18 outubro, 2012

Chomsky: há 50 anos “o mundo esteve para acabar”


Do Outras Palavras

Uma análise (e uma advertência) sobre a “Crise dos Mísseis” — que teve Cuba como pivô e quase levou EUA e União Soviética a provocarem a catástrofe nuclear

Por Antonio Martins

O episódio mais tenso da Guerra Fria e provavelmente a maior ameaça já vivida pela humanidade completará 50 anos, no próximo dia 28. Nas duas últimas semanas de outubro de 1962, Estados Unidos e a então União Soviética (URSS) estiveram muito próximos de deflagrarem, entre si, uma guerra atômica que teria arrasado boa parte do planeta.

Muitas análises serão publicadas a respeito do episódio, nos próximos dias — mas vale a pena ler com atenção uma delas, escrita pelo pensador norte-americano Noam Chomsky e recém-publicada (em inglês). Apoiado numa vasta análise de documentos secretos desclassificados, Chomsky sustenta entre outras coisas que: No lado norte-americano, a crise foi manejada por um comitê extraordinário (o ExComm) formando na Casa Branca, sob presidência de John F. Kennedy. Boa parte de seus integrantes acreditava que a guerra total contra a URSS era inevitável. O próprio Kennedy avaliou, depois, que os riscos chegaram a ser de 50%. O secretário de Defesa, Robert McNamara, indagava-se, no momento mais tenso, se teria a chance de “viver outra noite de sábado”.

Riquíssimo tanto na análise geral quanto nas minúcias, Chomsky descreve, por exemplo, os dois momentos mais tensos nas semanas decisivas. O mundo pode ter sido salvo, mostra o relato, pela frieza do capitão de submarino nuclear soviético Vasili Akhipov, em 27 de outubro. Ou, um dia antes, pelo major Don Clawson, piloto de bombardeiro B-52 norte-americano armado de ogivas atômicas. “Tivemos muita sorte por não explodir o mundo”, diria ele depois.

As raízes da crise estão na tentativa de invasão de Cuba por mercenários treinados pela CIA, em 1961. Mais ou menos à mesma época, na escalada de ameaças da Guerra Fria, os EUA instalaram mísseis nucleares, dirigidos contra a URSS, na Grã-Bretanha, Itália e Turquia. Em resposta, e com autorização de Havana, Moscou instalou na ilha mísseis nucleares apontados para os Estados Unidos. Washington considerou o fato inaceitável.

O conflito ocorreu no momento em que poder global norte-americano estava no auge. Ao final de duas semanas, durante as quais um mero acidente poderia ter desencadeado a catástrofe nuclear. Moscou cedeu. O líder soviético, Nikita Kruschev, anunciou publicamente a retirada dos mísseis de Cuba. Os EUA aceitaram, como contrapartida secreta, retirar foguetes da Turquia. Mas não o admitiram de modo aberto e se tratava, de qualquer forma, de armas obsoletas, prestes a serem substituídas. A atitude de URSS enfureceu a liderança cubana. Durante todo o tempo que duraram as negociações, extremamente tensas, Washington rejeitou qualquer acordo que significasse sua sujeição ao direito internacional. Buscava (e alcançou, à época), estabelecer-se como um poder supremo, livre de qualquer outro controle.

Chomsky lembra que a ameaça de catástrofes nucleares permanece aberta, mesmo após o fim da Guerra Fria. Muito mais países desenvolveram capacidade e arsenais atômicos. Índia e Paquistão estiveram à beira de um conflito. Os EUA insistem em manter Israel como única potência nuclear do Oriente Médio. Chomsky tem feito constantes advertências sobre os riscos persistentes de um conflito atômico (no vídeo acima, uma conferência a respeito do tema em Nova York, em 2011). O artigo sobre a Crise dos Mísseis termina com uma citação de Albert Einstein e Bertrand Russel. Dez anos antes da crise, eles haviam advertido que a humanidade está diante de um dilema “cru, terrível e inescapável: vamos acabar com a espécie humana, ou seremos capazes de renunciar à guerra”?

Pautas e cólera

Publicado no mesmo Estadão que foi o único jornal a declarar apoio a Jose Serra em 2010. 



O candidato Serra e as 'pautas petistas'

por Eugênio Bucci


Na terça-feira o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, José Serra, agastado com perguntas de dois jornalistas, acusou-os de defenderem "pautas petistas" e tentou desqualificá-los como profissionais. As ofensas mereceram destaque na primeira página do jornal Folha de S.Paulo de ontem. A "pauta petista", na opinião de Serra, é a comparação entre o famigerado "kit gay", preparado pelo Ministério da Educação (MEC) no ano passado, quando Fernando Haddad, hoje candidato a prefeito pelo PT, ainda era o titular dessa pasta, e uma cartilha distribuída às escolas pelo governo paulista em 2009, tempo em que Serra ainda morava no Palácio dos Bandeirantes.

O ex-governador de São Paulo repudiou a revelação feita na segunda-feira pela colunista Mônica Bergamo, da própria Folha, de que o kit do MEC e a cartilha paulista tinham conteúdos parecidos (é verdade que o material do MEC, depois de pronto, nunca foi distribuído, pois a presidente Dilma Rousseff, pressionada pelas reações ruidosas de congressistas católicos e evangélicos, mandou engavetá-lo). Serra entendeu que a analogia entre uma coisa e a outra constitui mau jornalismo, ou, nas palavras dele mesmo, "a Folha entrou numa roubada (...) e fez uma má reportagem".

O tucano atacou pessoalmente os dois profissionais em dois episódios diferentes. Na terça de manhã, ao ser indagado sobre o assunto pelo jornalista Kennedy Alencar, da rádio CBN, disparou: "Eu sei que você tem preferências políticas, mas modere, você não pode fazer campanha eleitoral aqui". Parecia falar em nome dos acionistas da CBN. Depois, à tarde, tentou humilhar uma repórter do UOL, portal do Grupo Folha, propondo que ela fosse "trabalhar com o Haddad". A repórter, como Kennedy Alencar, não tinha injuriado ou agravado o candidato. Ela simplesmente solicitara que ele esclarecesse sua posição sobre o debate da homofobia em escolas. Foi o que bastou para Serra subir o tom.

Como se viu, o "kit gay" desencadeia um tique nervoso no candidato tucano: bater boca com a imprensa. Na campanha que disputou para a Presidência da República, em 2010, por motivos outros, que nada tinham que ver com homofobia, o mesmo tique apareceu em mais de uma ocasião. Aqui e ali, Serra tratou repórteres com uma rispidez inadmissível para alguém que pleiteava nada menos que o emprego de presidente do Brasil.

Quando um governante - ou candidato a - dirige a um repórter insinuações ou acusações com o objetivo de macular sua dignidade profissional, estamos no pior dos mundos. Se exacerbada, essa conduta desestabiliza as instituições. Rafael Correa, presidente do Equador, levou às últimas consequências a política de fustigar jornalistas: ele os ataca nominalmente em discursos transmitidos em cadeia nacional de rádio e televisiva. A consequência é que hoje as condições da imprensa livre no Equador inspiram preocupações das mais sérias.

Serra não é Correa, evidentemente, mas agiu mal. Um candidato pode reprovar uma manchete, uma legenda, uma pergunta que lhe façam. Pode discordar. O que não pode é investir contra a pessoa do jornalista. Interrogações adversas fazem parte do clima eleitoral. Se ele agride um repórter acusando-o de não observar as regras da independência editorial (um cânone da nossa profissão) e de fazer proselitismo partidário disfarçado de noticiário, dá indícios de que talvez não esteja assim tão preparado para conviver serenamente com a pluralidade de opiniões.

Por certo, a conduta arrivista de José Serra nesta semana não constitui, em si mesma, uma ameaça à democracia. O problema, porém, não é o que essa impaciência toda destrói ou deixa de destruir, mas o que ela não constrói. Atitudes assim não ajudam a sustentar o ambiente democrático e de um candidato a prefeito de São Paulo não se exige apenas que não ameace a liberdade de imprensa, mas se exige dele que ajude a fortalecê-la. Candidato que se arvora a passar pito em repórter sai de sua função e não constrói nada de bom.

Nesse ponto, um gesto de desrespeito dirigido contra jornalistas pode ser lido, sim, como falta de zelo pela própria instituição da imprensa. Se o destempero de Serra não corrói a liberdade, ainda que fira a imagem de profissionais de imprensa, não constrói a convivência entre jornalistas, eleitores e autoridades.

Não é só isso. Um candidato que preza, mais que a instituição da imprensa, a autonomia e a dignidade do eleitorado tem o dever moral de responder a todas as perguntas que lhe fazem, venham elas dos veículos jornalísticos que ele aprecia ou venham diretamente dos partidos adversários. Do ponto de vista do eleitor, tanto faz. As dúvidas da sociedade, tenham a origem que tiverem, devem ser todas esclarecidas. Pense bem o leitor: o que seria do debate público se todos os candidatos petistas, quando indagados sobre o mensalão, dissessem simplesmente que isso é uma "pauta tucana" e não respondessem nada? O debate público ficaria inviável.

É fato que centenas de petistas - inclusive alguns dirigentes da máquina partidária - vivem a jogar nas costas da imprensa a responsabilidade pelas misérias morais do PT, mas existem candidatos responsáveis da legenda que se prestam a responder com sobriedade e urbanidade a todas as perguntas. Eles sabem que o cidadão tem o direito de saber dos assuntos de interesse público e isso inclui o direito de saber sobre mensalão e... sobre o "kit gay" também. Portanto, mesmo que a cartilha do governo paulista sobre homofobia fosse uma "pauta petista" (o que não é), isso não o desobrigaria de responder ao que lhe é perguntado. Ao descartar o questionamento como se fosse uma bobagem, o candidato chamou de bobos todos os interessados no tema.

Um jornalista, seja da Folha, da rádio CBN, do UOL, de onde for, representa o seu veículo e o seu público. Quem agride um jornalista agride o público.

Bolsa Família inclui também ao mercado de trabalho


do Carta Capital
Dica de Tania de Queiroz Stein

Desde que foi lançado, há cerca de oito anos, o programa federal Bolsa Família ajudou a retirar cerca de 30 milhões de brasileiros da pobreza absoluta. Em meio às muitas críticas recebidas, conseguiu derrubar previsões simplificadoras, como a de que estimularia seus beneficiários a manterem-se desempregados para receber ajuda estatal. É o que mostra a segunda rodada de Avaliação de Impacto do programa, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) com 11.433 famílias, beneficiárias ou não, em 2009.

De acordo com o levantamento, quem recebe repasses do governo federal não deixa de procurar emprego. Ao considerar uma faixa de 18 a 55 anos de idade, a parcela de pessoas ocupadas ou procurando trabalho em 2009 era de 65,3% entre os beneficiários e 70,7% para os indivíduos fora do programa. Analisando pessoas entre 30 e 55 anos, a porcentagem é de cerca de 70% para ambos os grupos.

O índice de desemprego também é semelhante. Em 2009, 11,4% dos não beneficiados entre 18 e 55 anos estavam sem trabalho, contra 14,2% dos auxiliados pelo Bolsa Família. Na faixa de 30 a 55, a diferença é menor: 7% para as pessoas sem benefícios, ante 8,9% do outro grupo. “Em 2009, a busca por trabalho entre beneficiários é um pouco mais elevada que os não beneficiários. Esses resultados revelam, pois, não haver evidências de que haja desincentivo à participação no mercado de trabalho por parte dos beneficiários do PBF”, diz o documento.

O programa também ajudou a atrasar a entrada de jovens entre 5 e 17 anos de idade no mercado de trabalho, o que geralmente ocorre pela necessidade de auxiliar no sustento da família. Apesar desta faixa etária possuir níveis baixos de ocupação, houve avanços e quedas em geral.

Em 2005, 3,6% das meninas fora do Bolsa Família entre 5 e 15 anos trabalhavam, contra 2,2% das que recebiam auxílio. Entre os meninos nesta faixa, 5,5% sem apoio tinham emprego, contra 4,3% dos beneficiários. Quatro anos mais tarde, a porcentagem caiu para 1,9% das meninas e 3,2 dos meninos sem repasses federais para 2% das mulheres e 3,7% dos homens com ajuda financeira do programa.

Na faixa de 16 e 17 anos, 17,6% das adolescentes e 30,4% dos rapazes sem benefícios trabalhavam em 2005, contra 15,4% das mulheres e 32,6%, respectivamente, com benefício. Em 2009, 11,6% das meninas e 21,7% dos meinos sem benefício tinham emprego, ante 9,7% e 19,3 dos beneficiados.



O recebimento dos repasses do Bolsa Família varia de 32 a 306 reais mensais, segundo critérios como a renda mensal per capita da família e o número de crianças e adolescentes de até 17 anos. O programa, que tem orçamento de 20 bilhões de reais para 2012 – cerca de 0,5% do PIB -, está condicionado ao cumprimento de diversos fatores pelos beneficiários. Entre eles, a frequência mínima de 85% às aulas para crianças de 6 a 15 anos e 75% para jovens de 16 e 17 anos.

Os dados mostram uma série de avanços sociais proporcionados pela ação. Entre eles, a melhora ao acesso à educação entre os jovens pobres. O levantamento aponta que a frequência na escola entre crianças de 8 a 14 anos de idade é de 95%, mas o resultado vai piorando nas faixas etárias de 7 a 15 anos e entre 16 e 17 anos. Segundo informações obtidas por CartaCapital junto ao MDS (não pertencentes ao levantamento), entre 2009 e 2011 somente 4% dos beneficiários tiveram baixa frequência nas escolas. Em 2011, 95,52% deles cumpriram a cota mínima de presença exigida.

Apesar de os níveis de comparecimento às salas de aula estarem dentro do esperado, em 2009 a taxa de aprovação dos alunos com auxílio financeiro no ensino fundamental foi de 82% contra 83,8% da média, com melhora no ano seguinte: 83,1% contra 85,3%. A taxa de abandono, no entanto, foi menor que a média: 3,4% em 2009, ante 4,1; 3% em 2010, contra 3,5%.



Mas no ensino médio público os resultados são melhores para os integrantes do Bolsa Família. Em 2009, eles alcançaram nível de aprovação de 79,9%, contra 73,7% da media. No ano seguinte, o resultado foi de 80,8% contra 75,1% em favor dos beneficiários. A evasão escolar também foi menor que a da média: 7,5% em 2009 para os alunos do programa, contra 12,8%; 7,2% contra 11,5% em 2010.

Os resultados do levantamento ainda trazem avanços na área da saúde. Em 2005, as grávidas entrevistadas afirmaram ter ido, em média, a 3,1 consultas de pré-natal, um número que saltou para 3,7 quatro anos depois. Sendo que as mulheres com beneficio passaram de 3 visitas para 3,7 visitas, com a evolução de 3 para 3,5 das não auxiliadas. No mesmo período, caiu de 20% para 7% o total de gravidas entrevistadas que relataram não ter realizado pré-natal, com quedas significativas em ambos os grupos.



O tratamento dado às mães surtiu efeitos nos filhos. A prevalência de desnutrição aguda, crônica e baixo peso entre menores de cinco no período de 2005 a 2009 teve, em geral, queda semelhante para crianças de membros do Bolsa Família e de não beneficiados.

A proporção de crianças com desnutrição crônica caiu de 14,7% para 9,7% entre os beneficiários e 15,8% para 11% no outro grupo analisado. O baixo peso teve queda de 7,8% para 5,8% entre os não auxiliados e 7,2% para 5,9% nos beneficiários. A diferença nos casos de desnutrição aguda, no entanto, é grande: enquanto os entrevistados fora do Bolsa Família viram um aumento de 8% para 9%, os auxiliados registraram diminuição de 7,7% para 7,4%.

Outro dado elevado é a taxa de vacinação entre as 4,1 milhões de crianças acompanhadas no primeiro semestre de 2012: com o programa, 98,89% delas seguiram o calendário vacinal.


15 outubro, 2012

Boas razões para a presidente Dilma não ter ido a SIP


Conferência de Berlim 

por Breno Altman
do Opera Mundi

O dirigente do Grupo Estado, Júlio César Mesquita, não escondeu sua frustração. Diante da cadeira vazia na cerimônia de abertura da 68ª Assembleia da Sociedade Interamericana de Imprensa, comparou a atitude da atual presidente a de seus antecessores, Ernesto Geisel e Fernando Collor, nos dois convescotes da agremiação anteriormente realizados no Brasil. 

A comparação pode ser estapafúrdia, mas o rancor tem sua razão de ser. As famílias que controlam os meios de comunicação na região, sem aliados importantes além dos Estados Unidos, ambicionavam aval implícito de Dilma Rousseff para sua ofensiva contra políticas de democratização e regulação levadas a cabo por diversos governos progressistas. A ausência da mandatária passou sinal contrário à pretensão da aristocracia midiática.

Apesar de sua administração manter intactos os privilégios dos monopólios de imprensa, a presidente foi eloquente ao dar um silencioso bolo no evento dos marajás da informação. A SIP, afinal, congrega a fatia mais ativa e influente das elites continentais, com expressiva folha de serviços prestados às ditaduras.

Fundada nos EUA em 1946, a entidade teve papel fundamental durante a Guerra Fria. Empenhou-se com afinco a etiquetar como “antidemocráticos” governos latino-americanos que não se alinhavam com a Casa Branca. Constituiu-se em peça decisiva para o clima psicológico que antecedeu levantes militares no continente entre os anos 60 e 80.

Entre seus membros mais proeminentes, por exemplo, está o diário chileno El Mercurio, comprometido até a medula com a derrubada do presidente constitucional Salvador Allende, em 1973, e a ditadura do general Augusto Pinochet. Outros grupos filiados são os argentinos La Nación e El Clarín, apoiadores de primeira hora do sanguinário golpe de 1976.

A lista é longa. O vetusto matutino da família Mesquita, O Estado de S.Paulo, também foi adepto estridente das fileiras anticonstitucionais, clamando e aplaudindo, em 1964, complô contra o presidente João Goulart. Mas não foi atitude solitária: outras empresas brasileiras de comunicação, igualmente inscritas na SIP, seguiram a mesma trilha.

Seus feitos, porém, não fazem parte apenas da história. Estes veículos, mais recentemente, apoiaram o golpe contra o presidente Hugo Chávez (2002), a derrocada do hondurenho Manuel Zelaya (2009) e o afastamento ilegal do paraguaio Fernando Lugo (2012). Funcionam, a bem da verdade, como uma aliança intercontinental do conservadorismo.

Às vésperas das eleições de 2010, em julho, o então presidente da SIP, Alejandro Aguirre, afirmou que Lula “não poderia ser chamado de democrata” e o incluiu entre os líderes que “se beneficiam de eleições livres para destruir as instituições democráticas”. Seu objetivo era evidente: como porta-voz dos barões da mídia, queria colaborar no esforço de guerra contra a condução de Dilma Rousseff, pelo sufrágio popular, ao Palácio do Planalto.

A SIP, no entanto, vai além de movimentos pontuais, ainda que constantes, para a desestabilização das experiências de esquerda. Trata-se de um laboratório para estratégias de terceirização política dos Estados nacionais, na qual as corporações privadas de imprensa ditam a agenda, articulam-se com esferas do poder público e se consolidam como partidos orgânicos da oligarquia.

Diante deste inventário de símbolos e realizações, fez bem a presidente ao se recusar a emprestar o prestígio de seu mandato e a honradez de sua biografia. Ainda mais em um momento no qual sócios nacionais do agrupamento animam julgamento de exceção contra dirigentes históricos de seu partido e integrantes de proa do governo Lula.

Oxalá esse gesto possa dar início a uma batalha firme pela democratização da imprensa e a adoção de um marco regulatório que rompa com o feudalismo midiático.
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Breno Altman é diretor do site Opera Mundi e da revista Samuel

Chávez ganhou, a direita não aceita


No último comício em Caracas, abaixo de chuva

por Vito Giannotti
do Brasil de Fato 

A direita dos EUA e seus discípulos no Brasil, sobretudo os grupos da mídia empresarial/patronal, não admitem esta derrota. A mídia – agrupada na revista da editora Abril, no jornal que falou da “Ditabranda”, no empresarial Estadão e nas Organizações Globo – está altamente contrariada. E tem razão. Como declarou Chávez, logo após votar, dia 7 de outubro, “o que está em jogo nesta eleição é o modelo neoliberal”. Na mesma hora o site da Veja colocava sua cobertura que começava a frase: “O ditador Chávez...” Ditador? Com esta eleição disputada, fiscalizada, observada por centenas de enviados internacionais? E daí? A Veja continua sua cruzada, feita de mentiras, como capitã da extrema direita no nosso país.                

A eleição do dia 7 de outubro foi a mais fiscalizada do mundo. Os EUA e seu candidato, o aprendiz de golpista Capriles, estavam doidos para achar alguma irregularidade. Queriam virar a mesa. Mas não deu. Um dos grandes observadores foi Ignácio Ramonet, do Le Monde Diplomatique. Ele se instalou em Caracas, observou as eleições e declarou: “Venezuela é exemplo de democracia para a Europa em crise que está sendo penalizada pelo fracasso do neoliberalismo”. E continuou: “As eleições na Venezuela desde 1998 são um jogo limpo e aberto”.            

A mesma coisa foi dita pela guatemalteca Rigoberta Menchu, prêmio Nobel da Paz que esteve em Caracas fiscalizando o pleito. A lisura total das quatro reeleições de Chávez foi sempre reconhecida por um observador dos EUA acima de qualquer suspeita de ser amigo de Chávez: Jimmi Carter. Mas o que a mídia empresarial brasileira não admite é uma última frase de Ignácio Ramonet, após a vitória de domingo: “Esta eleição mostra que é possível governar de outra forma”. Sim, é exatamente isso que a direita não admite. Como deixar ganhar alguém que fala em “Socialismo do Século 21”?              


Multidão no comício - Foto do Estadão 
Na esquerda muitos se queixam que o bolivarismo de Chávez não é revolucionário, não é marxista. Verdade. Mas a consciência do povo venezuelano está se abrindo para a necessidade de um novo modelo, contrário ao neoliberalismo hoje hegemônico. O povo está participando, sendo protagonista do seu futuro. É por isso que os EUA querem o fim de Chávez e seu projeto bolivariano. Por isso que a imprensa controlada pelo Império e seus discípulos na Veja, FSP, GLOBO e OESP envenenam os olhos e as mentes de suas vítimas.            

A direita venezuelana, com todo o carinho da mídia da direita do continente, vai tramar mil e uma coisas para dar um golpe neste projeto. Hoje não precisa um golpe militar. Há outros meio disponíveis à mão. É só se lembrar do Paraguai de Lugo. Tudo eles farão. E daí? O que fazer? É sempre o mesmo refrão: construir nossa mídia contra-hegemônica. Forçar a mudança das leis atuais que só servem ao império da mídia patronal.    

PT radical, renovado e de volta às origens ?




do Terra
Mauricio Tontetto
dica do @maikonkremer
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Eles fizeram história ao comandar Porto Alegre por 16 anos consecutivos (1989 a 2004) e ajudaram a consolidar o PT no País, deixando legados como o Orçamento Participativo e o Fórum Social Mundial. Porém, após a retumbante derrota de Adão Villaverde na disputa pela prefeitura neste ano, obtendo apenas 76.548 votos (9,6%) - o pior índice da história da sigla no Estado -, os ex-prefeitos Raul Pont, João Verle, Tarso Genro e Olívio Dutra pregam a autocrítica e o retorno às raízes para recuperar o prestígio na cidade. Criticando os próprios correligionários que negam o mensalão, eles cobram mudanças e o fim da acomodação para voltar à vitrine.

"A nossa linha sucessória, que vinha se dando ao natural, pela continuidade do projeto coletivo, passou a ser ideia de alguém, de pessoas e quadros, contaminando também a militância", avaliou Olívio Dutra, prefeito de 1989 a 1992 e governador do Estado de 1999 a 2002. Segundo ele, o PT precisa se repensar agora para não ser "engolido pela máquina pública e partidária".

"O PT não nasceu de gabinetes, mas hoje há quadros cuja profissão é pular de eleição em eleição para se manter na burocracia. Assim, começamos a ficar como a velha política tradicional. Na base do partido existe muita insatisfação com essa acomodação. Precisamos discutir os reflexos de estarmos sendo, de forma acelerada, engolidos pela máquina pública e partidária. Não podemos ser o partido da acomodação, mas da transformação", disse.

Entre as razões para o fracasso na capital gaúcha, as lideranças petistas apontam inércia, desunião com a esquerda, disputa interna por espaços, falta de novas lideranças afirmadas, esgotamento da agenda e distanciamento das raízes populares e de atuação social. De acordo com eles, o prefeito José Fortunati (PDT) - filiado ao PT de 1980 a 2002 - se aproveitou disso para fazer 517.969 votos (65,22%), elegendo-se tranquilamente no primeiro turno.

"Esgotamos a agenda. As três grandes novidades implantadas aqui - participação popular, inversão das prioridades e cidade global - foram assimiladas e defendidas por outros partidos. Como o PT não inovou e não renovou, a tendência do eleitorado é votar num candidato que está mais próximo à realidade política, normalmente o próprio prefeito. O PT tem que refundar a sua agenda e reestruturar sua visão de cidade", opinou o governador Tarso Genro, que foi prefeito de 1993 a 1997 e de 2001 a 2002.

Críticas ao mensalão
Ao contrário de figuras marcantes do PT nacional, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que negam a existência do mensalão, os ex-prefeitos gaúchos têm posição firme e se posicionam publicamente contra o esquema criminoso de compra de apoio político, julgado no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo eles, a campanha de Porto Alegre foi prejudicada pelo escândalo. Entre os condenados pelo STF estão o ex-presidente nacional do PT José Genoíno e o ex-ministro José Dirceu, principal apoiador de Lula no primeiro mandato.

"Uma das nossas características era a ética e o combate à corrupção. Os fatos recentes levaram todos a dizer que o PT é igual a todos. Isso afetou bastante o prestígio e o apoio que tínhamos aqui, influenciou bastante", entende João Verle, prefeito de 2002 a 2004.

"O Lula tem dito 'o povo não se importa' e eu acho isso um erro. Depois de umas pessoas importantes terem negado a existência do mensalão, o PT no Sul teve uma postura diferente. Porém, não podemos ficar nos insurgindo contra o governo federal e também sofremos com isso. O povo, que olhava o PT com simpatia, passou a ter desconfiança. Isso é um patrimônio que precisa ser resgatado", corroborou Olívio Dutra.

Inércia e radicalização
Prefeito eleito em 1996, Raul Pont, atualmente deputado estadual e presidente da sigla no Rio Grande do Sul, também sinaliza como problemas deste pleito a inércia e a falta de consenso em torno de um nome que atraísse um grande número de votos. Ele retirou a sua pré-candidatura no final de 2011 para evitar um racha.

"Nós insistimos que, pela dificuldade que teríamos na disputa, era importante um nome de muita densidade eleitoral. Mas o partido não construiu esse consenso e agora terá que se debruçar sobre isso. A opção dos eleitores por Fortunati foi dada por uma inércia e pelo desconhecimento da nossa candidatura, pagamos um alto preço", afirmou.

Para Olívio Dutra, "o PT está longe de ter esgotado o seu projeto", mas precisa voltar a se radicalizar: "Nós fomos reduzindo a nossa radicalidade e nossas bandeiras foram sumindo. Defendemos coisas permanentes, como radicalizar a democracia e ir além do bom discurso. Democracia deve ser vivida no plano econômico, social, político e cultural. Temos de questionar as coisas pela raiz."

A votação média da legenda nas últimas eleições municipais foi de 331.578 votos, quatro vezes maior que o desempenho deste ano. "Acho que houve um certo pecado da campanha em explicar qual era a nossa crítica e porque somos oposição ao governo. Não conseguimos ser mais esclarecedores", analisou Raul Pont.

Em 2008, o PT amargou a derrota de Maria do Rosário no segundo turno, com 327.799 votos, contra 470.696 de José Fogaça (PMDB), que protagonizou a primeira reeleição em Porto Alegre, com Fortunati como seu vice. Em 2004, no PPS, ele havia vencido Raul Pont no segundo turno, com 53,32% dos votos válidos, contra 46,68% do petista.

10 outubro, 2012

A dimensão humana do julgamento no STF





Carta aberta aos senadores e deputados do PT e das forças progressistas


Diga não à violação do artigo 5º da Constituição Federal pelo STF!

Diga não ao julgamento de exceção do STF!

Queremos que nossos representantes no Congresso Nacional se posicionem contra isso!

Caros deputados e senadores,

O atual silêncio da bancada petista nos incomoda. Vocês receberam milhões de votos de cidadãos e trabalhadores de todo o Brasil e devem sim honrar seus mandatos. Nós, cidadãos e eleitores do PT, estamos fartos de sermos chamados de desonestos, eleitores de “petralhas”, eleitores de bandidos, bandidos eleitores, achincalhados pelos grandes meios de comunicação (a atual ministra da Cultura e senadora por São Paulo, Marta Suplicy, eleita com milhões de votos de eleitores de São Paulo, escreve coluna periódica no jornal que mais nos achincalha, mais nos estigmatiza politicamente, a Folha de S.Paulo, e isso é algo inconcebível). Tomem tenência!

Nós eleitores de vocês, deputados federais e senadores, queremos resposta imediata e sem delongas a este massacre midiático em que se converteu o julgamento da Ação Penal 470 no STF. Queremos pronunciamentos no Congresso já! Queremos declarações públicas de que este julgamento no STF é um julgamento de exceção, pois não somos eleitores leitores de Vejas da vida e nem dos jornalões. Sabemos o que se passa neste julgamento e por isso somos conscientes ao rotulá-lo como de exceção.

Por isso, como eleitores atentos, queremos já a manifestação dos senhores eleitos com nossos votos. Não é possível tamanho e constrangedor silêncio dos senhores deputados e senadores diante do que está ocorrendo neste país. Não é aceitável este silêncio que nos causa vergonha diante das absurdas condenações, posto que extravagantes, esdrúxulas e ao arrepio da Constituição Federal e dos direitos elementares dos cidadãos que estão sendo proferidas no STF. Estamos vivenciando um tribunal de exceção em plena democracia e isso exige dos outros poderes, os senhores, que se manifestem.

Provas estão sendo negligenciadas em prol de ilações e conjecturas. O ônus da prova da acusação, princípio basilar dos Direitos Fundamentais do Homem, perdeu-se no vendaval de absurdos que estamos assistindo, dia após dia, e os senhores se mantêm em silêncio obsequioso, sendo portadores do mais legítimo poder em uma democracia.

Nós, cidadãos do Brasil, trabalhadores, abundantemente abastecidos por informações que nos permitem entender claramente o que está acontecendo e eleitores dos senhores, exigimos que se manifestem imediatamente.

Sabemos que a Constituição Federal em seu artigo 5º inciso XXXVII preconiza de forma taxativa que não haverá juízo ou tribunal de exceção nesta República. Pois bem, estamos vivenciando este fundamental preceito constitucional violado pelo STF em nome das pressões da mídia monopolizada do Brasil, na qual o governo federal despeja rios de dinheiro. Trata-se de um julgamento venal, de exceção e que atinge o PT em suas origens e nós não aceitaremos isso. Estamos colocando em xeque a credibilidade do STF sim!

Por isso exigimos que vocês, nossos representantes, não se omitam nesta quadratura política e de tensionamento. Nós, cidadãos e eleitores de vocês, por isso, exigimos que honrem seus mandatos, em nome do que resta de democracia neste país.

Este movimento está apenas começando. Sabemos que responderão as nossas expectativas. Aguardaremos suas manifestações em plenário, nos blogs onde há livre manifestação de pensamentos e opiniões e em todos os espaços que julgarem fundamentais de modo a honrar os votos e a esperança das quais são depositários.

O que jamais aceitaremos é a omissão!

Jamais!

Nós, cidadãos, hoje sabemos que somos o real poder neste país.

Nota do Limpinho: A carta acima foi iniciativa do professor Osvaldo Ferreira no Facebook e encampada por esse blog. Se concordar com seus termos, a copie e encaminhe para os deputados e senadores do PT e das forças progressistas no Congresso Nacional. Abaixo estão alguns e-mails para serem enviados. Se tiver mais algum, deixe um comentário.

dep.janeterochapieta@camara.gov.br, dep.arlindochinaglia@camara.gov.br, dep.beneditadasilva@camara.gov.br, dep.angelovanhoni@camara.gov.br, dep.candidovaccarezza@camara.gov.br, dep.carlinhosalmeida@camara.gov.br, dep.carloszarattini@camara.gov.br, dep.delegadoprotogenes@camara.gov.br, dep.devanirribeiro@camara.gov.br, dep.dr.rosinha@camara.gov.br, dep.henriquefontana@camara.gov.br, dep.jilmartatto@camara.gov.br, dep.josedefilippi@camara.gov.br, dep.josementor@camara.gov.br, dep.pauloteixeira@camara.gov.br, dep.vicentinho@camara.gov.br, ana.rita@senadora.gov.br, angela.portela@senadora.gov.br, anibal.diniz@senador.gov.br, delcidio.amaral@senador.gov.br, eduardo.suplicy@senador.gov.br, humberto.costa@senador.gov.br, jorgeviana.acre@senador.gov.br, gab.josepimentel@senado.gov.br, lindbergh.farias@senador.gov.br, paulopaim@senador.gov.br, pinheiro@senador.gov.br, wellington.dias@senador.gov.br,


05 outubro, 2012

Serra, o informante privilegiado

por @stanleyburburin, via Twitter

"Aqui está a imagem do relatório da Satiagraha da PF com o grampo onde o Nahas fala que Serra passou informação privilegiada - is.gd/myNJMO " 






A pedido de Serra, polícia invade sindicato

por Claudia Motta, no SPBancários

A Folha Bancária foi censurada. Um policial militar e uma oficial de Justiça estiveram na sede do Sindicato na noite desta quinta-feira 4, além das regionais da entidade, com ordem de busca e apreensão da última edição da FB. A representação protocolada na 1ª Zona Eleitoral de São Paulo (Bela Vista – Capital) na mesma quinta-feira, foi assinada pela juíza Carla Themis Lagrotta Germano, e previa inclusive ordem de arrombamento, “se necessário”.

A censura teve origem em pedido da coligação do candidato José Serra (Avança São Paulo – PSDB, PSD, DEM, PV e PR) que solicitou o recolhimento dos exemplares da Folha Bancária, além da retirada da versão online do site. O mandado afirma que a “matéria denigre a imagem” de Serra.


Publicação apreendida/ imagem via facebook

O jornal trazia na última página reportagem que analisava as propostas e trazia o histórico dos candidatos que lideram a pesquisa à prefeitura de São Paulo: Russomano, Serra e Haddad. Também declarava o apoio da maioria da direção executiva da entidade a Fernando Haddad (PT), o único a receber e se comprometer com a Agenda da Classe Trabalhadora.

“O Sindicato tem quase 90 anos de existência e sempre lutou pela democracia e pela liberdade de expressão. Desde o ano passado estamos fazendo o debate, com os bancários, do que afeta a qualidade de vida dos trabalhadores. Além da campanha salarial e por melhores condições de trabalho, somos um sindicato cidadão se preocupa com a cidade, o estado e o país em que os trabalhadores vivem. Sabemos da importância desse debate”, afirma a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira. "Os trabalhadores têm direito a analisar as propostas dos candidatos. Pode haver divergência, mas repudiamos a censura”, ressalta a dirigente, lembrando que a FB coloca em prática o bom jornalismo. “Não denegrimos a imagem de ninguém. Só não pudemos noticiar o plano de governo de um dos candidatos que não tem seu material divulgado nos sites oficiais da campanha.”

Dados – O jornal Folha Bancária circula desde 1939, o site do Sindicato está no ar desde 2005. É a primeira vez que sofrem censura.

O advogado do Sindicato, Luiz Eduardo Greenhalgh, estranha o desrespeito com que a liminar foi cumprida no Sindicato. “Entraram. Foram recepcionados por funcionários do Sindicato e invadiram as dependências. Comportamento estranho, que não é a conduta costumeira da Justiça eleitoral de São Paulo”, afirma. “Com relação ao mérito vamos contestar e tentar suspender a busca e apreensão.”

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, está sendo usurpado o direito de informação dos trabalhadores. “Todos os veículos se expressam e respeitamos. Defendemos a liberdade de imprensa, o direito à livre manifestação e foi isso que colocamos em prática. É o nosso ponto de vista, podem concordar ou discordar, mas não censurar”, ressalta o dirigente.

Revista do Brasil – Esta é a terceira vez que Serra investe contra a liberdade de expressão dos trabalhadores, quando o assunto não lhe agrada. Em 2006 e 2010, duas edições da Revista do Brasil, uma que trazia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outra com a então candidata à presidência Dilma Rousseff, foram censuradas por solicitação da coligação tucana à época daquelas eleições. A Revista do Brasil é mantida por cerca de 60 sindicatos de diversas categorias profissionais.
__________

No Os amigos do Presidente Lula
Há poucas horas a sede e – pelo menos uma subsede - do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, filiado a CUT, foi invadido por oficiais de justiça, acompanhados de viaturas policiais, com ordem de arrombamento – se necessário – para buscar e apreender material relacionado a campanha eleitoral, inclusive com ordem de retirada do site o posicionamento político da entidade frente as eleições municipais.

O Sindicato dos Bancários, historicamente, sempre manifestou a posição majoritária de sua direção em seus informativos, como uma forma de orientar a categoria bancária em relação ao posicionamento político de sua direção em eleição de todos os níveis. Foi assim em todas as eleições disputadas por Lula e em todas as eleições para prefeitura e governo do estado desde a retomada do Sindicato para o campo do sindicalismo combativo no final da década de 1970.

Vale lembrar que nem mesmo no período da ditadura militar o Sindicato foi invadido com acompanhamento policial e ordem de arrombamento. A justiça brasileira passa por um processo de necessária reflexão, estamos acompanhando o caso da AP 470, que faz um julgamento político, sem base nos autos do processo, que é um principio jurídico, fazendo a votação de forma a coincidir com as eleições municipais e passando na frente de dezenas de outros processos mais antigos, como o mensalão do PSDB, onde está envolvido o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, à época, presidente nacional do PSDB.

Vimos também a forma truculenta como o judiciário – em conjunto com a PM paulista – no caso do massacre de Pinheirinho. O caso Bancoop é outro que aparece nos anos pares (anos eleitorais) assim como o procurador José Carlos Blat, que também só aparece nos anos eleitorais, sempre procurando crucificar o PT.

Esta mesma justiça não mantém o mesmo rigor para investigar as denúncias que o livro Privataria Tucana, do jornalismo Amaury Ribeiro Junior apresenta, recheado de documentos, mostrando a lavagem de dinheiro que foi a processo de privatização das estatais e como figuras notórias, como José Serra, sua filha Verônica e outras personalidades do governo Fernando Henrique aparecem envolvidos, ou o caso Aston, Paulo Preto e tantos outros que a justiça não investiga.


No caso desta invasão no Sindicato dos Bancários mostra que a justiça chegou ao fundo do poço e fica difícil tentar justificar qualquer imparcialidade neste episódio que – repito – não assistimos nem mesmo durante o período mais truculento da ditadura militar.




O Blog do Nassif também publicou a notícia

02 outubro, 2012

A natureza do problema




dica do @ricocordeiro


Orwell e a “compra de votos”no mensalão

George Orwell ensinou a todos nós  que a linguagem pode ser uma arma do conhecimento mas também pode servir à mentira. Pode encobrir a realidade e também pode desvendá-la.

Vejamos, por exemplo, por onde caminham as conclusões do julgamento do mensalão no STF. Não vou  discutir as sentenças proferidas. Quero  discutir a interpretação.

A principal é dizer o seguinte: está provado que houve compra de votos e que o mensalão não era, portanto, caixa 2 de campanha. Parece haver uma relação de causa entre uma coisa e outra.

Essa é a  teoria desde a denúncia inicial, em 2006. Mas há um problema elementar neste raciocínio.

Não há nexo entre as coisas. Dinheiro de caixa 2 é dinheiro não registrado, sem origem declarada. Sua origem pode ser uma atividade criminosa, como tráfico de drogas, ou propina conseguida em negociações escusas com o governo.

O dentista que dá desconto no tratamento mas não dá recibo inclui-se no mundo imenso do Caixa 2.
O mesmo acontece com  com uma empresa legal, que dá emprego a milhares de pessoas – e não cumpre suas obrigações com o fisco. Muitas empresas privadas têm um caixa 2 especialmente reservado para pagamentos por fora. Isso inclui, como nós sabemos, as contribuições de campanha.

A CPMI dos correios demonstrou que grandes empresas privadas deixaram mais de R$ 200 milhões com o esquema de Marcos Valério, entre 2000 e 2005. Nenhuma foi levada ao julgamento agora em pauta, aliás.

Esse dinheiro, muitas vezes, era limpo e declarado. Outras vezes, não.

Isso não muda a natureza do problema.

Quando falou que movimentava recursos “não declarados” Delubio contou uma parte da história. Tentou amenizar sua pena, o que eu acho compreensível, já que numa democracia  ninguém é obrigado a se auto-incriminar, como a gente aprende em seriado americano quando a policia interroga  um suspeito, certo?

Caixa 2  tem a ver com a origem. Não explica a finalidade do pagamento. Quem fala em “compra de consciências” está falando em finalidade, certo ? Embora alguns ministros tenham  tido que isso era irrelevante, eu acho que tem importância, sim.

Está lá, na denúncia. Por que não tem importância?

É um ponto central do problema, quando se recorda nossa legislação eleitoral, tão favorável ao poder econômico privado.

Muito antes de Orwell denunciar o stalinismo, grande assunto de toda sua obra, adivinhar o que anda pela “consciência” dos homens intriga os filósofos e os políticos.

No auge do obscurantismo católico,  até as  fogueiras da inquisição ardiam  para que os infiéis confessassem os pecados que lhe eram atribuídos – e não reconheciam como tais.  Não comparo o julgamento à Inquisição. Mas aquela experiência terrível — e tantas outras — mostra que a consciência humana é materia muito delicada.

Às vezes tenho a impressão de que provas parecem não importar muito nos dias de hoje mas eu acho que falar em “compra de votos”  implica em provar que a pessoa tinha uma convicção e mudou de ideia porque recebeu dinheiro no bolso.

Sei que isso pode acontecer. Quantos exemplos de carreirismo nós encontramos no cara que mente para subir na empresa, no puxa-saco que sorri o tempo inteiro para ter aumento  e assim por diante?

Seria bobo pensar que não há pessoas assim na política. Mais. O inquérito mostrou até que o dinheiro do mensalão foi usado para pagar indenização a namorada de um político falecido. Tenho certeza de que muitos políticos fizeram desvios – quem sabe muito piores do que este.

Quem olhar as votações ocorridas no período – 2003 e 2004 — em que teria ocorrido a “compra de votos” ficará espantado em função de uma coisa. Os calendários dos pagamentos não são conclusivos. Aquilo que o ministério público alega um levantamento da defesa desmente. Na melhor das hipóteses, é um empate de provas. Mas há um elemento maior e mais decisivo.

Naquele momento, o governo Lula tinha aliados à direita e fazia uma política que, sob este critério, também estava  à direita. A esquerda do PT e mesmo fora dele não cansava de denunciar o que ocorria. O PSOL preparava seu racha e, dentro do governo, personalidades de pensamento semelhante começavam a esvaziar gavetas.

O Planalto cumpria parte da agenda do PSDB, do PP, do PTB   e assim por diante. Aprovou a reforma da previdência – que era uma continuação do governo FHC – e outras medidas no gênero. O primeiro ato público do governo Lula foi um protesto de 25 000 servidores na Esplanada.

O governo pagava direitinho as contas de um empréstimo no FMI e governava com os juros no céu. Achava que esse era um pacto necessário para assegurar as condições mínimas de governar, após o ambiente de colapso e pânico que o país atravessou em 2002.

Banqueiros internacionais elogiavam a política econômica.

Você acha que o Roberto Jefferson precisava de R$ 4 milhões no bolso para votar a favor de mudanças na Previdência? Ou o PL? Ou o PP?

Eu acho que não. Eles dizem que não. Eles tinham embarcado no projeto Lula, como o PL fizera antes, ao garantir até a cadeira de vice-presidente. Falaram isso ao serem ouvidos na Polícia Federal. Falaram que iriam usar o dinheiro para a atividade mais importante de todo político: preparar a próxima campanha e pagar as contas anteriores.

E se você acha que isso é feio, subdesenvolvido, cínico, saiba  que está enganado. Até na Alemanha esses acordos são feitos. Os verdes  deixaram a ultraesquerda para assumir um governismo perpétuo. Democratas de centro e republicanos idem adoram trocar postos no primeiro escalão de presidentes do lado oposto, nos EUA.

Se você olhar os petistas que receberam dinheiro do esquema, irá reparar que eles pertenciam ao Campo Majoritário, que sustentava a política do governo, mesmo a contragosto às vezes. (Toda luta política depois do jardim de infância inclui momentos de contragosto, certo…?)

Isso acontecia porque o financiamento de Marcos Valério e Delúbio Soares não se destinava a alimentar uma “organização criminosa,” como os bandidos que roubam automóvel ou assaltam residências.

Não há como justificar nenhum desvio, roubo ou coisa parecida. Mas não é preciso aplicar a tecnologia tão bem explicada por Orwell para acreditar que a mentira virou verdade.

A menos, claro, que você pretenda tratar a política como crime. A vantagem de quem faz isso é atingir objetivos políticos enquanto se esconde atrás da ética. A desvantagem pasra os outros é fazer o papel de bobo.

Por mais que você goste de comparar a política brasileira a uma quitanda de bairro, não se iluda. Todos partidos têm  seus compromissos, prioridades e assim por diante. Caso contrário, não sobrevivem.

O PP, o PL e outros se aliaram ao governo Lula depois da  Carta ao Povo Brasileiro, que levou muitos  petistas para debaixo  do tapete, não é mesmo?

Os partidos podem ser e são muito parecidos pelos escândalos e eu acho que já discuti isso aqui algumas vezes. (O mais divertido dessa discussão é o  escandalômetro. Dados do TSE mostram que o  PSDB é o campeão nacional de fichas sujas enquanto PMDB, DEM, PP vêm depois. O PT fica em 8O lugar, o que é lamentável mas não parece compatível com a  fama atual, quem  sabe  mais um efeito George Orwell – ou seria melhor falar em Goebells?)

Mas o esquema tinha um fundo político, alimentava a política e era alimentado por ela.

É difícil negar que ao longo do tempo governos de partidos diferentes produzem resultados diferentes, como as pesquisas de distribuição de renda, desemprego e redução da miséria não se cansam de demonstrar. (Não vamos nos estender muito sobre isso, é claro…)

Estas políticas se mostraram tão diferentes que  hoje em dia os mais pobres costumam votar de um jeito e os mais ricos, de outro.

Veja que aí também há quem fale em “compra de votos”, que seria a versão popular da compra de “consciências”.

É o mesmo raciocínio. No Congresso, a compra de “consciência.” No povão, a compra de votos. Num caso, o “mensalão.”Em outro, o Bolsa Família, as políticas de estimulo ao crescimento para impedir a queda no emprego, o salário mínimo…

Deixando de lado, claro, a troca de voto por dentadura e por um par de sapatos, que é expressão da miséria política em sua face mais degradante, eu acho é preciso prestar atenção nessa visão.

É uma espécie de racismo social. Explico. Ninguém fala em compra de votos quando um governo conservador dá um pontapé nos juros, enriquece a clientela do mercado financeiro – que fará o possível para assegurar a manutenção dessa política no pleito seguinte. Vozes graves e olhares sisudos chegam a elogiar o massacre social que estamos assistindo na Europa, hoje em dia – da mesma foram que apoiaram a sangria dos países do Terceiro Mundo décadas atrás. Considera-se que essa é uma visão legítima no debate econômico.

Mas quando um governo procura beneficiar os interesses dos pobres e indefesos, está fazendo compra de votos. Curioso, não?

E é mais curioso ainda quando alguém tem o mau gosto de lembrar que outro escândalo, igualzinho, e mais antigo, foi conveniente retirado das manchetes e da televisão.

Estou falando, claro, do mensalão tucano que, em nova homenagem a Orwell,  é chamado de “mineiro”, o que é uma ofensa a um estado inteiro. O mensalão, vá lá, PSDB-MG, ficou para as calendas, embora seja quatro anos mais antigo.

Considerando as eleições para prefeito, neste domingo, e as sentenças que nos aguardam, é impossível deixar de reparar na coincidência e deixar de perguntar: quem está “comprando consciências”?


01 outubro, 2012

Nota de Vicentinho à imprensa e à sociedade


O deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, um dos mais respeitados representantes do trabalhadores no Congresso Nacional, divulgou nota onde abre seus sigilos fiscal, bancário e telefônico de "todos os tempos" para ajudar nas novas investigações sobre o esquema de Marcos Valério.

dica do @Cidoli

Assembleia em SBC pela redução da jornada para 40 horas


" Nota à imprensa e à sociedade

Com referência a matéria intitulada "STF autoriza abertura de nova fase nas investigações" do Jornal Folha de São Paulo de hoje, Domingo, 30 de Setembro de 2012, em que sou citado, esclareço que : Em 2003, dois anos antes da denúncia do chamado mensalão, na condição de pré-candidato a prefeito de São Bernardo do Campo, eu procurei ajuda para a minha campanha, ao meu Partido dos Trabalhadores, através do então tesoureiro nacional Delúbio Soares, dada a importância nacional do pleito. 
No ano seguinte, o Delúbio me informou, que nos daria uma empresa de propaganda e marketing. O que aconteceu na nossa campanha em 2004, um ano antes da denúncia do chamado mensalão. Inclusive, eu fiquei muito agradecido ao meu Partido, já que nós tínhamos dificuldades de contratar uma agência dessa natureza.  Para nós se tratava de uma empresa idônea.  
Em 2005, ocorreu a denúncia do chamado mensalão. Foi neste ano  que constatamos, pela grande mídia, que o Sr. Marcos Valério, proprietário da citada empresa de comunicação, estava sendo acusado de operador do chamado mensalão. Passados esses anos e diante da matéria, afirmo que esse Sr. Nélio José Batista Costa, eu não conheço, portanto, nunca foi meu assessor, nunca trabalhou comigo,  nem nunca o deleguei a nada. Se esse cidadão e outros membros receberam pagamentos da citada  empresa eu não tenho conhecimento, já que não  não paguei nem recebi, muito menos a minha assessoria. 
Diante da abertura do inquérito, eu reafirmo todo apoio às apurações e colaborarei para que a verdade seja a vitoriosa. Mais ainda, eu entregarei, de livre e espontânea vontade, a autorização para a quebra dos meus sigilos fiscais, telefônicos e bancários de todos os tempos. 
Eu reafirmo o meu compromisso de vida e minha luta em defesa da dignidade humana, pela ética na política, pelos direitos dos trabalhadores, contra todo tipo de discriminação e pela transformação social que o nosso País vive. 
Para o bem da verdade, eu solicito a divulgação dessa mensagem. 

Atenciosamente, 
Vicente Paulo da Silva, 
Deputado Federal Vicentinho."   

28 setembro, 2012

Chafariz no comício é consequência da privatização do espaço público


por Cristina Rodrigues

Hoje, 27 de setembro, a dez dias das eleições municipais de 2012, tivemos comício da Frente Popular no Largo Glênio Peres, Centro de Porto Alegre. Para quem não é daqui, o Glênio Peres é aquele espaço público que serve, no dia a dia, de passagem para milhares de pessoas, mas que também é palco de manifestações populares, de feiras de agricultura familiar, de ocupação. Um espaço do povo.

Nem tanto.

No meio do comício, enquanto falava a ministra da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, militantes receberam uma visita inesperada. Água. E ela não vinha do céu, mas do chão. A novidade anunciada tempos atrás pela Prefeitura, ocupada por José Fortunati desde que José Fogaça renunciou para se candidatar sem sucesso ao governo do estado, mostrou pela primeira vez claramente o prejuízo que causa.

Imagem: via twitter, via @jornalsul21

O chafariz – pontos de água espalhados em uma linha quase reta – está em espaço público, mas foi colocado pela Coca-Cola. A privatização do espaço tem consequências bem graves, e diz muito da forma de administrar a cidade – bem diferente da administração popular. Consequências que vão bem além dos militantes molhados, do outro que caiu ao tropeçar tentando escapar da água e do material de campanha encharcado.

Prefiro não apostar na possibilidade de os correligionários do prefeito Fortunati serem tão contra o espírito democrático a ponto de ligar os chafarizes de propósito. E na verdade não importam muito as desculpas que a Prefeitura possa dar (segundo a Rádio Guaíba, o coordenador do programa Viva o Centro, Glênio Bohrer, disse haver um acordo para que não fossem ligados durante o comício e que desconfia de sabotagem, mas poderiam dizer que ligava automático, sabotagem, acidente, responsabilidade da empresa, não importa). Não importa, porque só têm duas opções: ou o chafariz é responsabilidade da Prefeitura ou da Coca-Cola. O fato é que estamos falando de um espaço público, que deixou de ser.

No momento em que a Prefeitura entrega nas mãos de empresas privadas a recuperação e a administração de lugares do povo, ela está dando um recado claro: esse espaço deixou de ser do cidadão. Ela sujeita os habitantes do município às vontades de uma entidade que se move em função do lucro. E isso não é uma ofensa, é o pressuposto básico do capitalismo, cujo espírito, segundo Max Weber, é não simplesmente o lucro, mas a acumulação de dinheiro. Exatamente o oposto do que deveria ser o pressuposto de uma administração pública, que seria o de prover o bem estar da comunidade.

É esse modelo que vamos deixar ocupar o Paço Municipal mais uma vez?
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Veja o video

26 setembro, 2012

Falsa intimidade


por Vladimir Safatle*
da Folha



A moralidade é uma virtude disputada. Mesmo aqueles que dela conhecem apenas o nome gostam de falar sobre virtudes morais como se fossem íntimos de longa data.

Em época eleitoral, por exemplo, somos obrigados a acompanhar o espetáculo lamentável de moralistas de última hora, que parecem acreditar no pendor infinito da população ao esquecimento e à indignação seletiva.

Melhor seria que eles se abstivessem de falar de moral antes de meditar profundamente a respeito da passagem do Evangelho que exorta a primeiro tirar a trave no seu próprio olho antes de retirar o cisco no olho do próximo.

Por exemplo, o Brasil vive um momento importante com o corajoso julgamento do chamado mensalão. Espera-se, com justiça, que daí nasça uma nova jurisprudência para crimes de corrupção eleitoral. Espera-se também que ninguém saia impune desse caso vergonhoso.

No entanto é tentar resvalar a moralidade à condição de discurso da aparência e da esperteza ver políticos como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seu candidato à Prefeitura de São Paulo tentarem utilizar a justa indignação popular em benefício eleitoral próprio.

Caso eles realmente amem os usos das virtudes morais em política, melhor seria se começassem por fazer uma profunda autocrítica sobre o papel de seu partido na criação do próprio mensalão, da acusação de compra de voto na emenda da reeleição, assim como fornecer uma resposta que não fira a inteligência quando membros de seu partido --como Marconi Perillo, Yeda Crusius e Cássio Cunha Lima-- aparecem envolvidos até a medula em casos de corrupção.

Seria bom também que eles explicassem por que apoiam incondicionalmente um prefeito que chegou a ter seus bens apreendidos pela Justiça no ano passado devido ao caráter da contratação da empresa Controlar, e por que a Justiça suíça e a francesa investigam propinas que a empresa Alstom teria pago a políticos do governo paulista em troca de contratos com a Eletropaulo.

Por fim, seria uma boa demonstração de respeito aos eleitores que o candidato Serra se defendesse, de preferência sem impropérios, a respeito das acusações sobre o processo de privatização de empresas federais no período FHC.

Sem isso, toda essa pantomima lembrará uma velha piada francesa sobre um sujeito que dizia a todos em sua pequena cidade ser amigo de Charles de Gaulle. Eis que um dia, De Gaulle aparece na cidade. Para não ser desmascarado, o sujeito resolve chegar perto do presidente e, com um tom de cumplicidade, perguntar: "E aí, Charles, o que há de novo?". "De novo", respondeu De Gaulle,"só mesmo essa intimidade".

____*Vladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP (Universidade de São Paulo). 

Zero Hora e Fortunati: projetos afinados de higienização e privatização de Porto Alegre



por Alex Haubrich
do Jornalismo B

“Em tempos de obras que ninguém sabe ao certo quando começam e tampouco quando terminam, um dos projetos mais aguardados pelos porto-alegrenses já tem até data para inauguração.

– O Araújo Vianna será entregue ao público no dia 26 de março de 2012. Um presente de aniversário para a cidade, podem me cobrar – prometeu o prefeito José Fortunati na última quarta-feira, durante o Café ZH Especial, no Chalé da Praça XV.”


Foto: Wladymir Ungaretti
Essa é a abertura de uma matéria publicada na capa do caderno de Cultura do jornal Zero Hora, em novembro de 2011. Como se vê com a inauguração do Araújo Vianna apenas no último 20 de setembro, Fortunati não falou a verdade. Como se vê com a cobertura que a mesma Zero Hora fez da reabertura da tradicional casa de shows encravada no mais importante parque da cidade, a Redenção, a tal cobrança não aconteceu.

O rapper Emicida, ao receber o prêmio de melhor música no VMB, programa da MTV, disse que aquele não era um momento de festa, já que “nesse momento a Polícia Militar, não satisfeita com os 36 incêndios criminosos em favelas de São Paulo, está sitiando a Favela do Moinho e impedindo os moradores de voltarem para os seus barracos”. Com outra proporção mas sob o signo de projetos de cidade que dialogam, em Porto Alegre um símbolo da cultura local é reaberto semi-privatizado e o clima na velha mídia é de oba-oba.

Mas esse não é um caso isolado. Nesta terça-feira a capa de Zero Hora estampa uma enorme foto do “Gigante Inflável”, expressão pela qual se referiu ao mascote da Copa do Mundo colocado pela Coca Cola no Largo Glênio Peres, no Centro da capital gaúcha. O foco da matéria das páginas internas é todo no personagem-mascote e em seus possíveis nomes. Mais um caso de oba-oba. Na verdade, como escreveu em seu perfil no Facebook a vereadora Sofia Cavedon (PT), “Largo Glênio Peres está ocupado com este boneco que promove refrigerante que faz mal à saúde! Área pública promovendo empresa privada. A economia solidária e o artesanato foram retiradas dali!”. O Largo, em frente ao Mercado Público, um dos lugares onde a cidade antes respirava, foi transformado em estacionamento e, como outros espaços públicos de Porto Alegre, foi, nos últimos anos, legado a empresas privadas. Novamente Sofia: “Esta Coca que está no peito do boneco já está há horas no totem de entrada do Largo Glênio Peres: pobre Largo!”.

Esse é o projeto de cidade que vem sendo levado a cabo pelo atual prefeito e estimulado por palmas ou silêncios do maior jornal do Estado. Um projeto que expulsa a pobreza do Centro, como vemos no caso da remoção da Vila Chocolatão, que ataca a cultura boêmia do bairro Cidade Baixa e que passa espaços públicos para as mãos de empresas privadas – é o caso de largos e parques e deverá ser o caso, logo logo, da orla do Guaíba.

Não é por acaso o financiamento de uma grande parte da campanha do atual prefeito por empreiteiras, como também não é por acaso o financiamento de grande parte das páginas daquele jornal por esse mesmo setor econômico. Vale lembrar, com esse contexto em mente, que Fortunati tem sido o candidato com mais espaço em Zero Hora desde o início da campanha.
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Leia também:

Baixou um Kassab no Fortunati?

25 setembro, 2012

Post de aniversário



Hoje este blog completa um ano de "rua". Com esta são 495 postagens e um total de 117.425 visitas! 

Agradecemos a todos os que colaboram, divulgam, compartilham, assinam e comentam nesta enorme rede! 

Sigamos tecendo! 
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Denise e Sergio 

22 setembro, 2012

O retrato do engano


Foto de  Fernanda Hecktheuer no Centro Administrativo de Porto Alegre


Para quem não é de Porto Alegre o esclarecimento: a campanha do atual prefeito e candidato à reeleição, José Fortunati, tem como um dos slogans "melhorou, vai melhorar".

Além de, a estas alturas do ano, só ter aplicado 24% da verba do orçamento de 2012, de Porto Alegre só ter conseguido construir uma UPA (ainda a ser inaugurada) das mais de 600 que estão por todo o território nacional, do programa Minha Casa Minha Vida ser um dos mais vergonhosos do país (lembremos que o Secretário da Habitação de parte do mandato é candidato a vice-prefeito na outra chapa, a de Manuela ) de ter de uma bancada do concreto na câmara municipal que altera o plano diretor por interesses que passam longe do apregoado desenvolvimento sustentável e planejado, de ter perdido dinheiro federal destinado a investimentos por falta de planejamento, vai deixar de herança para o próximo prefeito um problemão na área de coleta e destino de resíduos.

A coleta seletiva, implantada com sucesso absoluto na primeira gestão da Frente Popular no anos 80, no governo de Olívio Dutra - que também implementou o Orçamento Participativo - com campanhas educativas e organização de cooperativas de catadores, hoje é uma sombra do que foi.

A foto só retrata, afinal o quão enganadora é a propaganda eleitoral.


Leia também:


As cinco razões: III – cinco razões para votar no Villaverde

Eleições em Porto Alegre. Onde está o encanto?

Em Porto Alegre, nem todos os gatos são pardos


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