10 maio, 2012

SP: Tucanos querem vender 25% do SUS

por @conceicao_lemes 

Imagem do Limpinho e Cheiroso


Lei paulista que autoriza venda de 25% dos leitos do SUS a planos de saúde será julgada na próxima terça


Importante batalha para o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS) vai ser decidida na próxima terça-feira, 15 de maio, no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Os desembargadores José Luiz Germano, Cláudio Augusto Pedrassi e Vera Angrisani julgarão, da Segunda Câmara de Direito Público do TJ-SP, julgarão o recurso do governo paulista contra a decisão do juiz Marcos de Lima Porta, da 5ª Vara da Fazenda Pública, que derrubou a lei nº 1.131/2010.

A Lei da Dupla Porta, como é conhecida, permite aos hospitais públicos geridos por Organizações Sociais de Saúde (OSs) vender 25% dos seus leitos e outros serviços a planos privados de saúde e particulares.

“A lei 1.131/2010 lesa o direito do cidadão à saúde. É a terceirização-privatização da saúde em São Paulo”, denuncia o médico pediatra e de Saúde Pública Gilson Carvalho, que convoca entidades de saúde e sociedade civil. “Ajamos já contra a usurpação de 25% dos serviços dos SUS para servir às organizações sociais.”

“Esperamos que os desembargadores decidam pela defesa da população usuária do SUS e não permitam a destinação de leitos do SUS a particulares e usuários de planos de saúde”, defende o médico Renato Azevedo Júnior, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). “Os contratos entre operadoras de planos de saúde e OSs que administram hospitais estaduais poderiam, com respaldo da ‘lei da dupla porta’, privilegiar a assistência aos pacientes de convênios e particulares, em detrimento dos usuários do sistema público.”

“A lei 1.131/2010 é injusta, inconstitucional, vai contra a ética médica e está errada do ponto de vista ético-social”, acrescenta Azevedo. “Fatalmente ela levará à dupla fila; será uma forma dos pacientes particulares e de planos de planos de saúde de furar a fila no SUS.”

Pela “porta 1”, entram os usuários do SUS. Pela “porta 2”, apenas os conveniados e particulares. O argumento dos defensores da dupla-porta é que o pagamento dos serviços ajudaria a pagar a conta dos doentes do SUS.

A questão é que, nas mesmas instituições públicas, pacientes SUS têm diagnóstico e tratamento mais tardios do que conveniados ou particulares para males idênticos. E aí está x do problema, até porque esses hospitais foram construídos com recursos do SUS.

“ A lei 1.131/2010 é uma política Robin Hood às avessas, tira dos mais pobres para dar às empresas privadas de saúde e aos mais abastados”, denuncia o médico Arthur Chioro, presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems-SP) e secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, no Grande ABC. “Reduz em até 25% a capacidade dos hospitais públicos que hoje já é insuficiente para atender aos usuários do SUS. É uma afronta às constituições estadual e federal. É uma lei anti-SUS [Sistema Único de Saúde]. Os planos de saúde vão economizar e paulistas pagarão a conta.”


A Lei da Dupla Porta é o maior ataque desferido contra o SUS desde o PAS [Plano de Atendimento à Saúde], do Maluf, que, da mesma forma, entregou os serviços públicos ao setor privado.

SERRA, GOLDMAN E ALCKMIN CONTRA O CLAMOR DA SOCIEDADE CIVIL

Teoricamente as OSs são entidades filantrópicas. Só que, na prática, funcionam como empresas privadas, pois o contrato é por prestação de serviços.

A lei de OSs, de 1998, estabelecia que apenas os novos hospitais públicos do estado de São Paulo poderiam passar para a administração das OS. Porém, uma lei de 2009, do então governador José Serra (PSDB), derrubou essa ressalva. Ela permite transferir às OSs o gerenciamento de todos os hospitais públicos do estado.

Em 2010, a lei 1.131 do então governador Alberto Goldman (PSDB), aprovada pela Assembleia Legislativa paulista autorizou os hospitais gerenciados por OSs a vender 25% dos seus leitos dos SUS privados de saúde e particulares. Em julho de 2011, ela foi regulamentada pelo atual governador Geraldo Alckmin (PSDB) e passou a valer.

Só que, em agosto de 2011, atendendo à representação de mais de 50 entidades da sociedade civil, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP), por meio dos promotores de Justiça Arthur Pinto Filho e Luiz Roberto Cicogna Faggioni, da Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos – Área de Saúde Pública, deram entrada na Justiça de ação civil pública contra a Lei da Dupla Porta, com pedido liminar.

O juiz Lima Porta acatou a representação do MPE-SP e concedeu a liminar, proibindo a venda de 25% dos serviços do SUS a planos privados de saúde. A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo recorreu da decisão, mas o desembargador José Luiz Germano negou o agravo. Alguns trechos da decisão histórica, que na próxima terça-feira será julgada.

“A saúde é um dever do Estado, que pode ser exercida por particulares. Esse serviço público é universal, o que significa que o Estado não pode distinguir entre pessoas com plano de saúde e pessoas sem plano de saúde. No máximo, o que pode e deve ser feito é a cobrança contra o plano de saúde. Para que isso ocorra já existem leis permissivas…”

“A institucionalização do atendimento aos clientes dos planos particulares, com reserva máxima de 25% das vagas, nos serviços públicos ou sustentados com os recursos públicos, cria uma anomalia que é a incompatibilização e o conflito entre o público e o privado, com as evidentes dificuldades de controle”.

“O Estado pretende que as organizações sociais, em determinados casos, possam agir como se fossem hospitais particulares, mesmo sabendo-se que algumas delas operam em prédios públicos, com servidores públicos e recursos públicos para o seu custeio! Tudo isso para justificar a meritória iniciativa de cobrar dos planos de saúde pelos serviços públicos prestados aos seus clientes? Porém, é difícil entender o que seria público e o que seria privado em tal cenário. E essa confusão, do público e do privado, numa área em que os gastos chegam aos bilhões, é especialmente perigosa, valendo apena lembrar que as organizações sociais não se submetem à obrigatoriedade das licitações nas suas aquisições”.

“O paciente dos planos de saúde tem a sua rede credenciada, que não lhe cobra porque isso já está embutido nas mensalidades. Se ele precisar da rede pública, poderá utilizá-la sem qualquer pagamento, mas sem privilégios em relação a quem não tem plano. A criação de reserva de vagas, no serviço público, para os pacientes de planos de saúde, aparentemente, só serviria para dar aos clientes dos planos a única coisa que eles não têm nos serviços públicos de saúde: distinção, privilégio, prioridade, facilidade, conforto adicional, mordomias ou outras coisas do gênero”.

Em tempo 1. Entre as entidades que estão contra a Lei da Dupla Porta, figuram: Conselho Nacional de Saúde (CNS), Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems-SP), Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), Associação Paulista de Saúde Pública (APSP), Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes), Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo - Cress SP, 9ª Região, Fórum das ONG Aids do Estado de São Paulo, Grupo de Incentivo à Vida (GIV), Grupo Pela Vidda-SP, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Associação Nacional dos Médicos Residentes (Instituto de Direito Sanitário Aplicado (Idisa), Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN) e Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).

Em tempo 2. Se os usuários de planos de saúde acham que o problema não lhes diz respeito, pois acreditam que serão atendidos nesses hospitais de excelência e alta complexidade, sinto desapontá-los.

Primeiro, nem todos os planos serão aceitos. A tendência é os contratos serem fechados com os planos melhores; os demais, ficarão a ver navios, como já acontece nos hospitais públicos de ensino que atendem convênios e particulares.

Segundo, hoje, vocês têm condições de arcar com os custos de um bom plano. Mas quem garante que amanhã continuará a ter? Todos nós estamos sujeitos às trombadas da vida, portanto pensar solidariamente hoje nos que precisam, pode beneficiar vocês, mesmos, no futuro.


As consequências morais de um veto suspeito

por Saul Leblon



O mesmo personagem que por cinco horas fará acusações ao governo Lula, a membros do seu ministério e a integrantes do PT, no processo denominado de 'mensalão', obstruiu durante dois anos e sete meses uma operação da Polícia Federal cujos dados, a ele apresentados em 2009, já seriam suficientes para a abertura de inquérito e prisão de vários membros da quadrilha de Carlos Cachoeira, entre eles o senador Demostenes Torres. 

O nome desse personagem obstrutivo é Roberto Monteiro Gurgel Santos, Procurador Geral da República. No dia 15 de setembro de 2009 ele incumbiu a própria esposa, subprocuradora Claudia Sampaio, de informar a um perplexo delegado da PF, Raul Alexandre Marques Souza, que não cabia a abertura de processo com base nos dados arrolados pela Operação Vega.

Desqualificava-se assim juridicamente a continuidade de uma minuciosa investigação que reuniu quase 1.400 horas de gravações telefônicas e constatou a endogâmica relação entre o crime organizado e a corrupção política, ambos abrigados em uma engrenagem --dotada de orgânica presença de um braço midiático - com atuação decisiva na gênese dos acontecimentos geradores, justamente, das denúncias do chamado 'mensalão'.

O veredito do casal Gurgel significou do ponto de vista legal um interdito à continuidade da Operação Vega. Seria necessário uma nova investigação sigilosa, a Monte Carlo, para que fatos anteriormente conhecidos, agora vazados primeiramente na mídia, impelissem o senhor Gurgel às providências judiciais competentes - o que ocorreria em 27 de março último.

Esses são os dados da equação que define o jogo político nos dias que correm. Eles estão ancorados no depoimento seguro e contundente do próprio delegado Raul Alexandre Marques Souza à CPI Mista que investiga a quadrilha Cachoeira. Esse encadeamento de fatos tem consequências morais; elas arguem o coração dos atributos requeridos de um Procurador Geral dos interesses republicanos: a isenção.

Homem Bom frustrou ignominiosa trama sinistra do PT


HUMOR (é bom avisar, né?)

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10/05/2012
By 
bob


O deputado e Homem Bom Bob Freire descobriu, ao ler no sítio noticioso G17 que, na surdina, o [ des ] governo do PT, em conformidade com a velha cartilha estalinista do culto à personalidade do tiranete da vez, dera ordens à Casa da Moeda para que a inscrição “Deus seja louvado” das cédulas de Real fosse substituída pela infame “Lula seja louvado” ( sic ).

Evidentemente indignado com tal ousadia, o exemplar repulicano não se conteve e “tuitou”: “Isso é uma ignomínia!”  Não há como discordar, lógico.

Bob, a única voz que alevantou-se contra esta tramóia sórdida, urdida nas penumbras do Poder, foi prontamente rechaçado. Não tardou para que as baterias se voltassem contra o denunciante, como é de praxe quando alguém ousa questionar o governo marxista que há tanto castiga a Nação.

Rapidamente, o governo botou a Milícia Internética Governista ( sigla = “MIG” ) para trabalhar. Blogs sujos e tuiteiros, a soldo dos mensalões, dólares e Cuba e petrochavodólares dedicaram considerável esforço, no intuito de ridicularizar e enxovalhar a reputação de um dos poucos homens sérios na política deste triste Bananal. Chegaram a dizer que o sítio G17 era um sítio de humor que publicava notícias falsas.
É de se estranhar, então, o gasto de tanta energia e dedicação para tripudiar sobre um Homem Bom, sendo que o que estaria em questão era uma hipotética notícia falsa. A conta não fecha, isto ficou bastante claro.

De qualquer forma, com suas denúncias, Bob usou de sua força e prestígio, arregimentou milhões de opositores a essa terrível ignomínia, e o governo na Búlgara Escarlate abortou o malévolo plano. A mídia petista, como sempre, abafou o caso.
Mas é isso: “O preço da Liberdade é a eterna vigilância.”


09 maio, 2012

Veja, como o crime organizado faz jornalismo

A aliança da revista Veja com o crime organizado rendeu denúncias que reverteram em ganhos econômicos para a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira e seus aliados políticos

Editorial da edição 480 do Brasil de Fato
09/05/2012

Drugs, gambling, prostitution and the Mafia 

A Operação Monte Carlo, desencadeada pela Policia Federal (PF) para desbaratar a quadrilha comandada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, já é merecedora de um mérito: publicizou o conluio de setores da grande mídia com o crime organizado para alcançar objetivos econômicos e políticos.

As investigações da PF, com informações documentadas e já amplamente divulgadas, atestam que o bicheiro utilizava a revista Veja, do grupo Abril, para disseminar perseguições políticas, promover suas atividades econômicas ilegais, chantagear, corromper e arregimentar agentes públicos. A revista se prestava a esse esquema de coação e chantagem do bicheiro.

Em troca, a revista da família Civita recebia do contraventor informações, gravações e materiais – na maioria das vezes obtidas de formas criminosas – que alimentavam as páginas da publicação, para destilar seu ódio e preconceito contra seus adversários políticos, principalmente os do campo do PT.

A aliança da revista Veja com o crime organizado rendeu denúncias que reverteram em ganhos econômicos para a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira e seus aliados políticos – os contratos da construtora Delta com governos estaduais precisam ser profundamente investigados – e se constituíram em instrumento de pressão e amedrontamento de autoridades públicas. Dessa forma, consolidaram um esquema criminoso, milionário, com ramificações privadas e públicas, nas três esferas da República.

O conluio, mais do que reportagens jornalísticas, rendia conspirações políticas e econômicas.

O acinte à democracia do país alcançou ao nível de planejar a desestabilização e queda do presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff. Enquanto Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes (ex-Dem) gargalhavam por fogo no país, a revista projetava o senador como o prócer da moralidade pública, com perspectivas de vir a ser candidato à presidência da República. Era o crime organizado, com a participação do Grupo Abril, tramando desestabilizar governos e tomar conta da máquina estatal.

No entanto, a revista Veja era pequena e insignificante para os objetivos que o conluio se propunha alcançar. Precisava de ajuda. Os telejornais da Rede Globo se prestaram a dar a ajudava de que necessitavam. Com sua peculiar e esculachada crítica, o jornalista Paulo Henrique Amorim sintetiza a mútua ajuda que se estabeleceu: “o Jornal Nacional não tem produção própria. A revista Veja não tem repercussão nacional. O crime organizado se organiza na Veja e se expande no Jornal Nacional”. Em um jornalismo sem ética, sem compromisso com a verdade e interesses públicos, que se dane a verdade factual. O que interessa, para esse tipo de jornalismo, é a versão dos fatos que atendam aos interesses dos que mantém o monopólio da informação.

Sempre que é questionada por praticar esse tipo de jornalismo, a mídia se defende afirmando que tem a capacidade de se autorregulamentar. O conluio Veja-crime organizado sepultou essa tese. Até esse momento impera o silencio da mídia burguesa sobre os vínculos da revista com a organização criminosa do bicheiro.

O jornalista Jânio de Freitas, um dos mais renomados colunistas da Folha, fez uma detalhada radiografia da organização montada pelo contraventor e suas extensas ramificações. Não disse uma única palavra das suas ramificações com a mídia. Mais do que escreveu, a sabuja lacuna do seu artigo evidenciou o medo que impera entre o patronato da grande mídia e a capacidade desse lamaçal engolir, inclusive, jornalistas decentes.

Ao pacto de não noticiar a promiscuidade do grupo Abril com o crime organizado juntam-se, agora que a CPMI está instalada, os esforços para evitar que os que se beneficiaram com a organização criminosa do Carlinhos Cachoeira sejam convocados a dar explicações no Congresso Nacional e para sociedade.

O deputado federal Miro Teixeira (PDT/RJ) articula um pretexto jurídico para impedir a convocação de jornalistas e proprietários das empresas de comunicação envolvidas nas atividades criminosas do bicheiro.

Um dos mais altos executivos do grupo Abril já perambulou pelos corredores e gabinetes do Congresso numa tentativa de evitar que seu patrão, Robert Civita, tenha que prestar esclarecimentos na CPMI. A Globo, fato noticiado, enviou um mensageiro para informar (ou seria ameaçar?) o Palácio do Planalto: se o empresário Robert Civita for convocado pela CPMI, os meios de comunicação declaram uma guerra sem limites contra o governo.

É de lamentar que a Rede Globo não tenha a coragem de publicar essa posição política nos editoriais dos seus jornais e divulgá-la em seus telejornais.

Caso os parlamentares da CPMI se rendam às pressões dos grupos empresariais da mídia, estarão sendo coniventes com práticas criminosas e institucionalizado duas categorias de cidadãos nesse país: os que podem ser convocados para depor numa CPMI e os que não devem ser convocados.

Há um enorme volume de informações e provas que atestam que setores da mídia estão envolvidos com atividades de organizações criminosas e que atentaram contra a democracia do nosso país. É inadmissível que os que participaram ativamente na organização criminosa, e dela se beneficiaram, não sentem no banco dos réus alegando, unicamente, a condição de serem patrões.

O Congresso Nacional instalou, atendendo os anseios da sociedade, uma CPMI para investigar as atividades do crime organizado com suas ramificações na mídia e nas três esferas da estrutura do Estado. Os parlamentares que compõe essa CPMI tem a responsabilidade de não frustrar a sociedade, apurar os fatos com profundidade e criar as condições para que seus responsáveis prestem contas à justiça, além de legar ao país uma legislação que, ao menos, iniba essa prática de jornalismo associado com o crime organizado. A Lei dos Meios de Comunicação é cada vez mais necessária e inadiável.


Regulamentação de mídia pelo bem da democracia

Imagem: JornalismoB


do Sul21
por José Dirceu


São graves os indícios de envolvimento de parcela da mídia com esquemas criminosos comandados pelo contraventor Carlinhos Cachoeira. As suspeitas que pairam sobre a revista Veja, que teve funcionário de alta posição captado em escutas telefônicas da Polícia Federal no bojo da investigação sobre Cachoeira, precisam ser investigadas a fundopela CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito). Afinal, a publicação deixando-se pautar por interesses criminosos para montar reportagens com o intuito de atingir adversários políticas é fator de preocupação em relação ao tratamento das informações.

O que já foi divulgado até agora reascende novamente a questão da necessidade de promovermos, com urgência, a regulamentação dos meios de comunicação no Brasil. A construção de um marco regulatório para os meios de comunicação ainda é objeto de tabu.

A dificuldade em abordar a questão se dá, em grande parte, porque essa mesma parcela da mídia se esmera em confundir o público, afirmando que a regulamentação é sinônimo de censura e de cerceamento da liberdade de expressão, ardilosamente tratada só como liberdade de imprensa. Isso não faz nenhum sentido, pois estipular regras para o exercício de uma atividade profissional não impede a sua prática.

A regulamentação do setor existe nos países que são referências de regimes democráticos e, a despeito do que dizem as vozes contrárias, confere maior transparência à atividade, ao valorizar os princípios constitucionais da liberdade de opinião, do respeito aos direitos de resposta, de imagem, de privacidade e da presunção da inocência, que devem ser observados por todos os cidadãos e também pela imprensa —por que não?

Evidentemente, a regulamentação coloca em xeque os interesses dos grandes barões da mídia, que querem manter seus oligopólios de comunicação a qualquer custo. Mas a sociedade brasileira não pode mais arcar com o ônus de uma imprensa que deturpa, constrange, desinforma e alia-se a grupos econômicos poderosos, contrariando não só os mais elementares princípios éticos, mas também o bom senso e a inteligência de seus leitores.

Não podemos mais nos sujeitar a uma imprensa que faz o que quer, da forma que quer, muitas vezes, com o único objetivo de desestabilizar governos, prestando um desserviço ao país.

Precisamos, pelo bem da democracia, fazer como os ingleses que, depois do escândalo que revelou os crimes do magnata Rupert Murdoch, dono do conglomerado de mídia News Corporation, estão discutindo não só a questão regulatória e o trabalho do OFCOM (órgão regulador independente), mas também regras de concessão para que emissoras de rádio e TV exerçam suas atividades com imparcialidade jornalística.

A exposição dos crimes de Murdoch serviu para mostrar à sociedade inglesa que o monopólio é o grande predador da liberdade. O império de Murdoch está em vários continentes e é proprietário de 40% dos jornais do mundo. Além de controlar os veículos, os grupos multinacionais de comunicação constituem-se poderosos negociadores de interesses, arrastando consigo nesta rede profissionais da comunicação, políticos e empresários.

O Brasil só tem a ganhar ao debater e estabelecer uma legislação para os veículos de imprensa, pois estamos tratando do direito fundamental à comunicação, que deve se traduzir na oferta de informação de qualidade e servir à diversidade e à pluralidade, ampliando a participação de outras vozes no debate público do Brasil.
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José Dirceu, 66, é advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

08 maio, 2012

A Copa de 2014 e um conflito anunciado no bairro Cristal, em Porto Alegre

Por Everton Rodrigues (*)



maio 7, 2012

Solicito ajuda e apoio a todas as amigas e amigos no facebook, twitter e blogs para divulgar o que está acontecendo conosco para o máximo de pessoas. Os fatos relatados a seguir mostram que a prefeitura de Porto Alegre vem praticando violência contra moradores do Cristal, colocando vidas em risco. Infelizmente, a Justiça vem fechando os olhos para a nossa situação e, por isso, só nos resta resistir. Estamos recorrendo a todos os meios para uma solução pacífica, mas se a Prefeitura recorrer à força para nos retirar de nossas casas (como prevê a última decisão judicial), seremos obrigados a resistir contra a violência.

Pretendo aqui tornar nítida a situação de conflito em que se encontra a comunidade Cristal, a partir do projeto Socioambiental (PISA), atrasado há 8 anos, que em função das obras da Copa 2014 e da campanha para a reeleição do prefeito José Fortunati, quer alcançar seus objetivos nem que, para isso, tenha que passar por cima de pessoas. Antes de mais nada, é importante dizer que todas as afirmações aqui descritas são comprovadas com documentos, vídeos e fotos.

Algumas considerações iniciais:

1 – O Projeto Socioambiental (PISA) está atrasado há 8 anos;

2 – Em 2011, mudanças no projeto ocasionaram erros na obra do Socioambiental (PISA) na comunidade da Hípica. Um acidente acabou matando dois operários e ferindo outros nove;

3 – Em 2011, as máquinas a serviço do Socioambiental provocaram rachaduras em inúmeras residências na comunidade Nossa Senhora das Graças, e ainda hoje, muitas famílias convivem com rachaduras, piso cedendo e o medo de suas casas desabarem;

4 – A Prefeitura de Porto Alegre mudou a rota da obra e cometeu erros nas previsões, passando por baixo das residências sem qualquer aviso prévio aos moradores e aos assistentes sociais do projeto Socioambiental. No dia 16 de abril, a máquina colidiu em uma pedra e ocasionou um tremor do solo e o rompimento dos canos da rede de saneamento das casas, colocando mais uma vez vidas em risco;

5 – Há um ano iniciou-se um movimento em defesa da moradia digna e a permanência no bairro Cristal. O Comitê Popular da Copa surgiu para defender os diretos da(o)s moradora(o)s ameaçados em função das obras aceleradas pela copa do mundo, e agora o processo de articulação está intensificando-se a partir do descaso da prefeitura e das pressões deflagradas pelas obras;

6 – A prefeitura de Porto Alegre, o prefeito José Fortunati, a empresa ComTerra e o Dmae estão brigando com a verdade e com os fatos descritos acima. Infelizmente, a juíza Lílian Cristiane Siman, da 5a Vara do Foro Central, ficou ao lado da Prefeitura, mesmo diante de inúmeros erros cometidos pelo poder público. A decisão da Justiça vem de encontro aos direitos que a comunidade do Cristal considera ter. O prefeito conta também com o apoio da grande mídia comercial que, na maioria das vezes, divulga apenas a versão da prefeitura;

7 – Contra o abuso de poder, as duas famílias que movem a ação em questão contam com o o apoio da comunidade do Cristal organizada, de suas lideranças locais, das vereadoras Sofia Cavedon e Maria Celeste e do vereador Carlos Todeschini, além de blogs e das redes sociais.

8 – Ao contrário do que afirma a prefeitura, o conflito a partir dos constantes erros no projeto Socioambiental não é somente com duas famílias que processam o poder público, e sim com as comunidades Icara I, Icarai II, Nossa senhora das Graças e Hípica, e se alguém duvidar de qualquer afirmação aqui feita, basta comparecer nas comunidades e apurar os fatos.

9 – Confira o vídeo da plenária do OP Cristal, no dia 2 de maio. Após as 12 falas da comunidade, o prefeito José Fortunati, finaliza a plenária do OP de uma forma desqualificada e despolitizada, batendo “bate-boca” com moradores e tentando associar as falas da comunidade a interesses eleitorais e partidários. Ele não respondeu e muito menos deliberou encaminhamentos para as demandas apresentadas pelos moradores. Apenas assumiu o compromisso que “nenhuma família seria despejada em seu mandato em função de obras”. Em menos de 48h quebrou tal promessa, ao entrar com ação contra 2 famílias, por meio do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae).

Assista alguns vídeos com as falas da(o)s moradora(o)s:

1 – Everton Rodrigues
2 – Irmã Conceição
3 – Renato Maia
4 – Noeli
5 – Conselheiro Lenemar Barros
6 – Conselheira Jurema Barbosa


10 – Na audiência de conciliação, a juíza Lílian Cristiane Siman fez a escolha de um cenário favorável à prefeitura e agora tentam repassar a responsabilidade dos erros da prefeitura para os moradores. Na audiência a juíza alegou que as moradoras estão “atrapalhando o andamento” da obra, utilizando-se da mesma lógica utilizada pela prefeitura em nota pública emitida antes da sentença de segunda-feira;

Diante de tudo isto, conclui-se que este caso, é mais uma prova da incompetência da prefeitura de Porto Alegre, que neste projeto vem cometendo erros graves, e agora tenta enganar as pessoas utilizando-se de todo o poder estatal. Mas, do lado da comunidade do bairro Cristal, surge um movimento de resistência que se fortalece a cada dia. A prefeitura quer continuar suas obras para tornar o Cristal uma zona nobre, e para isso, passará por cima de pessoas se preciso for ou levará as pessoas para o mais longe possível. Por isso, temos um conflito anunciado. Teremos um #Pinheirinho em Porto Alegre? Acreditamos que estamos corretos e iremos lutar até o fim.
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(*) Morador do bairro Cristal

07 maio, 2012

A revista Veja e o Complexo de Demóstenes

Do Correio do Povo





Freud não viveu o suficiente para descobrir uma nova categoria: o complexo de Demóstenes.
Ou seria síndrome?
Toda vez que uma pessoa ou veículo de comunicação se apresenta como paladino da ética, tem rabo preso.
A reportagem da TV Record, no Domingo Espetacular, diagnosticou o complexo de Demóstenes da revista Veja.
Agora já se sabe a quem Policarpo Jr. obedecia: ao seu publisher, um certo Carlinhos Cachoeira.
Uma coisa é usar um larápio como fonte, outra é ser manipulado por uma fonte larápia.
Outra ainda é ser seletivo: deixar plantar denúncias contra um lado só.
A Veja de Carlinhos Cachoeira é rastaquera.
Isso não transforma mensaleiros em anjinhos nem apaga imagens de dinheiro na cueca.
Mostra que o buraco é mais embaixo.
Um rombo na capa da revista mais lida em consultórios de dentista, em qualquer tema de interesse social, como as cotas, perfilada com o Dem ou, nos seus arroubos “esquerdistas”, atrelado ao tucanato paulista aliado do Dem.
Agora, ao menos, já se sabe quem era o diretor secreto da Veja.
Deve ser por isso que não saiu uma capa com Cachoeiro e Demóstenes de pijama listrado e um par exclusivo de algemas para cada um.
Policarpo pode ganhar um desses prêmio fajutos. Por exemplo, o repórter que cultivava bem as fontes, que, em retorno, plantavam o que queriam nas suas costas.
Num processo, ele poderia usar este argumento: fui um inocente útil.
Cachoeira não tem dúvida da sua utilidade.

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Leia também : 

A histeria em torno de Hollande (por Paul Krugman)

Paris um pouco mais rosada


por Paul Krugman 
do Estadão

Em cada um de seus artigos, o FT de hoje só fala de Hollande. Alguns dos textos são razoáveis; outros, no entanto, são mais parecidos com este artigo de Josef Joffe, no qual ele declara que a provável vitória de Hollande representa “uma perspectiva desanimadora para todos, a não ser os novos keynesianos e os velhos socialistas”.

Talvez eu devesse me sentir lisonjeado pelo fato de Joffe considerar que o grande debate seja travado entre os falcões da austeridade e… eu. Mas ele diz que se trata de um debate “cansado” – porque debater as formas de combater o desemprego em massa torna-se simplesmente maçante, sabem?

Ainda assim, Joffe tem sua utilidade enquanto indicador da opinião alemã, que diz, basicamente, `conseguimos nos tornar competitivos e restaurar o crescimento; o que impede os demais de seguir o mesmo rumo?’ Ele consegue omitir o fato de que a recuperação alemã na década de 2000 foi impulsionada por uma expressiva guinada no sentido de um superávit comercial; será que todos devem fazer o mesmo, ao mesmo tempo? Como se diz “argumentação fraudulenta” em alemão?

Philip Stephens apresenta uma ótima reação contra a histeria em torno de Hollande:


“Na sua capa, a influente revista The Economist declarou que o sr. Hollande é `perigoso’ – embora, sendo britânica, tenha acrescentado a este epíteto pouco elogioso a locução `um pouco’. A revista observou que o candidato à presidência `acredita genuinamente (grifo meu) na necessidade de se criar uma sociedade mais justa’. Ora, o que poderia ser mais perigoso do que isto?”

“Este tipo de alarmismo toma como base premissas curiosas: a de que o passado nos ensina que os governos não devem jamais interferir nos mercados; e a de que a atual estratégia econômica da Europa tem sido um estrondoso sucesso tanto na reconstrução das finanças públicas quanto na restauração do crescimento econômico.”


E Wolfgang Munchau se mostra cautelosamente esperançoso, como eu.


06 maio, 2012

O bandido e a revista

Quem já trabalhou em jornal (tv ou rádio) sabe que vez por outra nos chegam às mãos denúncias. Nem sempre quem as faz é exemplo de ética, mas essas informações, não raro, servem como pontapé inicial para sair atrás e algumas vezes aquela conversa, ou papel, vira uma boa matéria, que traz a público o que muita gente nem gostaria ... Acontece e é ético. Mas saber do mau caráter de alguém, e dos interesses que essa pessoa tem com a publicação de algo,  e usar essa pessoa como fonte de capas e capas de um dos maiores - e até poucos anos atrás respeitado - veículo de comunicação do país, é o quê?

Assista reportagem apresentada pela Record, com gravações feitas pela PF, mostrando a relação promíscua entre o bandido e a revista.
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Do R7




O jornalístico da Record teve acesso às gravações de telefonemas entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso acusado por 15 crimes de contravenção, o diretor da revistaVeja em Brasília, Policarpo Júnior, e mostra o esquema em que o contraventor controlava o que seria publicado na principal revista da editora Abril.

Os documentos a que o Domingo Espetacular teve acesso com exclusividade trazem provas de que as informações trocadas entre Cachoeira e o diretor da Veja resultaram ao menos em cinco capas da revista de maior circulação do país.

As gravações registram ainda que a influência esbarra em outras esferas do poder, como na pressão para demissão da cúpula do Ministério dos Transportes, que havia se desentendido com um dos aliados do contraventor, a construtota Delta. Por meio do que Cachoeira passava para ser publicado na Veja, vários funcionários do ministério foram afastados.

Cachoeira se orgulha de “plantar” notícias na Veja em benefício próprio e sabe até quando determinadas matérias sairão.  

A revista ainda não se manifestou com clareza em relação ao caso. O diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, publicou na Internet artigo sem citar nomes em que afirma que “ter um corrupto como informante não nos corrompe”.

A reportagem do Domingo Espetacular ouviu especialistas, que registraram grave problema ético no tipo de jornalismo praticado pela Veja diante de tantas ligações criminosas.
O professor Laurindo Leal Filho, da USP, avalia que o controle da publicação não pode ser da fonte.
— O jornalista pode e deve falar com qualquer tipo de fonte desde que tenha o controle sobre a publicação e a matéria que ele está fazendo. Quando ele oferece à fonte o controle (...), ele rompe os limites éticos.
O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Celso Schroder, critica o envolvimento da Veja no escândalo do Cachoeira.
— Nesse caso, houve uma relação promíscua muito intensa, unilateral.
O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) acredita que a CPI do Cachoeira, que começou os trabalhos na semana passada em Brasília, deve convocar não apenas o jornalista Policarpo Júnior, mas também o responsável pela editora que publica Veja, Roberto Civita.
— Na minha opinião, ele é o principal responsável. Ele é o dono dessa revista, e ele operou com vontade.


A Revolução dos Bichos

Irresistível a dica do @hermespradojr, do @EduPavão e da @Maramandrea









05 maio, 2012

Veja, um caso sério

por Mauricio Dias 
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Desde 1996, Marcus Figueiredo investiga os processos eleitorais a partir da cobertura feita pelos jornais Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo. Nesse período, Figueiredo, agora coordenador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), reuniu evidências sólidas para poder afirmar com segurança: “Há certa resistência, da parte dos jornalistas, em admitir a legitimidade da análise de mídia. Os próprios meios dedicam pouco espaço ao tema”.

Antes e depois. Lula eleito, a mídia mergulhou na oposição 

Há poucos dias, no entanto, o veterano jornalista Merval Pereira, de O Globo, quebrou essa regra não escrita e se dedicou ao tema. Saiu em defesa da revista Veja, envolvida com questões do receituário da CPI.

“O relacionamento de jornalistas da revista Veja com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e seus asseclas nada tem de ilícito”, assegurou Merval.

Essa afirmação vigorosa se sustenta em bases frágeis. Merval enalteceu o “jornalismo investigativo” praticado na revista. Veja, no entanto, foi parceira de um jogo criminoso. Aliou-se a um contraventor e, no afã de denunciar escândalos, criou escandalosamente um deles. Cachoeira oferecia a munição e Veja atirava.

No futuro, esse episódio e outros deverão ser objeto de estudo acadêmico possivelmente sob o título de “O caso Veja”. Melhor seria abandonar o formalismo acadêmico e chegar a um título mais adequado à tese “Veja é um caso sério”.

Não é a primeira vez que a revista sapateia sobre as regras do jornalismo. Mais do que isso. Frequentemente, ela sai do jogo e -adota o vale-tudo.

Em 2006, por exemplo, Veja foi protagonista de um episódio inédito no jornalismo mundial, ao acusar o então presidente Lula de ter conta no exterior. Na mesma reportagem, no entanto, confessa não ter conseguido comprovar a veracidade do documento usado para fazer sustentar o que denunciava. Só o vale-tudo admite acusação sem provas.

A imprensa brasileira, particularmente, tem assombrosos erros históricos. Um prontuário que inclui, entre outros, a participação na pressão que levou Vargas ao suicídio, em 1954, e quando se tornou porta-voz do movimento de deposição de Jango, em 1964.

A ascensão de um operário ao poder é outro marco divisório da imprensa brasileira. A eleição de Lula acirrou os ânimos dos “barões da mídia”. O noticiário passou a se sustentar, primeiramente, nas divergências políticas e, depois, mas não menos importante, no preconceito de classe. A imprensa adotou o que Marcus Figueiredo chama de “discurso ético de autoqualificação diante dos leitores”.

No exercício diário, semanal ou semestral, porém, essa propaganda se esfuma. Figueiredo fez um flagrante em 2006:

“(…) o que vimos são diferenças no tratamento conferido aos candidatos, de amplificação de certos temas negativamente associados a Lula, contraposto à benevolência no tratamento de temas espinhosos relacionados aos seus adversários”.

É possível recolher na história das redações inúmeros exemplos de desvios éticos provocados pela busca da informação exclusiva. Mas tudo, em geral, provocado pelo afã de profissionais em busca do “furo” sensacional.

Essa prática se mantém, mas sustentada muitas vezes em parceria criminosa e não em investigação jornalística.

Certas reportagens de Veja nos põem diante de um caso assim. A informação chega à redação de mãos beijadas. No caso, as mãos de Carlinhos Cachoeira.


04 maio, 2012

Reflexões de Fidel sobre o Nobel da Paz


Um prêmio Nobel da Paz declarar que seu feito mais importante foi o assassinato de alguém (e não entremos no detalhe de quem) suscita várias reflexões que nossas avós traduziriam como "a que ponto chegamos". As de Fidel Castro vão além. 
Recomendo a leitura e peço perdão por não traduzir, mas o tempo anda escasso. 
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por Fidel Castro
dica do @leruizm



Apenas hablaré del pueblo cubano, que un día barrió de su Patria el dominio de Estados Unidos, cuando el sistema imperialista había alcanzado la cúpula de su poder.
Hombres y mujeres de las más diversas edades se han visto desfilar el 1º de Mayo por las plazas más simbólicas de todas las provincias del país.


Nuestra Revolución surgió en el lugar menos esperado por el imperio, en un hemisferio donde actuaba como dueño absoluto.


Cuba pasó a ser el último país en librarse del yugo colonial español y el primero en sacudirse de la odiosa tutela imperialista.


Pienso hoy fundamentalmente en la hermana República Bolivariana de Venezuela y su lucha heroica contra el saqueo despiadado de los recursos con que la naturaleza dotó a ese noble y abnegado pueblo, que un día llevó sus soldados a los rincones apartados de este continente para poner de rodillas al poderío militar español.


Cuba no necesita explicar por qué hemos sido solidarios, no solo con todos los países de este hemisferio, sino también con muchos de África y otras regiones del mundo.


La Revolución Bolivariana ha sido también solidaria con nuestra Patria, y su apoyo a nuestro país se convirtió en un hecho de gran importancia en los años del Período Especial. Esa cooperación sin embargo no fue fruto de solicitud alguna por parte de Cuba, como tampoco lo fue establecer ninguna condición a los pueblos que requirieron de nuestros servicios educacionales o médicos. A Venezuela le habríamos ofrecido en cualquier circunstancia la máxima ayuda.


Cooperar con otros pueblos explotados y pobres fue siempre para los revolucionarios cubanos un principio político y un deber con la humanidad.


Me satisface enormemente observar, como hice ayer a través de Venezolana de Televisión y TeleSur, el profundo impacto que produjo en el pueblo hermano de Venezuela la Ley Orgánica del Trabajo promulgada por el líder bolivariano y Presidente de la República, Hugo Chávez Frías. Jamás vi nada parecido en el escenario político de nuestro hemisferio.


Presté atención a la enorme multitud que se reunió en plazas y avenidas de Caracas y, en especial, las palabras espontáneas de los ciudadanos entrevistados. Pocas veces vi, y tal vez nunca, el nivel de emoción y esperanza que estos ponían en sus declaraciones. Se podía observar con claridad que la inmensa mayoría de la población está constituida por trabajadores humildes. Una verdadera batalla de ideas se está librando con fuerza.


Rafael Correa, presidente de Ecuador, declaró valientemente que más que una época de cambio estamos viviendo un cambio de época. Ambos, Rafael Correa y Hugo Chávez, son cristianos. Obama, en cambio, ¿qué es, en qué cree?


Al cumplirse el primer aniversario del asesinato de Bin Laden, Obama compite con su rival Mitt Romney en la justificación de aquel acto perpetrado en una instalación próxima a la Academia Militar de Pakistán, un país musulmán aliado de Estados Unidos.


Marx y Engels nunca hablaron de asesinar a los burgueses. En el viejo concepto burgués los jueces juzgaban, los verdugos ejecutaban.


No hay dudas de que Obama fue cristiano; en una de las vertientes de esa religión aprendió el oficio de transmitir sus ideas, un arte que le significó mucho en su ascenso acelerado dentro de la jerarquía de su partido.


En la declaración de principios de Filadelfia, en julio de 1776, se afirmaba que todos los hombres nacían libres e iguales y a todos les concedía su creador determinados derechos. Por lo que se conoce, tres cuartos de siglos después de la independencia, los esclavos negros seguían siendo vendidos en las plazas públicas con sus mujeres e hijos, y casi dos siglos después Martin Luther King, premio Nobel de la Paz, tuvo un sueño, pero fue asesinado.


A Obama el tribunal de Oslo le obsequió el suyo y se había convertido casi en una leyenda. Sin embargo millones de personas deben haber visto las escenas. El Premio Nobel Barack Obama, viajó aceleradamente a Afganistán como si el mundo ignorara los asesinatos masivos, la quema de libros que son sagrados para los musulmanes y los ultrajes de los cadáveres de las personas asesinadas.


Nadie que sea honesto estará jamás de acuerdo con los actos terroristas, pero ¿tiene acaso el Presidente de Estados Unidos el derecho a juzgar y el derecho a matar; a convertirse en tribunal y a la vez en verdugo y llevar a cabo tales crímenes, en un país y contra un pueblo situado en el lado opuesto del planeta?


Vimos al Presidente de Estados Unidos subiendo al trote los peldaños de una empinada escalera, en mangas de camisa, avanzar con pasos acelerados por un pasillo volante y detenerse a endilgarle un discurso a un nutrido contingente de militares que aplaudían con desgano las palabras del ilustre Presidente. Aquellos hombres no eran todos nacidos ciudadanos norteamericanos. Pensaba en los colosales gastos que eso implica y que el mundo paga, pues ¿quién carga con ese enorme gasto que ya rebasa los 15 millones de millones de dólares? Eso es lo que ofrece a la humanidad el ilustre Premio Nobel de la Paz.


Fidel Castro Ruz
Mayo 3 de 2012 às 19:50

02 maio, 2012

Dilma e Brizola Neto: as entrelinhas da decisão

Foto: Brizola Neto e Lupi
















Do Carta Maior
por Antonio Lassance 


Para quem olha o cenário político com as lentes da teoria do presidencialismo de coalizão, a escolha de Brizola Neto para o Ministério do Trabalho tem um quê de heresia. Onde já se viu usar um ministério do tamanho e da importância que tem o do Trabalho se não for para ajudar à governablidade, satisfazendo partidos que o governo precisa manter como aliados?

Vários dirigentes do PDT deixaram claro como essa regra funciona. Não basta ser filiado, tem que contar com o aval da direção partidária e das bancadas da Câmara e do Senado. Se não, nada feito.

Em pleno primeiro de maio de 2012, dia seguinte ao anúncio feito pelo Planalto, o Partido fundado pelo velho Brizola não apenas não comemorou a indicação como retirou do ar a página que havia sido criada dando a notícia.

Quem a visitou no Dia do Trabalhador pôde ver apenas o aviso de “página não encontrada”.

Qual é a do PDT? Por que o partido tirou o corpo fora na escolha de Brizola Neto? A birra tem o objetivo líquido e certo de deixar a ala parlamentar do partido bem entrincheirada na remontagem do ministério, que vai acontecer exatamente a partir de agora.

A bancada deixou claro que não basta ser o ministro filiado justamente para forçar Brizola Neto a correr atrás dos diversos setores e regiões onde o partido tem maior presença eleitoral e contemplá-los no ministério. Como isso não estava combinado antes da indicação, terá que ser conquistado aos poucos.

Mesmo com uma nomeação feita de maneira heterodoxa, as regras do presidencialismo de coalizão continuam valendo. Brizola Neto é quem tem que domar o núcleo majoritário do partido e montar o ministério atendendo a esses setores.

Mas, afinal, o que pretendeu a presidenta com essa escolha? No pouco tempo decorrido da confirmação de Brizola Neto, alguns analistas políticos têm dado tiro pra tudo quanto é lado e argumentado até que Dilma o conhece desde quando “Brizolinha” era criança, e ela era do PDT.

Amizades à parte, a operação para levar Brizola Neto ao ministério teve um objetivo bem determinado: obter o acordo com as centrais. São elas, e não o PDT, as grandes avalistas da ida do ministro para a pasta do Trabalho.

Tendo feito, em 2011, em torno do Brasil Maior, uma sinalização de maior prioridade à indústria, a presidenta vinha colecionando críticas do movimento sindical. Uma delas foi exatamente sobre a desoneração da folha de pagamentos para setores industriais que vêm sendo duramente atacados pela concorrência internacional (principalmente chinesa), como confecção, calçados, móveis e software. Mas as críticas mais teimosas dos sindicalistas dizem respeito ao fator previdenciário e aos reajustes do salário mínimo e dos aposentados.

Nas entrelinhas da decisão tomada pela presidenta está uma demonstração de que o governo encara o desafio da governabilidade como algo que vai além do Congresso.

Toda coalizão partidária que dá maioria a um governo é sustentada por um conjunto de forças sociais que são, aliás, as que respondem pela eleição de deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidentes da República. Esquecer-se disso é correr o risco de achar que quem sustenta uma presidência é o Congresso. É achar que o presidencialismo vai bem desde que os partidos estejam plenamente satisfeitos com sua presença em cargos nos ministérios. Ter maioria no Congresso certamente é importante, mas desde que se saiba também: maioria pra quê? Pra quem?

A vinda de Brizola Neto traz para o governo um crítico do fator previdenciário, tendo também o retrospecto de ter votado em favor de reajustes maiores para os aposentados, indo contra a orientação da liderança do governo no Congresso. O ministro, doravante, ou usa sua posição para melhorar as propostas em relação a esses temas, quando novamente forem postos em votação, ou a presidenta terá feito um péssimo negócio em tê-lo tirado das páginas do Tijolaço, o blog onde Brizola Neto travava bons combates.

O primeiro teste decisivo do ministro do Trabalho ocorrerá muito em breve. O fim do fator previdenciário está tramitando de forma acelerada no Congresso, sob a pressão e o olhar atento do movimento sindical. Será uma briga boa para ver de que lado o ministro fica e que lugar é reservado aos trabalhadores na coalizão social que sustenta o atual governo.

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Antonio Lassance é cientista político e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente opiniões do Instituto.

A incógnita de Lula


por Marcos Coimbra
do Correio Braziliense 


De uns anos para cá, o sistema político brasileiro passou a funcionar com um elemento adicional de imprevisibilidade. E de grande importância, pois deriva do modo como atua seu principal personagem.
Até então, todo mundo achava que conseguia entender Lula muito bem. Havia quem se considerasse Ph.D na matéria, capaz de decifrar cada um de seus gestos à luz do que fizera no passado.

Quem, por exemplo, era versado nas minúcias da vida sindical paulista nos anos 1970 explicava o que ele fazia com base naquelas experiências. Se isso, era porque tinha acontecido aquilo; se o oposto, porque assim ocorrera em um dia determinado.

Tendíamos a avaliar que o Lula do movimento sindical era basicamente o mesmo do presente. Com um ajuste aqui, outro acolá — e as mudanças inevitáveis da idade —, sua persona política tinha sido ali formada e estava pronta.

Um exemplo do quanto mudou é seu papel na CPI do Cachoeira. Tudo que ele fez foi surpreendente — para amigos e inimigos.

A hipótese de que queria lançar uma cortina de fumaça no julgamento do mensalão é pueril. Equivale a imaginar que os ministros do Supremo Tribunal Federal são tão voláteis nas convicções que modificariam seus votos porque o deputado fulano — ou o governador sicrano — estão enrolados nos negócios do bicheiro.

Conhecendo como conhece o STF — e tendo indicado vários de seus integrantes —, ninguém precisaria dizer a Lula que a CPI poderia acabar tendo o efeito inverso, se fosse feita somente para atrapalhá-lo.

Outros que se creem entendidos em Lula interpretaram sua disposição de viabilizar a CPI como uma clássica forma de defesa: partir para o ataque, sem aguardar a investida do adversário. Seria uma tentativa de se proteger do desgaste que o julgamento do mensalão lhe traria que teria levado o PT a apoiá-la.

Quem elabora essas fantasias não deve conhecer a imagem que Lula tem hoje.

Não há nada de parecido em nossa história política: um governante que terminou seu mandato como uma quase unanimidade, com a aprovação de mais de 80% da população. Nenhum dos antecessores, nesta ou nas Repúblicas anteriores, chegou perto disso.

Nas pesquisas atuais, 85% das pessoas dizem ter dele opinião “ótima” ou “boa”. Seu governo é, em retrospecto, o melhor que o Brasil já teve para cerca de 75% dos entrevistados. Superou seus antecessores em tudo — incluindo no combate à corrupção — para proporções parecidas.

Se fosse candidato em 2014, teria algo próximo a 70% dos votos, independentemente dos oponentes (o que não quer dizer que Dilma não seria, também, favorita, se a eleição acontecesse hoje).

Quem tem uma imagem dessas precisa de biombos? Precisa usar a CPI do Cachoeira para se esconder? De quê? De coisas conhecidas há anos?

Mas a criação da CPI não é, nem de perto, o gesto mais surpreendente do Lula dos últimos anos. Alguém duvida que foi a concepção e estruturação da candidatura de Dilma — mulher, técnica, recém-filiada ao PT?

Um lance de alto risco político e que deu certo. Tão certo que criou, para seu partido, um cenário altamente favorável, em que pode permanecer no poder por mais muitos anos.

E agora, com o lançamento da candidatura de Fernando Haddad? Que ninguém imaginava, apostando que o PT paulista faria como os tucanos, colocando suas fichas em nomes conhecidos? E se isso der certo também?

Até onde irá a capacidade de Lula fazer o inesperado? De deixar seus adversários perplexos, tentando antecipar a próxima novidade, o próximo coelho que vai tirar da cartola?

Difícil dizer. Mas o certo é que, com um Lula assim no centro de nossa vida política, ela fica mais interessante. E bem menos previsível.


01 maio, 2012

O Dia do Trabalho e a Torre da Liberdade (por @laescosteguy )

A imagem fálica do 'World Trade Center ' parece uma compensação por tudo que nos é castrado. Como se o trabalhador, ou o despossuído, pudesse se orgulhar por ter potência e liberdade tamanha. Alienação e ideologia na argamassa do sonho americano.
Sérgio Pecci
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por Luiz Afonso Alencastre Escosteguy
do O Pensador Selvagem

Ok! É um negócio privado e ninguém tem nada a ver com isso, certo? Nem tanto, talvez!

Ironicamente batizada de Torre da Liberdade, o One World Trade Center é muito mais um símbolo da falta de liberdade de toda uma civilização. Um modelo de civilização que aprisiona mais de 1 bilhão de seres humanos na fome (uma e cada seis pessoas no planeta. Fonte:https://www.fao.org.br/dma2009_asaec.asp); mais de 1 bilhão na falta de água potável F
onte:http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/conteudo_272416.shtml), e outros tantos mais sem moradia ou sem moradia adequada.

Os que possuem acesso, mínimo que seja, à moradia, alimentação e água potável, estão presos a um modelo de desenvolvimento urbano que faz as pessoas perderem 2 horas e 43 minutos por dia no trânsito (dados de São Paulo, por exemplo. Fonte:http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/9177) ; vivem sob níveis de poluição altíssimos; trancam-se em casa para terem um mínimo de segurança (com todo aparato possível: cercas elétricas, segurança particular, cães, etc..) e por aí vai. É uma realidade por todos conhecida e vivenciada. Continuar enumerando situações de falta de liberdade do nosso “modelo de civilização” seria continuar a chover no molhado.

E vemos na notícia "Novo World Trade Center passa a ser o prédio mais alto de Nova York"(1):

Contudo, o prefeito Michael Bloomberg enfatizou o lado positivo da obra, destacando a relação da cidade com uma arquitetura exigente.
— O horizonte da cidade de Nova York está, uma vez mais, se elevando a novas alturas — disse Bloomberg. — Os últimos avanços no World Trade Center são um testemunho da força e da determinação dos nova-iorquinos e de nossa crença em uma cidade que sempre vai mais alto.
— Hoje nossa cidade conta com um novo edifício mais alto e um novo sentido de nosso radiante futuro — disse Bloomberg.

“Uma cidade que sempre vai mais alto” e dá “um novo sentido de nosso radiante futuro”. É para isso que trabalhamos, para um futuro radiante onde o produto do trabalho seja empregado no fortalecimento do sistema prisional da fome, da sede, da poluição, da insegurança.

O trabalho dignifica o homem. Não é assim que somos educados e assim passamos a vida? E morremos felizes por termos deixado trade centers mundo afora. Orgulhosos dizemos que criamos e alimentamos nossos filhos para que sigam a mesma trajetória: iludirem-se a vida inteira que são felizes por trabalharem e por terem o sagrado e constitucional direito de fazer greve. Contra o quê? Ora, contra o mesmo trabalho que lhe “dá a felicidade”. Greve para melhorar a prisão onde estamos... Certo. Podemos ir a um cinema, ver a novela, comer pipoca, passear no parque... Temos nosso feno garantido, ao menos. É apenas isso que nosso trabalho rende: feno para continuar trabalhando até morrer.

Nosso trabalho é inútil, pois só serve para construir torres da liberdade mundo afora.


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(1) Fonte da imagem e da citação: Portal ZeroHora/ClicRBS: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/mundo/noticia/2012/05/novo-world-trade-center-passa-a-ser-o-predio-mais-alto-de-nova-york-3744221.html

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