08 dezembro, 2011

A primavera que o Ocidente pediu a Deus

Em entrevista a Eduardo Sales de Lima no Brasil de Fato , o jornalista Pepe Escobar destaca o início de um período contrarrevolucionário nos países árabes.

Praça Tahrir, no Cairo - Foto: Mashahed’s Photos/CC

A junta militar que governa interinamente o Egito confirmou a nomeação de um ex-premiê da era Hosni Mubarak (1981 – 2011) para liderar o próximo governo. Kamal Ganzouri, 78 anos, foi primeiro-ministro entre 1996 e 1999. Sua nomeação provocou uma reação negativa entre a população. Mais de 100 mil manifestantes se reuniram na praça Tahrir no centro do Cairo para realizar o maior protesto desde a nova fase das manifestações.

A Primavera Árabe estaria retrocedendo? Teria ela entrado num “limbo”? Talvez. A permanência da influência das potências ocidentais, sobretudo dos Estados Unidos sobre os países árabes reforça tais indagações. A situação no Egito é apenas um exemplo. E recentemente, após o assassinato de Muamar Kadafi , na Líbia, Israel resolveu aumentar a tensão junto ao Irã. Esses são alguns dos destaques que o jornalista Pepe Escobar, especialista em Oriente Médio, do Asia Times, tentou “encadear”, numa conversa com o Brasil de Fato.

A guerra entre a Otan/“rebeldes” líbios contra as forças de Muamar Kadafi, resultando na morte do líder, pode ter significado o fim de um ciclo da Primavera Árabe?

Pepe Escobar – Ninguém no Ocidente esperava a Primavera Árabe, muito menos da forma como ela começou. Aquele ato do [jovem vendedor ambulante tunisiano] Mohamed Bouzazi lembrou os monges no Vietnã no início dos anos 1960, o de atear fogo em suas próprias vestes exigindo direitos e justiça sociais. O fato de começar num país periférico no mundo árabe como é a Tunísia deixou muita gente no Ocidente um pouco perplexa.

Por que na Tunísia? Havia várias condições: repressão governamental a movimentos sociais, teve o elemento “Google-Facebook”, que foi super importante com a juventude desempregada bem informada, e um ditador no poder durante mais de 20 anos.

Quando o movimento chegou ao Egito, o Ocidente, especialmente os estadunidenses ficaram desesperados, porque ao contrário da Tunísia, que é um país periférico, o Egito é um país central na política externa estadunidense. A “cadeirinha” dos Estados Unidos no Oriente Médio pressupõe o pilar egípcio, o israelense, e o da Arábia Saudita. Quando caiu o pé da cadeira Egito, os estadunidenses se perguntaram “E, agora? O que virá depois?”. Desde o começo das revoltas, eles privilegiavam uma solução negociada com o objetivo de manter o regime. Ao analisar as declarações da época, não só [Barack] Obama, Hillary Clinton, Pentágono, CIA, todo mundo queria [general e ex-chefe do setor de inteligência egípcio] Omar Souleiman, que era o chefe da tortura basicamente. O pessoal da Praça Tahrir o chamava de “Sheik of Torture”. Desse modo, como sucessor do então presidente egípcio, Osni Mubarak, tudo ficaria igual.

Os militares arrumaram um sistema onde botaram uma ditadura militar de fato [na prática], se livraram do chefe do regime, e de seu sucessor, que é o Omar Souleiman, hoje isolado. O regime ficou intacto.

Nada mudou essencialmente para os Estados Unidos porque eles continuaram a cooptar esse regime militar.

De que forma? Parece que existe uma cooptação direta, sem dissimulação.

Eles estão cooptando não só diretamente, mas via seu aliado principal na região, a Arábia Saudita, que há pouco “doou” US$ 4 bi para a ditadura militar do Egito se manter nos próximos meses. O Egito é um país quebrado, tem que comprar comida de fora, tem que pagar funcionários públicos e é um país que está à beira da bancarrota.

O “X” da questão foi quando a Primavera Árabe se mudou para a Península Arábica e para o Golfo Pérsico. Aí começou a atacar os interesses práticos regionais dos estadunidenses. No caso do Iêmen, na Península Arábica, a única coisa que interessa é a Al Qaeda. No Barein, eles têm a Quinta Frota estacionada. Essa polícia em meio ao Golfo Pérsico está do lado do Irã. A região para os estadunidenses é como se fosse os estados de Maryland ou Virgínia. É deles. Ninguém toca.

No Iêmen houve também um movimento popular, legítimo, com muitos jovens, exigindo o fi m também de uma ditadura de três décadas. Ali Abdullah Saleh caiu. Mas quando ele resolveu se exilar, ele foi para a Arábia Saudita, acolhido por seus primos, que disseram “nós acolhemos você e se ficar muito pesado, nós arrumamos um cara da sua confiança”.

No Barein é muito mais complicado. Existe uma maioria xiita dominada por uma ditadura sunita de 240 anos que os trata como cidadãos de segunda classe. Sede de uma quinta frota estadunidense e ligada aos interesses da Arábia Saudita e dos Estados Unidos. Um lugar assim jamais pode ser uma democracia.

Mas quando a Primavera Árabe teve seu caráter modificado, se é que isso ocorreu?


Existia a Tunísia e o Egito. No mundo inteiro criou-se a expectativa de que agora esse movimento pró-democracia iria tomar conta do norte da África e do Oriente Médio inteiro. Quando chegou no Barein, segundo minha leitura, foi o ponto crucial. Primeiro porque a Arábia Saudita invadiu o Barein e acabou com o movimento. No começo eles destruíram o centro dos protestos, num entroncamento no centro da cidade. Eles destruíram, inclusive, fisicamente o monumento, que é muito bonito, cilíndrico, com pérolas estilizadas em cima, que contava a história de Barein. E isso depois de três semanas do início dos protestos. Essa invasão da Arábia Saudita a gente só foi saber depois. Foi um pacto elaborado entre a casa de Saudi e o departamento de estado estadunidense. Fizeram um trato.


Confrontos na Tunísia deram início à primavera arabe

Como esses acontecimentos dialogam com o que ocorreu na Líbia?

Os Estados Unidos já estavam de olho na Líbia, porque lá havia começado um movimento em fevereiro, mas que foi depois capturado por um bando de oportunistas de todos os matizes. O que aconteceu na Líbia foi um Golpe de Estado, que começou a ser tramado em outubro de 2010.

Antes da Praça Tahir.

Muito antes. Lá no Egito começou, de fato, em janeiro. Em outubro de 2010, um chefe de protocolo de Kadafi , ele abandonou o governo e foi a Paris. Entrou em contato com a inteligência francesa, contou o que estava acontecendo, que era possível armar um golpe, não só em Trípoli, mas especialmente no leste, em Benghasi. Ele tinha todos os contatos, e conhecia um monte de gente que ia cair fora do governo e apoiar esse golpe. Os franceses adoraram a ideia.

O Sarkozy queria um motivo para criar um problema com a Líbia porque Kadafi não estava comprando o que ele disse que iria comprar dos franceses, como jatos Rafale e centrais nucleares.

No âmbito comercial, Kadafi havia feito sua escolha pelos Brics?

Mais para os russos, chineses e indianos. Além disso, a maior parte das exportações de petróleo não iam para a França e sim para a Itália. Existe, inclusive um gasoduto que vai do norte da Sicília até a Líbia, que se chama Green Xtreme, que abastece o sul da Itália. A Total (empresa de óleo e gás) francesa estava fazendo pressão em cima de Sarkozy.

Há outro elemento fundamental também: a água. As três maiores empresas de água privatizada são francesas. A Líbia tem o maior sistema de bombas de sugar água do mundo, e que foi pago pelo governo líbio, usando técnicos canadenses, sem usar um tostão do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Esse sistemas levam água do deserto do sul da Líbia para a costa mediterrânea. Os franceses já pensaram em privatizar essa água. “A gente teria mil anos de água fresca para vender para o planeta inteiro”. Todos esses interesses se mesclam.

Os estadunidenses queriam uma base na África, com o comando do Pentágono que se chamava Africomm (Comando da África). Agora ele está em Stuttgart, na Alemanha, pois nenhum país africano o quis. E adivinha quem foi o principal coordenador entre os africanos para impedir que os estadunidenses estabelecessem essa frota no continente? Muamar Kadafi .

No ponto de vista da Otan – Organização do Tratado dos países do Atlântico Norte, que nada mais é que o braço armado do Pentágono na Europa, com aqueles lacaios todos que já conhecemos. O plano para os próximos anos, já aprovado numa cúpula em Lisboa, em novembro do ano passado, é de transformar o Mar Mediterrâneo num lago da Otan, e eles falam mesmo em “Nato Lake” (Lago da Otan). O problema é que há três países que não entram nem na Otan e nem são membros das milhões de parcerias que a organização possui: Líbano, Síria e Líbia.

O interesse do Pentágono, da Otan, dos franceses e dos ingleses é isolar os Brics desse mercado, e somar os interesses dos outros árabes das monarquias, sobretudo Arábia Saudita e Catar. E por que Catar? Esse país é super próximo à França. O emir do Catar é amigo íntimo do Sarkozy e de empresários franceses, que investem muito no capital do Catar e vice-versa. Esse país queria se aproximar da Otan e ser colocado quase como um parceiro estratégico no Oriente Médio dos europeus, em termos políticos, comerciais e militares.

Quanto à Arábia Saudita, havia uma briga de dez anos entre o seu rei Abdulla e Kadafi , por causa da invasão do Iraque. Kadafi criticou o rei Abdulla ao vivo, chamando-o de traidor e dizendo “você está deixando os estadunidenses acabarem com os países árabes, é um absurdo”.

Mas é importante notar que Otan tem 27 membros e somente 12 participaram da guerra. A Alemanha, por exemplo, achou tudo isso um horror e desde o início não se envolveu.

Agora, como iriam legitimar essa guerra? Tinha um movimento legítimo de jovens pró-democracia, no oeste da Líbia, que se chama “17 de fevereiro”. Quando eles fi zeram os primeiros protestos em Bengazhi, essa foi a deixa para juntar todo esse pessoal a partir dos caras que tinham ido para a França em outubro de 2010. O pessoal que ia cair fora do regime em Trípoli, os islamistas do leste do Líbia, que estavam só esperando a deixa, aliados de conveniência. O pensamento era “OK, vamos começar um protesto e vamos tentar cortar o oeste da Líbia do leste, a gente se arma e depois tentamos invadir o oeste”.

Com o tempo, percebeu-se que a ofensiva dos rebeldes era descoordenada porque eles não tinham comando estratégico, não sabiam operar armas. De uma hora para outra eles passaram a ter um perfeito conhecimento do terreno, armas que não se sabe da onde veio, e estavam reprimindo as forças do Kadafi do oeste para o leste.

Criou-se a ficção de que Kadafi iria exterminar todo mundo quando chegasse a Bengazhi, cidade de 700 mil pessoas. Um absurdo! Ele queria ir até lá para acabar com uma guerra civil. Ele ia atrás dos cabeças, como em qualquer guerra. Se fosse nos Estados Unidos, na Itália, na Alemanha, seria inadmissível não agir dessa forma. O governo tem o direito de se proteger.

Isso criou o pretexto para a resolução da ONU do “No Fly Zone”, para impedir que caças de Kadafi bombardeassem civis. Soube-se depois que a Anistia Internacional foi à Líbia, de que não havia nenhuma prova de que seria cometido um massacre de Kadafi . Mas do ponto de vista da ONU, ou de quem manda no Conselho de Segurança, ou seja, EUA, Inglaterra e França, era suficiente.

Os Estados Unidos fizeram um pacto com a Casa de Saudi. “Se vocês nos derem o voto da Liga Árabe, dizendo que condenam a Líbia em relação a esse possível massacre, nós deixaremos vocês fazerem o que quiserem no Golfo Pérsico”. Foi aí que a Primavera Árabe se transformou em Contrarrevolução árabe.

Continua no Brasil de fato


A estratégia da despolitização da crise política


O que causa espécie nas crises políticas enfrentadas pela presidenta Dilma Roussef desde 1° de janeiro até o mês que encerra 2011 é a sua estratégia, até agora bem-sucedida, de despolizitar a ofensiva sistemática aos integrantes de seu Ministério pela imprensa, por partidos aliados ou, em menor intensidade, por partidos adversários. Na verdade, a despolitização é o resultado mais evidente do comportamento da presidenta, de substituir ministros num prazo não tão pequeno que pareça rendição aos ataques ou dê a impressão de que suprimiu direito de defesa do acusado, nem tão grande que pareça que vá comprar a briga por um subalterno.

De qualquer forma, um comportamento político previsível como este não deixa de alimentar, do lado da imprensa, a vaidade do poder que decorre de uma derrubada de ministro; e, dos "amigos" do poder, a tentação de aproveitar as oportunidades que se colocam para ocupar espaços dentro de seu partido ou em favor da sua legenda na base de apoio do governo.

Para ambos, amigos e inimigos, prevalece a estratégia do "vazamento" de informações; a mídia entra com a escandalização do fato, existam ou não indícios crimes cometidos (a estratégia da repetição é muito eficiente nisso).

Até agora, houve despolitização porque a presidenta tem demitido o auxiliar sob a mira dos atiradores de elite antes que o ataque especulativo ao governo não resulte em um grande desgaste. Convenha-se, no entanto, que a soma de pequenos desgastes resultantes da queda de sete ministros, com grandes chances de emplacar um oitavo, acaba, no mínimo, colocando o governo em constante defensiva. A opção de ir levando a administração com as orientações políticas emanadas do Palácio do Planalto, as soluções técnicas gerenciadas pela Casa Civil e uma gestão mais coesa das políticas econômica e monetária, reduzindo a importância dos ministros impostos pelos partidos da bases aliada, tem lá os seus limites.

Outra razão da despolitização é o estado de pauperização da oposição, que saiu pequena das eleições do ano passado e se viu ainda mais desimportante depois do racha do DEM, patrocinado pelo prefeito paulista Gilberto Kassab. A ofensiva oposicionista parte da imprensa, mas a denúncia, vinda de fora dos partidos e ao estilo" imprensa marrom", como já designava Antonio Gramsci no início do século passado, tem bastante eficiência na formação de consensos.

Por enquanto, os consensos são sedimentados na parcela que lê jornal ou acessa mídias tradicionais - que no caso brasileiro é muito restritra, perto dos muitos recém-letrados que não entraram apenas na sociedade de consumo de bens duráveis, mas também na sociedade de consumo de cultura, mas pela porta da internet - são o de que todos os partidos são iguais (ou a esquerda no poder se corrompe mais do que a direita, portanto todo poder à direita); e que a democracia tem uma eficiência questionável do ponto de vista ético.

Mais adiante, depois de mais alguns ministros derrubados, pode consolidar-se o consenso nessa classe mais tradicional (que tem mais tempo de vida na sociedade de consumo e consome mais) de que Dilma é boa técnica, mas está inviabilizada pela política. Agora, a moda é bater no "presidencialismo de coalizão", como se o problema fossem as alianças, e não a excessiva exposição dos partidos ao poder econômico, via financiamento privado de partidos e de eleições.

Quando despolitiza esse debate, colocando-o apenas na órbita das suspeitas que devem ser investigadas pela polícia e apuradas pela Justiça, Dilma se afasta dos partidos políticos que podem prejudicar a sua imagem perante a opinião pública que forma consensos via mídia tradicional (sem que possa prever até quando conseguirá separar os partidos da base aliada de seu governo). Perde, todavia, a autoridade política para discutir, junto aos partidos, soluções estruturais para a renovação da estrutura partidária brasileira. Se a postura diante das sucessivas crises com os partidos tivesse sido a de assumir a discussão sobre as necessidades de financiamento do sistema que colocam a política no submundo da economia, poderia ter liderado um debate sobre a reforma política mesmo arriscando contrariar parte da base aliada.

Somente a Presidência da República tem, hoje, um poder de agendamento político que pode se contrapor ao da mídia - os veículos tradicionais podem estar ilhados, como formadores de opinião, nas classes tradicionais, mas ainda têm grande poder de definir os temas da agenda. Tanto que as denúncias contra ministros pautaram o cenário nacional, enquanto corria paralelamente no Congresso, a duras penas e sem qualquer ajuda do governo, o debate sobre a reforma política, adiado, como sempre, para outra oportunidade.

A neutralização "técnica" dessas denúncias, como lembrou Luís Nassif ontem (7/12), em seu blog, foi de alguma forma sustentada pela gestão econômica. Com a errada de mão da política de juros do BC no primeiro semestre, e os resultados pífios de crescimento nesse final de ano, a eficiência da estratégia de sobrepor a gestão técnica aos problemas políticos do governo pode ser bem menor. E quando a despolitização não for mais possível, será mais difícil formular uma agenda política com partidos desgastados num processo onde a único resultado palpável, até agora, foi o de questionar a legitimidade de cada partido da base aliada. Inclusive do próprio PT.


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(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.

06 dezembro, 2011

O recado de Gil, ou Ana, aquele abraço!


Gil vê as críticas a Ana de Hollanda no Minc como "reações à descontinuação de políticas" iniciadas por ele e por Juca. O recado está dado!   
Gilberto Gil, quando ministro, em visita aos Ashaninkas no município de Marechal Thaumaturgo (AC)













Roberta Pennafort , AE
Ministro da Cultura de Lula de 2003 a 2008, Gilberto Gil disse que Dilma Rousseff “está indo muito bem, respondendo às questões da economia, às questões permanentes de malfeitos e corrupção. Que bom (que os ministros suspeitos foram afastados)! Pior é se não tivessem sido afastados”, avaliou o compositor.
Ontem, em entrevista, em sua produtora, no Rio de Janeiro, por ocasião do lançamento de seu acervo digital, ele falou de sua percepção da atual gestão federal. “Eu gosto do governo Dilma. Não parti de posição desconfiada, porque trabalhei com ela por seis anos. Eu na Cultura e ela, na Casa Civil e nas Minas e Energia. Eu sabia da capacidade dela”.
Gil acompanha o governo Dilma e o desempenho de sua sucessora na pasta da Cultura, Ana de Hollanda, em particular, pelo noticiário, sem dar declarações que possam soar intrometidas. De personalidade conciliadora, o músico preferiu se manter de fora das polêmicas que se sucederam na Pasta neste primeiro ano – da reforma da Lei dos Direitos Autorais à aprovação controversa de projetos na Lei Rouanet, passando pelas diárias recebidas (e devolvidas) pela ministra por dias de folga. Ele considera que Ana, que pode deixar o cargo na reforma ministerial de janeiro, está se saindo até agora “dentro da média da avaliação geral do governo da Dilma”.
Gil acha que a intensidade das críticas à administração de Ana foi menor do que a que ele teve de enfrentar em 2003. “Não é nada diferente do que foi comigo. Num certo ponto, foi mais, porque a minha presença era mais escandalosa do que a da Ana”, disse, rindo. “Ela já tinha o benefício de eu ter sido ministro antes, sendo artista e tal. E algumas das minhas propostas iniciais do Ministério entraram em choque mais abertamente com os sistemas gerais da cultura no Brasil”.
Adepto da máxima de que “ex precisa entender que é ex”, ele vê os ataques sucessivos à ministra desde o início do ano como reações à descontinuação de políticas iniciadas por ele e por seu sucessor, Juca Ferreira (no cargo de 2008 a 2010). “Havia uma massa de programas em andamento, nas gestões Gil e Juca, que as pessoas queriam que continuasse. Na medida em que houve, aqui e ali, recuo por parte do Ministério novo, houve insatisfação”.

Franklin Martins: A blogosfera não avançou na reportagem


Se as 'notícias' auto-cêntricas da imprensalona não ocupassem ainda tanto tempo e boas cabeças das redes sociais 'progressistas', talvez a realidade já fosse outra. 


Franklin Martins, ministro da Secom que deixou saudades...


Por Anselmo Massad 
Rede Brasil Atual___________________

O jornalista e ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) Franklin Martins defende a necessidade de a blogosfera avançar na produção de reportagens. Ele acredita na retomada do que ele chama de “período heróico do jornalismo” com a ampliação do papel da internet como fonte de informação pela sociedade
Franklin, que ocupou o cargo no segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez um discurso assumidamente otimista sobre o horizonte da comunicação no país. Ele participou do seminário ”Mercado Futuro de Comunicação”, organizado pela Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom) em São Paulo, na segunda-feira, dia 5. O evento é voltado a discutir as oportunidades do setor nos próximos anos, especialmente para pequenas e microempresas.
Falando a um público de editores de publicações alternativas, produzidas fora de conglomerados de mídia, o jornalista defendeu a necessidade de se evitar o estigma da segmentação. “Ser alternativa não é segmento, é fazer jornalismo alternativo, de grande qualidade onde o espaço público prevaleça sobre o privado”, definiu.
A blogosfera, avaliou, embora cumpra uma importante função de “grilo falante” da imprensa, como Martins se acostumou a defender, “não conseguiu avançar na reportagem”. A maior parte da produção vai no sentido de qualificar ou desqualificar o conteúdo publicado pela velha mídia, o que foi importante para revelar a verdade em episódios como o plágio de um artigo do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) em maio de 2010, e o que ficou conhecido como o “caso da bolinha de papel” atirada em José Serra (PSDB) durante a campanha eleitoral do ano passado.
O jornalista avalia ainda que a redução de custos para produção de conteúdo permite uma democratização importante, que precisa ser aprofundada com a criação de alguma forma de central de reportagem autônoma. O modelo seria o de uma central de uma rede de veículos que captaria recursos, absorveria e remuneraria a produção. O conjunto de publicações na internet, seja de portais de notícia, seja de blogues, reproduziria as reportagens, permitindo ampliar a visibilidade da produção. “Sozinho, ninguém tem ‘bala na agulha’ para isso”, avalia.
O ministro citou reportagens importantes já produzidas por blogueiros autônomos como sinal de que é possível avançar nesse sentido. O primeiro exemplo foram matérias escritas por Conceição Oliveira (do blogue Maria Frô), sobre as enchentes em São Paulo no início de 2011. O segundo, mais recente, foram informações apuradas pelo deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ) e pelo jornalista Fernando Brito sobre o acidente da Chevron na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro.
“Isso mostra que a blogosfera pode fazer isso, pode ir atrás de assuntos que a velha mídia não dá, seja porque não tem interesse em apurar, seja porque está cansada”, sugere. “A blogosfera vai ter bala na agulha para isso? Será que pode ter uma central de reportagem, que capte recursos para isso, bancada politicamente por todo mundo?”
Ele avalia que o desafio é superar a opinião e entrar na seara da informação. “Mas o jornalismo heróico (do século 19) começou igualzinho, com muita opinião e pouca informação”, disse. A necessidade de mudar deveu-se a demandas do público e da necessidade de se preservar a relevância.
O papel que cabe aos conglomerados de comunicação no Brasil depende da forma como essas empresas se comportarem. “Se a imprensa ficar de mal com o país, não vai a lugar nenhum, não manda em nada. Se pensar que Bolsa Família é ‘bolsa-esmola’, se for contra o Plano Nacional de Banda Larga, não chega a lugar nenhum”, disse.
Mas ele descarta a possibilidade de a internet eliminar os jornais e revistas – embora possa eliminar a necessidade de impressos em papel. A questão é a necessidade de forjar um espaço público onde temas são trabalhados com mais profundidade e menos parcialidade. “Mas os jornais no Brasil são muito ruinzinhos, não se pautam pelo imponderável da notícia, mas pelos seus próprios preconceitos”, sustenta.

05 dezembro, 2011

O nascimento e os desafios da CELAC

Do Soa Brasil
por Beto Almeida*
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A TV brasileira continua centralizando suas atenções na cobertura da crise do capitalismo na Europa, o que significa, na prática, sonegar ao povo brasileiro uma informação objetiva, necessária e de importância histórica para a humanidade como é a criação da CELAC (Comunidade dos Estados da América Latina e Caribe), ocorrida em 2 e 3 em Caracas. Assisti o evento em transmissão da Telesur, retransmitida aqui em Brasília pela TV Cidade Livre, o canal comunitário da capital.

A Celac nasce com desafios amplos, com uma pauta concreta e com um caminho já percorrido por meio das medidas que vêm sendo implementadas e que convergem para a integração de América Latina. A Celac nasce sem as presenças dos EUA e Canadá, países que apostam na desintegração e rapina, como prova o crime recente de demolição da Líbia. Nada têm a fazer na Celac. Que fiquem com a moribunda OEA, um laboratório de maldades colonialistas que sempre operou a favor das ditaduras que marcaram em sangue e submissão a América Latina e o Caribe.
A Celac tem início buscando soluções soberanas, negociadas, democráticas para os grandes impasses da região, seja a questão colombiana, seja a saída para o mar para a Bolívia, ou integração de países mais frágeis como a Guiana ou Suriname e também uma solução para retirar o Haiti da imensa miséria em que ainda está imerso. Todas estas, e muitas outras, são questões amplamente complexas, mas com a Celac elas passam a ser encarada com base nos princípios da cooperação e da solidariedade que passam a marcar esta nova etapa da região.


Sem pedir licença


Muitas medidas já estão em andamento pavimentando o caminho para que nascesse a Celac: Mercosur, Alba, Unasur, Petrocaribe, Petrosul, Banco do Sul, Telesur etc. Tudo isto soma. Mas, a marca fundamental é que 33 estados decidem unir-se sem pedir licença aos EUA e projetam o futuro pela via de um caminho de independência, em variados graus, das intolerantes diretrizes que caracterizam, historicamente, as políticas estadunidenses para a região.
O nascimento da Celac já simboliza em si mesmo a necessidade de passar a um patamar mais elevado de planejamento, articulação e , sobretudo, cooperação entre os países latino-americanos e caribenhos porque os sinais emitidos pelo império, sobretudo com o aprofundamento de sua crise, seja nos EUA, seja na Europa do Euro, apontam para situações conflituosas mais complexas. Nada indica a revisão, pela Casa Branca, das pretensões imperialistas sobre áreas estratégicas em todo o mundo. Basta anotar que enquanto a Unasur forma seu Conselho de Defesa Sul Americano, os EUA ordenam a retomada da Quarta Frota, justo quando se revelam grandes riquezas petrolíferas sobre os mares do sul. Vale citar também o envolvimento direto dos EUA nas ações de desestabilização de governos populares como na Venezuela, na Bolívia, no Equador, em Honduras etc.
Exatamente porque a TV comercial brasileira ignora e sonega informação sobre esse grande acontecimento em nossa região -- como paralelo, é como se a TV da Europa ignorasse o nascimento da Comunidade Européia - e também porque há privilégio editorial na cobertura da crise do capitalismo europeu, vale informar e dimensionar a importância de todas as medidas que já conduzem a uma era de mais integração, mais cooperação. Desde que os bons ventos das lutas populares espantaram a poeira e o mofo do neoliberalismo que andava por aqui, criando com inteligência, rebeldia e coragem inúmeros governos populares e progressistas, as ações de estado se alteraram, as políticas externas, mas também as financeiras, monetárias, ou de saúde e de educação , registrando câmbios importantes, que, com a Celac, poderão se ampliar, se consolidar ou mesmo estimular, simplesmente, a incorporação de vários outros países num planejamento político no mínimo contraditório com os interesses dos EUA.


Distanciamento da agenda do Pentágono


Um exemplo disso, os significativos acordos firmados entre Venezuela e Colômbia, indicando uma tática que favorece algum tipo de distanciamento de Bogotá da função anterior, na época de Uribe, como um simples peão militaresco a ameaçar a Revolução Bolivariana. Outro exemplo é a Revolução Cidadã no Equador, ou o novo curso progressista inaugurado no Peru com a eleição de Ollanta Humala . A Revolução Bolivariana necessita de tempo histórico para consolidar-se e uma hipótese de guerra com a Colômbia, que esteve eminente, era tudo o que interessaria ao Pentágono para encontrar pretextos intervencionistas na regiáo, como tem feito em muitos lados, seja no Iraque, no Afeganistão ou agora mais recentemente na Líbia. Já um setor da burguesia industrial colombiana vê a Venezuela como uma possibilidade de desafogo, um mercado comprador importante, sem contar que a pátria de Miranda não teve a oportunidade histórica de escapar da colonialista “maldição do petróleo”. A Venezuela não teve sua Era Vargas. Só a partir de Hugo Chávez há um real processo de industrialização da Venezuela, do qual o Brasil participa com investimentos do BNDES que expandem a capacidade produtiva do país irmão. Em especial na realização de obras de infra-estrutura indispensáveis, além de contribuir, com a presença da Embrapa, a um processo de arrancada para uma economia agrícola, o que Venezuela não possuía antes, já que importava até alface dos EUA.
Nada disso tem sido adequadamente informado ao povo brasileiro. A política de integração regional dinamizada e priorizada por Lula, sob a operação de Amorim, foi sempre apresentada pela mídia colonizada brasileira como desperdício de dinheiro ou retórica itamarateca, com o que se ecoava os humores de Washington quanto ao novo quadro regional que acarretou em diminuição da presença comercial dos EUA. O que torna ainda mais incompreensível que a TV a integração latino-americana não seja , até hoje, uma pauta jornalística importante para a TV Brasil, muito embora seja uma política sustentada pelos 63 milhões de votos que elegeram Dilma, e a Lula antes. No entanto a TV divulga com patética amplitude vida sexual de Berlusconi ou , agora, o caso das cuecas do Príncipe Charles.


Brasil participa da construção do maior porto do Caribe


Já os exemplos importantes não divulgados são inúmeros. Tomemos alguns. O Brasil participa atualmente da construção do estratégico porto de Mariel em Cuba. Será o maior porto do Caribe, dinamizando a economia regional. O Brasil participa com créditos do BNDES, enquanto que a escolha da construtora brasileira foi feita pelo governo de Cuba. Cuba não possui capacidade de engenharia nacional para realizar uma obra deste porte. E tampouco a Halliburton poderia substituir a construtora brasileira, né? A linha da Casa Branca é impedir que empresas de outros países violem o ilegal bloqueio a Cuba, o que vem sendo corretamente ignorado pelo Brasil. Aliás, em linha oposta, o Chanceler Amorim, na época, disse que o Brasil quer ser o primeiro parceiro comercial de Cuba.
O Brasil participa ainda de duas outras obras estratégicas ali na região: a construção da uma hidrelétrica no Haiti, construída pelo Batalhão de Engenharia do Exército Brasileiro, e a construção de uma usina hidrelétrica na Nicarágua. No caso do Haiti, são recursos públicos brasileiros repartidos exemplarmente pelo povo brasileiro com o sofrido povo haitiano, exemplo que as potências capitalistas não fazer. Há ainda um acordo entre Brasil-Cuba e Haiti para a construção de estruturas de saúde por lá, com investimentos da ordem de 80 milhões dólares por parte do Ministério da Saúde do Brasil, medida iniciada com Lula e confirmada agora por Dilma. Vale destacar que o Brasil só aceitou integrar a Missão da ONU no Haiti após ter recebido apoio unânime de todos os governos da região, inclusive de Cuba, Venezuela e Nicarágua. Fidel Castro chegou a declarar que prefere “soldados brasileiros a marines dos EUA no Haiti”. Assim, de alguma forma, o Brasil se soma algo gigantesco esforço feito por Cuba, há anos, ao montar a Escola Latinoamericana de Medicina, para formar médicos para dezenas de países pobres, entre os eles o Haiti. Cuba divide uma parte de seus restritos recursos orçamentários com o Haiti e dezenas de outros povos. Aliás, até mesmo com países ricos, pois há 500 estudantes negros e pobres dos EUA estudando medicina em Cuba. Eles próprios, moradores em bairros negros, afirmam que ficassem nos EUA seriam fortes candidatos a serem recrutados pelo narcotráfico e que foi a Revolução Cubana que lhes deu a preciosa oportunidade de tornarem-se médicos. Ao ampliar suas parcerias com Cuba, o Brasil participa de alguma forma de esforço generoso. Mas há quem pense que isto é sub-imperialismo...


Europa e desintegração


Em linha diametralmente oposta, a Europa mergulha na crise para demolir os direitos sociais e trabalhistas. Cortes de salários de funcionários públicos já foram implementados em Portugal, Espanha, Itália e Grécia. Mas, com todas estas medidas retrógadas, hipocritamente apresentadas como de economa, os países europeus não vacilaram em gastar fortunas na guerra de rapina imperialista contra a Líbia. E pior, com o apoio de partidos de esquerda, que identificaram num bombardeio incessante de 203 dias pela OTAN, causando mais de 200 mil mortos, uma suposta “ajuda humanitária”. A Grécia está demitindo em massa, cortando salários e direitos sociais, mas acaba de comprar, em meio à crise, 500 tanques de guerra dos EUA. A esquerda européia ficou na patética situação de apoiar a guerra imperialista contra Líbia promovida pelos governos contra os quais está protestando nas ruas.


Retrocesso político e social na Europa


Há duas semanas foi promulgada em Madri uma lei que pune cidadãos que tentem coletar comida das cestas de lixo espalhadas pela cidade. Nenhuma lei para evitar que seres humanos tenham que buscar comida no lixo. É uma lei que dá a medida da decadência européia, que vai se aprofundando numa linha completamente antagônica ao que está ocorrendo na América Latina, simbolizado pela criação da Celac. A criação da Comunidade Européia, o Tratado de Mastrich, representou o predomínio do capitalismo mais forte (Alemanha e França), sobre os demais países europeus. Enquanto aqui a realização de obras de infra-estrutura permitirá o desenvolvimento das forças produtivas, a CEE determinou o rebaixamento produtivo dos países mais débeis do capitalismo europeu. A Grécia foi proibido de ultrapassar os limites impostos de fora para a produção naval ou para a produção de azeite. Limitou-se a produção agrícola de vários países mais fracos, sem esquecer que várias das repúblicas da ex-Yugoslávia, como a Slovenia e a Croácia, retrocederam à condição de semi-colônias da Alemanha. Até mesmo o funcionamento democrático formal dos países vem sendo anulado, com os novos governos sendo impostos pela oligarquia financeira européia, como ocorreu na Grécia e na Itália.


A solidariedade que vem do sul

Sinalizando uma linha contrária a este curso europeu de retrocesso político-social, Dilma Roussef, em seu discurso na Celac, deu um exemplo cristalino do caminho de cooperação e solidariedade que marca a região. Lembrou que a Unila - Universidade da Integração Latino-Americana - está à disposição dos países que integram o novo organismo. Ou seja, enquanto na Europa, africanos, latinos e asiáticos estão sendo cada vez mais escorraçados e ameaçados - (Jean Charles foi barbaramente executado no metrô de Londres pela polícia estatal) - aqui o Brasil recebe professores e estudantes do continente para uma ação concreta de integração por meio da educação , uma universidade pública, sustentada com recursos públicos brasileiros. Um investimento na integração. Os “civilizados” países europeus investem na desintegração, na submissão do mais fraco, na guerra, na demolição do Estado do Bem Estar Social. Por aqui, a licença maternidade amplia-se para 6 meses, as mamães recebem um ajuda do estado para amamentarem seus filhos no peito, um investimento estratégico do estado brasileiro em saúde das novas gerações. Que contraste!
Há quem reclame, aproveitando-se da escassa informação, de que apenas o Brasil entra com recursos e não recebe contra-partida alguma. Bastaria que a TV Brasil informasse que há uma integração que beneficia mutuamente os países, inclusive o Brasil. Exemplo: a hidrelétrica de Guri, no sul da Venezuela, fornece energia para Roraima, antes iluminada a diesel. Até recentemente, Manaus, para conectar-se por internet, precisava do uso de satélites, mas agora, com o acordo feito com a empresa estatal venezuelana CANTV, há internet por banda larga conectando o Amazonas e Roraima às demais regiões. Muita gente desdenhou quando Chávez propôs o Gasoduto do Sul integrando todo o continente, mas não desdenham do gasoduto que leva o gás russo para Itália, França, etc. Sem falar que o IPEA – que possui um Escritório em Caracas - foi solicitado pelo governo venezuelano a apresentar um programa de desenvolvimento regional integrando a Franja do Orenoco, onde provavelmente está um dos maiores mananciais de petróleo do mundo, ao sul da Venezuela e ao norte do Brasil, trazendo benefícios comuns às regiões dos dois países que padecem das desigualdades regionais.


Crescer todos


O Brasil também determinou uma nova repartição dos recursos de Itaipu Binacional com o Paraguai, representando um reforço orçamentário enorme para o país vizinho, que, por sua vez, alavancará a economia de toda a região, inclusive a indústria brasileira. Embora sócio da maior hidrelétrica do mundo, a capital do Paraguai ainda convive com cortes de eletricidade....
Entre Brasil e Argentina multiplicaram-se os acordos, já há operações de troca sem a presença do dólar, barateando custos, medidas que fazem parte de uma revisão estratégica que alcança até mesmo a política de defesa do Brasil, mudança simbolizada pela cooperação industrial bélica entre os dois países - impensável antes do Mercosur - e também pelo deslocamento de tropas das fronteiras do sul para as fronteiras do norte amazônico onde há enormes riquezas de nióbio, petróleo, urânio, permanentemente alvo de cobiça internacional. E como declaram militares brasileiros, só uma grande potência tecnológica e militar pode ameaçar a soberania da Amazônia Brasileira. Não será a Guiana, nem a Bolívia, nem a Colômbia, nem a Venezuela, muito menos o Suriname...

Celac e Brics
A Celac nasce sob a égide da integração, da cooperação, do diálogo democrático e da solidariedade. É apenas o começo, ainda, ainda são alicerces em construção, mas, está reforçada a idéia mestra consubstanciada na política externa brasileira inaugurada no Governo Lula: precisamos crescer todos, reduzir as assimetrias. Na Europa, os mais ricos estão engolindo os mais pobres.
A Celac surge como necessidade histórica diante de um cenário internacional de crise crescente do capitalismo, como também são crescentes o intervencionismo militar e os orçamentos do setor bélico. Desafios de igual magnitude dos compromissos assumidos em Caracas cercam a Celac. Haverá obstáculos, barreiras, a mídia colonizada anuncia forte contrariedade dos centros imperiais contra este novo organismo. Uma coordenação sempre mais ampla dos países da Celac com os Brics, conformando uma frente única mundial antiimperialista, desponta-se como necessidade imprescindível diante da agressiva voracidade dos impérios em crise, mas que nem por isso deixando de emitir sinais ameaçadores.
A Celac começa a virar a página dos Cem Anos de Solidão que trouxeram sombra do atraso e dependência para a América Latina e Caribe - uma época de solidariedade proibida - para abrir a nova página, a dos Cem Anos de Cooperação e da Integração. Este novo livro recém começa a ser escrito.

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* Beto Almeida
  Membro da Junta Diretiva de Telesur
  4/12/2011


04 dezembro, 2011

Muere Sócrates, el demócrata del fútbol






Entrevista:





Do El País


El estadio de Pacaembú a reventar, 37.000 gargantas alborotadas, voces perdidas entre el ruido, aficionados expectantes antes de la final del torneo paulista de 1983, entre el Corinthians y el São Paulo. De repente, un futbolista, estilizado, pelo rizoso, barbado, salta al campo solo, con el brazo alzado y una camiseta con mensaje. "Ganar o perder, pero siempre con democracia", se leía. Más gritos, más fuertes. Era Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieria de Oliveira (Belém, Brasil; 1954), el jugador de O Timao, todo un ídolo por su elegancia en el juego, por su filosofía de vida fuera de él, por un manual político valiente, rebelde. Era El Doctor. Querido por muchos porque siempre siguió a rajatabla su ideal, "el de ayudar a los demás", ha fallecido en el centro hospitalario de su país en el que permanecía ingresado a causa de un choque séptico de origen intestinal, provocado por una bacteria. Ha sido la consecuencia, en cualquier caso, de los excesos de muchos años con la bebida, algo que también defendió, aunque en los últimos años se recetara, con su ironía habitual, cerveza sin alcohol.

Sócrates, en mayo de 2011.- ANDRE PENNER (AP)


Para Sócrates el balón fue un adorno de los libros en su infancia, azuzado por su padre -admirador de los filósofos griegos- para que ejerciera una "profesión digna". Siempre le atrajo la medicina, pero su talento no estaba en las manos, sino en los pies, minúsculos (calzaba un 37; algo extraño en alguien de 1,93 metros) y un tanto deformados porque tenía un hueso desencajado en el talón, lo que le permitía tirar, por ejemplo, penaltis de tacón con una fuerza extraordinaria. Así que cuando se dio cuenta, con 23 años, era jugador del Corinthians y médico. "Sócrates Souza, pediatra", ponía en el cartel de bienvenida de su casa. Con los shorts azules y la camiseta ajustada, como en la época, Sócrates deslumbró al mundo en España 1982 con la afamada selección de Brasil -también fue el capitán en México en 1986-, que desplegó uno de los juegos más bellos y menos premiados. "Mala suerte y peor para el fútbol", convino el jugador a pie de campo, nada más ser eliminado por Italia (3-2) en la segunda fase, lo que se conoce como La tragedia de Sarrià. "No hay que jugar para ganar, sino para que no te olviden", insistió hace poco. Su selección lo consiguió, con ese fútbol alegre, un tanto despreocupado, de mucho toque, con Junior, Serginho, Zico, Eder, Falcao, Cerezo... En medio de cada ataque estaba Sócrates, siempre con la cabeza alta y los brazos caídos, enganche que danzaba hacia la derecha, que bien valía para distribuir el cuero que para lanzar paredes, que para soltar algún centro y llegar desde la segunda línea al remate.

No le fue bien al 8 salir de su país, al contrario que a su hermano pequeño Raí, que deslumbró en Francia (PSG) después de aupar al São Paulo de Telé Santana en la final de la Intercontinental contra el dream team de Cruyff en el 92. El Doctor no fue feliz siquiera cuando el Fiorentina desembolsó tres millones por él y puso a su disposición 18 billetes a Brasil por curso, dos coches y una mansión. A Sócrates le pudo la saudade y regresó a casa, al Flamengo, y luego al Santos. "El fútbol se agota pronto, por lo que le dedico mi tiempo. Ya vendrá mi otra pasión, lo que me gusta por encima de todas las cosas". Se refería a la medicina. Tampoco le fue demasiado bien, quizá porque sus ideas curativas eran demasiado transgresoras. Inquieto, sin embargo, probó como pintor, pero sin clientela ni críticas positivas se centró también en la música, donde compuso dos discos que se mantienen inéditos. "No se me daba muy bien", reconocía no hace tanto. Lo suyo era el fútbol. Por eso, en una última aventura, a los 50, bien cascado, fue durante un mes al Gartforth Town, club norteño de Inglaterra. Tiempos pasados; tiempos peores. Quizá porque, paradójicamente, ya no tenía el micro que le dio el fútbol, porque rechazó meterse en la política, por más que el expresidente Lula y otros se lo pidieran.

"Los futbolistas somos artistas y, por tanto, somos los únicos que tenemos más poder que sus jefes", argumentaba el centrocampista. De eso se dio cuenta en 1982, cuando junto a Wladimir y Casagrande, entre otros, además de Adilson Monteiro, el entonces director deportivo del Corinthians, ya cansados de la opresión de la dictadura militar de Figueiredo, decidieron crear un curioso sistema de democracia en el O Timao.

"Para mí", reflexionaba Sócrates; "lo ideal sería un socialismo perfecto, donde todos los hombres tengan los mismos derechos y los mismo deberes. Una concepción del mundo sin poder". Por eso defendió a ultranza lo que se conoció como la democracia corinthiana, forma de gobierno bajo el lema de "Libertad con responsabilidad", donde el club actuaba como una comunidad de personas en la que todos sus miembros, desde los suplentes o utileros hasta los más altos directivos, tomaban en conjunto todas las decisiones que los afectaban, y en la que todos los votos contaban por igual. La mayoría, el consenso, mandaba. Así, se establecieron los horarios de los entrenamientos, las comidas, las alineaciones, fichajes, despidos... todo. Incluso se aprobó la libertad de acción del futbolista a deshoras fuera de la cancha, nada mejor para Sócrates, que siempre defendió su derecho a fumar un cigarrillo tras otro, a beber. "El vaso de cerveza es mi mejor psicólogo", decía con esa voz susurrante, entremezclada con gallos. Entre otras cosas porque nunca le hizo falta correr demasiado; le alcanzaba con su cerebro, con sus pies.

Por más que lo defendiera, sin embargo, este admirador de Marx nunca fue uno más en el vestuario del Corinthians, club que se convirtió en la imagen de la revolución brasileña en contra de la dictadura, que ya estaba al final de su mandato. No era raro ver imágenes del equipo, ante sus 80.000 fieles seguidores, con pancartas antes de los partidos como "Democracia", "Quiero votar a mi presidente" y "Derechos ya". Ese el otro éxito del Corinthians, que se laureó con los campeonatos del 82 y, ya en Pacaembú, en 1983, el día de la final paulista ante 37.000 gargantas alborotadas, voces perdidas entre el ruido... Sócrates marcó el único gol, el del triunfo.

Mundial de España 1982. Brasil- Argentina,
el jugador brasileño Sócrates.
- RAÚL CANCIO




E aqui, via @Iavelar, todos os gols do Doutor: http://people.ufpr.br/~mmsabino/sstatistics/socrates.html


01 dezembro, 2011

Indígenas sofrem com altas taxas de suicídio

O tema não é novo... Em uma rápida googlada, encontrei vários estudos e notícias dando conta da alta taxa de suicídio entre as populações tradicionais do Brasil. A não novidade torna mais preocupante, pois sinaliza o pouco efeito que têm as políticas desenvolvidas pelo governo federal relativas ao povo que deveria ser o mais prezado deste país.  


Do Carta Capital


Protesto por direito ao uso de terra em áreas de conflito no Mato Grosso do Sul. Foto: Cimi

A taxa de suicído entre as populações indígenas do Brasil é quatro vezes maior do que no resto do país, segundo pesquisa veiculada pela Unicef nesta quarta-feira 30 de novembro. Um dos grupos analisados para a pesquisa foi justamento o Guarani Caiowá, alvo de chacina no último mês.

Mato Grosso do Sul e Amazonas concentram cerca de 81% dos casos de suicído do país. No primeiro, as taxas são 34 vezes maior do que a média nacional. O valor sobe ainda mais entre os jovens. O Brasil tem cinco casos de suicídio a cada cem mil habitantes; entre os jovens indígenas de MS, esse número chega a 446 casos para cada cem mil.

Assim, enquanto o Brasil tem uma das taxas mais baixas de suicídio da América Latina, essa relação se inverte quando se trata das populações indígenas. O estudo aponta que a discriminação sofrida pelos indígenas, assim como mudanças substanciais em seu entorno, como expansão das cidades e a especulação fundiária, como algumas das causas que levam a esses altos índices. Além disso, os jovens sentem-se impotentes para mudar a situação de suas comunidades.

Apenas em 2008, houve 17 suicídios no município de Amambia, onde vivem os Guarani Kaiowá. Destes nove eram adolescentes. Na cidade de Dourados, também no Mato Grosso do Sul, foram 25 no mesmo período. Oito eram adolescentes.

Leia também:

http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/embriaguez-indigena
http://www.hcnet.usp.br/ipq/revista/vol30/n1/4.html
http://assets.survivalinternational.org/documents/208/Survival_Guarani_Report_Portuguese-2.pdf
http://oglobo.globo.com/pais/mato-grosso-do-sul-registra-suicidio-de-um-indio-cada-dez-dias-3122528
http://www.bvsde.paho.org/bvsacd/cd26/fulltexts/0407.pdf
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-311X2001000200005&script=sci_arttext
http://pib.socioambiental.org/pt/povo/zuruaha/989
http://pib.socioambiental.org/pt/noticias?id=94770


Celac: Um parto de 200 anos


Do La Pupila Insomne



Mañana se inicia en Caracas una jornada histórica de nuestra América. Los 33 jefes de Estado y gobierno de la región dejarán constituida la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños(Celac), organización de concertación política e integración que reúne por primera vez a esos Estados exclusivamente. Han debido transcurrir dos siglos del inicio de nuestras gestas independentistas, de que Bolívar plasmara en la Carta de Jamaica(1815) el sueño “de formar de todo el mundo nuevo una sola nación con un solo vínculo que ligue todas sus partes entre sí y con el todo”, 185 años del Congreso de Panamá, postrer intento del Libertador de hacer realidad aquel sueño; 120 años desde que Martí abogara en “Nuestra América” por el mismo objetivo: “¡los árboles se han de poner en fila para que no pase el gigante de las siete leguas¡”
La constitución de la Celac es el reflejo institucional de un nivel cualitativamente superior en la larga lucha de los pueblos de América Latina y el Caribe por su emancipación, integración y unidad. Expresa también la creación de una correlación regional y mundial de fuerzas bastante más desfavorable al ejercicio de la hegemonía de Estados Unido de la existente hasta fines de la década de los noventas cuando la fiesta neoliberal parecía interminable y algunos llegaron a creerse la fábula del fin de la historia.
Grandes movimientos populares antineoliberales al sur del río Bravo y sus combativas luchas condujeron al surgimiento de un conjunto de gobiernos con vocación social y más independientes de Washington. Estimularon la elevación de la conciencia latinoamericanista, antimperialista e incluso anticapitalista en nuestra región. La victoria electoral de Hugo Chávez en Venezuela y la derrota del golpe de Estado y el golpe petrolero de 2002 -orquestados por Bush y Aznar- marcaron el giro hacia la configuración del actual escenario geopolítico de América Latina, impulsado por la heroica  resistencia de Cuba y consolidado por la llegada de Lula da Silva a la presidencia de Brasil y   Néstor Kichner a la de Argentina. La derrota del Alca en Mar del Plata, plan de recolonización yanqui de América Latina y el Caribe, marcó un hito histórico en la segunda independencia de América Latina y un punto de no retorno.
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