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21 setembro, 2012

Eu já vi e vivi esse filme antes... o cheiro é o mesmo





por Bob Fernandes, no Terra Magazine
Lido no Viomundo

Nesta quinta-feira, 20, seis partidos de sustentação do governo Dilma (PT, PMDB, PSB, PDT, PC do B e PRB), em nota pública, acusaram a oposição de estar “disposta a qualquer aventura” e a “práticas golpistas”. Segundo a nota, “em defesa da honra e dignidade” do ex-presidente Lula, assinada pelos presidentes dos seis partidos, “assim foi em 1954, quando inventaram um ‘mar de lama’ para afastar Getúlio Vargas” e “assim foi em 1964, quando derrubaram Jango para levar o País a uma ditadura de 21 anos”. Para uma reflexão sobre o momento, e o passado, Terra Magazine foi ouvir alguém com idade, história e autoridade para tanto.

Entre os dias 31 de Março e 1 de Abril de 1964, um golpe militar derrubou o governo João Goulart, o Jango. Dois funcionários foram os últimos a deixar o Palácio do Planalto depois do golpe. Um deles, o chefe da Casa Civil, Darcy Ribeiro. O outro, o Consultor-Geral da República, Waldir Pires. Ex-secretário de Estado, deputado estadual e federal, governador e senador, criador da Controladoria-Geral da União e ex-ministro da Defesa no governo Lula, Waldir Pires, aos 85 anos, é candidato a vereador pelo PT em Salvador. Na conversa que se segue, Waldir Pires discorre sobre o que já viveu e as relações ou semelhanças com o momento. Em um trecho da conversa, o ex- ministro da Defesa diz:

- Vamos ser claros: a oposição quer fazer com Lula o mesmo que fez com Getúlio Vargas e com Jango…até as expressões que usam são as mesmas, “mar de lama” é uma delas…

Em outro momento, avança:

- Eu já vi e vivi esse filme antes, e há amarras extraordinariamente suspeitas em tudo isso… o cheiro é o mesmo…

Abaixo, a entrevista.

Terra Magazine: Onde o senhor estava no dia do golpe que levou à ditadura em 1964?

Waldir Pires: Em Brasília, no Palácio do Planalto. Eu era o Consultor Geral da República… eu e o Darcy Ribeiro, Chefe da Casa Civil, fomos os últimos a deixar o Palácio quando derrubaram o presidente João Goulart, o Jango..

Seis partidos, PT, PMDB, PSB, PDT, PC do B e PRB, todos de sustentação ao governo Dilma, assinaram e lançaram uma nota pública. Nesta nota, acusam os partidos de oposição, PSDB, DEM e PPS, de estarem “dispostos a qualquer aventura” e de “não hesitarem em práticas golpistas”. O documento é apresentado em defesa “da honra e dignidade” do ex-presidente Lula…

…sim, eu tomei conhecimento da nota…

Como o senhor, aos 85 anos, tendo vivido o que já viveu e viu, vê esse momento?
Me parece evidente que a oposição, ao menos setores da oposição, estão agindo em relação ao ex-presidente Lula como um dia agiram em relação a Getúlio Vargas e João Goulart…

O senhor diria que já viu esse filme antes ou isso é um exagero dessa nota dos seis partidos?

Eu já vi e vivi esse filme antes, e há amarras extraordinariamente suspeitas em tudo isso…o cheiro é o mesmo…

Em que termos o senhor faz essa comparação?

Vamos ser claros: a oposição quer fazer com Lula o mesmo que fez com Getúlio Vargas e com Jango…até as expressões que usam são as mesmas, “mar de lama” é uma delas…

Mas não existiriam outros fatores objetivos no discurso da oposição? Assim como existem fatos que são objetos das críticas e denúncias e até do julgamento no Supremo…

Existem razões e fatos, mas o Brasil tem instituições funcionando e que são capazes de examinar os fatos sem que seja preciso pressão e a criação de um ambiente artificial. E diga-se que instituições fortalecidas exatamente durante os dois mandatos do governo Lula. Eu mesmo fui ministro-chefe da Controladoria-Geral da União que não existia até Lula. O governo Fernando Henrique tinha uma Corregedoria…

E qual a diferença?


A Controladoria fiscaliza e dá absoluta transparência a todos os gastos federais, está tudo na internet, cada centavo dos bilhões gastos pelo governo federal está no site. E mais. Tudo isso numa ação coordenada com o Ministério Público, no plano federal e nos Estados, com o Coaf, a Receita Federal, Polícia Federal…ora, quando falam no resultado disso, do aprofundamento das investigações nos casos de corrupção, como esquecem de dizer que isso, que essa coordenação de esforços, é obra exatamente dos governos de Lula e agora de Dilma?

Mas…

…a montagem dessa teia de acessos às informações e absoluta transparência, que leva a sociedade a ter acesso às informações, é obra de Lula, do governo Lula. Como é possível ignorar isso, esconder essa informação enquanto, ao mesmo tempo, se valem das informações que esse sistema coordenado de fiscalização e transparência permite obter?

Isso foi decisão pessoal dele ou foi acontecendo?

Decisão pessoal dele. Quando o presidente me convidou para o Ministério da Defesa me preocupei se poderia haver alguma modificação na atuação da Controladoria…o presidente Lula não apenas me garantiu que não como manteve minha equipe, e Jorge Hage está até hoje à frente da equipe com resultados e um trabalho que não apenas o Brasil reconhece. A ONU, a OEA e outros organismos internacionais já reconheceram e deram destaque a esse trabalho modernizador no setor de controle e transparência de informações…

Voltemos ao momento…

Vejo esse momento com preocupação, com inquietação. É um erro, e mais do que isso, não condiz com a verdade esse ambiente de que vivemos num “mar de lama”, que há “corrupção generalizada” desde o governo Lula…

Por que um erro?

Porque nossas instituições democráticas ainda são frágeis…porque isso não é verdade…a transparência, o acesso às informações, a atuação do Ministério Público, da Polícia Federal, a atuação conjunta nos últimos anos e os resultados disso mostram que esse ambiente desejado por certos setores é irreal, não é verdadeiro…o que há é que agora, depois de séculos, as informações, pela primeira vez na história, vêm a público…

O que lhe preocupa?

Me preocupa… há uma tendência nos últimos anos…os setores conservadores, ao invés de articularem golpes militares, agora dão golpes parlamentares… como se viu em Honduras, como se viu há pouco no Paraguai, e isso é precedido pela fomentação de um ambiente adequado para esses golpes parlamentares…

O que o senhor, objetivamente, detecta nessa “ambientação”…


A generalização, o procurar atingir os adversários a esse nível que estão fazendo e como estão fazendo ao invés do enfrentamento político democrático, enfrentamento com críticas duras, críticas e denúncias severas e tudo o mais, mas não com a criação de um ambiente artificial, e ainda mais quando isso parte dos setores de onde isso tem partido…

Ou seja…

Setores com figuras, instituições que construíram fortunas incalculáveis, que estão aí, e sem que nada ou quase nada fosse dito ou apurado… alguns desses personagens até já se foram e deixaram fortunas, até porque não existiam os mecanismos de fiscalização e transparência de agora, mas outros, bem mais recentes, estão por aí…como é possível querer que se acredite que a “corrupção nasceu ou cresceu” nos últimos anos, se foi exatamente nos governos de Lula e Dilma que iniciou o combate verdadeiro e eficaz, combate articulado e com o resultados que se conhece…isso é irreal e é uma farsa…

Por que irreal e…

É irreal fazer de conta que a corrupção é algo apenas “atual”, é irreal fazer de conta que não se conhece os fatos conhecidos, do passado distante e também do passado recente… é uma farsa desconhecer a história do mundo e do Brasil, e desconhecer o combate que vem sendo travado exatamente desde a consolidação de todos esses mecanismos de controle e transparência… A corrupção existe, ninguém está negando isso, mas existem mecanismos de controle e eles estão funcionando…

O senhor sabe que tentarão desqualificar, rotular suas observações…

Certamente, isso é parte desse processo todo…

Que papel a mídia tem e deveria ter diante disso? Como o senhor percebe a atuação da mídia?


O papel é o de dizer como as coisas realmente são e foram, dizer quais são os fatos verdadeiros…e por isso vejo com preocupação a atuação de certos setores…

Que setores?

Os setores conservadores. Há certas coisas muito parecidas, inclusive a expressão “mar de lama”, com a coisa terrível que a oposição fez com Getúlio… tentam fazer o que fizeram com Getúlio e depois com João Goulart, e tudo isso para impedir os avanços, querem, com Lula ou sem Lula, interromper os avanços do processo democrático, e o verdadeiro avanço se deu com a inclusão social. Esse é o avanço. Democracia é também, mas não apenas, o compromisso de liberdades formais. Democracia é, foi a inclusão social de 40 milhões de brasileiros que acontece desde Lula, e esse é o grande incômodo dos setores conservadores. Se a oposição quer vencer, que tenha um ideário e busque votos.

Quanto à imprensa, à mídia, o senhor pode ser mais específico quanto ao que pensa?

Eu era ministro da Defesa no governo Lula e fui a um programa de televisão para ser entrevistado. Por três ou quatro vezes o apresentador, que me recebeu de maneira muito gentil, repetiu “mas que vergonha o mensalão, hein?”, “mas que surpresa um mensalão”. Na quarta vez, respondi: “Mas como surpresa com um mensalão? Você não se lembra do ‘mensalão’ do IBAD, aquele que terminou em CPI em 1962?”. Aquilo era uma trama, uma articulação e preparação para um golpe de estado (NR: Instituto Brasileiro de Ação Democrática. Financiado por setores do empresariado e pela agência norte-americana CIA, o IBAD teve como objetivo financiar a eleição de opositores ao governo João Goulart e também setores da mídia. Por decisão judicial, o IBAD foi fechado em 1963). Se querem usar a expressão “mensalão”, como ignorar tantos mensalões da história do Brasil, inclusive os bem mais recentes? Se falam em “mensalão”, como se esquecem que isso de agora veio de Minas Gerais, e do PSDB?

O senhor já foi secretário estadual, deputado estadual e federal, consultor-geral da República, ministro, governador, o ministro que criou a Controladoria-Geral da União, foi exilado por seis anos e agora é candidato a vereador pelo PT em Salvador, aos 85 anos. Por quê?

Por dever de gratidão. Dever de consciência, por ver minha cidade maltratada, a administração pública indiferente e sem nenhum projeto consistente para seu desenvolvimento, submetida a um processo de corrosão moral que a todos causa indignação. Porque não há como olhar para o espelho e admitir para si mesmo não participar das grandes preocupações. As capitais, a nossa capital, são ou deveriam ser um núcleo de organização da vida, de inclusão social… Salvador foi a cidade onde conheci o mar. Isso já é muito…



08 outubro, 2011

Senador chileno denuncia golpismo de O Globo

Dica da @midiacrucis
Tradução de Denise Queiroz 
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O senador socialista chileno Alejandro Navarro criticou duramente o Jornal El Mercurio depois pela publicação de uma matéria (aqui o print) do Jornal O Globo (com direitos reservados) na qual o presidente venezuelano chega a ser comparado com Berlusconi, da Itália. 




Uma grosseira campanha contra o presidente Chávez e o processo que conduz no país de maneira democrática e com amplo apoio dos cidadãos. Assim o Senador Alejandro Navarro, presidente do grupo inter-parlamentar chileno-venezuelano, classificou a “injuriosa publicação no Diário ‘El Mercúrio’, intitulada ‘O orçamento de Chávez seria suficiente para grandes luxos’”. A notícia é baseada na informação publicada no jornal ‘O Globo’, que, “de acordo com suas apreciações editoriais faz um cálculo imaginário e grosseiro das possíveis coisas que o presidente Chávez poderia comprar com os recursos do gabinete presidencial”.

Navarro disse que “cabe destacar que o tratamento da informação publicada com base na notícia de ‘O Globo’, com direitos exclusivos - como assinala ‘El Mercúrio’ - mas com um conteúdo que passa longe da ética jornalística, por não checar a informação publicada, por colocar a especulação do tema de fundo como eixo central e por não consultar a fonte direta. Ao contrário, deu destaque e ênfase a uma informação distorcida e tendenciosa cheia de falsidades e apresentando opiniões de um só setor, o oposicionista ao governo Chávez”.

 O parlamentar chileno, presidente do Partido do Movimento Amplo Social, acrescentou que “as fontes abordadas na informação publicada são baseadas na ONG Transparência Venezuela, conhecida internacionalmente como o capítulo caribenho de uma organização internacional dependente de multinacionais e do Banco Mundial; dirigida por empresários locais e membros da oposição ao governo Chávez, muitos dos quais apoiaram o golpe de estado contra o presidente bolivariano em abril de 2002”.

O senador socialista disse que “a informação cita também como fonte as palavras ditas pelo deputado venezuelano Carlos Berrizbeitia, do Partido Projeto, conhecido como férreo opositor ao processo bolivariano e ao presidente Hugo Chávez”.

‘No palácio presidencial predomina o desperdício’, disse a ONG mencionada. “Ao mesmo tempo em que complementa essa informação com grandes imagens de luxuoso vestuário, perfumes e calçados; vinhos e banquetes caríssimos e festas, os quais – aparece em letra pequena – Hugo Chávez poderia comprar. Tudo isso, reitero, baseado em cálculos e opiniões da linha editorial de ‘O Globo’ e, obviamente, compartilhada pelo diário ‘El Mercúrio’”.

A esse respeito, Navarro mostrou que “toda essa publicação é falsa, já que o presidente Chávez está muito longe de ser um mandatário de gostos caros e nem o desperdício é uma característica de seu estilo de vida, como Berlusconi, a quem querem fazer com que ele se pareça. Desde a roupa simples, casual, longe das grandes marcas e caras, como diz ‘O Globo’. E mais, sequer se utiliza dos privilégios que o Estado Venezuelano oferece aos seus governantes, exemplo disso é que não vive na casa presidencial, e sim no Palácio Miraflores, seu lugar de trabalho”.

Sobre a gestão do processo bolivariano, o congressista lamentou que ‘El Mercúrio’ “só reproduza as coisas negativas, as que são demasiado falsas; e nada disse dos excelentes programas sociais que procuram o bem estar social com a finalidade de melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, como são, por exemplo, as conhecidas Missões, que se dirigem a garantir a saúde, a educação, alimentação, esportes, cultura, recreação, turismo, tecnologia, especialmente em relação aos setores que herdou uma grande dívida social”.

O legislador finalizou dizendo que “é lamentável que ‘El Mercúrio’ se preste para fazer notícia baseado em informações tergiversadas e que têm somente a intenção de contribuir com a campanha que a direita internacional faz contra os legítimos e democráticos processos que ocorrem na América Latina. O que me parece uma agressão e falta de respeito com a autodeterminação dos povos, que têm a decisão soberana para eleger aos seus governantes, seus modelos políticos e sociais”. 


http://www.navarro.cl 
http://twitter.com/senadornavarro



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