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16 junho, 2012

No meio do caminho tinha uma #Veja

Por Lalo Leal

Roberto Civita, dono da revista


De narradora dos acontecimentos a revista semanal da Abril tornou-se personagem, revelando um envolvimento nunca visto de forma tão escancarada na cena política brasileira. Gravações feitas pela Polícia Federal, com autorização da Justiça, não deixam dúvidas. O contraventor Carlinhos Cachoeira era mais do que fonte de informações. 

Seu relacionamento com o diretor da sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Junior, permitia a ele sugerir até a seção da revista em que determinadas notas de seu interesse deveriam ser estampadas. O pouco que se revelou até aqui permite concluir que a publicação tornou-se instrumento de Cachoeira para remover do governo obstáculos aos seus objetivos.

Um desses entraves estaria no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), do Ministério dos Transportes, e dificultava a atuação da Delta Construções, empresa que teria fortes ligações com o contraventor.

Segundo o jornalista Luis Nassif, a matéria da Veja sobre o Dnit saiu em 3 de junho de 2011. “A diretoria estava atrapalhando os negócios da Delta. Foi o mesmo modo de operação do episódio dos Correios –que daria origem ao chamado “mensalão”. Cachoeira dava os dados, Veja publicava e desalojava os adversários de Cachoeira.” Com isso cumpria também os objetivos de situar-se como vigilante de desmandos e fustigar os governos Lula e Dilma, pelos quais nunca demonstrou simpatia alguma.

Basta lembrar a capa de maio de 2006 com Lula levando um pé no traseiro, juntando numa só imagem grosseria e desres­peito. Para não falar de outras, do ano anterior, instigando o “impeachment” do presidente da República. O sucesso dos dois governos Lula e os altos índices de aprovação recebidos até agora pela presidenta Dilma Rousseff parecem ter exacerbado o furor da revista. A proximidade do diretor da sucursal de Brasília com Cachoeira, e deste com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), sempre elogiado por Veja, veio a calhar. Até surgirem as gravações da Polícia Federal levando a revista a um recolhimento político só quebrado em defesas tíbias de seu funcionário e do que ela chama de “liberdade de imprensa”.

Veja diz-se “enganada pela fonte”, argumento desmentido pelo delegado federal Matheus Mella Rodrigues, coordenador da Operação Monte Carlo. O policial mostrou que o jornalista Policarpo Junior sabia das relações de Demóstenes com Cachoeira, mas nunca as denunciou, protegendo “meliantes”, como resumiu com propriedade a revista CartaCapital.
Livre, pero no mucho

Segundo Veja, a “liberdade de imprensa” estaria ameaçada se o jornalista, ou seu patrão Roberto Civita, fosse chamado a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) aberta no Congresso Nacional para investigar o caso. Mas, na mesma edição em que supostamente põe o direito à informação acima de tudo, clama por um controle planetário da internet, agastada com a circulação de informações sobre seus descaminhos na rede. A internet foi o principal meio de exposição dos detalhes da suspeita relação Cachoeira-Demóstenes-Veja, e uma enxurrada de expressões nada elogiosas levaram a revista ao topo dos assuntos mais mencionados no Twitter.

Os principais veículos de alcance nacional silenciaram ou apoiaram a relação – exceção feita à Rede Record e à revista CartaCapital. Alguns, como O Globo, não titubearam em tomar as dores da Editora Abril. Por um de seus colunistas, Merval Pereira, o jornal isentou a revista de responsabilidades. Depois, em editorial, reagiu à comparação feita por CartaCapital entre o dono da Editora Abril e o magnata Rupert Murdoch, punido pela Justiça britânica pelo mau uso de seus veículos de comunicação no Reino Unido.

A Folha de S.Paulo, também em editorial, aliou-se a Veja. Mas sua ombudsman, Suzana Singer, que tem a incumbência de criticar o desempenho do jornal, pelo menos levantou uma dúvida ao dizer que “não se sabe se algo comprometedor envolvendo a imprensa surgirá desse lamaçal”. Para lembrar em seguida que ao PT interessa com o caso Cachoeira empastelar o “mensalão” a ser julgado em breve, e conclui dizendo: “A imprensa não pode cair na armadilha de permitir que um escândalo anule o outro. Tem o dever de apurar tudo – mas sem se poupar. É hora de dar um exemplo de transparência”. Mas a cobertura da Folha das relações Cachoeira-Demóstenes-Vejalimita-se a notas superficiais.
Intocável

A ideia de que o caso Cachoeira seria uma forma de desviar as atenções sobre a campanha pelo julgamento dos acusados no caso do “mensalão” foi alardeada pela mídia. E utilizada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para se livrar da acusação de ter sido negligente. A PF encaminhou a Gurgel a denúncia sobre as relações promíscuas entre Cachoeira e Demóstenes em 2009. Se ele tivesse dado andamento à denúncia, o processo se tornaria público e poderia ter comprometido no ano seguinte a eleição de Demóstenes ao Senado, de Marconi Perillo (PSDB) ao governo de Goiás e de outros políticos suspeitos de servir a Cachoeira.

Em vez de explicar por que segurou o processo, Gurgel respondeu às acusações sob a alegação de que partiam dos envolvidos no processo do “mensalão”, temerosos diante da iminência do julgamento no qual ele será o acusador.

A CPMI começou em maio e tem seis meses para concluir as apurações. Ainda não havia mostrado, porém, o mesmo ânimo convocatório em relação aos governadores envolvidos com a Delta Construções e muito menos ao jornalista de Veja e seu patrão. Os governadores, por acordos político-partidários; o jornalista e o empresário, não se sabe bem as razões, embora possam ser formuladas hipóteses.

Uma delas é a de que o maior partido da base governista, o PMDB, estaria sendo sensível ao lobby da mídia por uma blindagem. Com uma CPMI em banho-maria, o partido não seria muito arranhado com a exposição de políticos peemedebistas a investigações. E o PT, concorrente na disputa por espaço no governo, não capitalizaria demais os resultados.

A concentração em poucos e poderosos grupos nacionais e transnacionais deu à mídia um poder nunca antes alcançado, muitas vezes superior aos próprios poderes republicanos. Assim, governos e outras instituições públicas tornam-se reféns dos meios de comunicação e temem enfrentá-los. Apenas em três ocasiões de nossa história veículos de comunicação foram alvo de investigações por parte de CPIs.

Em 1953, o dono do Última Hora, Samuel Wainer, sugeriu ao presidente Getúlio Vargas que seu jornal fosse investigado quanto às operações de crédito mantidas com o Banco do Brasil, como lembra o professor Venício Lima, da Universidade de Brasília. Dez anos depois, o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) foi acusado de ter ligações com a CIA e receber recursos dos Estados Unidos para interferir nas eleições brasileiras. O instituto chegou a alugar por três meses, num período pré-eleitoral, o jornal A Noite do Rio, para colocá-lo a serviço da oposição ao presidente João Goulart. E em 1966 foi aberta investigação do acordo entre as Organizações Globo e o grupo de mídia estadunidense Time-Life. Uma operação de US$ 6 milhões, em benefício da TV Globo, acabou com o império dos Diários Associados de Assis Chateaubriand.
Testemunha de defesa

Há uma outra inquirição de jornalista que não se enquadra entre os casos mencionados, embora seja altamente significativa para os dias de hoje. Trata-se da ida a uma Comissão Parlamentar de Inquérito, em 2005, do mesmo Policarpo Junior. Na ocasião, o chefe de organização criminiosa se dizia vítima de chantagem por parte de um deputado carioca que estaria exigindo propina para não colocar seu nome no relatório final de uma CPI instalada na Assembleia Legislativa do Rio. Policarpo testemunhou em defesa do bicheiro e nenhum jornal nem a ABI alegaram tratar-se de uma intimidação à imprensa.

Uma das explicações para essa baixa exposição de jornais e jornalistas a investigações está no poder de interferência dos grupos midiáticos na política eleitoral. Exemplo clássico é a frase da viúva do proprietário das Organizações Globo referindo-se ao governo Collor: “O Roberto colocou ele na Presidência e depois tirou. Durou pouco. Ele se enganou”, disse com candura dona Lily no lançamento do seu livro Roberto & Lily, em 2005. Mas essa não foi uma ação isolada. Para derrotar Lula em 1989, Globo e Veja faziam dobradinha perfeita, como agora. Demonizavam Lula e exaltavam o jovem governador de Alagoas, “caçador de marajás”.

Essa articulação tornou-se hoje mais orgânica. A presidenta da Associação Nacional de Jornais (ANJ), que representa os proprietários de veículos, Judith Brito, assumiu o papel de oposição ao governo Lula. De modo mais discreto, mas não menos eficiente, trabalha o Instituto Millenium, que reúne articulistas, jornalistas e patrões da imprensa. E realiza eventos em que os convidados aliam-se ao que há de mais conservador na sociedade para afinar suas linhas de cobertura. Em um deles estavam Roberto Civita (Abril), Otavio Frias Filho (Folha) e Roberto Irineu Marinho (Globo).

Vários colaboradores, exibidos no site do instituto, escrevem e falam contra as cotas raciais nas universidades, criticam a política econômica dos governos Lula e Dilma, seja qual for, louvam o governo Fernando Henrique Cardoso, discordam da atual política externa brasileira e fizeram campanha contra a criação da CPMI do Cachoeira. São ações orquestradas que lembram as do Ibad, antes mencionado.

As evidências atuais indicam a necessidade de uma investigação séria sobre o papel de setores da mídia no caso Cachoeira. Os indícios vão além do jogo político e apontam para conluios com o crime comum. No entanto, até o momento, a CPMI não mostrou disposição para enfrentar o poder da mídia, que, quando acuada, conta com a defesa não apenas dos proprietários como também de parte de seus empregados.

Cabe lembrar a observação frequente do jornalista Mino Carta sobre a peculiaridade brasileira de jornalista chamar patrão de colega. Com isso diluem-se interesses de classe e uma difusa “liberdade de imprensa” é utilizada para encobrir contatos altamente suspeitos.

Até entidades respeitáveis como a Associação Brasileira de Imprensa, por seu presidente, Maurício Azêdo, confundem as coisas. Em depoimento ao programa Observatório da Imprensa, da TV Brasil, Azêdo não admite a ida de jornalistas à CPMI para prestar depoimentos, sob a alegação de intimidação ao trabalho jornalístico, mas condena a promiscuidade de alguns profissionais com fontes próximas ou ligadas ao crime. Com isso dá ao jornalista uma imunidade que nenhum outro cidadão tem.

Nesse mesmo programa, o professor Venício Lima ressaltou o impacto do caso das escutas ilegais promovidas pelo jornal News of the World sobre as relações mídia-sociedade na Inglaterra. “Levou Murdoch (o dono do jornal) e seus jornalistas a depor não só na Comissão de Esportes, Mídia e Cultura da Câmara dos Comuns como na Comissão Leveson, que tem caráter de inquérito policial.” Nada disso ameaçou a liberdade da imprensa britânica.

Aqui, apesar da resistência com forte apelo corporativo da mídia e de parte dos seus empregados, vozes importantes lembram que ninguém está imune a convocações feitas pelo Congresso Nacional para prestar esclarecimentos. À Record News, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), foi direto ao ponto: “Todos devem ser investigados no setor público, privado e na imprensa. Sem paixões e sem arroubos. Nós vamos descobrir muitas coisas quando forem feitas as quebras de sigilo – o fiscal, por exemplo. Devemos apoiar sempre a liberdade de expressão. Mas não podemos confundi-la com uma organização criminosa. Para o bem da sociedade e da própria liberdade de expressão.”


15 maio, 2012

Murdoch, corrupção e gastos em publicidade na campanha eleitoral

Por Amy Goodman * 
Do  Esquerda.net 


As eleições deste ano serão, sem dúvida, as mais caras da história do país; algumas projeções calculam que superarão os 5.000 milhões de dólares. Mas não aumentaram só as despesas: a natureza das mesmas também aumentou após o fracasso de 2010 do Supremo Tribunal dos Estados Unidos no caso Citizens United, que permite o gasto ilimitado de empresas, sindicatos e dos denominados super PACs (ou comités de ação política) na campanha eleitoral, tudo sob o lema da “liberdade de expressão”. Esta campanha eleitoral vai-se desenvolver no meio do ressurgimento do movimento Occupy Wall Street, que foi relançado a nível mundial no 1º de Maio, no mesmo dia em que o Parlamento britânico publicou um informe sobre o império mediático de Rupert Murdoch, no qual ele é acusado de não ser “uma pessoa idónea para dirigir uma grande empresa multinacional”. Agora, mais do que nunca, as pessoas deveriam seguir o conselho do Garganta Funda, a famosa fonte do caso Watergate: “Segue o rasto do dinheiro”.

A maior parte do dinheiro das eleições vai para os cofres dos canais de televisão, que emitem os anúncios de campanha. Segundo Robert McChesney e John Nichols, da revista Monthly Review, os gastos com propaganda política na televisão estão a disparar, tanto que “tendo em conta a inflação. Na campanha eleitoral de 1972 gastou-se menos de 3% do que se gastará em publicidade política na televisão na campanha de 2012”.

Por ocasião de uma disputa eleitoral relativamente pequena, a recente eleição primária democrata na Pensilvânia para definir candidatos ao Congresso, o jornalista Ken Knelly fez uma análise exaustiva da cobertura das eleições nos noticiários da televisão local e da quantidade de publicidade política que foi transmitida nos mesmos canais de televisão. O título do artigo de Knelly diz tudo: “28 horas de anúncios políticos (e alguns poucos minutos de notícias)”. Os canais que transmitem neste estado predominantemente democrata emitiram durante a campanha mais de 3.300 anúncios publicitários políticos. Knelly diz que “de vez em quando aparecia nos noticiários informação sobre a campanha”, que ficava perdida entre horas de publicidade e afirma que o conteúdo da informação deixava muito a desejar.

O modo como Knelly conseguiu investigar estes dados é fundamental. A Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) exige aos canais de televisão que disponham de um arquivo de consulta pública acessível a qualquer cidadão. Parte da informação contida no arquivo são os detalhes da venda de espaço publicitário para a campanha política, o montante pago e a entidade que o comprou. Recentemente tentou-se obrigar estas emissoras, que obtêm enormes lucros com a publicidade política, a publicarem estes arquivos na Internet. Os canais opuseram-se firmemente a estas tentativas e, apesar de habitualmente saírem vitoriosos das disputas que travam nos salões da amigável FCC, perderam esta batalha. Na sexta feira 27 de abril, a FCC decidiu por dois votos a favor e um contra exigir aos canais de televisão que, num período não superior a dois anos, deixem de levar o arquivo em papel e comecem a publicá-lo na Internet. O jornalista da ProPublica Justin Elliot assinalou que os arquivos não ficarão em formato padrão e provavelmente não conterão a opção “procurar”.

A ProPublica lançou uma campanha denominada “Libertem os arquivos”, que é coordenada por Justin Elliot: “Os meus companheiros da ProPublica estão a pedir às pessoas, a outros jornalistas, a estudantes de jornalismo e aos leitores que vão aos canais, especialmente quando esta norma entrar em vigor, que está previsto que seja mais tarde durante a campanha. No início a norma só se aplicará aos canais dos cinquenta mercados principais. Então, pede-se-lhes que vão aos canais, não é necessário ter senha prévia, e solicitem o arquivo político, que façam cópias, digitalizem-nas, as enviem para nós, que as publicaremos na Internet no site ProPublica.org”.

A maioria das grandes cadeias de televisão norte-americanas fizeram lóbi contra as novas normas de divulgação de informação, entre elas a cadeia Fox, uma das joias mais apreciadas da empresa News Corp, o império mediático de Rupert Murdoch. Murdoch recebeu um duro golpe nesta semana, após a publicação de um informe do parlamento britânico sobre o escândalo das escutas telefónicas que abalou os seus jornais na Grã-Bretanha. O escândalo explodiu em 2011 quando o jornal “The Guardian” noticiou que jornalistas do jornal sensacionalista “News of the World” tinham invadido, em 2002, a caixa de mensagens de voz do telemóvel de Milly Dowler, uma vítima de homicídio de 13 anos. Enquanto Dowler estava desaparecida, os jornalistas apagaram algumas das suas mensagens de voz, o que deu aos familiares da jovem a falsa esperança de que podia estar viva.

Os jornalistas, juntamente com uma investigação judicial e audiências no parlamento, revelaram uma cultura de criminalidade por detrás da fachada de recolha de informações do agora defunto “News of the World”. A comissão parlamentar publicou o informe esta semana. O deputado britânico Tom Watson declarou: “Gente com muito poder esteve envolvida no encobrimento e ainda não assumiram a responsabilidade. Esta gente corrompeu o nosso país, envergonhou as nossas forças policiais e o nosso parlamento. Utilizou mentiras e enganos, chantagem e intimidação e todos deveríamos envergonhar-nos ao pensar como nos acobardámos perante eles durante tanto tempo. Se na verdade queremos pôr fim a isto, são precisos mais do que castigos simbólicos. São necessárias acusações concludentes. O pilar da justiça consiste justamente em que os culpados sejam responsabilizados”.

O escândalo também levou a que se descobrisse que oficiais de polícia britânicos tinham sido subornados, delito que, devido a que a News Corp é uma empresa norte-americana, poderia ser investigado no quadro da lei federal norte-americana de Práticas Corruptas no Estrangeiro, que proíbe que as empresas norte-americanas cometam suborno no estrangeiro. Em resposta a isto, o grupo independente “Citizens for Responsability and Ethics in Washington” (Cidadãos pela Responsabilidade e a Ética em Washington) solicitou à FCC que revogue as 27 licenças de emissão televisiva que Murdoch controla nos Estados Unidos.

Se é um delito subornar um oficial de polícia em Londres, é perfeitamente legal que se gastem 5.000 milhões de dólares para influenciar o curso das eleições norte-americanas e que os canais poderosos obtenham, em consequência, enormes lucros. Há que aplaudir a FCC pelas suas novas regras de transparência. Em última instância, os candidatos políticos deveriam ter tempo grátis nos média para apresentar o seu programa aos eleitores. Até que isso suceda será tarefa dos jornalistas, dos ativistas e dos cidadãos comuns seguir o rasto do dinheiro.

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* Amy Goodman é Co-fundadora da rádio Democracy Now, jornalista norte-americana e escritora.
Artigo publicado em "Democracy Now" em 3 de maio de 2012. Denis Moynihan colaborou na produção jornalística desta coluna. Texto em inglês traduzido por Mercedes Camps para espanhol. Texto em espanholtraduzido para português por Carlos Santos para Esquerda.net


07 maio, 2012

A revista Veja e o Complexo de Demóstenes

Do Correio do Povo





Freud não viveu o suficiente para descobrir uma nova categoria: o complexo de Demóstenes.
Ou seria síndrome?
Toda vez que uma pessoa ou veículo de comunicação se apresenta como paladino da ética, tem rabo preso.
A reportagem da TV Record, no Domingo Espetacular, diagnosticou o complexo de Demóstenes da revista Veja.
Agora já se sabe a quem Policarpo Jr. obedecia: ao seu publisher, um certo Carlinhos Cachoeira.
Uma coisa é usar um larápio como fonte, outra é ser manipulado por uma fonte larápia.
Outra ainda é ser seletivo: deixar plantar denúncias contra um lado só.
A Veja de Carlinhos Cachoeira é rastaquera.
Isso não transforma mensaleiros em anjinhos nem apaga imagens de dinheiro na cueca.
Mostra que o buraco é mais embaixo.
Um rombo na capa da revista mais lida em consultórios de dentista, em qualquer tema de interesse social, como as cotas, perfilada com o Dem ou, nos seus arroubos “esquerdistas”, atrelado ao tucanato paulista aliado do Dem.
Agora, ao menos, já se sabe quem era o diretor secreto da Veja.
Deve ser por isso que não saiu uma capa com Cachoeiro e Demóstenes de pijama listrado e um par exclusivo de algemas para cada um.
Policarpo pode ganhar um desses prêmio fajutos. Por exemplo, o repórter que cultivava bem as fontes, que, em retorno, plantavam o que queriam nas suas costas.
Num processo, ele poderia usar este argumento: fui um inocente útil.
Cachoeira não tem dúvida da sua utilidade.

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