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02 janeiro, 2013

O engodo das teles


por @DeniseSQ

Em abril do ano passado, recém instalada e com endereço em Porto Alegre, fiz um plano Oi Família à vontade. O plano anunciado na revista daquele mês, para duas linhas de celular, oferecia franquia de 300 minutos, 100 SMS, ligações ilimitadas para celular Oi e fixo de qualquer operadora, um bônus de 50 SMS nos três primeiros meses, 100 MB de internet com mais R$ 5,00 por linha. Por mais 15,00 oferecia DDD ilimitado para qualquer celular Oi e fixo do Brasil usando o prefixo 14. Além disso, contratei um serviço de Blackberry, por R$ 69,00.

Na primeira conta, recebida em maio, a surpresa de, em vez dos 173,90, a conta aparecia com mais de 200,00. Peço retificação, que chega um mês depois, e depois de várias ligações e mensagens diretas para o perfil da Oi no tuíter. Informei que o valor contratado não estava correto na conta e que o contrato foi feito baseado nos valores da revista, onde os cálculos estão feitos. Dizem, da ouvidoria, que quando fiz o contrato esses valores não estavam mais vigentes naquela data, e que meu plano contratado sofreria um acréscimo de RS10,00. OK, mas que por favor me mandem a conta correta.

Desde aí, todos os meses, e já são 8, a conta vem com valor a mais que varia de R$ 80 a R$ 100. Desde aí, quando recebo (há meses em que a conta só chega depois de vencido o prazo de pagamento) verifico e peço correção. Em outubro me garantiram que o contrato havia sido corrigido e que dali em diante receberia os valores corretos. Garantia não cumprida. Em dezembro a conta veio com cobrança de quase 20 reais por uso de SMS. Me dei ao trabalho de contar quantas SMS haviam saído e vejo que não ultrapassamos o limite. Peço correção, me dizem que eu estava certa, que iriam mandar nova conta.

Hoje cedo meu celular e o do filho amanheceramm bloqueados, por conta não paga.

Oras, se não recebi a conta correta, como pagar? Depois de várias tentativas, finalmente consigo me comunicar pelo 1057. Depois de 3 atendentes que me deixavam pendurada, pedindo por favor que não corte a chamada antes do problema resolvido, consigo uma que me atende. Depois de 40 minutos explicando, finalmente ela consegue me mandar um mail com a conta supostamente vencida. O mail chegou por volta das 17 horas com o valor incorreto, com os 19 reais e tantos não devidos incluídos... A novela segue...

A má-fe das companhias de telefone é maior para quem tem débito automático. Tive durante algum tempo, por comodidade. Com esse sistema, chega o dia do pagamento, independente da conta ter chegado pelo correio, o valor é descontado. Depois de alguns meses, me dei conta de que estava pagando em média de R$ 7 a 20 a mais todos os meses. Conversei com várias pessoas que tinham o mesmo plano, na época o Oi Conta total, e todos falaram que isso era normal, mas que, uma vez feita a reclamação, no mês seguinte o valor pago a mais era descontado. Ok. Só que não precisa ser economista para fazer as contas e ver quanto de dinheiro esse pequeno engano em cerca de, hipoteticamente e sendo humilde no cálculo, 1 milhão de contas representa nas contas da companhia!

Cadê entes reguladores para ver isso? É certo que a Anatel quando acionada, entra em contato com a companhia e eles rapidamente resolvem os problema. Mas além do prejuízo de termos o telefone indevidamente bloqueado (e se estou na estrada e sofro um acidente em local ermo?) quem paga o tempo gasto – só hoje cerca de uma hora absolutamente perdida nisso - em resolver um problema que não fui eu que causei?

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Leia também: "no celular, ilimitada é a paciência do consumidor...."


Cartilha da Anatel: Principais Direitos dos Usuários e Obrigações das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações


17 abril, 2012

Teles: o retrato da inversão de valores

Quem já passou pelo insano caminho de ter que reclamar um valor debitado em conta  não devido e da demora na resposta e devolução dos mesmos, depois de horas perdidas com músicas insanas e atendentes quase sempre despreparados, talvez possa entender mais facilmente a razão desse lucro exorbitante. Além da péssima qualidade e dos (des) serviços caríssimos - em comparação simples com a Argentina, onde vivi 8 anos, o valor das ligações aqui chega a ser 4 vezes mais alto. E falo de ligações entre Argentina e celulares no Brasil. Uma chamada de 10 minutos de um fixo em Neuquén, Patagônia Argentina, para um celular no Rio Grande do Sul era, em 2007, quatro vezes mais barata que a mesma chamada feita do Rio Grande do Norte para o mesmo número celular no RS - temos de brigar com pobres atendentes, quase sempre despreparados, para poder rever alguns 8 a 20 reais debitados indevidamente. Faça a conta de quantos assinantes uma dessas 'operadoras' têm com conta em débito e de quantos se dão conta da cobrança indevida e de quantos se dão ao trabalho de reclamar...
Além disso, os planos vendidos como baratíssimos pelas operadoras, são armadilhas que a melhor raposa corre o risco de cair. Poucos desses oferecem a possibilidade de chamadas para outras operadoras. A pessoa contrata e começa a ligar. Se liga para outra operadora, tem os créditos do plano consumidos em minutos, e fica bloqueado para outras chamadas, obrigando-se a recarregar. Os R$ 30 do plano atrativíssimo viram, num dia, R$ 150,00 no final do mês. Acaba que famílias ou amigos, que se comunicam muito pelo celular, se veem obrigados a contratar a mesma operadora (que nem sempre é a melhor em sua área), para manter a relação... E por aí vai. 

Dica da @marandrea

Rogério Santanna: "As teles tem uma combinação extremamente desfavorável ao usuário. É o serviço mais caro do mundo. Pagamos o dobro da média mundial" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21 


Novos dados revelam: oligopólio lucrou R$ 10 bi no ano passado. Governo poderia reativar a Telebrás, mas prefere oferecer subsídios a empresas que sequer atendem todo o território

Por Rachel Duarte, em Sul21

As operadoras de telecomunicações fixas e móveis que atuam no Brasil lucraram R$ 9,77 bilhões no ano passado, o que representa um crescimento de 8% em relação a 2010. Os dados foram divulgados pela empresa de consultoria Econométrica e demonstram que o ramo da teles está em quinto lugar em lucratividade no país, se excluídos os resultados da Petrobras e Vale do Rio Doce. Esta projeção ainda deverá aumentar no próximo período, já que o governo federal anunciou no começo de abril um programa de desoneração fiscal na ordem de R 3,8 bilhões para a construção de redes no Brasil. Com o hegemônico monopólio das operadoras de telecomunicações, a desoneração proposta pelo Ministério das Comunicações poderá não ser sinônimo de garantia de acesso e qualidade dos serviços.

A desoneração se aplica para os equipamentos comprados a cada ano. A expectativa do governo é que a medida deve antecipar em aproximadamente 40% o investimento anual das teles, que gira em torno de R$ 18 bilhões por ano.
Lucro das operadoras de telecomunicações no Brasil em 2011 cresceu 8% em relação a 2010

Na avaliação do especialista em Gerência em Engenharia de Software e ex-presidente da Telebras, Rogério Santanna, a política do governo Dilma Rousseff em priorizar a relação com as teles ao invés de fortalecer a Telebras é clara e lamentável. “Está barato construir rede no Brasil. Com a desoneração do governo os custos do backbone de banda larga diminuem, mas o desafio são os monopólios. Essa medida dificilmente repercutirá no preço aos usuários e ficaremos sustentando matrizes em crise, como é o caso da Telefônica”, defende.
Na demanda de infraestrutura de banda larga de qualidade as carências ainda são muitas e há regiões do país muito mal atendidas, como a região Norte. Mas, para uma infraestrutura adequada e a garantia de serviços de qualidade, o Plano Nacional de Banda Larga é defendido por Santanna como fundamental para estabelecer maior competitividade entre as operadoras e aumentar a participação da Telebras. “As teles tem uma combinação extremamente desfavorável ao usuário. É o serviço mais caro do mundo. Pagamos o dobro da média mundial. E a prova de que os serviços não são de qualidade é a liderança das operadoras nas reclamações dos consumidores”, compara.

De acordo com levantamento pela TeleSíntese, os valores das multas não pagas pelas operadoras à Anatel por processos aplicados em defesa dos consumidores chegam a superar o próprio lucro das empresas. A empresa OI, líder em reclamações no Procon, por exemplo, deve à Anatel R$ 4,5 bilhões em multas.

Controle de qualidade é questionável
Speedtest é obrigatório para todas as operadoras com mais de 50 mil clientes | Foto: Reprodução

Não bastassem os problemas ocasionados pela desalinhada relação entre lucro e serviço ofertado no mercado brasileiro de telecomunicações, desde fevereiro deste ano, as operadoras foram obrigadas a oferecer um aplicativo para medição da velocidade de acesso nas páginas que mantêm na internet. A determinação se alinha à obrigatoriedade de as operadoras de acesso à banda larga entregarem, em outubro deste ano, na média mensal, 60% da velocidade contratada. Em outubro de 2013, essa média deverá chegar a 70%, e a 80% um ano depois. Um avanço, para o devagar quase parando atual, com uma das mensalidades mais caras do mundo. E, no instante da medição, 20% do que foi adquirido (30% em 2013 e 40% em 2014).

A notícia seria uma medida considerada boa pelos consumidores, se não houvesse incerteza quanto à capacidade de o software escolhido pela Anatel, o SpeedTest, cumprir os requisitos propostos pela agência. “É estranha a posição da Anatel em homologar este teste, que avalia apenas dois parâmetros dos seis definidos por ela mesma. Mais estranho ainda é a Anatel anunciar a Price como aferidora, paga pela empresas e contrária aos padrões de qualidade da agência”, critica Rogério Santanna.

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