09 julho, 2012

Europa vai testar remédio cubano para diabetes


Testado em mais de 70 mil pacientes, 
o remédio diminui índices de amputação

Do Cubadebate
via Operamundi
Dica da @maramandrea, no Face
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Cuba se prepara para iniciar no ano que vem testes em vários hospitais da União Europeia com o medicamento Heberprot-P, que cura a úlcera que surge nos pés de diabéticos.

Será a primera vez que a ilha chega nessa fase de pesquisa em países do chamado "Primeiro Mundo", disse o diretor do CIGB (Centro de Engenharia Genética e Biotecnología), Ernesto López, citado pela AIN (Agência de Informação Nacional).

López afirmou que os ensaios serão realizados em centenas de hospitais de países da União Europeia. Cerca de 700 pacientes devem participar do projeto. Segundo especialistas, essa é a maior pesquisa já feita sobre as úlceras em pés diabéticos.

No momento, Cuba prepara as condições para produzir quantidade suficiente do remédio, para depois colocar o estudo em prática com outras empresas, explicou o diretor do CIGB, instituição que desenvolveu o remédio, único no planeta, em conjunto com o Instituto de Angiologia e Cirurgia Vascular.

O Heberprot-P, que diminui sensivelmente o número de amputações, se tornou o medicamento líder do CIGB. É esperado para esse ano um lucro de 100 milhões de dólares. Com patentes outorgadas em mais de 40 países, o remédio obteve até agora 17 registros sanitários, permissão de uso concedida pelos ministérios ou secretarias de Saúde Pública.

Mais de 70 mil pacientes de diversas nações já foram beneficiados con o Heberprot P. Em Cuba, o programa é levado a cabo em 192 policlínicas e 43 hospitais.
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Além deste, há vários outros medicamentos desenvolvidos na ilha que tratam de maneira eficaz doenças graves. O mais conhecido é o do vitiligo, mas há tratamentos alternativos para câncer, com índice altíssimo de recuperação. A falta de conexão Brasil-Cuba na área de saúde é uma deficiência que o governo poderia corrigir, com benefício para ambos povos.  


08 julho, 2012

Aplausos para Dilma : ‘Não vou conceder mais nada’



Do Correio do Brasil  

Dilma: ‘Não vou conceder mais nada’  

O governo não vai conceder aeroportos tão cedo. No seu estilo, a presidente Dilma Rousseff passou uma descompostura nos diretores do BNDES, Anac, Infraero e Secretaria de Aviação Civil. Foi na segunda, no Planalto. Um integrante do bancão sugeriu a ela conceder terminais regionais no Amazonas. ‘Não vou conceder mais nada, com esse modelo atual (de concessão) que fizeram’, retrucou a presidente. ‘Vocês entregaram os melhores aeroportos do país para grupos que ninguém conhece’.

No chão

A presidente deu o recado claro que, neste ano, não entram mais nos planos a concessão de Galeão (Rio) e outros grandes aeroportos. A turma se desdobra em novo plano.

Turbulência geral

No gabinete presidencial, entre as cabeças baixas e um silêncio mortal, havia oficiais da FAB. Dilma está muito descontente com os grupos que levaram os aeroportos.

Para quem quiser relembrar, aqui um resumo: E agora, com que roupa

06 julho, 2012

Impunidade da tortura no Brasil impede avanços no cone sul

Charge de Latuff p/FISENGE: O Estado Brasileiro e os torturadores da ditadura militar

Do Carta Maior
por Najla Passos

A resistência do Brasil em adotar medidas que permitam a punição dos agentes da ditadura responsáveis por crimes de lesa humanidade, como torturas, desaparecimentos forçados e assassinatos, prejudica a luta pelos direitos humanos em toda a América Latina. Este foi o principal recado deixado pelos cerca de 350 parlamentares, operadores do direito e militantes dos direitos humanos que participaram, nestas quarta (4) e quinta (5), do Seminário Internacional sobre a Operação Condor, em Brasília, promovido pela Comissão Parlamentar de Memória, Verdade e Justiça da Câmara.

A Operação Condor foi um pacto firmado entre as ditaduras de Brasil, Chile, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, fundado na Doutrina de Segurança Nacional, ministrada pela Escola das Américas, que, por meio de terrorismo de Estado, impôs sofrimento a milhões de pessoas, em centros clandestinos de tortura, cadeias e quartéis da América do Sul. A compreensão dos participantes do seminário é a que justiça só será feita com a participação efetiva de todos os estados envolvidos.

Para o juiz federal argentino, Daniel Rafecas, que teve pedidos de extradição de torturadores argentinos rejeitados pela corte brasileira, a interpretação equivocada que o Superior Tribunal Federal (STF) faz da Lei da Anistia, imposta pela ditadura brasileira em 1979, impede os avanços dos direitos humanos não só no Brasil, mas também nos demais países do cone sul. “Esta é a questão central para avançarmos na consolidação das nossas democracias. Crimes de lesa-humanidade, como torturas, assassinatos e prisões ilegais, são imprescritíveis sob o ponto de vista de toda a legislação internacional. O Brasil precisa compreender isso”, criticou.

Segundo ele, na Argentina, desde 2005, a suprema corte declarou a lei local de anistia inconstitucional. Com isso, foi possível abrir processos contra cerca de mil agentes da ditadura, sendo que 250 já foram condenados por crimes graves.

O deputado argentino Remo Gerardo Carlotto acrescentou que os julgamentos dos crimes praticados no âmbito da Operação Condor devem ser considerados políticas de estado pelos governos envolvidos. “O Estado democrático deve prestar contas daquilo que foi feito pelo estado terrorista anteriormente”, defendeu.

A jornalista, escritora e professora chilena Mônica Gonzalez, também cobrou uma postura mais incisiva das autoridades brasileiras, para permitir o resgate da memória dos regimes militares, comum a todos. Em especial, no caso do povo chileno, a verdade sobre um dos períodos mais emblemáticos da sua história: o golpe que retirou do país, em 1973, o presidente socialista Salvador Allende. “Nós sabemos foram os empresários brasileiros que financiaram a junta militar responsável pelo golpe. E que as primeiras armas que chegaram ao Chile para apoiar Pinochet saíram do Exército brasileiro. Queremos que essa história seja esclarecida e os culpados, punidos”, reivindicou.

O jornalista e ativista dos direitos humanos brasileiro Luiz Cláudio Cunha reconheceu que o país é um péssimo exemplo em resgate da memória. “O Brasil é o país mais atrasado nesta questão. Suas elites políticas e judiciais são extremamente covardes e hipócritas. Eles acham que não punição é uma coisa importante. E a gente vê que os povos da argentina, do Uruguai, do Chile estão resgatando sua autoestima a partir da vivência dos julgamentos de pessoas que cometeram crimes que não são perdoáveis, crimes imprescritíveis. O crime de tortura, por exemplo, é um crime que deve ser sempre perseguido no mundo inteiro. Tanto é que ainda hoje se ouve notícias de nazistas de 80, 90 anos sendo presos. E não por causa de um revanchismo idiota, ou de um sentimento de vingança qualquer, mas porque a justiça do mundo exige que a tortura seja sempre punida. No Brasil, inventaram que isso não tem importância. E para vergonha nossa, isso foi chancelado pelo STF”, criticou.

O médico, professor, escritor e ativista paraguaio Alfredo Boccia Paz propôs uma articulação entre os movimentos dos direitos humanos dos países envolvidos para cobrar justiça e, assim, curar as feridas abertas pelas ditaduras. “Sempre nos chamou muita a atenção porque no Brasil tardava tanto a começar a discutir essas questões de resgate da memória e justiça, que há muito tempo que já vínhamos discutindo nos demais países. A Condor foi transnacional. O reencontro com a memória também precisa ser sem fronteiras”, cobrou.

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), coordenadora da Comissão Parlamentar Memória, Verdade e Justiça a Câmara, também defendeu a articulação de um pacto para lutar contra a impunidade. “Temos que construir uma articulação que seja o reverso da Operação Condor, e possa resgatar a dignidade dos nossos povos por meio da verdade e da justiça. Crimes como o de tortura não podem ser resolvidos com perdão, mas com punição. Isso não se trata de uma vontade pessoal, mas de uma demanda da sociedade”, justificou.

No documento final do evento, denominado Carta de Brasília, ficou expresso o recado ao judiciário brasileiro. “É exigida uma nova interpretação dos instrumentos legais que cada ditadura impôs nos ordenamentos jurídicos nacionais, como autoanistia e prescrição, a garantir a impunidade aos crimes por elas praticados contra os povos da região, cabendo-nos confrontar toda lei, decreto ou norma que possa reduzir, anular ou restringir a proteção aos direitos humanos, e propugnar que os Estados, em nossas constituições, permitam a investigação e a punição dos crimes contra a humanidade, conforme já estabelece a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, para que os agentes de Estado, assim como os seus cúmplices civis que violaram os direitos humanos, sejam processados e punidos com penas proporcionais aos seus crimes”, diz a Carta.


05 julho, 2012

Estudo contraria tese de compra de votos na Câmara

O post abaixo chegou através do facebook do Eduardo Martinez. Foi publicado originalmente no Tudo sobre o mensalão, site que é "uma iniciativa do Movimento Universitário em Defesa do Estado de Direito, formado por estudantes de Direito interessados no debate de temas pertinentes ao Judiciário e suas relações com diferentes segmentos da sociedade. A ideia de criar o site nasceu a partir do estudo da ação penal em sala de aula e da constatação de que muitas das informações sobre o processo não vêm sendo abordadas pela imprensa".   

O estudo é interessante ao revelar, em gráficos, o que já foi afirmado várias vezes por acusados, denunciados, testemunhas e advogados do caso.

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A tese de que o governo fez repasses a parlamentares para garantir votações favoráveis na Câmara em 2003 e 2004 não encontra nenhum respaldo estatístico. O argumento usado para sustentar a existência do chamado mensalão é derrubado pelos números.

Clique aqui para ver o estudo na íntegra


O cruzamento entre os repasses feitos pelo publicitário Marcos Valério e as votações na Câmara mostra que não existe relação entre as duas coisas. Ou seja, reforça a tese de que o dinheiro tinha relação com o caixa dois dos partidos, sem nenhuma ligação com o governo.

Levando em conta as ocasiões em que o governo deu orientação sobre como os partidos deveriam votar, foram 238 votações entre 2003 e 2004.

De acordo com a tese sobre a existência do mensalão, o governo deveria ter mais votos nos meses em que os repasses foram feitos. Mas isso não ocorreu.

A tabela abaixo mostra o comportamento do PP, do PL, do PMDB e do PTB em 2003 e 2004 durante as votações nos meses em que os partidos teriam recebido os repasses:



Percebe-se que, por serem da base governista, os partidos têm alto índice de apoio ao governo nas votações. Ao analisar os meses em que houve repasses, não é possível encontrar um aumento desse apoio.

Pelo contrário: no mês do maior repasse – agosto de 2004, com R$ 4,268 milhões – , o índice fica abaixo da média geral, de 86,7%. Em meses sem nenhum repasse, há expressiva votação favorável ao governo, como em julho de 2003 ou junho de 2004.

Além disso, embora em quase todo o período analisado haja repasses aos quatro partidos, a tendência geral de apoio ao governo tem queda, como mostra este gráfico:





O gráfico também revela que há um forte crescimento do apoio ao governo entre abril e junho de 2003, quando os repasses são bem menores que os dos outros meses.

É possível verificar que, se houvesse alguma influência dos repasses nas votações, ela seria negativa. Ou seja, quanto maior o repasse, menor o apoio ao governo.

O gráfico abaixo ilustra esse movimento. A reta vermelha pontilhada mostra a tendência de apoio ao governo, que cai conforme os repasses aumentam:



Todos os gráficos foram feitos com números oficiais das votações na Câmara.


04 julho, 2012

A quadrilha de Cachoeira ainda atua

Em entrevista à Conceição Lemes, o deputado federal Paulo Teixeira, vice-presidente da CPI do Cachoeira, revela indícios de que a quadrilha continua em atividade, e é comandada pelo bicheiro, de dentro da prisão. Cita como exemplo o fato de Andressa Mendonça, esposa do Cachoeira, e o braço político dele, Wladimir Garcez, ex-vereador do PSDB, terem usado o mesmo argumento para desqualificar o depoimento do jornalista Luiz Carlos Bordoni, além das ameaças que procuradores e juízes envolvidos com o caso vem sofrendo. Para Teixeira, só quando a CPI conseguir dissecar todo o funcionamento da quadrilha é que ela poderá ser desbaratada. 



Do Viomundo
por Conceição Lemes

Nesta quinta-feira 5, haverá reunião administrativa da CPI do Cachoeira para decidir as próximas oitivas e quebras de sigilo. Entre os requerimentos a serem votados, estão as convocações de:

Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta Construções. Há suspeitas de que a Delta, durante a sua presidência, teria vínculos com o esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) do Ministério dos Transportes. Ele relatou a influência do bicheiro na sua demissão do Dnit.

Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa. São Paulo fez contratos de quase um bilhão com a Delta; R$ 178, 5 milhões, celebrados nas gestões Alckmin (2002 a março de 2006 e de janeiro de 2011 em diante) e R$ 764,8 milhões no governo Serra (janeiro de 2007 a abril de 2010). Paulo Preto assinou o maior deles. A Dersa contratou em 2009 a Delta para executar a ampliação da marginal do Tietê por R$ 415.078.940,59 (valores corrigidos).
 Pela Delta, assinou Heraldo Puccini Neto, que teve a prisão preventiva decretada em abril e continua foragido.

Adir Assad, empresário de São Paulo que atua nos segmentos de construção civil e eventos. Suas empresas, entre as quais a SM Terraplenagem, receberam cerca de R$ 50 milhões da Delta.

Raul Filho, prefeito de Palmas, Raul Filho (PT-TO). Apareceu em vídeo divulgado no último domingo, negociando doações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

“Cavendish, Pagot, Paulo Preto, Raul Filho e Adir Assad estão entre os nomes que serão apreciados no dia 5”, informa ao Viomundo o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), vice-presidente da CPI do Cachoeira. “Mas não dá para adiantar quem será e quem não será chamado já. O que eu posso garantir é que todos os nomes relacionados com a organização criminosa do senhor Carlinhos Cachoeira serão investigados. A CPI não vai blindar quem quer que seja.”
“O saldo da CPI na última semana foi muito positivo”, prossegue. “A casa do Marconi Perillo caiu. Além disso, tivemos demonstrações de que essa organização criminosa continua muito ativa e articulada, apesar do Cachoeira preso.”
Viomundo – Mas a CPI suspendeu algumas convocações e nessa terça-feira nenhuma das quatro pessoas convocadas para depor compareceu.

Paulo Teixeira
 – Quanto à suspensão de alguns requerimentos, nós decidimos por isso até que tivéssemos acesso à quebra do sigilo bancário, já que CPI tem mais condições de fazê-lo do que a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF). Essas informações começam a chegar e vão nos permitir avançar em todo o braço dessa organização criminosa.

Quanto ao não comparecimento de algumas testemunhas, isso acontece em qualquer CPI. Mas as quatro serão reconvocadas. A saber: Rosely Pantoja da Silva, sócia da Alberto & Pantoja, empresa fantasma de Cachoeira; Edivaldo Cardoso, ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Goiás; o policial aposentado Joaquim Gomes Thomé Neto, acusado de ser um dos espiões do bicheiro; e Ana Lorenzo, dona da Serpes Pesquisa de Opinião e Mercado, contratada para a campanha do governador goiano, Marconi Perillo (PSDB), em 2010 e que, segundo a Polícia Federal, recebeu cheques do esquema de Cachoeira.

Viomundo
 – A mídia tem feito avaliações negativas dos trabalhos da CPI. Como analisa o papel dela até o momento?

Paulo Teixeira
 — A CPI surgiu de uma investigação da Polícia Federal com o acompanhamento do Ministério Público Federal que resultou numa decisão judicial que levou à prisão os principais líderes de uma organização criminosa bem organizada, com raízes muito profundas, e que operava a partir do estado de Goiás.

A CPI está complementando esse trabalho que, aliás, foi muito bem feito. A CPI está dissecando todo o fluxo de recursos da organização criminosa: quais empresas alimentavam-na e quais ela alimentava. Ou seja, origens, destinos, valores…

A CPI tem agora uma equipe grande de técnicos do Banco Central, Controladoria Geral da União (CGU), Tribunal de Contas da União, Polícia Federal, Senado, que está analisando os dados. São técnicos fazendo uma análise financeiro-contábil da circulação do dinheiro. Nós queremos ter um diagnóstico rápido da organização e provas consistentes para levar a julgamento célere as pessoas envolvidas.

Viomundo
 – No começo da entrevista, o senhor disse que a organização criminosa do Cachoeira continua muito viva. Que sinais ela deu nesse sentido ultimamente?

Paulo Teixeira
 – Realmente, tivemos demonstrações de que ela continua bem articulada. É uma organização ousada que atua para constranger, a ponto de ameaçar magistrados. Por exemplo, o juiz Paulo Augusto Moreira Lima, da Justiça Federal de Goiás, se afastou do processo da Operação Monte Carlo porque se sentiu ameaçado. A procuradora Léa Batista, que atua também em Goiás, recebeu e-mail com ameaças a ela.

E ousada também nos seus relacionamentos a ponto de um juiz federal se dar como impedido pelas relações que ele tinha com um integrante dessa organização criminosa.

Viomundo
 – Que outras demonstrações ela deu de atuação? 

Paulo Teixeira
 – Na semana passada, por exemplo, a Andressa Mendonça, esposa do Cachoeira, e o Wladimir Garcez, ex-vereador do PSDB e braço político do bicheiro, usaram o mesmo argumento para desqualificar o depoimento do jornalista Luiz Carlos Bordoni. Em 2010, ele prestou serviços à campanha de Marconi Perillo como locutor de rádio e recebeu recursos da Alberto & Pantoja e da Adércio & Rafel Construções e Incorporações, empresas que pertenciam à organização criminosa.

A Andressa disse em entrevista e o Wladimir, em depoimento na CPI criada na Assembleia Legislativa de Goiás para tentar livrar a cara do Perillo, que o jornalista teria tentado extorquir o bicheiro e o dinheiro que apareceu na conta dele seria decorrente disso. Essa coincidência nas falas demonstra que a organização criminosa ainda está articulada, conversa, combina estratégias, ainda que o Wladimir Garcez tenha saído da prisão com o compromisso de não procurar os seus antigos pares.

Evidentemente agora cabe à CPI, via quebra do sigilo telefônico, verificar se na véspera dos pagamentos houve algum telefonema entre Lúcio Fiúza Gouthier, ex-assessor especial do governador goiano, e o jornalista. Havendo, será a prova cabal de que quem ordenou os pagamentos foram os assessores de Marconi Perillo. Uma acusação grave, pois vincula diretamente a campanha do governador com o dinheiro do crime organizado.

Viomundo
 – Na semana passada, um arquiteto também prestou depoimento sobre a casa do Perillo/Cachoeira.

Paulo Teixeira
 – Isso mesmo. Ele decorou a casa que era do Perillo para o Cachoeira. Ele demonstrou que a casa foi vendida para o Cachoeira. Também foi encontrada a escuta de um diálogo entre o Cachoeira e um ex-diretor da Delta sobre a casa.

Viomundo
 – Esse diálogo foi com quem? O que dizia exatamente?

Paulo Teixeira
 – Entre o Cachoeira e o Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta no Centro-Oeste. O Cláudio Abreu diz que a compra da casa do Perillo iria abrir as portas do estado de Goiás tanto para ele, Cachoeira, quanto para a Delta, pois estavam fazendo um favor ao governador. Também na conversa, o Cachoeira diz que o contrato da casa não pode estar no seu nome.

Assim, juntando esses dois depoimentos da semana passada mais a gravação feita pela Polícia Federal, eu diria que a casa do Marconi Perillo caiu. Ao mesmo tempo, ficou demonstrado que não existe nenhuma ligação entre o senhor Cláudio Monteiro, assessor do governador Agnelo Queiroz (PT-DF), e o esquema do Carlos Cachoeira.

Viomundo
 – A quadrilha continua funcionando mesmo?

Paulo Teixeira – Não tenho a menor dúvida. O senhor Carlos Cachoeira tem despachado com sua ex-mulher, que é quem dirige o laboratório Vitapan, por onde circulam muitos milhões de reais. Ele deve orientá-la em como fazer para manter a organização de pé.

A coincidência de versão do Wladimir e da Andressa e as ameaças feitas a procuradores e juízes federais demonstram também que essa organização criminosa não só continua funcionando, mas como tem uma profunda articulação. E que o próprio Cachoeira, da cadeia, continua operando os interesses financeiros dela.

Viomundo
 – O senhor acredita que o trabalho da CPI possa dar resultados positivos para a sociedade?

Paulo Teixeira
 – À medida que a CPI aprofunda as investigações, ela pode contribuir para que essa organização deixe de funcionar. Ao dissecá-la, teremos como desmantelá-la Assim como teremos condições de desbaratar aqueles que ela utilizou para sobreviver.

Por outro lado, se não tivesse a CPI, talvez todos os participantes dessa organização criminosa estivessem em liberdade, atuando a pleno vapor.
  Também se não tivesse a CPI, várias pessoas que estão sendo investigadas não poderiam sê-lo, pois têm foro privilegiado. Estou me referindo aqui a parlamentares e ao próprio governador de Goiás.

Veja bem. Essa organização criminosa conseguiu dominar todo o aparato de Estado, principalmente em Goiás. As investigações demonstram que ela teve influência nas polícias civil, militar e até Federal, no Poder Judiciário, no governo de Goiás.

Viomundo
 – Mas os trabalhos não poderiam ser mais rápidos?

Paulo Teixeira
 — Nós vivemos num estado democrático de direito. Essa investigação tem de ser feita dentro dos parâmetros legais. Assim, estamos utilizando, de um lado, oitivas. De outro, a análise de documentos e informações que nos chegam da sociedade.

A CPI está trabalhando de forma intensa. Até novembro, que é o prazo final para os trabalhos da CPI, nós vamos entregar uma grande contribuição para o Brasil. Além de desvendar essa organização criminosa e acusar na Justiça quem se envolveu com ela, acredito que poderemos também propor aperfeiçoamentos na legislação brasileira para organizações criminosas como essa não prosperem. E que a efetividade no combate a elas seja maior.

03 julho, 2012

Bernardo quer o governo mais invisível




É contrário à razão, ao senso comum, portanto, absurdo – assim como o quase total silêncio em torno disso – que um Ministro das Comunicações de um país como o nosso, onde ainda não há energia elétrica em muitos lugares - logo o acesso às informações é limitado – e que não retira da gaveta o projeto deixado por seu antecessor de regulamentação da mídia, apoie a “flexibilização” do horário da Voz do Brasil

Conforme foi noticiado no último dia 20, pelo Terra, a informação foi prestada pelo próprio ministro Paulo Bernardo, no 26º Congresso Brasileiro da Radiodifusão, evento promovido pela Abert
(Associação Brasileira de Emissoras de Radio e Televisão).

A proposta tramita na Câmara e só não foi à votação no último dia 26 de junho porque deputados do partido do governo e do Psol não concordam com a proposta, segundo o site da Associação. A declaração publicada por eles é de Jilmar Tatto, deputado Federal pelo Estado de São Paulo: “O PT não é contra. O PT vai discutir. Eu sou contra. Quem não quiser ouvir bota um CD e MP3. Pobre gosta de ouvir [a Voz do Brasil]. Querem o horário nobre para ganhar dinheiro com publicidade? Oito milhões de pessoas ouvem a voz do Brasil. Por que flexibilizar? Flexibilizar é para acabar”.

Não há como discordar dessa afirmação. A Voz do Brasil é transmitida em horário nobríssimo de rádio, e abarca informações do Executivo, Legislativo e Judiciário. A quem interessa que possa ser transmitida às 3 da manhã?

O estranho é que o governo que, segundo o ministro, apóia a flexibilização (e que por sorte ainda tem em sua base alguns que não concordam), é o mesmo que justifica alianças eleitorais com inimigos históricos porque necessita do tempo de TV para dar a conhecer ao público o seu candidato, o mesmo que esteve sete anos à frente de um dos ministérios mais importantes, o da Educação. Certamente quem ouve a Voz do Brasil sabe quem é Fernando Haddad, Paulo Bernardo, Eduardo Cardozo... Mas quem lê os jornais editados pelas mesmas empresas que compõe a Abert tem que puxar pela memória para saber quem são.

Ou seja, além de tentar inviabilizar o governo diariamente, aliadas com partidos que tem essa meta, as grandes empresas de comunicações objetivam torná-lo mais invisível. E o ministro das comunicações declara concordar. Agora vai!

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Marco Regulatório, nada além da Constituição


01 julho, 2012

"Crimes de maio" se repetem em SP


Movimento Mães de Maio


por José Francisco Neto
Do Brasil De Fato


Nas últimas duas semanas ocorreram quase 140 homicídios na capital e na grande São Paulo, segundo dados apurados pelo jornal Folha de S.Paulo. Na Zona Leste, foram 25 mortes em menos de cinco dias e na Zona Sul, só no bairro do Capão Redondo, 11 assassinatos em apenas uma semana.

Essa onda de violência começou há 17 dias quando policiais da Ronda Ostensiva Tobias Aguiar (ROTA) executaram um rapaz numa ação que terminou com seis mortos após troca de tiros na Zona Leste. Há indícios de os suspeitos serem da facção criminosa do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo testemunhas, policiais pegaram um deles vivo e o levaram para a região do Parque ecológico do Tietê, onde o teriam torturado e matado a tiros. Os policiais foram presos em flagrante pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil.

Após o ocorrido, uma onda de violência começou no Estado e na Capital de São Paulo. Ônibus foram incendiados, bases da Polícia Militar foram baleadas, toques de recolher nos bairros foram anunciados pela própria polícia e grupos de extermínio agiram nas periferias matando jovens durante a noite e madrugada.

Esses fatos que estão acontecendo, segundo Débora Maria do movimento Mães de Maio, têm relações com os crimes de maio de 2006, em que após os supostos “ataques” do PCC, grupos de extermínio ligados à Polícia Militar assassinaram mais de 500 pessoas, sendo que dessas, a maioria negros e pobres. “Esse foi o maior massacre da história brasileira recente”, diz o manifesto do movimento.

Para Débora, do mesmo modo que está acontecendo agora, com ônibus sendo queimados, jovens sendo mortos e toques de recolher nas periferias, aconteceu em 2006 antes de ter o massacre. “Da mesma forma que aconteceu em 2006 está acontecendo agora. A história de maio tem que ser contada, porque não é diferente do que aconteceu durante esses seis anos. Não teve nenhuma punição naquela época, pois o Estado se omitiu”, conta.

Omissão do Estado

A declaração que o governador Geraldo Alckmim deu à imprensa na última quarta-feira (27) dizendo que “o governo não retrocederá um milímetro” e que “os criminosos que enfrentarem a polícia vão levar a pior” é a mesma que concedeu em 2006, segundo Débora.

Para ela, a história se repete e quem fica no meio do fogo cruzado é a população. “O governo está sendo omisso mais uma vez. Nós, mães, somos a verdadeira vítima do Estado, porque eles não matam só os nossos filhos, mas sim uma família inteira. Eles deveriam arrumar outro método pra fazer o trabalho em cima dessa violência, e não tratar a violência com violência, que é sempre produzida por eles mesmos”, critica.

Chacina

Na noite de segunda-feira (25) nove jovens foram assassinados em apenas quatro horas nos bairros paulistanos Jardim Robru, Capão Redondo, Jardim Ângela e Jardim São Luis, além do município de Poá, na região metropolitana da capital paulista.

Das nove mortes, quatro foram no Jardim Picosse, em Poá. Os jovens Dênis Silva Aparecido e Estevam Marine de Campos, ambos de 19 anos, estavam na rua Pará, na altura do número 178, com Raimonde Anunciação Batista, de 20 anos, e Hederton José Cunha, de apenas 16.

Os moradores que ouviram os tiros acionaram a Polícia Militar (PM), que foi até o local e encontrou as quatro vítimas caídas em via pública. Os jovens foram levados ao pronto-socorro central da cidade, mas não resistiram e morreram.

A chacina foi registrada no Distrito Policial do município e será investigada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Essa é a quinta chacina do ano registrada na Região Metropolitana, subindo para 16 o número de mortos neste tipo de crime.

28 junho, 2012

Social para quem? Democrático onde?

Por Denise Queiroz
Colaboração de Sergio Pecci
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Conheci São Paulo na década de 90. Leitora de Asterix, a primeira impressão foi “esses paulistas são uns loucos”, pois entrando na cidade, no limite da velocidade permitida na marginal, o povo que vinha atrás esquecia a mão na buzina, como se estivéssemos a 30 por hora. Com o mapa à mão, saímos no primeiro caminho - pois sempre os há - e andamos por vias menos rápidas para ir até o hotel. Lá chegando, no centro velho, a impressão foi mudando, e essa é a que carrego. Depois disso voltei algumas vezes e sempre a frase “da grana que ergue e destrói coisas belas” toma vida.

Chegando de avião a imagem é que toneladas e toneladas de concreto foram semeadas e brotam como erva ruim, sem respeito ao humano limite que a sobrevivência impõe. Mas andando pelos lugares onde ando, tudo parece arrumadinho e bem cuidado, as pessoas são gentis, embora sempre veja, como em qualquer cidade, ruas esburacadas, calçadas quebradas, lixo que não é recolhido, etc. Detalhes (e o diabo mora neles) que denunciam a imperfeição de que somos feitos...  E sim, também vejo moradores de rua, gente vendendo de poemas a flores nas portas dos bares, gente pedindo uma moeda para alguma necessidade. Nada muito diferente do qualquer cidade neste país, que sempre foi tão desigual e, por isso, não causa estranhamento.

Quando se vota em alguém para administrar, seja o prédio ou o conselho de pais da escola, queremos alguém que dê conta de, com nossa ajuda, resolver desde as situações mais comezinhas até apontar e tentar mudar estruturas que em sua base estejam minadas. Certo? Parece que em São Paulo não se pensa assim.

O prefeito atual é herdeiro indireto de Paulo Salim Maluf através de Celso Pitta, por mãos de quem entrou na administração, e depois, de José Serra, de quem diretamente herdou a prefeitura. O que presenciamos denuncia o que isso significa.

A política atual na administração de São Paulo é o higienismo. O que se aplica (e em algumas outras cidades) não é aquele que foi praticado no século XIX na Europa, quando o termo foi cunhado, contemporâneo à descoberta de que os microorganismos são os responsáveis por grande parte das doenças e, por isso os poderes públicos atentaram para a necessidade de saneamento, limpeza urbana, arejar as cidades, enfim, quando se descobriu que sujeira traz doenças.

Esse que se pratica numa das maiores cidades do mundo, e pior, com apoio de parte da população que elegeu o atual prefeito, é semelhante àquele que os regimes mais horrorizantes da história aplicaram. E coincidência ou não, os partidos que o sustentam sempre tiveram o termo 'social' em alguma parte. O Partido Nacional Socialista alemão, que levou Hitler ao poder e, cujo nome se aparenta ao recém nascido Partido Social Democrático, do prefeito Kassab, é um exemplo.

Social para quem? Democrático onde?

Ao ameaçar enquadrar administrativa e criminalmente entidades que atendem in loco à população de rua da região central de São Paulo, o prefeito e seus aspones descumprem a Constituição Federal, que prevê assistência social a quem necessite. Não, não está na Constituição que essa assistência deva ser prestada em locais pré-determinados, em endereços desconhecidos, onde as mazelas históricas possam estar ocultas. 



Quem necessita de assistência social é porque é a ponta mais longínqua nas políticas excludentes que tanto aprazem certa sociedade, que da necessidade mal conhece a palavra, mas que se beneficia da ignorância e da fome, nas urnas e para ascender ao poder, e ainda assim quer escondê-la, em nome de uma imagem “mais limpinha”, dos possíveis investidores ou turistas estrangeiros, que lêem na imprensa internacional “o bem que o Brasil está”. 

E sim, pelo que leio por aqui e por ali, esse é o caminho que alguns governantes estão tomando aceleradamente, um caminho mais rápido, certamente beneficiando a alguns amigos. 



Tal qual foi feito no Rio de Janeiro, onde um muro aparentemente transparente - mas onde estão jateadas as maravilhosas paisagens da cidade e que chamam mais a atenção do que está por trás - foi colocado acima dos guard-rails da linha vermelha, a via expressa que liga a zona sul ao aeroporto. Assim se escondem as favelas que historicamente “enfeiam” o caminho pavimentado pela imoralidade administrativa. Tal qual em São Paulo o ‘socialista’ Kassab tenta esconder a parte mais frágil da podridão política espelhada nos cristais da paulista... tal qual as cortinas de ferro escondem os espelhos, quando a noite cai.


Foto do blog Vocábulo Disperso






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Além dos links inseridos no texto, recomendamos


27 junho, 2012

Essa democracia está com problemas muito sérios



As revoltas populares no Oriente "foram muito contagiosas". Esta é uma das afirmações do programa número 10 da série "Diálogos com Assange" que a RT divulgou dia 26 de junho. No episódio, o fundador da Wikilieaks conversa com o filósofo, linguista e ativista norteamericano Noam Chomsky e com o historiador, escritor e cineasta Tarik Ali.

Eles analisam o contexto, o desenvolvimento e as possíveis conseqüências da onda mundial de protestos inciada com a Primavera Árabe e revelam suas impressões sobre o sistema de controle do planeta. 


Assista ao vídeo na íntegra, dublado em espanhol ou leia, logo abaixo uma síntese, traduzida para o português*.






O fator surpresa do movimento

"A velocidade e a magnitude dos protestos realmente pegou a todo mundo de surpresa", ressaltou Ali. O historiador está convencido de que, caso houvessem sido previstos, os governos teriam aplicado "mecanismos radicais" para detê-los. "Teriam tentado conter o povo, dispersar (o movimento) torturar, colocar todos na cadeia".

Ali Afirma que a primavera árabe foi muito contagiosa, e acentua a relevância dessas revoltas populares terem surgido "numa parte do mundo em que os comentaristas diziam que ali as pessoas não estavam interessadas na democracia", e que os "muçulmanos são geneticamente hostis à democracia". 

Mas, como tudo aconteceu rapidamente, os Estados Unidos e as outras potências ocidentais nada puderam deter, diz o historiador, lembrando.  que os protestos se estenderam a outras partes do mundo, inclusive aos Estados Unidos, com o movimento #occupy e à Russia. Ele ressalta que a Primavera Árabe continua sendo contagiosa de diferentes formas.

Chomsky concorda com Ali e lembra que os acontecimentos no Egito são muito significativos e profundos. Aconteceu por que "no Egito havia gente preparada para os protestos e, para muitos, era uma possibilidade de começar a fazer alguma coisa”, lembrando o movimento de Abril de 2008. 



Os dois concordam que a invasão à Líbia foi uma tentativa ocidental de restabelecer o controle da região, e consideram importante ressaltar que, nos países produtores de petróleo do Golfo Pérsico, antigos e fiéis aliados dos Estados Unidos como a Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuait, "nunca brotou nada parecido".

"Essas nações estão sob um controle ferrenho", afirma Chomsky, sublinhando que o ocidente tem "um plano de jogo para quando alguns de seus ditadores favoritos percam a capacidade de governar". “Nesta situação, o que fazem é apoiá-los até o último minuto e, quando não é mais possível apoiá-los, o exército se volta contra eles. “Mais tarde conseguem que uma classe intelectual faça declarações veementes sobre a democracia e com isso tentam instaurar o antigo sistema, na medida do possível".

A democracia está com problemas muito sérios

Vemos a democracia cada vez mais despida de conteúdo, é uma casca vazia, sublinha Tariq Ali. "O que faz com que os jovens se afastem, fiquem descrentes e desesperançosos, e acabem pensando que "não importa o que façamos, não importa pelo que votemos, isso não mudará".

"Desse pensamento saem os protestos. Somos testemunhas de um ataque às liberdades civis que afeta a democracia", afirma o historiador, recorrendo ao exemplo de uma lei assinada por Obama, que outorga ao presidente norte-americano o direito de autorizar o assassinato de um cidadão "sem recorrer à lei nenhuma".

Segundo Ali, a grande lição dessas revoltas consiste em que o povo, a massa, se deu conta de que "para fazer mudanças é necessário mobilizar-se e ser ativos".

América do Sul é exemplo de novos modelos 

Noam Chomsky ressalta que são as forças populares, preocupadas com sua sociedade, as que têm que criar seus próprios modelos. Isso, segundo ele, já está ocorrendo na América do Sul, e cita o exemplo da Bolívia, onde "a parte mais reprimida do hemisfério, a população indígena, hoje atua no âmbito político". Ele afirma que os mesmos processos estão ocorrendo no Equador e, até certo ponto, no Peru. E  sugere que o ocidente adote modelos políticos como estes rapidamente, antes de autodestruir-se e acabar! 


Nessa linha destaca "o importante avanço até a independência e a integração" que a o continente sul americano conseguiu, pela primeira vez, desde que os conquistadores europeus chegaram ao continente. Ele lembra o fato das instalações militares americanas terem sido retiradas do continente e considera que, só isso já “é um fenômeno que diz muito".

Tariq ratifica as palavras de Chomsky, e assinala que "as mudanças mais significativas das últimas décadas são provenientes da América do Sul, e o ambiente político em países como a Venezuela, Bolívia e Brasil, é completamente distinto do de outras épocas. Nestes países, muita gente diz : "pela primeira vez nos sentimos independentes de verdade".



Não se entreguem, acreditem, mas questionem

Esse é o conselho universal que Tariq Ali dá aos jovens que querem mudar o sistema e são protagonistas dos movimentos de protesto em todo o mundo. Ele os incita a "serem ativos, pois, ninguém vai lhes servir nada na bandeja". "Sejam críticos com o sistema que nos domina e, se não for nesta, na geração seguinte, as coisas vão mudar".


* Versão para o português de Denise Queiroz 


A onda de violência e as gavetas do Alckmin

Dica do @Cidoli

Reportagem exibida na Band revelou, há três meses, o pacto entre o PCC e o governo paulista. A nova onda de violência que atinge a capital é prova, mais que contundente, de que os relatórios denunciando a ligação umbilical entre os altos comandos de segurança pública e a facção criminosa seguem nas gavetas.

Assista:




Hiato entre poderes põe em risco a democracia



Do Adital
Pe. Alfredo J. Gonçalves*

Na história do processo democrático latinoamericano encontra-se um dado comum e preocupante. Vários países exibem, ao mesmo tempo, um(a) Presidente popular e progressista ao lado de um Parlamento conservador ou retrógrado. Na raiz dessa constante poderíamos encontrar uma explicação no que Maria Isaura Pereira de Queiróz e José de Souza Martins chamam de "messianismo político”. Este muda de grau e de tonalidade, mas em seu conteúdo e forma, repete-se ao longo da trajetória acidentada do continente.

Isso quer dizer que as eleições com frequência revelam uma espécie de esquizofrenia: enquanto a população em geral tende a eleger um "salvador da pátria” na pessoa do mandatário máximo, as oligarquias costuram alianças para formar senadores e deputados que deverão defender seus interesses e/ou privilégios. Em alguns casos a dicotomia é flagrante. Na emoção e expectativa da mudança, o povo concentra sua esperança e suas energias sobre a figura do líder, ao passo que as classes dominantes, calculada e matematicamente, preparam, em surdina ou ao à luz do dia, uma maioria decisiva e decisória.

Semelhante descompasso resulta na cristalização ou congelamento do status quo, em detrimento de um programa de mudanças urgentes e necessárias. A expectativa levantada com a eleição de um "messias” costuma ser infinitamente superior à capacidade de organização dos que o levaram ao poder. A capacidade real de tomar decisões por parte do poder Executivo debate-se com as forças contrárias dos outros dois poderes: Legislativo e Judiciário. O resultado são os constantes entraves, impasses e constrangimentos no interior do exercício democrático, além da prática do "toma lá dá cá” e do tráfico de influências. Evidente que neste clima há terreno fértil para a corrupção e o balcão de negócios.

Não poucas vezes o processo eleitoral expõe de maneira nua e crua essa dicotomia. Por um lado, as pesquisas da mídia e o trabalho do marketing convergem câmeras, holofotes e microfones para a eleição dos cargos majoritários (Prefeito, Governador e Presidente); por outro, nos bastidores ocultos das luzes e cores do cenário político, crescem as candidaturas dos cargos legislativos (vereadores, deputados e senadores). Não se trata apenas de descompasso, mas de um conflito que reflete e traduz um jogo de interesses da própria sociedade. A população centra o olhar no trono mais elevado, mas os representantes dos setores que detêm a riqueza e o poder o centram nas cadeiras da Câmera e do Senado. Sabem que estas, em última instância, é que elaboram as leis. Resta ao soberano, no exercício do mandato, o apelo às Medidas Provisórias, o que contrasta com o a prática genuína da democracia.

Em síntese, o "messias” encarna o governo, mas os parlamentares e juízes dominam as forças do Estado. Este não é um tigre, com suas acrobacias rápidas e flexíveis, e sim um elefante pesado, cuja burocracia requer muito tempo para completar um passo à frente. O Estado tende mais à inércia do que ao movimento. Disso resulta a decepção com presidentes que, supostamente, foram eleitos para efetuarem mudanças rápidas, as quais, de resto, fazem parte do cardápio de suas promessas. Numa palavra, não é o "messias” que põe a história em marcha, nem o paquiderme dos três poderes da união. Como a flor, a espiga e o edifício, as mudanças históricas se levantam do chão.

Talvez isso ajude a entender a trajetória de Lula, de Lugo e de Cristina, respectivamente no Brasil, Paraguai e Argentina. Mas não só!


*Assesssor das Pastorais Sociais

26 junho, 2012

Práticas medievais na "moderna" europa



Do Correio do Brasil

Proibida em Portugal em 1867, no Brasil a Roda dos
expostos foi usada até o final dos anos 40 do século passado.
 

Um sistema comum na Idade Média para abandonar filhos indesejados ressurgiu com força na Europa nos últimos dez anos, mas com nova roupagem.
Diferente das rodas de bebês rejeitados de outros séculos, o equipamento moderno difere dos cilindros de madeira instalados em paredes de conventos ou igrejas medievais.

Nos equipamentos antigos os bebês indesejados eram depositados pela parte de fora e depois girados para dentro dos estabelecimentos.


Embora tenha a mesma finalidade, o novo sistema consiste em uma espécie de berço aquecido, monitorado por enfermeiras e disposto em locais próximos a hospitais com fácil acesso da população.

A prática, entretanto, continua sendo duramente criticada pela ONU, uma vez que violaria os direitos das crianças.




Em Berlim, por exemplo, uma placa localizada ao final de uma rua de um bairro tranquilo chama atenção de moradores e visitantes, apontando para um caminho entre as árvores.

Na placa, lê-se a seguinte mensagem “Babywiege” (berço).

No final deste caminho, há uma escotilha de aço com uma alça. Dentro dela, uma espécie de berço, com cobertores para acomodar o recém-nascido, possivelmente indesejado pela família.

O local é seguro e a temperatura ideal para um bebê. Há também uma carta deixada pelos responsáveis pela instalação do berço, caso o depositante se arrependa de sua decisão e queira a criança de volta.

Duas vezes por ano, alguém – possivelmente uma mulher – percorre tal trajeto até os fundos do Hospital Walfriede.

Para fontes ligadas ao tema, trata-se, normalmente, de um caminho sem volta. A criança indesejada crescerá sem nunca conhecer a mãe.

O processo é anônimo, ou seja, não se conhece a identidade do depositante, por mais que tal prática seja mais comum entre as mães.

Mas é justamente este argumento – o de confidencialidade – que é criticado por quem condena a iniciativa.


Crítica

Críticos afirmam que a roda pode ser usada por pais inescrupulosos ou até cafetões para pressionar as mães a abandonar seus bebês.

“Estudos na Hungria mostram que não são necessariamente as mães que depositam seus filhos nessas caixas, mas, por outro lado, parentes, cafetões, padrastos e até mesmo os pais biológicos”, disse em entrevista à BBC Kevin Browne, da Universidade de Nottingham.

Funcionamento da “roda” moderna é similar à medieval; bebê é depositado dentro da escotilha.

“Como o processo é realizado no anonimato e não inclui qualquer aconselhamento psicológico à mãe, cria um precedente perigoso tanto para a mulher como para a criança”, acrescentou.

Para o estudioso, ao facilitar o processo de abandono de um bebê, as mães ficam menos suscetíveis a receber a ajuda necessária em uma situação de grande trauma emocional e, até mesmo, de risco para sua saúde.

Não há consenso, contudo, sobre o argumento levantado por Browne. Partidários da medida afirmam que estão oferecendo a mães desesperadas uma maneira segura de abandonar filhos indesejados.

Recentemente, uma mãe alemã foi condenada por atirar seu filho recém-nascido da janela do quinto andar de um edifício.

Crescimento

Situações como essa impulsionaram a prática da “roda” moderna na Europa Central e Oriental, desde os países bálticos, passando por Alemanha, Áustria, Polônia, Hungria, República Tcheca até a Romênia.

A lei de alguns desses países encoraja o sistema. Na Hungria, por exemplo, a legislação foi alterada para permitir que a iniciativa fosse considerada legal, nos mesmos padrões da adoção, enquanto que o abandono de um recém-nascido continua sendo considerado crime.

Kevin Browne, da Universidade de Nothingham, acredita que a tendência de crescimento é maior em países com passado comunista ou majoritariamente católicos, onde o estigma da mãe solteira ainda é muito forte.


Caixas para o abandono de bebês por país

Alemanha – 99
Polônia – 45
República Tcheca – 44
Hungria – 26
Eslováquia – 16
Lituânia – 8
Itália – 8*
Bélgica – 1
Holanda – 1**
Suíça – 1
Vaticano – 1
Canadá – 1
Malásia – 1

*aproximadamente
**previsão

Fonte: Comitê dos Direitos das Crianças das Nações Unidas

Para Gabriele Stangl, do Hospital Waldfriede em Berlim, que recebe dezenas de recém-nascidos por ano, a prática moderna da “roda” salva vidas, e, diferentemente do que pensa Browne, também aumenta os direitos das crianças.

Segundo ela, o sistema conta com todas as facilidades de uma maternidade comum. Uma vez que o bebê é depositado no berço improvisado, um alarme soa e uma equipe de médicos chega para checar o estado de saúde do recém-nascido.

A criança, então, é tratada no hospital e nutrida até ser encaminhada ao sistema legal de adoção. Neste período inicial, as mães têm o direito de buscarem de volta seus filhos caso se arrependam. Porém, uma vez feita a adoção, não há mais recurso.


Arrependimento

Não são raros os casos das mães que decidem voltar atrás em sua decisão. Uma delas contou à BBC que, como engravidou muito jovem e não tinha o apoio do pai da criança, ficou em estado de choque após o nascimento e decidiu colocar o filho na “roda”. Ela, entretanto, se arrependeu uma semana depois.

Em uma única “roda” em Hamburgo, no norte da Alemanha, 42 bebês foram abandonados na última década. Desse montante, 17 mães contataram os organizadores e 14 buscaram de volta seus filhos.

“Em 1999, cinco bebês foram abandonados na cidade e três deles morreram”, disse Steffanie Wolpert, uma das fundadoras do sistema de Hamburgo. “Então, nós pensamos em um jeito de contornar essa situação e permitir a sobrevivência dessas crianças”, acrescentou.

Mas os críticos, como o Comitê das Nações Unidas para os Direitos das Crianças, não estão convencidos dos benefícios do sistema. Eles alegam que a iniciativa é um retrocesso às práticas medievais.

Segundo Maria Herczog, uma psicóloga infantil que integra o comitê, uma alternativa mais eficiente à “roda” moderna seria entender e ajudar as mães em circunstâncias difíceis.

“Essa prática envia uma mensagem errada às mulheres de que têm o direito de continuar escondendo a gravidez, dando a luz em circunstâncias pouco conhecidas e abandonando seus bebês”, disse Herczog.

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Leia também: 
Bebês abandonados em rodas modernas
Espanha: Igreja roubou 300.000 crianças em 30 anos
Polêmica no JAPÃO-Hospital católico inaugura "roda dos enjeitados"

A primavera árabe por Chomsky, Assange e Tariq Alí



Do RT, via Cubadebate
Tradução de Denise Queiroz


As revoltas populares no Oriente "foram muito contagiosas". Esta é uma das afirmações do segundo programa da série "Diálogos com Assange" que será exibida na RT hoje à noite. Neste, o fundador da Wikilieaks conversa com o filósofo, linguista e ativista norteamericano Noam Chomsky e com o historiador, escritor e cineasta Tarik Ali.

Eles analisam o contexto, o desenvolvimento e as possíveis conseqüências da onda mundial de protestos inciada com a Primavera Árabe. Os convidados, claros em sua exposição, revelam suas impressões sobre o sistema de controle do planeta. 


Ali Afirma que a primavera árabe foi muito contagiosa, e acentua a relevância  dessas revoltas populares terem surgido "numa parte do mundo em que os comentaristas diziam que ali as pessoas não estavam interessadas na democracia", e que os "muçulmanos são geneticamente hostis à democracia". No entanto, os protestos não só brotaram, mas se estenderam à outras partes do mundo, inclusive aos Estados Unidos. "Foi a ocupação da praça Tahrir no Cairo, o que inspirou aos ativistas dos Estados Unidos". Ele aponta também que a primavera árabe ainda "segue contagiando, de diferentes formas".


Aqui um trecho:


A primeira edição do programa da RT apresentado por Julián Assange foi ao ar dia 17 de abril, marcando os 500 dias do bloqueio financeiro sobre a página do Wikileaks, e teve uma enorme repercussão. O marco da série de programas que conta com 10 capítulos, será o que Assange conversa com iconoclastas, visionários e especialistas do poder, com a intenção de analisar o futuro da comunidade mundial.

24 junho, 2012

Mercosul suspende o Paraguai


La Cancillería argentina informa que en el día de la fecha los Estados partes y Estados Asociados del MERCOSUR se han pronunciado mediante una Declaración expresando su más enérgica condena a la ruptura del orden democrático en la República del Paraguay.

En la misma Argentina, Brasil, Uruguay, Venezuela, Bolivia, Chile,Colombia, Ecuador y Perú suspenden su participación en la Cumbre de Presidentes del MERCOSUR, así como de las reuniones preparatorias, que tendrán lugar en la ciudad de Mendoza, entre el 25 y 29 de junio de 2012. A su vez trasladan "ulteriores medidas a ser adoptadas" al encuentro de Jefes y Jefas de Estado que se realizará en la ciudad de Mendoza el próximo viernes 29 de junio.
A continuación se transcribe la Declaración completa.


DECLARACION DE LOS ESTADOS PARTES DEL MERCOSUR Y ESTADOS ASOCIADOS SOBRE LA RUPTURA DEL ORDEN DEMOCRATICO EN PARAGUAY.



La República Argentina, la República Federativa del Brasil, La República del Uruguay, la República Bolivariana de Venezuela, el Estado Plurinacional de Bolivia, la República de Chile, la República de Colombia, la República del Ecuador y la República del Perú;

Considerando que, de acuerdo a lo establecido en el Protocolo de Ushuaia sobre Compromiso Democrático en el MERCOSUR suscrito el 24 de julio de 1998, la plena vigencia de las instituciones democráticas es condición esencial para el desarrollo del proceso de integración.

DECIDEN:

1.- Expresar su más enérgica condena a la ruptura del orden democrático acaecido en la República del Paraguay, por no haberse respetado el debido proceso.

2.- Suspender al Paraguay, de forma inmediata y por este acto, del derecho a participar en la XLIII Reunión del Consejo del Mercado Común y Cumbre de Presidentes del MERCOSUR, así como de las reuniones preparatorias, que tendrán lugar en la ciudad de Mendoza, entre el 25 y 29 de junio de 2012.

3.- Considerar, a nivel de Jefas y Jefes de Estado en la Reunión Cumbre del MERCOSUR del día 29 de junio, ulteriores medidas a ser adoptadas.

A direita nunca o perdoou

Texto do El País
Tradução de Denise Queiroz





Foi o homem que pôs o Paraguai no mapa em abril de 2008, quando eleito à presidência com 40% dos votos, finalizando assim 61 anos de governo do conservador Partido Colorado. Bispo desde 1977, pendurou a batina em 2005 para dedicar-se à política. De esquerda, tinha 56 anos e prometeu implantar a reforma agrária integral, que poria fim ao monopólio das terras por parte da oligarquia beneficiada pela ditadura militar de Alfredo Stroessner (1954-1989). Nesse momento, 76% da população acreditava que as coisas iam melhorar com ele. No entanto, o Paraguai só saía do mapa a cada vez que Lugo reconhecia a paternidade de algum filho ilegítimo. O primeiro se conheceu em 2009 e o último no início deste mês. Ambos foram concebidos quando ele era Bispo. Mas isso não prejudicou em grande coisa sua carreira política.

A direita o acusou de tolerar e incentivar as ocupações de terra que os camponeses da Liga Nacional de Carperos faziam com suas barracas. Os conflitos costumavam resolver-se sem mortes. Até que no último dia 15 de junho, quando numa ocupação, no norte do país, morreram seis policiais e onze sem-terras. A oposição, então, pôs o seu dedo acusador sobre o presidente. Lugo destituiu ao ministro do interior e colocou em seu lugar um outro, do Partido Colorado. Mas isso só serviu para insuflar ainda mais o ânimo dos liberais com os quais governava em coalisão. Conservadores e liberais se uniram e foram para cima. Com o gesto de tentar até a última hora agradar a uns e outros, ficou retratada sua maneira conciliadora de entender a política. “Deu liberdade demais a seus ministros”, aponta Oscar Rodriguez, economista e professor da Universidade Católica de Assunção. “Inclusive dentro da sua aliança, a Frente de Guazú, tem gente com visão muito diferente sobre problemas muito concretos”.

Lugo governava com os aliados do Partido Liberal mas também foi outorgando ministérios ao Partido Colorado. O Ministério da Agricultura estava dominado por políticas neoliberais e o do Meio Ambiente controlado pela esquerda radical. “Foi difícil para ele tirar a batina”, comentou um membro da Frente Guazú. “Ele via com muita bondade a todos os seus rivais como se fossem fiéis. Apelava à bondade da pessoa, sem levar em conta que muitas dessas pessoas têm interesses econômicos muito grandes e poderosos”.

Passaram-se mais de quatro anos e Lugo nunca pode colocar em prática seus ideais de redistribuição da terra. Seus seguidores estimam que os inimigos de Lugo eram demasiado poderosos: o sistema judicial, a Câmara de Deputados e os meios de comunicação servem aos interesses de uma pequena oligarquia, segundo os partidários do presidente.

“Com a ocupação que resultou na matança, ficou evidente a manipulação informativa”, aponta o funcionário Bernabé Pencuyo, de 60 anos. “Os sem-terra haviam ocupado umas terras que pertenciam ao Estado e que foram entregues, durante a ditadura de Stroessner, ao grileiro Abad Riquelme, de forma ilegal e corrupta. Há um tribunal que ainda está decidindo a quem pertencem essas terras. Mas isso quase nunca se fala”.

A direita promoveu a destituição de Lugo, embora seus interesses não tenham sido muito ameaçados por ele. “Os exportadores de soja no Paraguai só pagam 3% de impostos, enquanto na Argentina pagam mais de 30%, sustenta Rodriguez. “Não pôde fazer grande coisa pela reforma agrária, mas conseguiu implantar um sistema de saúde que permitiu que a maior parte da população tivesse medicina gratuita. Também concedeu subsídios para mais de 20 mil famílias que vivem na extrema pobreza e levou café da manhã e almoço gratuito às escolas públicas, acrescenta Oscar Rodriguez.

“Lugo não pôde fazer muitas mudanças”, reconhece o sociólogo José Carlos Rodriguez, colaborador do governo, “mas trouxe uma cultura distinta à que sempre se viu neste país. A direita nunca o perdoou”.


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