Mostrando postagens com marcador Meio ambiente. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Meio ambiente. Mostrar todas as postagens

13 setembro, 2012

A flexibilização da lei dos Agrotóxicos no RS (entenda o caso)

Por Lucio Uberdan

A sequência abaixo de twittes pergunta aos candidatos a prefeito de Porto Alegre sobre o tema da flexibilização da lei dos agrotóxicos no Rio Grande do Sul, aprovada na CCJ da AL/RS (11/09), bem como problematiza matéria de @zerohora (13/09) sobre o aumento do envenenamento dos alimentos.
    Desde terça-feira passada (11/09) o tema dos agrotóxicos reanimaram minha indignação, além de já ser um problema gigantesco, agora o Rio Grande do Sul ainda pretende flexibilizar ainda mais a lei que orienta o uso deles, abaixo explico o tema:
  1. luciouberdan
    Estão flexibilizando o uso dos agrotóxicos no RS, passou na CCJ ontem, e pode chegar na tua mesabit.ly/QIPCKY (2)
  2. E provoquei a questão:
  3. luciouberdan
    E eu sigo curioso pelos votos da CCJ ontem na AL/RS, aprovaram o PL q flexibiliza o uso dos agrotóxicos no RS bit.ly/QIPCKY
  4. Na sequência ví que a Dep. @marisaformolo (PT) twittou sobre um seminário com o tema dos Agrotóxicos, comentei por twitter com ela:
  5. luciouberdan
    @marisaformolo esperamos que o seminário seja um início d bloqueio a flexibilização dos agrotóxicos ontem na CCJ.
  6. marisaformolo
    @luciouberdan tratei desse tema em minha fala. Essa flexibilização envergonha os gaúchos q lutam pela agricultura ecológica e sustentável.
  7. E provoquei a questão novamente, mas somente @villaprefeito (PT) me respondeu:
  8. luciouberdan
    As candidaturas de POA precisam ter coragem d debaterem a votação d CCJ de ontem na AL/RS#agrotoxico (1)
  9. VillaPrefeito
    @luciouberdan não ao retrocesso da pol. ambiental do RS e BR, comandada p/ setores conservadores e seus aliados, avessos a sustentabilidade.
  10. VillaPrefeito
    @luciouberdan estes setores conservadores sao os mesmos q sao contra politicas d cotas e d distribuição d renda, chamando d assistencialismo
  11. Ficou por isso mesmo, porem hoje teve matéria na @zerohora sobre tema correlato:

  12. luciouberdan
    Na ZH hj: "agrotóxicos triplicam no Brasil", 28% dos alimentos c/nível d contaminação acima d permitido (1) pic.twitter.com/8OZo0kzR
  13. Resolvi então problematizar novamente:
  14. luciouberdan
    Frente a matéria de ZH, alimento contaminado p/agrotóxico, o que pensam os candidatos@villaprefeito @_manuela65 e @josefortunati (2)
  15. luciouberdan
    (3) A CCJ na AL/RS aprovou a flexibilização dos agrotóxicos no RS, qual posição d seus partidos@_manuela65 @josefortunati @villaprefeito ?
  16. @_manuela65 me responde de forma genérica sem abordar a questão da votação na CCJ, apenas a matéria de ZH:
  17. _manuela65
    @luciouberdan defendo zona rural Poa como produtora de alimentos orgânicos.
  18. luciouberdan
    @_manuela65 obrigado, e seu partido foi a favor ou contra flexibilizar a lei de uso de agrotóxicos no RS, 2 dias atrás na CCJ da AL/RS?
  19. A deputada @_manuela65 não respondeu mesmo eu reforçando a segunda pergunta. A resposta para a segunda questão veio apenas de @villaprefeito:
  20. VillaPrefeito
    @luciouberdan julgamos pol. ambiental fundamental p/ RS e BR. P/ isso estivemos a frente da luta contra retrocesso Cod Florestal, #VetaDilma
  21. Ela (@_manuela65) não respondeu mais, mas várias pessoas e entidades comentaram @colaboratorium
    @crisprodrigues @CEAong @videoeco, abaixo, e dezenas de outras deram RT no meus twittes, como por exemplo @gnueverton @gilmardarosa @CintiaBarenho @JoiceProenca @Jurandir_Sfa@Margaretsd @crisgiaretta @sandrabporto @bionatexpo @espacoautonomo @vnsantos1981@M100Globope @luizmuller @DeniseSQ @sergionogueira @RB9BR

  1. CEAong
    Vanguarda do Retrocesso: PL muda lei dos Agrotóxicoshttp://goo.gl/isyZJ Via @CEAong #ecologiaou não
  2. crisprodrigues
    #Villa13 é contra agrotóxicos #ondavermelha RT@VillaPrefeito@luciouberdan sou completamte contra proposta.É conservadora e um retrocesso!
_________
Para saber mais, recomendo dois posts no RS Urgente, o blog que está sendo perseguido pelo prefeito e candidato à reeleição, Fortunati.

22 agosto, 2012

Monsanto condenada por propaganda enganosa

O valor é irrisório diante do estrago, cabe recurso, mas vale pelo precedente aberto.

Do Em Pratos Limpos

Do Terra
dica do @stockler_

A Monsanto do Brasil terá de pagar R$ 500 mil de indenização por danos morais por causa de uma propaganda, veiculada em 2004, em que relacionava o uso de semente de soja transgênica e de um herbicida (agrotóxico) como benéficos ao meio ambiente, segundo informou nesta terça-feira a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). Cabe recurso da decisão.

Segundo o tribunal, a empresa de biotecnologia também foi condenada a divulgar contrapropaganda "esclarecendo as consequências negativas que a utilização de qualquer agrotóxico causa à saúde dos homens e dos animais". A contrapropaganda deve ser veiculada com a mesma frequência e, preferencialmente, nos mesmos veículos, locais, espaços e horários da propaganda que originou a ação e dentro de 30 dias após a publicação da decisão do TRF4. Em caso de descumprimento, a multa diária prevista é de R$ 10 mil.


O TRF4 afirma ainda que o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou a ação contra a Monsanto, alegando que o comercial era "enganoso" e que o objetivo da publicidade era "preparar o mercado para a aquisição de sementes geneticamente modificadas e do herbicida usado nestas, isso no momento em que se discutia no País a aprovação da Lei de Biossegurança, promulgada em 2005", diz a nota da Justiça. Para o MPF, não há certeza científica se a soja vendida pela Monsanto realmente requer menos herbicida.

Segundo o tribunal, na campanha havia uma conversa entre pai e filho, na qual o primeiro explicava o que significa a palavra "orgulho". "Orgulho é o que eu sinto quando olho essa lavoura. Quando eu vejo a importância dessa soja transgênica para a agricultura e a economia do Brasil. O orgulho é saber que a gente está protegendo o meio ambiente, usando o plantio direto com menos herbicida", diz o TRF4 em referência à publicidade.

No processo, a empresa argumentou que a campanha tinha fins institucionais e não comerciais e que o comercial dirigia-se aos agricultores de Passo Fundo (RS) com objetivo de homenagear o pioneirismo no plantio de soja transgênica, que utilizaria menos herbicida e preservaria mais o meio ambiente, de acordo com a empresa.

Para o desembargador federal Jorge Antônio Maurique, "a propaganda deveria, no mínimo, advertir que os benefícios nela apregoados não são unânimes no meio científico e advertir expressamente sobre os malefícios da utilização de agrotóxicos de qualquer espécie". Segundo o tribunal, quando veiculada a propaganda, a soja transgênica também não estava legalizada no Brasil.

Procurada pela reportagem, a Monsanto ainda não se pronunciou.

23 maio, 2012

O Código Florestal e a armadilha técnica



A Presidente da República, segundo as informações da imprensa, deverá vetar, em parte, o novo Código Florestal, aprovado pelo Congresso Nacional.

Deixando de lado as questões técnicas, que reclamam a opinião dos especialistas, a decisão se relaciona a uma das mais cruciais questões de nossa tempo: até quando poderemos sobreviver com o atual modelo de sociedade industrial, baseado no consumo exacerbado de energia e de outros recursos naturais?


Folha 

Dentro de duas semanas fará 40 anos que se reuniu (de 5 a 16 de junho de 1972) , em Estocolmo, a Primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Homem e o Meio Ambiente. Acompanhei, para este Jornal do Brasil, os trabalhos da reunião, recordo que a principal questão continua em aberto, até os nossos dias, e é de natureza política. Alguns especialistas concluíram que era necessário interromper o crescimento industrial, a fim de preservar o ambiente natural e, assim, manter a vida na Terra.

A tese dos países industriais, retomando as conclusões do Clube de Roma, era a do crescimento zero, a partir de então. Ora, se esse projeto fosse adotado pelo mundo, os paises ricos continuariam ricos, e os paises pobres se manteriam na miséria.

A melhor intervenção – confirmada em uma entrevista coletiva a que pude assistir – foi a da Senhora Indira Gandhi, primeira-ministra da Índia. Ela disse, com lucidez e coragem, que se o mundo queria sobreviver, não seria mantendo em situação infra-humana as populações dos paises subdesenvolvidos, mas, sim, reduzindo o consumo de energia (nele incluídas as calorias dos alimentos) dos povos ricos.

Como demonstrou, com informações estatísticas, os norte-americanos consumiam, per capita, quase duzentas vezes mais do que os africanos, dezenas de vezes mais do que os indianos e tantas vezes mais do que os habitantes de regiões mais atrasadas da América Latina.

O impasse levou a Conferência de Estocolmo ao malogro, mas provocou novos debates, sobre que providências políticas poderiam ser tomadas, a fim de desatar esse nó górdio. As nações menos desenvolvidas não concordavam, e continuam não concordando, com toda a razão, a sacrificar os seus povos, privando-os do desenvolvimento e de padrões de consumo e de saúde obtidos pela tecnologia, em favor da sobrevivência privilegiada dos ricos.

Os ricos, com seu poder econômico e militar, não admitem reduzir o padrão de bem-estar, baseado no consumo exagerado de energia. Uma saída desonrada foi a do neoliberalismo, com a chamada globalização da economia. O objetivo foi o de construir uma “governança mundial”, não fundada na discussão e decisão de todos os povos, mediante as Nações Unidas, mas, sim, no poderio militar e econômico dos maiores paises do mundo, cujos governos são controlados pelas grandes corporações industriais e financeiras internacionais. Como efeito colateral do neoliberalismo e do governo mundial, bilhões de pessoas permaneceram excluídas da sociedade econômica, e centenas de milhões de outras a elas se somaram, expulsas da vida que conhecemos.

Alguns cientistas argumentam que, para estender a todos os homens os padrões de conforto e consumo dos países ricos, dentro de poucos anos serão necessários os recursos de dois planetas e meio. Sendo assim, e a menos que a ciência nos ofereça saídas inimagináveis, como usinas de montagem atômica de metais, gases e outras matérias, no volume exigido pelo aumento da população, a vida se extinguirá. Provavelmente na luta brutal pela conquista e exploração dos últimos recursos naturais da Terra, entre eles a água limpa, se algum meteoro não nos conceder rápida eutanásia universal. A outra solução está na busca de outros padrões de vida, baseados na austeridade e na solidariedade, de maneira a substituir o volume das coisas consumidas pela melhor qualidade da existência.

Já no início dos anos 40, o pensador alemão Friedrich Georg Junger, então companheiro de Marcuse e outros pensadores da Escola de Frankfurt, publicou um dos mais instigantes ensaios do século, Die Perfektion der Technik, para desmontar o mito da tecnologia. Junger demonstra que, no fundo, a técnica se baseia no movimento circular que se limita em si mesmo, apesar da aparência do avanço. A partir do relógio, instrumento tecnológico por excelência, para medir e controlar o tempo, Junger mostra que toda a produção técnica está fechada em círculos, em ciclos repetitivos (as engrenagens, os discos, os motores, as turbinas). E conclui, depois de exaustivo excurso, que a técnica não significa mais produção e, sim, mais consumo; não alivia o trabalho humano, embora possa reduzir o esforço físico, mas, sim o exacerba; não traz mais liberdade e, sim, mais submissão aos opressores capitalistas.

Conter a destruição do meio-ambiente em nosso país é necessário, daí a administração pelo Estado do avanço da agricultura sobre a cobertura florestal. Mas é preciso, da mesma forma, reduzir a histeria – com o perdão das mulheres – dos ecologistas, grande parte deles, conscientes ou não, agentes dos interesses externos. Os ricos pretendem, por outros meios, conseguir o que desejavam, no Clube de Roma, em Estocolmo e nos demais encontros internacionais (como o que ocorrerá no Rio, também dentro de alguns dias): conservar o seu bem-estar à custa de nossa renúncia ao desenvolvimento, e, ao mesmo tempo, apossar-se do que preservamos de recursos naturais – entre eles nossos minérios raros, nosso petróleo e nossa biodiversidade.

Uma coisa é certa: a ciência e a tecnologia – quando privadas de ética e da filosofia prática, isto é, daquilo a que chamamos política – não serão capazes de resolver a questão. O problema é político, e só o poder político poderá resolvê-lo.

No exercício da política, que lhe cabe, a presidente deverá conter a ânsia destruidora do projeto, dentro de sua possibilidade de ação disciplinadora. Outras medidas são esperadas, na exploração racional de nossa natureza, mas pelas nossas próprias razões – não pelo interesse dos outros.

__________


Recomendo também: 


Comida para especular?

Proposta para depois do veto ao #códigoflorestal

Cúpula dos Povos rejeita conceito de economia verde

'Ministra fraca leva Código a um desastre'

Web Analytics