Podem cortá-lo restringi-lo, diferenciá-lo da maneira que quiserem. Por isso, é tão importante a batalha pela neutralidade da rede.
Nos Estados Unidos isso é decisivo. O governo Bush caminhava para entregar as redes às grandes empresas de telecomunicação, com seus critérios. Obama fez uma campanha muito grande para preservar a neutralidade da rede, e delegou isso ao novo presidente da comissão geral de comunicações, que está tentando mantê-la.
O Google tem poder, naturalmente, à medida que é uma máquina de busca que utiliza seus próprios critérios. Dizem que os algorítmos são aleatórios, mas na realidade não é assim: eles utilizam seus próprios critérios e condicionam o que buscamos e o que não buscamos. Mas o que não podem fazer é controlar o acesso, controlar a comunicação, porque quanto mais tráfego, conteúdo e atividade na internet, melhor para eles. Eles vivem de incrementar a comunicação livre na internet, e não de limitar aquilo que ela nos entrega.
Google é um negócio, não uma ideologia. Quanto mais internet e mais comunicação, mais negócios para o Google. De qualquer maneira, como você disse, é absolutamente necessária uma regulação séria, em benefício do interesse público. Uma regulação de toda a comunicação, e em particular da internet. Por exemplo, na Catalunha, temos o Conselho Audiovisual, que tem uma atividade bastante séria e em função do interesse público. Esses conselhos reguladores às vezes são especialmente politizados, mas é fundamental que regulem em função do interesse público, não em função dos interesses do governo.
Os meios de comunicação passaram a transmitir fatos como o funeral de Michael Jackson via Facebook. Todos compartilhavam o que viam e compartilhavam seus sentimentos diretamente. Estaríamos vivendo uma globalização dos sentimentos, maior do que a já ocorrida até agora?
Sim, efetivamente. Este é um exemplo excelente. De forma menos interativa (porque não havia Facebook), ocorreu no funeral de Lady Di, como um momento de comunhão geral do lamento de milhões de pessoas no mundo.
Mas eu diria que mais importante que esse exemplo é a ideia da articulação dos meios de comunicação de massa tradicionais com os novos meios de comunicação pela internet. Ou seja, estamos em um processo de convergência tecnológica e também convergência comunicativa.
Vemos dois mundos diferentes: o mundo da comunicação de massas e o mundo da auto- comunicação de massas, mas hoje em dia eles estão interagindo. Qualquer canal de televisão sabe que tem que contar com a interação dos meios de comunicação pela internet. Está surgindo um híbrido. Mas atenção: como a internet não é controlável, para que os meios de comunicação de massa realmente interajam com a comunicação que chega à rede, será preciso que diminuam o nível de controle em relação ao que eles próprios difundem. Isso seria uma revolução, que ainda não chegou aos meios de comunicação.
O mesmo posso dizer em relação ao governos e políticos. Para que possam fazer uso eficiente da internet, precisam aceitar a autonomia dos cidadãos. Essa foi a genialidade de Obama e é difícil, pois quase nenhum político aceita liberar o sentimento dos cidadãos para que eles próprios se organizem. E mesmo Obama, desde que chegou à Casa Branca, limitou bastante o que os cidadãos podem e não podem fazer na internet.
Esse é o tema: a internet é um meio de comunicação livre. Qualquer tipo de articulação com a internet — seja política, midiática ou cultural — implica renunciar a boa parte do controle vertical que os meios de comunicação exercem. Esse, sim, é um processo de transformação que está acontecendo e que podemos ver no exemplo do funeral de Michael Jackson.
Quem não está na internet já não existe?
Na política, se alguém não está em comunicação — seja pelos meios de comunicação, ou pela internet –, não existe. As pessoas existem distantes da internet, é claro, mas limitam muito as possibilidades de relação e de informação. Os estudos mostram que quanto mais se está na internet, mais possibilidades de relações, mais amigos, mais atividade, mais informação social e política, mais informação cultural. O internauta é um ser ativo, a ideia de que a rede afasta as pessoas do mundo é refutada pela experiência empírica.
Mas eu diria que essa pergunta está começando a ficar um pouco velha. É como perguntar se existimos sem eletricidade. Sim, é claro que as pessoas podem viver felizes sem ela: em momentos na floresta, contemplando o correr do rio, lendo um livro… Por outro lado, a eletricidade é a base da civilização industrial que construímos.
Temos hoje 1,7 bilhão de usuários de internet no mundo (em 1996, havia aproximadamente 40 milhões…). Uma barreira para o desenvolvimento da rede era a falta de plataformas móveis: em 2012, a comunicação interpessoal já não se dá principalmente por meio de linhas fixas, mas a partir de dispositivos móveis, como os celulares. Pois bem: o número de linhas móveis passou de 16 milhões, em 1991, para 4,7 bilhões. O planeta está praticamente conectado — inclusive os países pobres. Essa plataforma puxará uma nova etapa de expansão e desenvolvimento da internet. Significa que a rede tem, hoje, o mesmo significado que a eletricidade representou para o desenvolvimento da sociedade industrial.
A pergunta, portanto, perde sentido. Não vivemos na internet, mas com ela. É uma parte essencial da nossa vida, além de uma cultura de liberdade. Se existem pessoas que não querem a internet — gente de mais idade, por exemplo, que identificamos em algumas de nossas pesquisas –, elas têm todo o direito de sustentar essa opinião. Deveríamos assegurar, por exemplo, que os serviços públicos não sejam distribuídos apenas pela rede, pois as pessoas sempre precisam ter o direito de optar por outras tecnologias. Mas insisto, é o mesmo que poder optar por não ter eletricidade.
Internet, celulares, redes sociais são elementos que mudam as formas de nos relacionarmos, e também abrem um mundo novo de oportunidades, numa hora de crise. É hora de sondar as oportunidades de ocupação e negócio por meio da rede?
Certamente. O que não é se sustentará é o modelo de capitalismo financeiro global que tínhamos. O núcleo deste sistema derreteu. Todo o crescimento econômico dependia de uma demanda atrelada a crédito fácil, crédito com capital inventado a partir de manipulações matemáticas dos mercados financeiros. Isto acabou, e surge um reflexo de contração total da economia, que os governos tentam reparar para logo dizer “voltamos ao que era antes, ao mesmo tipo de economia”.
Muitos economistas, em todo o mundo — e eu estou entre eles –, não acreditam ser possível ou viável voltar ao mesmo modelo. Não significa dizer que o capitalismo acabou, mas sim, este tipo de capitalismo especulativo financeiro. A saída, dentro dos marcos da economia de mercado não passa pelo estímulo da demanda, nem por contraí-la ainda mais — e sim por estimular um novo tipo de oferta, a produção de mais por menos. Consumir menos, com uma economia menor e mais dinâmica, com mais tempo livre, de modo o motor da produção não seja a demanda, mas a inovação, a capacidade de produzir coisas novas. Aqui temos a internet e mais amplamente todo o mundo da cultura e da produção digital. Esse é o elemento-chave, sobretudo se ligado a novas formas de mercado e à aplicação das novas tecnologias informáticas ao mundo da biogenética, da investigação biomédica.
Acredito que aqui está, hoje, a oportunidade de criar pequenas empresas, empreendimentos com muitos empresários jovens potenciais que têm conhecimentos, sabem e podem encontrar nichos de mercado. O problema é que, na Espanha e em toda a Europa, as instituições financeiras não aceitam trabalhar com a ideia do risco. Relacionam-se com os empreendedores com a ideia de que capital de risco é capital para o banco — e risco para o empreendedor…
Creio que há uma possibilidade aberta. Se conseguíssemos superar a cultura burocrática do governo e a cultura de controle bancário — especulam com nosso dinheiro, mas não arriscam o deles — será possível começar uma economia com bases mais sãs que as que vimos cair.
Entrevista a Sergio Martin, Rádio Europa Aberta
Nos Estados Unidos, o Congresso examina leis (SOPA e PIPA) que podem impedir a troca de conteúdos em rede — e, se adotadas, atingirão internautas em muitos países. Na China, a campanha anunciada pelo presidente Hu Jintao para “promover a identidade cultural” do país inclui endurecer a censura sobre certos conteúdos que circulam pela rede. Mas em todo o mundo, ela continua a ligar seres humanos sem intermediações de governos ou empresas — e, em casos cada vez mais numerosos, a viabilizar mobilizações que derrubam ditaduras e desafiam o poder econômico. Qual o futuro da internet, em meio a tendências tão contraditórias?
No início de janeiro, o sociólogo Manuel Castells concedeu ao programa Europa Abierta, da rádio e TV pública espanhola, uma entrevista de enorme importância para o debate destes temas. Conhecido por obras que estabeleceram novos conceitos (como a trilogia “A Era da Informação”) e, mais recentemente, por sua aposta na possibilidade de manter a internet como espaço de uma “cultura de liberdade”, Castells sustentou quatro pontos de vista essenciais:
> Está surgindo uma era de “autocomunicação de massas”: Em suas análises anteriores, e nas de outros autores, já se falava numa “era de comunicação compartilhada”, que substituiria, a “comunicação de massas”. Castells acrescenta, agora, um outro dado. Além de dispensar o conteúdo dos grandes meios, estabelecendo trocas conteúdos em pequenos grupos, os cidadãos estão se tornando capazes de falar às massas. As redes sociais permitem multiplicar mesmos mensagens transmitidas por pequenos grupos, quando estes são capazes de sensibilizar as sociedades. É o que ocorreu, por exemplo, nas revoluções tunisiana e egípcia.
> As grandes empresas com base na internet são aliadas, na luta pela liberdade — mas precisam ser reguladas: Google, Facebook e outros têm grande poder de influência sobre a rede. Porém, seu próprio modelo de negócio as leva a se oporem a medidas autoritárias de controle. Aprenderam a surfar na rede; precisam multiplicar a circulação de conteúdos, de todos os tipos, para ampliar sua receita. Ainda assim, Castells defende a criação de conselhos que regulem a internet em favor do interesse público. São eles que podem assegurar, por exemplo, a neutralidade da rede, impedindo que certos usuários tenham privilégios sobre os demais.
> A ideia de uma “internet elitista” não resiste aos fatos: 1,7 bilhão de pessoas estão conectadas — um quarto da população total do planeta. Nunca um meio de comunicação teve alcance tão maciço. Mas este número vai se ampliar novamente em breve, graças às tecnologias que levam a internet aos celulares, ou seja, a 4,7 bilhões de seres humanos.
> Nada está garantido: No momento, mesmo os controles estabelecidos pelos governos sobre a rede (como a censura a certas palavras-chaves, na China) são frágeis. No entanto, a horizontalidade radical da internet é lógica intrínseca da autoridade — que é controlar informações. A única garantia para manter a rede livre é a permanente mobilização dos cidadãos.
A entrevista completa vem a seguir e seu áudio completo, em castelhano, pode ser escutado aqui. (A.M).
Num mundo que mudou muito, em pouco tempo, os meios de comunicação de massa estão se transformando ainda mais rapidamente. Qual sentido de suas transformações?
Os meios de comunicação tornaram-se ao mesmo tempo globais e locais. Com a transmissão digital, podem-se recombinar meios diferentes. O que antes era uma comunicação muito local e em que havia poucos canais e poucas formas de difusão de mensagens, transformou-se numa enorme constelação que está em todo mundo.
Mas a grande transformação foi produzida nos últimos dez ou doze anos, quando começou a se difundir a comunicação horizontal. Ou seja, não mais aquela que vai de um a muitos — e sim a que vai de muitos a muitos. Com cada um emitindo e selecionando suas próprias mensagens a partir da internet. Isso abriu as fronteiras. Qualquer pessoa pode organizar seu próprio canal e suas próprias redes de comunicação.
Portanto, estamos em um sistema de comunicação duplo, em que os meios de comunicação de massa já não reinam sozinhos. Surgiu o que chamamos de a “auto-comunicação de massa” — a comunicação que nós mesmos selecionamos, mas que tem o potencial de chegar às massas, ou àquele grupo de pessoas que definimos em nossas redes.
Em Comunicação e Poder, um de seus livros mais inspiradores, você difunde a utopia de um mundo melhor graças à livre comunicação entre as pessoas. Porém, percebemos, pelos ataques que têm sido lançados à liberdade na rede. Por isso, pergunto: nada parece ser tão simples, não é?
As coisas não são nada simples — mas não é difícil compreender a equação. Quem tem o poder, organiza a rede — seja poder econômico, midiático, político, qualquer um. E quem tem poder deseja mantê-lo, pois é a forma de assegurar que seus próprios interesses e valores estejam melhor servidos que os dos demais, na organização da sociedade. Por isso mesmo, quem tem poder rejeita as mudanças que ameaçam seu domínio.
Conservar o poder requer manter o máximo controle possível sobre a informação, e assegurar, sobretudo, que os canais de comunicação sejam verticais. Nessa lógica, alguns poucos devem controlar a comunicação dirigindo-se aos muitos que não a temos. Bem… isso é o que está mudando fundamentalmente!
Mas dizemos que não é tão fácil porque, ainda que a internet e as redes móveis permitam que uma multiplicidade e uma horizontalidade da comunicação, as grandes empresas também possuem os mesmos canais. E os governos possuem uma certa capacidade — não decisiva, por sorte — de controlar e intimidar a livre circulação de ideias na internet e nos meios de comunicação móveis. Ou seja, a princípio a tecnologia permite uma abertura do mundo da comunicação, mas poderes econômicos, políticos e midiáticos seguem tentando controlá-la. O resultado de tudo isso varia segundo os momentos e os países, e depende sempre da capacidade que as pessoas têm de mobilizar-se para defender seu direito à liberdade.
Poderia ser mera ilusão de ótica a sensação de que nossa capacidade de influência, e liberdade para nos informar, são agora muito maiores?
Creio que é uma ótima pergunta, mas não — claramente, não. Temos inúmeros estudos mostrando que as pessoas têm muitíssimo mais capacidade de intervir no espaço da comunicação, a partir da internet, que em qualquer outro momento na História. Tanto é assim que, falando concretamente, as grandes empresas de comunicação do mundo também usam as redes sociais
As barreiras de entrada no mundo de comunicação da internet diminuíram muito. A tecnologia está ao alcance de qualquer estudante formado. E o capital necessário para criar um canal no Youtube, por exemplo, é relativamente pequeno. Portanto, há centenas e centenas e centenas de alternativas, e algumas são mais sofisticadas que outros. E se o Youtube pratica a censura, ou se o Facebook controla o que se diz ou não se diz, as pessoas simplesmente mudam-se para outra rede social e abandonam o que havia.
É o que aconteceu com a primeira grande rede social de comunicação. Em sua época, o AOL.com, era o grande invento, a grande tecnologia. Quando a AOL tentou cortar a liberdade de expressão, simplesmente as pessoas abandonaram-na e ela praticamente acabou, em termos de rede. Então, de certo modo, para vender o que querem em termos de publicidade, em termos de obter dados sobre as pessoas, as empresas de internet têm de aceitar a liberdade de expressão. Porque é isso que as pessoas buscam: expressar-se, organizar-se e relacionar-se livremente.
O mesmo com os governos. Os governos odeiam a internet. Porque é um desafio básico ao que sempre foi o fundamento de seu poder: o controle da comunicação e da informação. Os governos dizem: internet sim, mas para o que me servir. Sempre usam os mesmos pretextos: a pornografia infantil, o terrorismo — como se fossem fundamentalmente problemas da rede. Ora, são problema da sociedade. E os terroristas usam a internet, mais para propaganda, não para se organizar. É o que fazemos todos. Todos utilizamos a internet para tudo: para o bem e para o mal. E os governos odeiam que algo escape a seu controle. Mas não pode haver “um pouquinho” de internet. A rede existe ou não existe: por ela se transmite todo tipo de informações.
Pode-se tentar controlar, como por exemplo na China, com meios muito potentes. Mas mesmo assim, não conseguem realmente controlar aquilo que as pessoas crêem. Como os governos fazem o controle da internet pelos governos? Por análise de conteúdo, com robôs: esses sistemas automáticos que buscam palavras-chave. Para escapar do controle, uma estratégia é não dizer nenhuma das palavras-chaves que um robô pode interpretar: democracia, Tian An Men, Tibete, Taiwan, pornografia, etc… Se nenhuma palavra de uma lista for usada, se não se comete nenhuma imprudência nesse sentido, os robôs não são capazes de controlar.
Existem outros sistemas mais manuais de intimidar o webmaster, a pessoa que maneja cada site, mas isso é muito mais artesanal e muito menos eficaz. Ou seja, o que os governos fazem para controlar a internet é o que sempre fez a polícia: manter uma lista de suspeitos habituais e buscar controlar os correios eletrônicos e os web destes suspeitos.
Mas há uma mudança a mais: o email deixou de ser a forma de comunicação mais importante, e mesmo mais comum, na internet. Desde julho de 2009, o número de usuários das redes sociais de comunicação, tipo Facebook e outros, é muito maior que o de email.
Ou o Twitter…
Twitter também… mas ele não é o maior. E está estancado, de certo modo, porque não permite uma interação suficientemente rica, como em outras redes sociais. E sobretudo porque o bom do Twitter era que se podia (e segue sendo assim) interagir facilmente pelo celular. Mas agora entramos na época do iPhone e outros dispositivos móveis que podem entrar diretamente na internet. Pode-se estar no Facebook sem nenhum problema e é uma grande vantagem das redes sociais com maior amplitude de banda.
Mas o controle de informação que os governos tinham não estará sendo transferido ao Google, por exemplo? É ele que seleciona o que se encontra e estabelece preferência de alguns sites sobre outros. Estaremos oferecendo a uma empresa privada o poder que tiramos do governo e das urnas?
Bem, os governos legitimados pelas urnas possuem muitos condicionamentos e existem apenas em uma parte do mundo. O Google tem enorme poder, sobretudo tecnológico, e pode ser um veículo de controle. Mas, na batalha que vivemos no momento, ele é mais um aliado que um inimigo. Os que realmente estão tentando controlar — e os que podem controlar mais — são as empresas proprietárias dos canais de comunicação, por meio dos quais flui a rede. Porque nesse caso, o tipo de censura é muito mais direto: cortam seu acesso, a menos que haja uma intervenção judicial. Podem cortá-lo restringi-lo, diferenciá-lo da maneira que quiserem. Por isso, é tão importante a batalha pela neutralidade da rede.
Nos Estados Unidos isso é decisivo. O governo Bush caminhava para entregar as redes às grandes empresas de telecomunicação, com seus critérios. Obama fez uma campanha muito grande para preservar a neutralidade da rede, e delegou isso ao novo presidente da comissão geral de comunicações, que está tentando mantê-la.
O Google tem poder, naturalmente, à medida que é uma máquina de busca que utiliza seus próprios critérios. Dizem que os algorítmos são aleatórios, mas na realidade não é assim: eles utilizam seus próprios critérios e condicionam o que buscamos e o que não buscamos. Mas o que não podem fazer é controlar o acesso, controlar a comunicação, porque quanto mais tráfego, conteúdo e atividade na internet, melhor para eles. Eles vivem de incrementar a comunicação livre na internet, e não de limitar aquilo que ela nos entrega.
Google é um negócio, não uma ideologia. Quanto mais internet e mais comunicação, mais negócios para o Google. De qualquer maneira, como você disse, é absolutamente necessária uma regulação séria, em benefício do interesse público. Uma regulação de toda a comunicação, e em particular da internet. Por exemplo, na Catalunha, temos o Conselho Audiovisual, que tem uma atividade bastante séria e em função do interesse público. Esses conselhos reguladores às vezes são especialmente politizados, mas é fundamental que regulem em função do interesse público, não em função dos interesses do governo.
Os meios de comunicação passaram a transmitir fatos como o funeral de Michael Jackson via Facebook. Todos compartilhavam o que viam e compartilhavam seus sentimentos diretamente. Estaríamos vivendo uma globalização dos sentimentos, maior do que a já ocorrida até agora?
Sim, efetivamente. Este é um exemplo excelente. De forma menos interativa (porque não havia Facebook), ocorreu no funeral de Lady Di, como um momento de comunhão geral do lamento de milhões de pessoas no mundo.
Mas eu diria que mais importante que esse exemplo é a ideia da articulação dos meios de comunicação de massa tradicionais com os novos meios de comunicação pela internet. Ou seja, estamos em um processo de convergência tecnológica e também convergência comunicativa.
Vemos dois mundos diferentes: o mundo da comunicação de massas e o mundo da auto- comunicação de massas, mas hoje em dia eles estão interagindo. Qualquer canal de televisão sabe que tem que contar com a interação dos meios de comunicação pela internet. Está surgindo um híbrido. Mas atenção: como a internet não é controlável, para que os meios de comunicação de massa realmente interajam com a comunicação que chega à rede, será preciso que diminuam o nível de controle em relação ao que eles próprios difundem. Isso seria uma revolução, que ainda não chegou aos meios de comunicação.
O mesmo posso dizer em relação ao governos e políticos. Para que possam fazer uso eficiente da internet, precisam aceitar a autonomia dos cidadãos. Essa foi a genialidade de Obama e é difícil, pois quase nenhum político aceita liberar o sentimento dos cidadãos para que eles próprios se organizem. E mesmo Obama, desde que chegou à Casa Branca, limitou bastante o que os cidadãos podem e não podem fazer na internet.
Esse é o tema: a internet é um meio de comunicação livre. Qualquer tipo de articulação com a internet — seja política, midiática ou cultural — implica renunciar a boa parte do controle vertical que os meios de comunicação exercem. Esse, sim, é um processo de transformação que está acontecendo e que podemos ver no exemplo do funeral de Michael Jackson.
Quem não está na internet já não existe?
Na política, se alguém não está em comunicação — seja pelos meios de comunicação, ou pela internet –, não existe. As pessoas existem distantes da internet, é claro, mas limitam muito as possibilidades de relação e de informação. Os estudos mostram que quanto mais se está na internet, mais possibilidades de relações, mais amigos, mais atividade, mais informação social e política, mais informação cultural. O internauta é um ser ativo, a ideia de que a rede afasta as pessoas do mundo é refutada pela experiência empírica.
Mas eu diria que essa pergunta está começando a ficar um pouco velha. É como perguntar se existimos sem eletricidade. Sim, é claro que as pessoas podem viver felizes sem ela: em momentos na floresta, contemplando o correr do rio, lendo um livro… Por outro lado, a eletricidade é a base da civilização industrial que construímos.
Temos hoje 1,7 bilhão de usuários de internet no mundo (em 1996, havia aproximadamente 40 milhões…). Uma barreira para o desenvolvimento da rede era a falta de plataformas móveis: em 2012, a comunicação interpessoal já não se dá principalmente por meio de linhas fixas, mas a partir de dispositivos móveis, como os celulares. Pois bem: o número de linhas móveis passou de 16 milhões, em 1991, para 4,7 bilhões. O planeta está praticamente conectado — inclusive os países pobres. Essa plataforma puxará uma nova etapa de expansão e desenvolvimento da internet. Significa que a rede tem, hoje, o mesmo significado que a eletricidade representou para o desenvolvimento da sociedade industrial.
A pergunta, portanto, perde sentido. Não vivemos na internet, mas com ela. É uma parte essencial da nossa vida, além de uma cultura de liberdade. Se existem pessoas que não querem a internet — gente de mais idade, por exemplo, que identificamos em algumas de nossas pesquisas –, elas têm todo o direito de sustentar essa opinião. Deveríamos assegurar, por exemplo, que os serviços públicos não sejam distribuídos apenas pela rede, pois as pessoas sempre precisam ter o direito de optar por outras tecnologias. Mas insisto, é o mesmo que poder optar por não ter eletricidade.
Internet, celulares, redes sociais são elementos que mudam as formas de nos relacionarmos, e também abrem um mundo novo de oportunidades, numa hora de crise. É hora de sondar as oportunidades de ocupação e negócio por meio da rede?
Certamente. O que não é se sustentará é o modelo de capitalismo financeiro global que tínhamos. O núcleo deste sistema derreteu. Todo o crescimento econômico dependia de uma demanda atrelada a crédito fácil, crédito com capital inventado a partir de manipulações matemáticas dos mercados financeiros. Isto acabou, e surge um reflexo de contração total da economia, que os governos tentam reparar para logo dizer “voltamos ao que era antes, ao mesmo tipo de economia”.
Muitos economistas, em todo o mundo — e eu estou entre eles –, não acreditam ser possível ou viável voltar ao mesmo modelo. Não significa dizer que o capitalismo acabou, mas sim, este tipo de capitalismo especulativo financeiro. A saída, dentro dos marcos da economia de mercado não passa pelo estímulo da demanda, nem por contraí-la ainda mais — e sim por estimular um novo tipo de oferta, a produção de mais por menos. Consumir menos, com uma economia menor e mais dinâmica, com mais tempo livre, de modo o motor da produção não seja a demanda, mas a inovação, a capacidade de produzir coisas novas. Aqui temos a internet e mais amplamente todo o mundo da cultura e da produção digital. Esse é o elemento-chave, sobretudo se ligado a novas formas de mercado e à aplicação das novas tecnologias informáticas ao mundo da biogenética, da investigação biomédica.
Acredito que aqui está, hoje, a oportunidade de criar pequenas empresas, empreendimentos com muitos empresários jovens potenciais que têm conhecimentos, sabem e podem encontrar nichos de mercado. O problema é que, na Espanha e em toda a Europa, as instituições financeiras não aceitam trabalhar com a ideia do risco. Relacionam-se com os empreendedores com a ideia de que capital de risco é capital para o banco — e risco para o empreendedor…
Creio que há uma possibilidade aberta. Se conseguíssemos superar a cultura burocrática do governo e a cultura de controle bancário — especulam com nosso dinheiro, mas não arriscam o deles — será possível começar uma economia com bases mais sãs que as que vimos cair.
Tradução: Daniela Frabasilee Gabriela Leite Martins
Leia também:
Projeto dos EUA quer censura mundial na web
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17 janeiro, 2012
Paul Krugman: Como vai o sonho?
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| King |
Do Estadão
Se Luther King visse os EUA de hoje sentiria que sua obra não está minimamente terminada
"Eu tenho um sonho", declarou Martin Luther King em um discurso que não perdeu nada de sua força inspiradora. E parte desse sonho tornou-se realidade. Quando Luther King falou no verão de 1963, os Estados Unidos eram uma nação que negava direitos básicos a milhões de cidadãos simplesmente porque sua pele era da cor errada. Hoje, o racismo não está mais embutido na lei. E, embora ele não tenha sido em absoluto banido dos corações dos homens, sua influência é bem menor do que já foi.
Para dizer o óbvio: basta olhar uma foto do presidente Barack Obama com seu gabinete para ver um grau de abertura racial - também para mulheres - que pareceria inconcebível em 1963. Quando observamos o aniversário de Luther King, temos alguma coisa de muito real a comemorar: o movimento pelos direitos civis foi um dos momentos mais grandiosos dos EUA e tornou o país uma nação mais fiel aos seus ideais.
Mas se Luther King pudesse ver os EUA de hoje, acredito que ficaria desapontado e sentiria que sua obra não está minimamente terminada. Ele sonhou com uma nação na qual seus filhos "não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter". Mas aquilo em que realmente nos tornamos é uma nação que julga pessoas não pela cor de sua pele - ao menos, não tanto como no passado - mas pelo tamanho de seu salário. E, nos EUA, mais do que na maioria dos outros países ricos, o tamanho do salário de alguém está fortemente ligado ao tamanho do salário de seu pai.
Sai Jim Crow, entra sistema de classe. A desigualdade econômica não é inerentemente uma questão racial, e a desigualdade crescente seria perturbadora mesmo que não houvesse uma dimensão racial. Mas sendo a sociedade americana o que é, há implicações raciais no modo como nossas rendas foram se distanciando. E, de todo modo, Luther King - que estava fazendo campanha por aumentos salariais quando foi assassinado - certamente teria considerado a desigualdade crescente como um mal a ser enfrentado.
Voltando à dimensão racial: nos anos 60, era amplamente aceito que o fim da discriminação aberta melhoraria tanto a economia quanto a situação legal de grupos minoritários. E no começo isso parecia estar ocorrendo. Nas décadas de 60 e 70, um número substancial de famílias negras deslocou-se para a classe média e até para a classe média alta; a porcentagem de famílias negras nos 20% superiores da distribuição de rendas quase dobrou.
Em 1980, a posição econômica relativa dos negros nos EUA parou de melhorar. Por quê? Uma parte importante da resposta é, certamente, que, por volta de 1980, as disparidades de renda nos EUA começaram a se alargar dramaticamente, transformando-nos em uma sociedade mais desigual do que nunca desde os anos 20.
Pensem na distribuição de renda como uma escada, com pessoas diferentes em diferentes degraus. A partir de 1980, aproximadamente, os degraus começaram a se distanciar cada vez mais, afetando adversamente o progresso econômico dos negros de duas maneiras. Primeiro, como muitos negros ainda estavam nos degraus inferiores, eles foram deixados para trás à medida que a renda no topo da escada crescia enquanto a renda perto da base estagnava. Segundo, à medida que os degraus se afastavam, ficava mais difícil subir a escada.
O New York Times reportou recentemente uma revelação bem estabelecida que ainda surpreende muitos americanos: embora ainda nos vejamos como a terra das oportunidades, a verdade é que temos menos mobilidade econômica intergeracional que outros países avançados. Isto é, as chances de alguém nascido em uma família de baixa renda terminar com alta renda, e vice-versa, é significativamente menor que no Canadá ou na Europa. E há boas razões para acreditar-se que a baixa mobilidade econômica nos EUA tem muito a ver com o alto nível de desigualdade de renda no país.
Na semana passada, Alan Krueger, presidente do Conselho de Consultores Econômicos do presidente, fez um importante pronunciamento sobre desigualdade de renda, apresentando uma relação que chamou de "Curva Grande Gatsby". Países altamente desiguais, ele mostrou, têm baixa mobilidade: quanto mais desigual uma sociedade, maior a medida em que uma situação econômica individual é determinada pela situação de seus pais. E, como assinalou Krueger, essa relação sugere que os EUA em 2035 terão ainda menos mobilidade do que têm hoje, que serão um lugar onde as perspectivas econômicas das crianças refletirão, em grande medida, a classe na qual nasceram.
Não devemos aceitar de cabeça baixa esse desenvolvimento. Mitt Romney diz que só deveríamos discutir a desigualdade de renda, se é que deveríamos discuti-la, em "salas silenciosas". Houve um tempo em que as pessoas diziam a mesma coisa sobre desigualdade racial. Felizmente, houve pessoas como Martin Luther King que rejeitaram ficar em silêncio. E nós deveríamos seguir seu exemplo hoje. Pois o fato é que o aumento da desigualdade pode fazer dos EUA um lugar diferente e pior - e precisamos reverter essa tendência para preservar tanto valores quanto sonhos americanos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
Para dizer o óbvio: basta olhar uma foto do presidente Barack Obama com seu gabinete para ver um grau de abertura racial - também para mulheres - que pareceria inconcebível em 1963. Quando observamos o aniversário de Luther King, temos alguma coisa de muito real a comemorar: o movimento pelos direitos civis foi um dos momentos mais grandiosos dos EUA e tornou o país uma nação mais fiel aos seus ideais.
Mas se Luther King pudesse ver os EUA de hoje, acredito que ficaria desapontado e sentiria que sua obra não está minimamente terminada. Ele sonhou com uma nação na qual seus filhos "não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter". Mas aquilo em que realmente nos tornamos é uma nação que julga pessoas não pela cor de sua pele - ao menos, não tanto como no passado - mas pelo tamanho de seu salário. E, nos EUA, mais do que na maioria dos outros países ricos, o tamanho do salário de alguém está fortemente ligado ao tamanho do salário de seu pai.
Sai Jim Crow, entra sistema de classe. A desigualdade econômica não é inerentemente uma questão racial, e a desigualdade crescente seria perturbadora mesmo que não houvesse uma dimensão racial. Mas sendo a sociedade americana o que é, há implicações raciais no modo como nossas rendas foram se distanciando. E, de todo modo, Luther King - que estava fazendo campanha por aumentos salariais quando foi assassinado - certamente teria considerado a desigualdade crescente como um mal a ser enfrentado.
Voltando à dimensão racial: nos anos 60, era amplamente aceito que o fim da discriminação aberta melhoraria tanto a economia quanto a situação legal de grupos minoritários. E no começo isso parecia estar ocorrendo. Nas décadas de 60 e 70, um número substancial de famílias negras deslocou-se para a classe média e até para a classe média alta; a porcentagem de famílias negras nos 20% superiores da distribuição de rendas quase dobrou.
Em 1980, a posição econômica relativa dos negros nos EUA parou de melhorar. Por quê? Uma parte importante da resposta é, certamente, que, por volta de 1980, as disparidades de renda nos EUA começaram a se alargar dramaticamente, transformando-nos em uma sociedade mais desigual do que nunca desde os anos 20.
Pensem na distribuição de renda como uma escada, com pessoas diferentes em diferentes degraus. A partir de 1980, aproximadamente, os degraus começaram a se distanciar cada vez mais, afetando adversamente o progresso econômico dos negros de duas maneiras. Primeiro, como muitos negros ainda estavam nos degraus inferiores, eles foram deixados para trás à medida que a renda no topo da escada crescia enquanto a renda perto da base estagnava. Segundo, à medida que os degraus se afastavam, ficava mais difícil subir a escada.
O New York Times reportou recentemente uma revelação bem estabelecida que ainda surpreende muitos americanos: embora ainda nos vejamos como a terra das oportunidades, a verdade é que temos menos mobilidade econômica intergeracional que outros países avançados. Isto é, as chances de alguém nascido em uma família de baixa renda terminar com alta renda, e vice-versa, é significativamente menor que no Canadá ou na Europa. E há boas razões para acreditar-se que a baixa mobilidade econômica nos EUA tem muito a ver com o alto nível de desigualdade de renda no país.
Na semana passada, Alan Krueger, presidente do Conselho de Consultores Econômicos do presidente, fez um importante pronunciamento sobre desigualdade de renda, apresentando uma relação que chamou de "Curva Grande Gatsby". Países altamente desiguais, ele mostrou, têm baixa mobilidade: quanto mais desigual uma sociedade, maior a medida em que uma situação econômica individual é determinada pela situação de seus pais. E, como assinalou Krueger, essa relação sugere que os EUA em 2035 terão ainda menos mobilidade do que têm hoje, que serão um lugar onde as perspectivas econômicas das crianças refletirão, em grande medida, a classe na qual nasceram.
Não devemos aceitar de cabeça baixa esse desenvolvimento. Mitt Romney diz que só deveríamos discutir a desigualdade de renda, se é que deveríamos discuti-la, em "salas silenciosas". Houve um tempo em que as pessoas diziam a mesma coisa sobre desigualdade racial. Felizmente, houve pessoas como Martin Luther King que rejeitaram ficar em silêncio. E nós deveríamos seguir seu exemplo hoje. Pois o fato é que o aumento da desigualdade pode fazer dos EUA um lugar diferente e pior - e precisamos reverter essa tendência para preservar tanto valores quanto sonhos americanos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
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16 janeiro, 2012
Chuva, estética e ensaio: Oswald de Andrade, Soidão
![]() |
| Foto do G1: São Paulo |
Por @EduardoCBraga
Considero Oswald de Andrade um dos maiores poetas do mundo. Não só poeta, mas um pensador da cultura e da arte, ímpar e exemplar. Tanto em seu manifesto “Pau-Brasil”, como no “Antropófago”, Oswald elabora uma das mais conscientes estratégias de superação dialética do conflito local versus global, ou nacional versus internacional. Trata-se de absorver a cultura internacional não de forma acrítica e passiva, mas processá-la no atávico local, como afirma o início do manifesto “Pau-Brasil”:
A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos (…) O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. (…)“”
A metáfora do antropófago é perfeita. Devora o inimigo e, com sua ingestão, um acréscimo de força surge na síntese entre o outro e o eu.
Estratégia semelhante foi usada por Kafka em sua literatura, a qual guarda a preocupação com uma literatura de minoria. Em vez de exaltar a língua local, Kafka submete a um tratamento local a língua maior do colonizador. O alemão de Kafka balbucia, gagueja. A força discursiva e autoritária do império, torna-se vacilante, provocando um estranhamento e uma transformação pela síntese realizado em seu uso local.
A Forma e Estrutura dos poemas de Oswald de Andrade desvelam as estratégias modernistas. São colagens. Procedimento compositivo de influência cubista e da narrativa e linguagem cinematográfica. Não o cinema de Hollywood, mas a vanguarda européia (surrealismo, expressionismo, etc.) e, especialmente, o cinema soviético. Um exemplo significativo é o poema: “O Capoeira”:
- Qué apanhá sordado?
- O quê?
- Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada.“”
O poema é perfeitamente uma cena de linguagem cinematográfica. Uma câmera registrando diversas perspectivas como o olhar cubista.
Em sua Forma os poemas de Oswald de Andrade são como aqueles de Maiakovski. Desvelam o mundo fragmentado do contemporâneo numa luta caótica em busca de sua realização: a síntese representada e expressa pelo poema.
SOIDÃO | oswald de andrade
Chove chuva choverando
que a cidade de meu bem
está-se toda se lavando
Senhor
que eu não fique nunca
como esse velho inglês
aí ao lado
que dorme numa cadeira
à espera de visitas que não vêm
Chove chuva choverando
que o jardim de meu bem
está-se todo se enfeitando
A chuva cai
cai de bruços
A magnólia abre o pára-chuva
pára-sol da cidade
de Mário de Andrade
A chuva cai
escorre das goteiras do domingo
Chove chuva choverando
que a cidade de meu bem
está-se toda se molhando
Anoitece sobre os jardins
Jardim da Luz
Jardim da Praça da República
Jardim das platibandas
Noite
Noite de hotel
Chove chuva choverando“”
Chove, chuva choverando… Todos nós já dormimos gostosamente graças ao embalo do ritmo de uma leve chuva. Chuva é gostosa para dormir. Isso é o normal. Mas, para o poeta o normal torna-se extraordinário. Motivo de um espanto diante do banal. Desbanalizar o banal é uma das principais funções do sentimento estético.
O poema “Soidão” de Oswald de Andrade guarda uma estranha e estimulante ambigüidade. Fiel ao manifesto “Pau-Brasil”, a poesia se nos apresenta de forma “ágil e cândida”. “Como uma criança.” É o que poderíamos chamar de seu conteúdo manifesto. Porém, existe um outro conteúdo, o latente, o qual já se apresente em seu título referindo-se à solidão.
Essa sensação de solidão, motivada pelas circunstâncias temporais, se aguça no meio do poema pela observação:
Senhor
que eu não fique nunca
como esse velho inglês
aí ao lado
que dorme numa cadeira
à espera de visitas que não vêm“”
Ao fim do poema, em seus versos finais, o desvelar do sentimento se dá na tensão da linguagem minimalista com a profundidade da experiência:
Noite
Noite de hotel
Chove chuva choverando“”
O que é uma Noite de hotel, de que fala o poema? Quem já dormiu em hotéis, sabe o que significa. Estranhamento. Algo que não é exatamente seu, mas você está lá, todo, plenamente. Sentimentos ambíguos. Bons e maus. Às vezes, é difícil dormir… Estou escrevendo esse post num domingo no qual ” A chuva cai / escorre das goteiras do domingo”, como expressa o poema. Estou na cidade de São Paulo, a mesma cidade de Oswald, que foi invadida por uma frente fria que faz chover num janeiro deserto. Meus sentimentos são parecidos com os de Oswald, uma certa melancolia atravessada por uma solidão. Entretanto, a leitura do poema transforma minha pequena subjetividade em uma consciência de algo maior. Todos os solitários se reúnem para constatar, e não mais simplesmente choramingar, a condição humana da solidão moderna. Nessa universalização a consciência atinge a dimensão do humano, daquilo que Aristóteles chamou de “zoon politikon” e Lukács “Ser-Social”. Essa experiência é a catarse que o velho Aristóteles dizia ser o objetivo da Tragédia Grega. A Tragédia tinha por função despertar esse sentimento de elevação da consciência, cujo movimento seria do particular para o universal, do indivíduo para a humanidade, do ser biológico para a Terra Gaia. Os solitários se irmanam e, de simples choramingas limitados, tornam-se expressões da Condição Humana. Tornam-se heróis trágicos. Obrigado Oswald de Andrade.
Referências
ANDRADE, Oswald. “Manifesto da poesia Pau-Brasil”. In: Correio da Manhã,18 de março de 1924.
ANDRADE, Oswald. “Manifesto antropófago”. In: Revista de Antropofagia, Ano I, No. I, maio de 1928.
ARISTÓTELES. Poética. Porto Alegre: Globo, 1966.
DELEUZE, Gilles. Crítica e clínica. Tradução Peter Pál Pelbart. São Paulo: Editora 34, 1997.
LUKÁCS, Georg. A teoria do romance: um ensaio histórico-filosófico sobre as formas da grande épica. Tradução José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo: Duas Cidades/Ed. 34, 2000.
TROTSKY, Leon. Literatura e revolução. Rio de Janeiro: Zahar, 1969.
São Paulo, 15 de Janeiro de 2012
Prof. Dr. Eduardo Cardoso Braga
A catarse eleva a consciência do particular para o geral
Considero Oswald de Andrade um dos maiores poetas do mundo. Não só poeta, mas um pensador da cultura e da arte, ímpar e exemplar. Tanto em seu manifesto “Pau-Brasil”, como no “Antropófago”, Oswald elabora uma das mais conscientes estratégias de superação dialética do conflito local versus global, ou nacional versus internacional. Trata-se de absorver a cultura internacional não de forma acrítica e passiva, mas processá-la no atávico local, como afirma o início do manifesto “Pau-Brasil”:
A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos (…) O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. (…)“”
A metáfora do antropófago é perfeita. Devora o inimigo e, com sua ingestão, um acréscimo de força surge na síntese entre o outro e o eu.
Estratégia semelhante foi usada por Kafka em sua literatura, a qual guarda a preocupação com uma literatura de minoria. Em vez de exaltar a língua local, Kafka submete a um tratamento local a língua maior do colonizador. O alemão de Kafka balbucia, gagueja. A força discursiva e autoritária do império, torna-se vacilante, provocando um estranhamento e uma transformação pela síntese realizado em seu uso local.
A Forma e Estrutura dos poemas de Oswald de Andrade desvelam as estratégias modernistas. São colagens. Procedimento compositivo de influência cubista e da narrativa e linguagem cinematográfica. Não o cinema de Hollywood, mas a vanguarda européia (surrealismo, expressionismo, etc.) e, especialmente, o cinema soviético. Um exemplo significativo é o poema: “O Capoeira”:
- Qué apanhá sordado?
- O quê?
- Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada.“”
O poema é perfeitamente uma cena de linguagem cinematográfica. Uma câmera registrando diversas perspectivas como o olhar cubista.
Em sua Forma os poemas de Oswald de Andrade são como aqueles de Maiakovski. Desvelam o mundo fragmentado do contemporâneo numa luta caótica em busca de sua realização: a síntese representada e expressa pelo poema.
SOIDÃO | oswald de andrade
Chove chuva choverando
que a cidade de meu bem
está-se toda se lavando
Senhor
que eu não fique nunca
como esse velho inglês
aí ao lado
que dorme numa cadeira
à espera de visitas que não vêm
Chove chuva choverando
que o jardim de meu bem
está-se todo se enfeitando
A chuva cai
cai de bruços
A magnólia abre o pára-chuva
pára-sol da cidade
de Mário de Andrade
A chuva cai
escorre das goteiras do domingo
Chove chuva choverando
que a cidade de meu bem
está-se toda se molhando
Anoitece sobre os jardins
Jardim da Luz
Jardim da Praça da República
Jardim das platibandas
Noite
Noite de hotel
Chove chuva choverando“”
Chove, chuva choverando… Todos nós já dormimos gostosamente graças ao embalo do ritmo de uma leve chuva. Chuva é gostosa para dormir. Isso é o normal. Mas, para o poeta o normal torna-se extraordinário. Motivo de um espanto diante do banal. Desbanalizar o banal é uma das principais funções do sentimento estético.
O poema “Soidão” de Oswald de Andrade guarda uma estranha e estimulante ambigüidade. Fiel ao manifesto “Pau-Brasil”, a poesia se nos apresenta de forma “ágil e cândida”. “Como uma criança.” É o que poderíamos chamar de seu conteúdo manifesto. Porém, existe um outro conteúdo, o latente, o qual já se apresente em seu título referindo-se à solidão.
Essa sensação de solidão, motivada pelas circunstâncias temporais, se aguça no meio do poema pela observação:
Senhor
que eu não fique nunca
como esse velho inglês
aí ao lado
que dorme numa cadeira
à espera de visitas que não vêm“”
Ao fim do poema, em seus versos finais, o desvelar do sentimento se dá na tensão da linguagem minimalista com a profundidade da experiência:
Noite
Noite de hotel
Chove chuva choverando“”
O que é uma Noite de hotel, de que fala o poema? Quem já dormiu em hotéis, sabe o que significa. Estranhamento. Algo que não é exatamente seu, mas você está lá, todo, plenamente. Sentimentos ambíguos. Bons e maus. Às vezes, é difícil dormir… Estou escrevendo esse post num domingo no qual ” A chuva cai / escorre das goteiras do domingo”, como expressa o poema. Estou na cidade de São Paulo, a mesma cidade de Oswald, que foi invadida por uma frente fria que faz chover num janeiro deserto. Meus sentimentos são parecidos com os de Oswald, uma certa melancolia atravessada por uma solidão. Entretanto, a leitura do poema transforma minha pequena subjetividade em uma consciência de algo maior. Todos os solitários se reúnem para constatar, e não mais simplesmente choramingar, a condição humana da solidão moderna. Nessa universalização a consciência atinge a dimensão do humano, daquilo que Aristóteles chamou de “zoon politikon” e Lukács “Ser-Social”. Essa experiência é a catarse que o velho Aristóteles dizia ser o objetivo da Tragédia Grega. A Tragédia tinha por função despertar esse sentimento de elevação da consciência, cujo movimento seria do particular para o universal, do indivíduo para a humanidade, do ser biológico para a Terra Gaia. Os solitários se irmanam e, de simples choramingas limitados, tornam-se expressões da Condição Humana. Tornam-se heróis trágicos. Obrigado Oswald de Andrade.
Referências
ANDRADE, Oswald. “Manifesto da poesia Pau-Brasil”. In: Correio da Manhã,18 de março de 1924.
ANDRADE, Oswald. “Manifesto antropófago”. In: Revista de Antropofagia, Ano I, No. I, maio de 1928.
ARISTÓTELES. Poética. Porto Alegre: Globo, 1966.
DELEUZE, Gilles. Crítica e clínica. Tradução Peter Pál Pelbart. São Paulo: Editora 34, 1997.
LUKÁCS, Georg. A teoria do romance: um ensaio histórico-filosófico sobre as formas da grande épica. Tradução José Marcos Mariani de Macedo. São Paulo: Duas Cidades/Ed. 34, 2000.
TROTSKY, Leon. Literatura e revolução. Rio de Janeiro: Zahar, 1969.
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Cravos para Rosa Luxemburgo
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| Funeral de Rosa Luxemburgo |
Milhares de pessoas participaram em Berlim da homenagem a Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, assassinados 15 dias depois de terem fundado o Partido Comunista da Alemanha (KPD), faz este domingo 93 anos. As comemorações incluiram um comício "contra o poder dos bancos", com a ativista chilena Camila Vallejo e dirigentes da esquerda alemã.
Na parte da manhã teve lugar a cerimónia tradicional da deposição de cravos vermelhos no memorial aos dois dirigentes revolucionários alemães, com a presença de figuras do Die Linke como os presidentes Gesine Lötzsch e Klaus Ernst, Gregor Gysi e Oskar Lafontaine.
A manifestação que se seguiu contou com a presença de milhares de pessoas que fizeram ouvir o protesto contra o capitalismo, o governo de Angela Merkel e o poder dos bancos. Este foi também o tema forte do comício da tarde, a que aos dirigentes da esquerda alemã e do Partido da Esquerda Europeia (PEE) se juntou Camila Vallejo, a dirigente estudantil chilena que tem protagonizado a maior mobilização social do país nos últimos anos. O deputado bloquista Luís Fazenda esteve presente nesta jornada de homenagem e de luta da esquerda na Alemanha, a convite do PEE.
Na parte da manhã teve lugar a cerimónia tradicional da deposição de cravos vermelhos no memorial aos dois dirigentes revolucionários alemães, com a presença de figuras do Die Linke como os presidentes Gesine Lötzsch e Klaus Ernst, Gregor Gysi e Oskar Lafontaine.
A manifestação que se seguiu contou com a presença de milhares de pessoas que fizeram ouvir o protesto contra o capitalismo, o governo de Angela Merkel e o poder dos bancos. Este foi também o tema forte do comício da tarde, a que aos dirigentes da esquerda alemã e do Partido da Esquerda Europeia (PEE) se juntou Camila Vallejo, a dirigente estudantil chilena que tem protagonizado a maior mobilização social do país nos últimos anos. O deputado bloquista Luís Fazenda esteve presente nesta jornada de homenagem e de luta da esquerda na Alemanha, a convite do PEE.
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| Rosa Luxemburgo (1907) |
Texto de Renato Soeiro, publicado na passagem dos 90 anos do assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht.
É uma evocação de grande significado para a esquerda alemã que, naquele dia fatídico perderia, de uma forma violenta, os seus dois principais dirigentes revolucionários. Desde então, ano após ano, a população de Berlim vai neste dia ao cemitério de Friedrichsfelde mostrar que não esqueceu nem os mortos, nem os responsáveis.
Estes 90 anos de romagens atravessaram todos os difíceis anos 20, o regime nazi, a guerra, a República Democrática Alemã, a reunificação do país, a União Europeia.
Assumiu primeiro a forma de ato de revolta e protesto, depois de ação quase clandestina, após a Segunda Guerra a forma de ato oficial com pompa de Estado, nos anos 90 de afirmação contra a indiferença e o esquecimento. Mas, havendo ou não convocatória e organização oficial ou partidária, dezenas de milhares de berlinenses rumam, naquelas frias manhãs de janeiro, ao cemitério para deixar uma flor.
Não uma flor qualquer: tem de ser um cravo vermelho. Uma flor com história política na Alemanha. Quando os manifestantes do 1° de maio foram proibidos de transportar bandeiras vermelhas e quando a polícia lhes arrancava mesmo da banda do casaco uma tira vermelha que simbolizava a bandeira interdita, transportar na mão uma flor foi a solução criativa e resistente para que maio continuasse vermelho. O cravo, flor do maio dos trabalhadores alemães, foi o símbolo espontaneamente escolhido pelos que em 1920 vieram comemorar, pela primeira vez, o aniversário do assassinato.
Os últimos dias
Estes eram tempos de grande tensão na Alemanha. No início da guerra, em 1914, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, então proeminentes figuras do Partido Social Democrata (SPD), estão entre os mais determinados opositores à guerra que começa e à decisão parlamentar de votar o orçamento necessário para o esforço de guerra, que a maioria do SPD considerava um imperativo nacional. Uma cisão dá então origem à liga Spartakus, que organiza aqueles que não só se opõem ao esforço de guerra, como trabalham para que a guerra se transforme numa revolução socialista. Na sequência desta atividade política, Rosa e Karl serão presos em 1916. Em novembro de 1918, uma revolução destitui o Kaiser e devolve-lhes a liberdade. Estávamos no dia 8. No dia seguinte, Liebknecht, de uma varanda da residência fortificada do Kaiser, proclama a República Socialista Livre (Freie Sozialistische Republik). Nessa mesma noite, o SPD declara, a partir do Reichstag, a República de Weimar.
Juntos e em liberdade, Luxemburg e Libknecht reorganizam a liga Spartakus, fundam o jornal Bandeira Vermelha e, no dia 14 de dezembro, publicam o novo programa revolucionário da liga. Entre os dias 29 e 31, mesmo no fim do ano de 1918, realizam um congresso, conjuntamente com mais duas organizações, uma de socialistas independentes e outra de comunistas internacionalistas. As três fundem-se nesse congresso e, no dia 1 de janeiro de 1919, anunciam que nasceu o novo Partido Comunista da Alemanha (KPD).
O novo ano começa com mais levantamentos revolucionários em Berlim. O novo Chanceler, Friedrich Ebert, do SPD, dá ordens ao Freikorps, uma força de elite de tendência ultraconservadora, para esmagar a revolta. No dia 15, os militares do Freikorps prendem Rosa Luxemburg e Karl Libknechet, entre outros revolucionários. Às 20:45, um carro chega ao hotel Eden, sede do Freikorps, com Rosa sob prisão. 10 minutos depois chega outro carro transportando Libknecht. O capitão Pabst interroga-os sumariamente e ordena que sejam eliminados. Rosa, recebe uma coronhada, é arrastada para um carro e é abatida com um tiro na cabeça. O seu corpo é levado e às 22:30 o carro regressa e os seus ocupantes informam que o cadáver foi lançado ao rio Spree. Só viria a ser encontrado meses mais tarde, no dia 1 de junho.
O outro carro, que levou Libknecht, regressa pelas 23:00 com a missão cumprida de uma forma algo diferente. O preso foi levado vivo, foi maltratado e assassinado nos jardins junto ao Zoo de Berlim. O corpo foi entregue na morgue, sem qualquer identificação.
O oficial de baixa patente que executou a ordem de disparar sobre Rosa, Otto Runge, recebeu papéis falsos e dinheiro para desaparecer. Mas viria mais tarde a ser levado a julgamento. Pediram-lhe que confessasse o duplo homicídio, mas dizendo que tinha sido um ato de iniciativa individual devido a problemas de insanidade mental. Foi condenado a 25 meses de prisão, mas poucos meses depois já estava em liberdade. O regime nazi viria mesmo a atribuir-lhe uma recompensa pelo seu ato.
Os oficiais superiores que deram as ordens e organizaram a operação nunca foram julgados. Um deles, o capitão Pabst, que interrogou Rosa e Karl e terá dado a ordem de execução, numa entrevista dada em 1962 à revista "Der Spiegel", reiterou que tinham sido o ministro da defesa e o próprio chanceler Friedrich Ebert, ambos do SPD, que tinham dado a aprovação para as suas ações.
Ironia da história. Hoje a grande fundação ligada ao partido alemão da esquerda, Die Linke, é a Fundação Rosa Luxemburg. E a grande fundação dos sociais-democratas, ligada ao SPD, é a Fundação Friedrich Ebert. A política alemã não se compreende sem ter sempre o livro de história na mão.
A Alemanha é verdadeiramente o país onde tenho sentido, como em nenhum outro, a presença constante do último século, com todo o seu peso e todo o seu dramatismo. Mas talvez só a sua história contenha todo aquele denso emaranhado de emoções e dramas que consegue impelir, ano após ano, tantos milhares de pessoas a percorrerem longos caminhos de neve para depositarem um cravo vermelho numas pedras com uns nomes gravados. Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht - Die Toten mahnen Uns.
Ouça aqui a conferência do pensador marxista brasileiro radicado em França Michael Löwy sobre Rosa Luxemburgo, integrada no ciclo "Pensar os Pensadores do Socialismo", organizado pela CULTRA.
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14 janeiro, 2012
Nunca oculté mi admiración por esta Revolución
Do CubanitoenCuba
El escritor uruguayo Eduardo Galeano afirmó hoy que la neutralidad es imposible en un mundo que se divide entre indignos e indignados.
O se es indigno o indignado, recalcó en breve diálogo con la prensa a su llegada a esta capital, tras más de 10 años de ausencia, invitado por Casa de las Américas, cuyo 53 Premio Literario inaugurará el próximo lunes.
La crisis que sufre el planeta ha llevado a muchos a aceptar lo inaceptable obligándolos a la indignidad. Es por eso, agregó, que surgen movimientos, como el de los indignados, que de pronto se vuelven peligrosamente contagiosos en todos los países.
No hay quien pueda con la capacidad de contagio que tiene la indignación, subrayó refiriéndose a los movimientos sociales surgidos en varias naciones para expresar sus reclamos en protesta contra la desigualdad y el desempleo.
A su juicio en todas partes se respira una energía de cambios que busca manifestarse. Las izquierdas, opinó, están en todos lados. Los procesos de cambios que de veras se dan, crecen lentamente de abajo hacia arriba y de adentro hacia fuera. A veces son silenciosos, casi secretos, pero existen en todas partes.
Vuelvo a Cuba sin haberme ido porque esta isla siguió siempre viva dentro de mi, en mis palabras, en mis actos y mi memoria, una memoria viva de todo lo que de ella recibí, aseveró.
Nunca oculté mi admiración por esta Revolución, ejemplo de dignidad nacional y solidaridad en un mundo donde el patriotismo es un derecho negado a los países pequeños y pobres, destacó.
Nunca conocí en mi vida un país tan solidario como este, ninguna Revolución tan ofrendada a los demás como esta, expresó.
Al referirse a su relación con Casa de las Américas, mi Casa, dijo, destacó que en los inicios fue un amor poco correspondido. Recuerdo como escribí Las venas abiertas… para llegar a tiempo al concurso literario. Tanto esfuerzo y perdí en el certamen, rememoró.
Laureado luego en tres ocasiones, regresa a la institución para presentar su libro Espejos, una historia casi universal, Premio Honorífico de Narrativa José María Arguedas 2011.
Es un texto, comentó, en el que ofrezco una tentativa de ayudar a la recuperación del arcoiris terrestre que contiene más colores y fulgores que el celeste.
Quería ayudar a recuperar esos colores perdidos porque estamos ciegos, mutilados por una largísima tradición de racismo, de machismo, elitismo, de militarismo y de otros ismos que nos impiden descubrirnos en toda la plenitud de nuestra belleza posible, apuntó.
A una pregunta sobre si creía que el presidente estadounidense, Barack Obama, había leído su libro Las venas abiertas de América Latina, que el gobernante venezolano, Hugo Chávez, le obsequió en 2009, durante la Cumbre de Trinidad y Tobago, respondió que fue un acto simbólico.
No creo que lo haya leído. Fue, afirmó, una manera de decirle a Obama que existen otras voces distintas a las que esta acostumbrado a oír de sus asesores.
Sobre cómo ve a América Latina expresó que hoy está caminando. Yo también camino, caminar es un ejercicio imprescindible, creo que las ciudades se conocen o se reconocen con los pies, se leen con los pies.
Lo mismo ocurre con los procesos colectivos, agregó, cuando se viven como se deben vivir las cosas, se camina, se anda. Así uno entra en otro, concluyó.
( Tomado de http://www.cubasi.cu/ )
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13 janeiro, 2012
O custo da ambiguidade política
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| Foto do Terra |
Por Saul Leblon
Num país onde o SUS é utilizado por 80% da população, 61% consideram o serviço público de saúde ruim ou péssimo (CNI/IBOPE de 12-01). A contrapartida sinaliza um quase consenso: 95% afirmam que o ponto catalítico da insatisfação, a demora nas filas, requer mais investimentos em médicos e equipamentos.
O paradoxal e, profundamente preocupante, começa a partir daí. À sensatez do diagnóstico segue-se uma colagem de assertivas e proposições que mimetizam a postura da mídia e da elite brasileira em relação ao serviço público (leia matéria de André Barrocal nesta pág.). A saber: 96% dos ouvidos pela pesquisa CNI/IBOPE são contra aumentar impostos para suprir as deficiências do setor; 82% consideram que recursos adicionais poderiam ser obtidos 'se o governo acabasse com a corrupção'.
Em resumo, a sociedade comprou a lenga-lenga que pavimentou a extinção da CPMF em 2007. Cerca de R$ 40 bi anuais foram subtraídos então do orçamento federal, em operação lubrificada pelo jogral midiático da redução do ‘custo Brasil'.
O financiamento da saúde pública voltaria ao debate no final de 2011 com a discussão da emenda 29. Inútil. Cristalizou-se a vitória da agenda ortodoxa no imaginário brasileiro. Não por seu mérito. A esquerda - e como ela, o governo da Presidenta Dilma, todo ele, sem exceção - contribuiu para esse desfecho. À artilharia conservadora, fez-se uma defesa envergonhada, ambígua, nada assertiva e quase clandestina da solução apresentada formalmente pelo PT: a criação de uma taxa 0,01% sobre o lucro bancário e sobre as remessas de lucros ao exterior.
O equilibrismo de bambolê entregou a opinião pública à semeadura ortodoxa. Os frutos amargos começam a ser colhidos, mostra a pesquisa da CNI/IBOPE.
A safra deixa o governo em apreciável saia justa: de um lado, espremido pela justa insatisfação popular; de outro, obrigado a dar respostas sem ter a legitimidade para alçar os meios necessário, cabíveis e justos.
Se quisessem esclarecer a opinião pública sobre a verdadeira disputa em torno do orçamento da saúde pública, o PT e o governo teriam à disposição dados contundentes e irrespondíveis. Por exemplo:
a) não há registro de abatimento de preço de qualquer produto a partir da extinção da CPMF que, na verdade, penalizava (taxa de 0,37%) apenas grandes transações e a sonegação embutida na prática do caixa 2;
b) cruzamentos de dados da Receita Federal demonstraram que dos 100 maiores contribuintes da CPMF, 62 nunca tinham recolhido imposto de renda no Brasil --nunca;
c) a carga fiscal do país, da ordem de 35% do PIB, cai substancialmente quando descontados subsídios, renúncias e incentivos ao setor privado;
d) debitada, por exemplo, a média de 6% do PIB entregue aos rentistas como serviço dívida pública, a carga líquida já cai a 29%;
e) cerca de 44% da carga fiscal brasileira advém de imposto indireto embutido em bens de consumo de massa, pesando proporcionalmente mais no orçamento dos pobres do que no dos ricos;
f) levantamento feito pela instituição inglesa UHY demonstra que a alíquota fiscal máxima brasileira é uma das mais amigáveis do mundo com os ricos, situando-se em 54º lugar no ranking de intensidade;
g) pesquisa do Inesc, de 2007, mostra que o lucro dos bancos brasileiros aumentou 446% entre 2000 e 2006, enquanto o IR do setor só cresceu 211%: em termos absolutos os assalariados pagam quatro vezes mais imposto que os bancos;
h) por fim, cabe lembrar que as remessas de lucros e dividendos do capital estrangeiro crescem explosivamente nas contas nacionais: somaram US$ 30,4 bi em 2010, salto de 20,4% sobre 2009.
Não faltariam argumentos. Bem utilizados, os resultados da pesquisa CNI/Ibope hoje seriam substancialmente distintos e, quem sabe, a contabilidade da saúde pública também. O esclarecimento corajoso não foi a escolha petista, nem a postura do governo. Chegou a fatura. O que ela ensina é que a ambiguidade tem custo: é barato na entrada; caro na saída.
Descompasso...até quando?
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11 janeiro, 2012
Muralha diferenciada para FHC e Cia
Por Wálter Fanganiello Maierovitch
No ano passado, o ex-presidente Fenando Henrique Cardoso, que nos dois mandatos presidenciais se submeteu à política norte-americana de guerra às drogas (war on drugs) de seu guru, o então presidente Bill Clinton, virou casaca, trocou bandeira.
FHC, em busca de um palanque internacional para concorrer com o então presidente Lula, reuniu antigos presidentes e dirigentes fracassados por adesão à guerra às drogas e submissão aos EUA para deitar sabedoria quanto às novas políticas sobre o fenômeno representado pelas drogas ilícitas no planeta.
Assim, FHC subiu ao palanque adrede preparado e vestiu panos de líder progressista, a encampar, como próprio, antigos posicionamentos antiproibicionistas. Até foi preparado um documentário, do tipo laudatório para exibição em cinemas, que não se tornou campeão de bilheteria.
Dentre a turma dos “vira-casaca”, que usam a desculpa do “nós reconhecemos que erramos e agora vamos mudar”, destacam-se:
1) César Gaviria, ex-presidente da Colômbia ao tempo dos potentes cartéis de Cali, Medellín e Vale Norte. Gaviria admitiu que Pablo Escobar construísse, com recursos da venda internacional de cocaína, o presídio onde ficaria e poderia sair para passeios e dirigir, do banco de reservas, o seu time de futebol. O povo chamava o presídio de “A Catedral”, pois era o santuário de Escobar, com obras de arte nas salas de reuniões do “capo da cocaína” e sistema de segurança para evitar bombardeamento por aviões da norte-americana DEA (Drug Enforcement Administration). Mais ainda, Gaviria fazia vista grossa para a Tranquilândia, o megacomplexo onde Pablo Escobar, chefão do Cartel de Medellín, mantinha o maior centro latino-americano de refino de cocaína: o povo deu o nome de Tranquilândia, pois a polícia jamais entrava lá.
2) Ernesto Zedillo, ex-presidente que decretou a falência do México, provocou uma crise econômica internacional até então sem precedentes e assistiu a indústria mexicana das drogas ilícitas obter lucros fabulosos.
3) Kofi Annan, ex-secretário da Organização das Nações Unidas (ONU), e responsável, quando no poder, pela manutenção do proibicionismo criminalizante convencionado na sede das Nações Unidas em 1961: a convenção de Nova York continua em vigor e os estados teocráticos membros da ONU e os EUA são contrários a qualquer tipo de mudança.
Como o tempo se incumbe de revelar farsantes, aquele que se promoveu a líder das causas corretas sobre políticas nacionais e internacionais sobre drogas, FHC mantém-se, passada mais de uma semana da operação iniciada na Cracolândia, em sepulcral silêncio.
Morador do bairro de Higienópolis, popularmente dividido em Higienópolis de Cima e Higienópolis de Baixo depois da luta pela não instalação de uma estação de metrô que levaria à circulação de transeuntes indesejados, FHC foi cobrado pelos vizinhos. Afinal, a ação prevalentemente policial no bairro da Luz, onde estavam confinados os toxicodependentes de crack, resultaria na migração para Higienópolis.
FHC, o novel especialista no fenômeno das drogas proibidas pelas convenções da ONU, não se manifestou sobre o denominado Plano de Ação Integrada Centro Legal, concebido pela dupla Alckmin-Kassab, respectivamente, governador do Estado e prefeito da capital.
Pelo silêncio, nem se sabe se gostou da deferência do governador por destacar um contingente da Polícia Militar para impedir que dependentes químicos de crack, estimados em 1.664 (400 habitam na Cracolândia), ousem, ainda que assutados pela violência policial, migrar para o “aristocrático” bairro de Higienópolis.
Com tal medida protetiva, FHC, certamente, vai poder abrir as janelas de seu apartamento sem risco de assistir a cenas motivadoras de algum pronunciamento.
Pano Rápido. A meta da operação de Alckmin-Kassab é “limpar” a Cracolândia de “indesejados viciados em crack”, antes admitidos quando interessava a política de confinamento.
O “limpa” vai dispersar os dependentes para novo “pogrom” na periferia, já que uma muralha de policiais militares evitará que ingressem nos bairros vizinhos de Higienópolis e Bom Retiro.
Leia também:
Tortura sistemática e contínua na Cracolândia
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Sérgio Pecci
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