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02 abril, 2013

Povo em luta pelo direito de ir e vir

Estudos do Tribunal de Contas mostram que o valor da passagem de ônibus em Porto Alegre, que estava em R$ 2,85, deveria ser de R$ 2,60 . Mesmo com isso, o Conselho Municipal de Transporte Urbano aprovou na semana anterior à Páscoa os cálculos das empresas transportadoras , que pediam que o valor fosse atualizado para R$ 3,05. O aumento foi concedido pela prefeitura. E o povo foi às ruas e promete continuar enquanto o poder municipal não adequar o valor ao que seria justo.

Vale lembrar ao prefeito José Fortunati - re-eleito em outubro - que voto da maioria não o autoriza a desrespeitar aos cidadãos nem aos outros poderes municipais.

O vídeo é de Alexandre Haubrich, do JornalismoB



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“Mijam em nós e os jornais dizem: chove"

15 outubro, 2012

PT radical, renovado e de volta às origens ?




do Terra
Mauricio Tontetto
dica do @maikonkremer
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Eles fizeram história ao comandar Porto Alegre por 16 anos consecutivos (1989 a 2004) e ajudaram a consolidar o PT no País, deixando legados como o Orçamento Participativo e o Fórum Social Mundial. Porém, após a retumbante derrota de Adão Villaverde na disputa pela prefeitura neste ano, obtendo apenas 76.548 votos (9,6%) - o pior índice da história da sigla no Estado -, os ex-prefeitos Raul Pont, João Verle, Tarso Genro e Olívio Dutra pregam a autocrítica e o retorno às raízes para recuperar o prestígio na cidade. Criticando os próprios correligionários que negam o mensalão, eles cobram mudanças e o fim da acomodação para voltar à vitrine.

"A nossa linha sucessória, que vinha se dando ao natural, pela continuidade do projeto coletivo, passou a ser ideia de alguém, de pessoas e quadros, contaminando também a militância", avaliou Olívio Dutra, prefeito de 1989 a 1992 e governador do Estado de 1999 a 2002. Segundo ele, o PT precisa se repensar agora para não ser "engolido pela máquina pública e partidária".

"O PT não nasceu de gabinetes, mas hoje há quadros cuja profissão é pular de eleição em eleição para se manter na burocracia. Assim, começamos a ficar como a velha política tradicional. Na base do partido existe muita insatisfação com essa acomodação. Precisamos discutir os reflexos de estarmos sendo, de forma acelerada, engolidos pela máquina pública e partidária. Não podemos ser o partido da acomodação, mas da transformação", disse.

Entre as razões para o fracasso na capital gaúcha, as lideranças petistas apontam inércia, desunião com a esquerda, disputa interna por espaços, falta de novas lideranças afirmadas, esgotamento da agenda e distanciamento das raízes populares e de atuação social. De acordo com eles, o prefeito José Fortunati (PDT) - filiado ao PT de 1980 a 2002 - se aproveitou disso para fazer 517.969 votos (65,22%), elegendo-se tranquilamente no primeiro turno.

"Esgotamos a agenda. As três grandes novidades implantadas aqui - participação popular, inversão das prioridades e cidade global - foram assimiladas e defendidas por outros partidos. Como o PT não inovou e não renovou, a tendência do eleitorado é votar num candidato que está mais próximo à realidade política, normalmente o próprio prefeito. O PT tem que refundar a sua agenda e reestruturar sua visão de cidade", opinou o governador Tarso Genro, que foi prefeito de 1993 a 1997 e de 2001 a 2002.

Críticas ao mensalão
Ao contrário de figuras marcantes do PT nacional, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que negam a existência do mensalão, os ex-prefeitos gaúchos têm posição firme e se posicionam publicamente contra o esquema criminoso de compra de apoio político, julgado no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo eles, a campanha de Porto Alegre foi prejudicada pelo escândalo. Entre os condenados pelo STF estão o ex-presidente nacional do PT José Genoíno e o ex-ministro José Dirceu, principal apoiador de Lula no primeiro mandato.

"Uma das nossas características era a ética e o combate à corrupção. Os fatos recentes levaram todos a dizer que o PT é igual a todos. Isso afetou bastante o prestígio e o apoio que tínhamos aqui, influenciou bastante", entende João Verle, prefeito de 2002 a 2004.

"O Lula tem dito 'o povo não se importa' e eu acho isso um erro. Depois de umas pessoas importantes terem negado a existência do mensalão, o PT no Sul teve uma postura diferente. Porém, não podemos ficar nos insurgindo contra o governo federal e também sofremos com isso. O povo, que olhava o PT com simpatia, passou a ter desconfiança. Isso é um patrimônio que precisa ser resgatado", corroborou Olívio Dutra.

Inércia e radicalização
Prefeito eleito em 1996, Raul Pont, atualmente deputado estadual e presidente da sigla no Rio Grande do Sul, também sinaliza como problemas deste pleito a inércia e a falta de consenso em torno de um nome que atraísse um grande número de votos. Ele retirou a sua pré-candidatura no final de 2011 para evitar um racha.

"Nós insistimos que, pela dificuldade que teríamos na disputa, era importante um nome de muita densidade eleitoral. Mas o partido não construiu esse consenso e agora terá que se debruçar sobre isso. A opção dos eleitores por Fortunati foi dada por uma inércia e pelo desconhecimento da nossa candidatura, pagamos um alto preço", afirmou.

Para Olívio Dutra, "o PT está longe de ter esgotado o seu projeto", mas precisa voltar a se radicalizar: "Nós fomos reduzindo a nossa radicalidade e nossas bandeiras foram sumindo. Defendemos coisas permanentes, como radicalizar a democracia e ir além do bom discurso. Democracia deve ser vivida no plano econômico, social, político e cultural. Temos de questionar as coisas pela raiz."

A votação média da legenda nas últimas eleições municipais foi de 331.578 votos, quatro vezes maior que o desempenho deste ano. "Acho que houve um certo pecado da campanha em explicar qual era a nossa crítica e porque somos oposição ao governo. Não conseguimos ser mais esclarecedores", analisou Raul Pont.

Em 2008, o PT amargou a derrota de Maria do Rosário no segundo turno, com 327.799 votos, contra 470.696 de José Fogaça (PMDB), que protagonizou a primeira reeleição em Porto Alegre, com Fortunati como seu vice. Em 2004, no PPS, ele havia vencido Raul Pont no segundo turno, com 53,32% dos votos válidos, contra 46,68% do petista.

26 setembro, 2012

Zero Hora e Fortunati: projetos afinados de higienização e privatização de Porto Alegre



por Alex Haubrich
do Jornalismo B

“Em tempos de obras que ninguém sabe ao certo quando começam e tampouco quando terminam, um dos projetos mais aguardados pelos porto-alegrenses já tem até data para inauguração.

– O Araújo Vianna será entregue ao público no dia 26 de março de 2012. Um presente de aniversário para a cidade, podem me cobrar – prometeu o prefeito José Fortunati na última quarta-feira, durante o Café ZH Especial, no Chalé da Praça XV.”


Foto: Wladymir Ungaretti
Essa é a abertura de uma matéria publicada na capa do caderno de Cultura do jornal Zero Hora, em novembro de 2011. Como se vê com a inauguração do Araújo Vianna apenas no último 20 de setembro, Fortunati não falou a verdade. Como se vê com a cobertura que a mesma Zero Hora fez da reabertura da tradicional casa de shows encravada no mais importante parque da cidade, a Redenção, a tal cobrança não aconteceu.

O rapper Emicida, ao receber o prêmio de melhor música no VMB, programa da MTV, disse que aquele não era um momento de festa, já que “nesse momento a Polícia Militar, não satisfeita com os 36 incêndios criminosos em favelas de São Paulo, está sitiando a Favela do Moinho e impedindo os moradores de voltarem para os seus barracos”. Com outra proporção mas sob o signo de projetos de cidade que dialogam, em Porto Alegre um símbolo da cultura local é reaberto semi-privatizado e o clima na velha mídia é de oba-oba.

Mas esse não é um caso isolado. Nesta terça-feira a capa de Zero Hora estampa uma enorme foto do “Gigante Inflável”, expressão pela qual se referiu ao mascote da Copa do Mundo colocado pela Coca Cola no Largo Glênio Peres, no Centro da capital gaúcha. O foco da matéria das páginas internas é todo no personagem-mascote e em seus possíveis nomes. Mais um caso de oba-oba. Na verdade, como escreveu em seu perfil no Facebook a vereadora Sofia Cavedon (PT), “Largo Glênio Peres está ocupado com este boneco que promove refrigerante que faz mal à saúde! Área pública promovendo empresa privada. A economia solidária e o artesanato foram retiradas dali!”. O Largo, em frente ao Mercado Público, um dos lugares onde a cidade antes respirava, foi transformado em estacionamento e, como outros espaços públicos de Porto Alegre, foi, nos últimos anos, legado a empresas privadas. Novamente Sofia: “Esta Coca que está no peito do boneco já está há horas no totem de entrada do Largo Glênio Peres: pobre Largo!”.

Esse é o projeto de cidade que vem sendo levado a cabo pelo atual prefeito e estimulado por palmas ou silêncios do maior jornal do Estado. Um projeto que expulsa a pobreza do Centro, como vemos no caso da remoção da Vila Chocolatão, que ataca a cultura boêmia do bairro Cidade Baixa e que passa espaços públicos para as mãos de empresas privadas – é o caso de largos e parques e deverá ser o caso, logo logo, da orla do Guaíba.

Não é por acaso o financiamento de uma grande parte da campanha do atual prefeito por empreiteiras, como também não é por acaso o financiamento de grande parte das páginas daquele jornal por esse mesmo setor econômico. Vale lembrar, com esse contexto em mente, que Fortunati tem sido o candidato com mais espaço em Zero Hora desde o início da campanha.
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Baixou um Kassab no Fortunati?

30 julho, 2012

Baixou um Kassab no Fortunati?


Outro dia um post da Revista Bastião, no facebook, contava que "A Batalha do Mercado, evento mensal que celebra o rap freestyle no Centro de Porto Alegre, sofreu ontem (28/07) sua primeira intervenção policial. Sob a alegação de "estarem fazendo o trabalho deles", os policiais militares interromperam os duelos de rima e colocaram todos os presentes junto à parede. Após o contratempo, a Batalha continuou."

Hoje em visita ao RSurgente, a denúncia reproduzida abaixo. Pelo visto o higienismo de Kassab atravessou o Mampituba.



foto do forumzn.blogspot.com

do RSurgente

Moradora do bairro Auxiliadora, de Porto Alegre, envia relato sobre fato ocorrido na última quinta-feira, dia 19 de julho, envolvendo um grupo de moradores de rua que habitam aquela região:

“Como muitos sabem, há um grupo de moradores de rua que moram pela nossa zona. Eles têm cães e são muito apegados aos peludos. Muitas pessoas do bairro ajudam essas pessoas e seus cães com comida, roupas, calçados, cobertas, ração, vacinas, vermífugos, castrações, lonas plásticas para se abrigar da chuva e frio e até uma casinha de cachorro eles ganharam de uma protetora. Eles fizeram um abrigo de papelão e lona plástica para dormir nestas noites geladas e ali ficavam dia e noite, sem incomodar ninguém, no beco que fica entre a Felipe Neri e a 24 de Outubro.

Para surpresa e revolta de muitos moradores do bairro, no dia 19 vieram cinco viaturas da SMAM (Secretaria do Meio Ambiente) e da Guarda Municipal, fecharam o beco de um lado a outro e começaram, truculentamente, a pegar tudo e colocar nas viaturas, inclusive a casinha de cachorro bem amarrada em cima de um caminhão. Eles quase não deixaram os moradores de rua pegar nada, jogaram tijolo em cima do Luciano – morador de rua. Enquanto ele pegava seus documentos, outros pediam calma, várias pessoas que sempre ajudam saíram chorando do local. Um casal amigo pegou a cachorra Ágata e afastou deles, pois, ela ficou muito estressada com toda essa agressividade.

Os moradores de rua ganharam coisas das pessoas do bairro, não é nada roubado não. Queremos saber que fim levaram todas as coisas que demos para eles. Onde está a casinha da Ágata, por exemplo? Onde estão as cobertas , edredons, cobertores, tênis, sapatos, blusões de lã, ração para os peludos, colchão, lonas plásticas, panelas, cordas em metro para segurar as lonas, travesseiros, potes para comida e água e muito mais. Para onde levaram todo esse material?

Assim como muita gente aqui do bairro, também estou desolada, revoltada e indignada com esta atitude tão mesquinha, violenta e reprovável da SMAM e da Guarda Municipal. Não avisaram nada antes, poderiam ter falado com os moradores e dito que eles não poderiam ficar ali, dando tempo para que procurassem outro lugar. Mas não, chegaram derrubando tudo e botando as coisas nas viaturas e caminhão.

Coincidentemente, isso ocorreu no mesmo dia da inauguração de uma casa noturna bem próxima ao local, que funciona até altas horas fazendo barulho.

Estamos revoltados, pois esses moradores de rua já têm laços com essa comunidade e agora estão de novo, eles e os cães, dormindo ao relento, sem cobertas ,sem a casinha do cachorro, sem as roupas doadas, neste frio. Isso é solução? Como será na época da Copa? Vão colocar os mendigos no paredão e metralhar?”


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